34º almoço em 2025 - Figueira da Foz - Quinta da Salmanha.
segunda-feira, 31 de julho de 2017
domingo, 30 de julho de 2017
sexta-feira, 28 de julho de 2017
4º. almoço anual em 1993, organizado pelo José Arrabaça, em Atalaia/Barquinha
Este almoço teve a presença de 102 pessoas, entre guerreiros, amigos e familiares.
Foi organizado pelo saudoso José Arrabaça, na Atalaia/Barquinha.
Foi organizado pelo saudoso José Arrabaça, na Atalaia/Barquinha.
quinta-feira, 27 de julho de 2017
Coronel João Trabulo faz hoje anos
O nosso coronel João Trabulo, que pertencia à CCAÇ 2314, aquartelada em Tite, passa hoje mais um aniversário.
Para o nosso coronel um abraço de parabens nesta data, que tenha muita saúde e que o dia seja alegre e bem disposto, junto de familiares e amigos.
Um abraço.
Leandro Guedes.
quarta-feira, 26 de julho de 2017
segunda-feira, 24 de julho de 2017
1º. almoço anual, na Areia Branca, perto de Torres Vedras, foi em 1990.
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| Estalagem da Areia Branca, hoje desativada |
Dão-se alvissaras a quem enviar uma foto do primeiro almoço realizado na Estalagem da Areia Branca, perto de Torres Vedras, em 1990. Infelizmente a Estalagem está desativada, nas mãos dum qualquer banco. Por sugestão do Cavaleiro, na ultima vez que nos encontramos em Vilar Formoso, se um dia a Estalagem voltar a funcionar, vamos lá organizar um almoço anual. Quem sabe ! Aqueles que foram a este primeiro almoço, lembrar-se-ão que em frente está o mar, uma paisagem lindíssima, num dia de muito significado para todos nós - o do reencontro. Ficamos à espera da foto.
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| Forte de Paimogo, ao fundo, perto da Estalagem da Areia Branca |
sábado, 22 de julho de 2017
3º almoço anual em Mira, Aveiro, organizado pelo Jorge Claro em 1992.
Esta foto é do 3º almoço em Mira, Aveiro, organizado pelo
Jorge Claro salvo erro em 1992. Aqui se verifica a evidente juventude dos
participantes, muitos deles com bigode, outros bastante cabeludos, mas todos,
ou quase todos, de gravata. Que belo friso.
Vêem-se aqui alguns companheiros já falecidos - o nosso alferes capelão Padre Luis Silva, Gentil,
Heitor, Águas, Arrabaça, Botas, e outros que nunca mais apareceram nos almoços
- Bagulho, Sargento Araújo, Alferes Fernando Alves, entre outros.
LG.
quarta-feira, 19 de julho de 2017
O primeiro ataque a Tite após a nossa chegada - pelo José Justo
O 1º. ATAQUE
A TITE (19 DE JULHO DE 1967), DURANTE A NOSSA PERMANENCIA, DESTA VEZ VIVIDO
PELO JUSTO.
_
A guerra na
Guiné 7.000 guerrilheiros era sem dúvida muito mais intensa e sistemática, que
em Angola 6.500 guerrilheiros e Moçambique 6.500 guerrilheiros.Devia-se isso
principalmente a:Pequenez do território 36.128 Km2, portanto mais controlável
pela guerrilha.Ser o PAIGC o único grupo armado que nos combatia; (ver mapa
Africa)Fazer fronteira com dois países que nos eram hostis - Senegal a norte e
Guiné Conakry a sul - e dos quais o IN recebia apoios.Como se não bastasse,
tinha um clima terrível; calor e humidade intensos, pragas de mosquitos,
formigas gigantes vorazes, dificuldade de abastecimento e conservação de
frescos, água só filtrada e com um sabor horrível, tomava-mos duche e quando
nos estava-mos a limpar já suava-mos de novo, etc.O PAIGC concentrava a luta de
guerrilha, principalmente nos ataques nocturnos aos quartéis, com armas pesadas
- de véspera engajavam os civis das tabancas próximas para carregarem as
granadas e muitos fugiam a coberto da noite antes de espoletarem as granadas de
morteiro (esta cena vai dar outra história curiosa).A nossa vida diária, e logo
que começava a escurecer, era ir para dentro, ou estar muito perto dos abrigos
subterrâneos (ver foto), ou de alguns edifícios reforçados com sacos de areia
entre o telhado e a cobertura.O quartel estava sempre iluminado com duas
principais linhas periféricas: o quartel propriamente dito, e uma linha
posterior onde se situavam os postos de defesa avançada.A força motriz era
fornecida por dois enormes geradores que funcionavam alternadamente 24 horas
por dia, e tinham sempre um electricista de dia, que além da manutenção normal,
tinha a função importantíssima de, quando se ouvissem as “saídas” (nome dado
aos estrondos dos primeiros disparos dos morteiros e canhões sem-recuo)
desligar todas as luzes, excepto da vedação posterior, para pudermos ver e
repelir tentativas de aproximação e invasão do quartel.A parte mais mortífera
dos ataques, eram os primeiros rebentamentos, O PAIGC instalava-se de noite, a
alguns kms do quartel e como tinha a referência das luzes, podia calibrar e
apontar as armas pesadas, sem pressas e com toda a precisão. Daí as primeiras
granadas a cair, sempre tocavam os pontos mais vitais (numa operação, foi
capturado a um guerrilheiro morto, um mapa pormenorizado do nosso quartel,
assinalado com o comando, tms, etc. e até da prisão, com uma exactidão
impressionante !!??)Uma noite, como sempre, estava no abrigo subterrâneo a
jogar á Sueca e era hábito haver sempre alguém que se encarregava de ganhar algum
“patacão” com um mini comércio de vinho, cerveja e alguns petisquitos de
ocasião.Só que naquela noite, mau grado, não apareceu ninguém a “abrir a tasca”
e estava tudo a seco. A “secura” na Guiné tinha dois grandes inconvenientes; O
calor chegava aos 40 e tal graus, e “não bebo, logo penso...portanto...não
rebentes a tola”.Claro que as jogas da Sueca eram levadas muito a sério, e
sempre para as bebidas...quem perde paga, e segue a música.Dispus-me a ir á
cantina buscar quatro belas e grandes cervejas de 6 dl.Tinha acabado de pagar,
quando um barulho intenso denúncia as “saidas” bum...bum...bum...bum, aí estava
mais um ataque...logo se apagam todas as luzes e desato a correr e a contar
intimamente 1.2.3... - tinha aprendido na recruta, com um alferes que tinha
estado na Guiné, que quando apanhados nesta situação, devemos começar a correr
para o abrigo mais próximo, a contar e chegando ao 10-12-15 deitar no chão,
fechar a boca e tapar fortemente os ouvidos com as mãos, por causa da
descompressão de rebentamentos muito próximos.Corri que nem um desalmado,
sempre a contar, mas aos vinte e tal, parei de contar...mas não me deitei no
chão, sempre na ânsia de chegar até ao abrigo das transmissões.Sem luzes e numa
noite bastante escura, corria e guiava-me mais pela intuição e o desespero de
me abrigar, do que pela visão, quando um rebentamento tremendo de granada, na
paliçada junto à porta de armas, me projecta não sei para onde, e senti um
calor enorme. Ainda fiquei mais em pânico, pois as ondas de choque dos rebentamentos
próximos, levantavam muita terra, e parte dessa “chuva” caiu-me em cima.Com a
projecção, caí, mas logo me levantei e recomecei a correr. Dois ou três passos
dados, senti uma pancada enorme na cara e na mão direita, que me deixou
completamente tonto !! cheio de dores começo às apalpadelas, e passados
segundos, apercebo-me que em vez de estar a correr na direcção da rua, com o
rebentamento, tinha ficado virado para a parede do edifício já muito perto do
abrigo, e tinha corrido a bom correr...DE ENCONTRO Á PAREDE.Por fim lá me
abriguei, incólume, mas sem uma sapatilha e a cabeça toda empoeirada.Desta vez
o ataque tinha feito desgraça entre nós, um deles foi o “piriquito” da Compª
operacional, com 5 dias de Guiné, que se tinha desenfiado do reforço e morreu
com um estilhaço que lhe entrou pelo anus...incrível.A seu tempo vou contar
esta triste história, mais uma ironia do destino.No dia seguinte, na cantina e
enquanto comentávamos a noite desgraçada da véspera, , perguntei como descargo
de consciência das quatro cervejas que tinha pago e ficaram em cima do balcão,
claro que já previa que tinham sido “capturas pelo IN”, mas não !!! o
cantineiro (mas uma vez...os nomes) abre a arca e pôe-me as cervejas no balcão
!!! fiquei de boca aberta...não comentei...e acabamos os dois por beber as 4
loirinhas.Não acredito num gesto destes na cantina de um quartel na Metrópole,
onde os gajinhos das cantinas eram uns lateiros-mete-nojo.Se a maldita da
guerra, terá uma única coisa de bom, será a forte amizade entre irmãos de armas
e sofrimento, durante dois anos, num teatro estúpido de guerra.O que me dói, e
ofende a minha inteligência, é; porque se provocam carnificinas, e passados
anos os então inimigos, passam a irmãos !! não será possível a tal irmandade
antes do morticínio ?? tá bem...pronto, já sei que não sou deste planeta !!Zé
Justo.
Sobre o 19 de Julho, pelo Pica Sinos
Não sei se
já repararam na forma como escreve o ex. aprendiz Eclesiástico em Tite e
ex-Comandante de Bombeiros Voluntários de Baltar, Hipólito Sousa. Ele tem um
talento natural para a escrita, inspiração nunca lhe falta. Escrever não é uma
tarefa fácil, dá trabalho. Parece-me na forma como o Hipólito escreve tudo lhe
é fácil no que diz respeito à escrita. Parabéns amigo. No entanto, para além da
inspiração e do bem escrever, compreendo que com a idade que ele já tem, os
acontecimentos de “lá longue” lhe vão fugindo. Acontece a muito boa gente. Digo
isto e porque ao ler uma passagem do artigo que escreve este nosso amigo,
refere que no ataque ao aquartelamento de 19 Julho 1967, o Contige e o Cabito
de Penafiel, num ápice se atiraram para o chão, não dando conta o Cabito de
quem já estava estatelado. De todo o modo, parece-me que o acontecimento merece
mais uns acrescentos. Não que estivesse nesse abrigo, mas porque uma das
personagens de tal “filme” me relatou. Então vamos lá “pró explico”. Há duas
versões: O Cabito diz que quando começou a estoirar a “pirotecnia” foi ter com
o Contige ao dito posto avançado. O Contige diz o contrário. Que quando a
“festa” começou ao chegar ao abrigo do posto avançado o Cabito já lá se
encontrava. Parece não ser importante saber ao certo quem chegou primeiro, mas
é! Se foi o Contige, faz sentido que ele se deitasse de primeiro no chão e o
Cabito por cima dele. Ou andaram para melhor cobertura a “dançar o puxa-puxa”,
com os bidões vazios existentes no abrigo até caírem no chão, “tocando” ao
Cabito ficar com a cara no traseiro do Contige? Para além deste imbróglio
impossível de fazer “replay”, o que interessa saber é que o Contige ficou, como
é natural, muito incomodado tal era a pressão no seu traseiro. O Cabito, como
bom sapador, não desarmou, e a custo lá foi dizendo…comeces tu o que tiveres
comido eu aguento! Não tiro a cara daqui. Pica Sinos.
O primeiro ataque a 19 de Julho, visto pelo Hipólito
19 de Julho
de 1967 - o primeiro ataque do IN
Este “pinchavelho”, que me enfiaram para,
deslocado, aceder à internet, põe-me à beira de um ataque de caspa, dando-me
ganas de o atirar pela sanita abaixo. Liga, umas vezes, outras não, e desliga,
amiúde, com o trabalho a meio, lembrando-me aquela vez, quando bombeiro
militante, de, ao toque a feios da sirene do quartel, ter de interromper, no
melhor da refrega, uma função conjugal que, por sinal, estava mesmo nas
horinhas do senhor. Ossos do ofício, impecilhos, porém, de um maior rendimento
artístico cá pr’ó blog, já que, quanto a refregas, propriamente ditas, estamos
conversados. Àquele, menor rendimento, por prescrição médica, perante os
sintomas evidentes de “caquetice crónica”, foi aconselhada terapêutica adequada
para evitar solilóquios, sobretudo quanto aos estropícios do bart 1914, que nem
troco dão. E começaram com pedalada de corredores de fundo! . . . mas, sol de
pouca dura . . . As recordações são como as cerejas ou as baratas. Ainda de
pensamento imberbe, não sublimei, na altura da nossa tragicomédia guineense,
indícios que, ora, vou checando. Naquele primeiro ataque, de que fomos alvo a
19 de Julho, salvo o erro [sim, esse mesmo que o poeta Costinha historiou,
versejando, “fui dar com o cabo SPM abrigado debaixo da cama”], soube-o agora,
o Contige e o cabito, aquele, matulão, este, franganote, mas reguilóide quanto
baste, estavam de sentinela num dos postos avançados. Mal as bojardas se
fizeram sentir, já, ambos, acagaçados, estavam na horizontal, de “fuça” no
chão, com a agravante de o cabito ficar deitado entre e no meio das pernas do
Contige. Bonita posição, sim senhor, e que bem protegida estava a matula no
quartel ! . . . Não sei, para ser franco, se essa posição, pouca ortodoxa, era
já reveladora de qualquer tendência menos curial. O que sei é que, agora, na
praia do Meco, o mesmo Contige e o Zé Manel, coabitam em “datchas” muito
aconchegadinhas, entre si, não podendo, ora, precisar a posição exacta, se de
lado, se por cima ou se por baixo. E que as respectivas consortes (de ambos)
lhes lançam uns piropos brejeiros, disso sou testemunha ocular de vista. E que
pediram, encarecidamente, para que a minha consorte não soubesse, também é
verdade. Escrevi acima “acagaçados”, do que peço perdão. Por causa das cócegas,
deveria, antes, ter escrito “defecados”.
Um xi do Hipólito
19 de Julho de 1967, o primeiro ataque IN após a nossa chegada - Os famosos versos do Costa!
JÁ NINGUÉM SE LEMBRA DISTO... FOI HÀ CINQUENTA ANOS...
VERSOS E DEPOIMENTOS, ALUSIVOS À DATA DE 19 DE JULHO DE 1967
AQUANDO DO 1º ATAQUE TERRORISTA AO AQUARTELAMENTO DE TITE GUINÉ, DEPOIS DA
NOSSA CHEGADA, DA AUTORIA DE VÁRIOS COMPANHEIROS. OS VERSOS DO COSTA FORAM
FEITOS AINDA NA GUINÉ.
Versos1ª
versão)
I
No dia 19 de
Julho,
O ataque do
inimigo
Eu nem me
posso lembrar
O susto que
trago comigo
II
Tive medo,
tive medo
Não o posso
negar
Mas que
ideia foi a deles
De nos virem
atacar
III
Comecei a
rastejar
Todo feito
num embrulho
Eram dez
menos um quarto
No dia 19 de
Julho
IV
Quarta-Feira
fatal dia
Que grande
barbaridade
Estavam bem
instalados
Atacaram à
vontade
V
Ninguém os
viu essa tarde
A montar o
seu abrigo
Apanhou-nos
de surpresa
O ataque do
inimigo
VI
Começou a
manelica
A dar fogo
de rajada
E a traz
para disfarçar
Vinham tiros
da pesada
VII
Caiu uma
bazucada
Que ao forno
foi parar
Deu-nos cabo
do pãozinho
Eu nem me
posso lembrar
VIII
Durou
quarenta minutos
Elas caíam
cá dentro
Eu gostava
de saber
Quem é que
contou o tempo
IX
Eu não
tive alento
Acreditem no
que digo
Que nem sou
capaz de dormir
Do susto que
trago comigo.
Tite,
Guiné-Julho 1967
José da
Costa.
-
(Versos 2ª
Versão)
I
No dia 19 de
Julho,
Os turras
fizeram tanto barulho
Que nem se
podia ouvir.
Houve tanta
morteirada e roquetada
Dentro do Quartel
de Tite foi cair!
II
Estava eu
tão descansado
E à porta
d’armas estava sentado,
A falar com
o nosso “Furriel Heitor..
Onde
desviado de nós caiu uma granada
Julgando que
era pesada
Que até fez
calor!
III
Os nossos
morteiros trabalharam
E granadas
pelo ar lançaram.
Nos abrigos
deles foram cair
Onde os
turras estavam instalados
Alguns deles
foram estilhaçados
Mas
conseguiram fugir!
IV
Tanto
sangue se lá viu!
Perto dos
abrigos, onde nossa granada caiu,
Que nem se
podia ver.
Alguns deles
foram levados
Para não
serem apanhados
Ali, deviam
morrer.
V
Alguns dos
nossos soldados
Ali foram
instalados no posto da enfermaria
E agora
vou-lhes falar
Tenho muito
que contarDo que foi este dia…
VI
Alguns
foram para os abrigos
À espera do
inimigo
E outros
andaram em cima da lama
Eu próprio
fui dar com o “cabo”Do S.P.M.
deitado debaixo da cama!
VII
Agora
vou-me despedir
Com amor
sincero e paixão
Adeus malta
da minha companhia
E também do
Batalhão
José
CostaTite, Guiné-Julho 1967.
segunda-feira, 17 de julho de 2017
23 de Janeiro de 1963 - Quartel de Tite, o 1º. ataque do PAIGC - Neste dia começou a guerra na Guiné.
23 DE JANEIRO DE 1963, QUARTEL DE TITE
É difícil
explicar a geografia da Guiné a quem nunca lá foi. Afinal “aquilo tem o
tamanho do Alentejo”. Mas é um engano. Todo o litoral é uma planície
pantanosa que se abre à foz de vários rios. O que quer dizer que para descer
o equivalente a 30 quilómetros em linha reta, teremos que utilizar um barco ou
dar voltas por terra horas sem fim a contornar a boca de várias entradas de
rios. E há o terreno de lama. A vegetação. O clima tropical. As chuvas. Os
mosquitos. No início dos anos 60, a Guiné não era como as jóias da Coroa:
Angola e Moçambique. Para o meio milhão de autóctones de dezenas de etnias,
havia uns meros dois mil portugueses da Metrópole. Alguns deles militares,
espalhados por quartéis nos principais pontos do país. A zona sul, que faz
fronteira com Conacri, terrível em termos de geografia, e que seria comandada
por Nino Vieira, iria ser o ponto de partida da guerra na Guiné. Tite, um
quartel da tropa portuguesa, foi escolhido para a primeira investida noturna do
PAIGC. É conhecido por ser o local do primeiro tiro. E ainda se comemora como
tal. É uma data.
Ruínas do
antigo quartel português em Tite
Alfredo
Cunha
O quartel
português de Tite ainda lá está. Mas em escombros. Restam as paredes e como
sempre o mato vem reclamar o que lhe pertence. Ainda foi ocupado pela tropa
guineense, mas abandonado em 1994. A poucos metros, impassível, está um
poilão, uma magnífica árvore sagrada com dezenas de metros de altura. À sua
sombra, os velhos. E, com eles, a memória. Logo ali dois que lutaram no
exército português. Pedro Ussumani, 66 anos; e Brema Jasse, 73. Foram tropa
feijão-verde. Brema, aliás, passou de soldado ‘tuga’ a coordenador do PAIGC,
e fala desses tempos com cumplicidades e risadas. “Querem um terrorista? Vamos
a casa do grande bazuqueiro”, e lá caminhamos umas dezenas de metros até à
casa de Braine Sane, 63 anos, o tal artista da bazuca. Tudo amigo. “Fomos
soldados, não há rancores”, diz.
Antigos
combatentes da guerra pela independência da Guiné-Bissau
Alfredo
Cunha
Ussumani vai
adiantando “que depois das descolonizações há sempre uns exageros”. Mas a
questão não era entre guineenses, era da política de Salazar. Gostava de
acabar nesta frase. Não posso. Da mesma maneira que entre os jovens não há
grande ligação com o poder colonial, há um saudosismo verbalizado sem medo
na geração mais velha. Até em combatentes da libertação. Um cansaço da
instabilidade. Da destruição. Da pobreza. Mais do que do resto. O que
confunde. E ouve-se isto. “Se era para ficar assim, sem nada, com este braço
sem força devido aos estilhaços, não tinha ido combater”, diz o bazuqueiro
do PAIGC.
E o tal
primeiro tiro, como foi? O homem que o deu morreu há poucos meses. E eis que
chega à sombra do poilão Pape Dabo, 89 anos, um homem pequenino. Não sabe de
ouvir dizer. Esteve presente no ataque de 23 de janeiro de 1963 e participou
nas reuniões que decidiram a operação no quartel de Tite. Tiro? Não foi
tiro. “Só tínhamos dez armas e a sentinela estava a dormir e, quando
avançámos pela porta do quartel, matámos o homem com um canhaco.” Canhaco?
É uma lança que se põe num arco. Mas foi com a mão. Perfurou-lhe o
pescoço.
Mas voltemos
um pouco atrás. Pape Dabo conta a história do ataque como já a terá repetido
centenas de vezes. Não permite interrupções. Ele é o narrador e o dono da
versão. Começa com ele e o irmão no quartel, a trabalharem como padeiros dos
portugueses, e termina depois do ataque com ele a voltar a ser reconhecido
pelos militares portugueses como um “dos bons” e, assim, a poder espiar. Pelo
meio, o ataque: divididos em quatro grupos, só o primeiro entra no quartel; os
portugueses acordam; os tiros; as mortes do lado dos ‘tugas’ terroristas
(“terroristas eram vocês do PAIGC”, diz Pedro); depois, teve que voltar no
outro dia, foi obrigado a ver os cadáver dos companheiros mortos e ter de
fingir que não os conhecia. E recorda ainda quando o comandante alinhou a
população na praça em frente ao quartel e disse: “A guerra começou.”
nota - este artigo foi-nos enviado pelo nosso amigo José Justo a quem agradecemos, com a devida vénia ao Expresso.
O artigo já tinha sido publicado em tempos neste blog, mas nunca é demais repeti-lo. Muito obrigado ao Justo.
sábado, 15 de julho de 2017
segunda-feira, 10 de julho de 2017
Companhia de Milicias nº. 7
Ao Serafim os nossos agradecimentos e votos de rápidas melhoras.
Um abraço.
Leandro Guedes.
Viagem à Guiné - Roteiro da Memória...
Viagem de Autor com Luís Pedro Nunes e Alfredo Cunha
🗓️ 2 Nov 2017 - 12 Nov 2017 | 11 Dias, Tudo incluído
+ INFO sobre itinerá... GUINÉ BISSAU - ROTEIRO DA MEMÓRIA
Viagem de Autor com Luís Pedro Nunes e Alfredo Cunha
🗓️ 2
Nov 2017 - 12 Nov 2017 | 11 Dias, Tudo incluído
+ INFO sobre itinerário, condições e preço em ►goo.gl/BVrWHm
A Pinto Lopes Viagens irá levar neste roteiro Alfredo Cunha
que, desde 1973, vai regularmente à Guiné e é o autor de algumas das imagens
mais conhecidas dos momentos-chave do País, e Luís Pedro Nunes, autor de várias
reportagens sobre a vida da Guiné, dos momentos chave da independência e da
guerra que envolveu os militares portugueses nos últimos anos do conflito.
O roteiro proposto visa mostrar a Guiné: o país de
contrastes, belezas naturais únicas e diversidades étnicas e geográficas que
foi palco de uma história militar que marcou uma geração de portugueses.
Será mais do que uma abordagem histórica, o relato de dois
jornalistas e da sua relação com a reconstrução dessa realidade do ponto de
vista da atualidade, revisitando alguns dos pontos marcantes e de como é
possível relacionar-se e relatar algo ainda tão vivo e sensível na memória de
tantos.
---------------------
PROGRAMA:
1º DIA • PORTO OU LISBOA (AVIÃO) …
Em horário a combinar, comparência no aeroporto escolhido
para embarque em voo regular com destino a Bissau, via Lisboa.
2º DIA • … – BISSAU
Chegada de madrugada, assistência nas formalidades de
desembarque e transfer para o hotel. Distribuição dos quartos, check-in e tempo
livre para descanso. Visita a Bissau, capital da Guiné-Bissau, localizada no
estuário do Rio Geba, na costa atlântica. É a maior cidade do país, com o maior
porto, constituída como centro administrativo e militar do país. Fundada em 1697
como fortificação militar portuguesa e entreposto de tráfico de escravos,
obteve o estatuto de cidade e de capital, estatuto que manteve após a
independência. Início das visitas à cidade velha, com destaque para o Cemitério
Português, local onde foram sepultados muitos soldados portugueses durante a
Guerra Colonial, e onde muitos dos quais permanecem por identificar; à
Fortaleza de São José da Amura, estrutura primitiva erguida por forças
Portuguesas a partir de 1696, sob o comando do Capitão-mor José Pinheiro. Foi
reconstruída várias vezes ao longo dos séculos e, actualmente, abriga o
Mausoléu de Amílcar Cabral, líder na fundação do Partido Africano para a
Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) que, no início da década de 1960,
iniciou a luta armada contra o regime colonial; ao Mercado de Bandim, que
surgiu no início da década de 60. O entreposto recebeu, numa primeira fase, a
denominação de Beco de Bandim, alterada alguns anos mais tarde com o incremento
das trocas comerciais para a Feira de Curva de Bandim. Alojamento no Hotel
Azalai 4* ou similar. Situado perto do centro de Bissau, as comodidades simples
oferecidas pelo hotel dão resposta às exigências e necessidades dos clientes,
disponibilizando serviços como internet com quartos agradáveis e climatizados.
3º DIA • BISSAU – CACHUNGO – CACHEU – PRAIA DE VARELA
Ao amanhecer, saída para Cachungo. Visita e encontro com a
tribo Manjaco, povo que habita nas margens dos rios Cacheu e Geba. Durante a
visita iremos perceber de que forma é que factores como a escravatura, a
evangelização, a colonização, a emigração e a globalização contribuíram para a
transformação das comunidades Manjaco e a sua influência no Estado da
Guiné-Bissau. Seguimos para a região de Cacheu, segunda região mais populosa da
Guiné-Bissau. Considerada fonte principal do comércio de Cabo Verde e Guiné,
era aqui que os navios portugueses vinham obter escravos e produtos da região.
A cidade de Cacheu, capital desta região, torna-se assim muito importante nas
relações comerciais, o que leva à construção do Forte de Cacheu. Visita a este
Forte, fundado em 1588 por forças portuguesas, com a função de defender a
primeira feitoria da região. Além de assegurar a presença militar portuguesa,
constituía um importante apoio ao comércio de tecidos manufacturados, marfim e
escravos. Neste contexto, é criada a Companhia de Cacheu, fundada em 1675, que
visava garantir o direito ao tráfego na Costa da Guiné e no arquipélago de Cabo
Verde, assim como de escravos para a Metrópole, os domínios do Ultramar e a América
Espanhola. Dotada de extraordinária beleza natural, Cacheu assume-se como
principal zona de pesca artesanal do país. Travessia de barco até à Praia de
Varela, uma das mais famosas e bonitas da Guiné-Bissau. Alojamento no
Aparthotel Chez Hélène, simples mas um lugar muito calmo, no meio da natureza,
perto da praia, pintado com as cores de África.
4º DIA • PRAIA DE VARELA – TABANCA DE ELALAB – PRAIA DE
VARELA
Visita à Tabanca de Varela, situada a 16 km de São Domingo,
e rodeada por belas praias. O seu ar puro e marés constantes são as suas
características mais relevantes. Continuação para visita à Tabanca de Elalab,
comunidade situada na parte litoral norte da Região de Cacheu. Travessia de
barco até à ilha onde se situa esta tabanca. O objectivo da construção das
tabancas é melhorar a qualidade de vida das famílias no que diz respeito à
higiene de uma forma geral e, em particular, no apoio à gravidez. A comunidade
de Elalab é conhecida por ser extremamente activa, empreendedora e bem
organizada. Com cerca de 430 habitantes, o arroz é a principal base de
alimentação da população local, cultivado em solos salgados recuperados ao mar
através de pequenas barragens e diques de cintura construídos manualmente.
Também os recursos marinhos são essenciais a esta comunidade, o que torna a
pesca uma das actividades principais. Regresso à Praia de Varela. Alojamento.
5º DIA • PRAIA DE VARELA – BISSAU
Manhã para visita à Praia dos Pescadores, assim chamada por
ser um porto onde os pescadores partem para a pesca. Esta praia é continuidade
da Tabanca de Varela. A sua beleza, águas calmas e ar puro fazem da zona de
Varela um ambiente natural onde o sabor de África é genuíno. Regresso a Bissau
e tempo livre no centro da cidade para sentirmos a atmosfera da capital guineense.
Alojamento no Hotel Azalai 4* ou similar.
6º DIA • BISSAU – GABÚ – BAFATA
Partida em direção a Gabú e visita à maior cidade do Leste
do país. Gabú foi a capital do Império Kaabu, reino Mandinga, que existiu entre
1537 e 1867 na chamada Senegâmbia, região que englobava o nordeste da atual
Guiné-Bissau, e que se estendia até ao Senegal. Durante o período colonial, a
cidade passou a ser designada por Nova Lamego, tendo recuperado o seu nome
tradicional após a independência do país. No centro de Gabú está preservado um
pequeno núcleo urbano de inspiração colonial. A cidade é também conhecida pela
sua população predominantemente muçulmana. Continuação para a cidade de Bafatá.
Localizada no centro norte da Guiné, é a segunda maior cidade do país.
Construída sobre rio Geba, Bafatá é uma cidade tranquila com uma arquitetura
predominantemente colonial, conhecida sobretudo por ser a terra natal de
Amílcar Cabral. Perto da casa onde nasceu, em setembro de 1924, existe um
pequeno monumento com o seu busto. Em 2011, a casa foi restaurada pela UNESCO,
em colaboração com a Comissão Nacional da Organização da Guiné Bissau, com o
objetivo de criar uma exposição permanente sobre a vida e obra de Amílcar
Cabral. Alojamento no Aparthotel Triton ou similar.
7º DIA • BAFATA – BAMBADINCA – GUILEJE – SALTINHO
Partida em direção a Saltinho. No percurso, passagem pela
cidade de Bambadinca, conhecida por ser a primeira cidade a desenvolver
electricidade constante, permitindo à população uma melhor qualidade de vida.
Mais tarde, com ajustes feitos ao modelo de produção e distribuição de energia
eléctrica, desenvolveu-se esta produção a partir de energias renováveis.
Continuação para Guileje. Localizada junto à fronteira da Guiné Conacri, o
quartel militar português de Guileje foi alvo de vários ataques e emboscadas
devido à sua frágil localização e ao facto da envolvente ser maioritariamente
mata. Havia uma constante necessidade de deixar o quartel para reabastecimento
de provisões e armamento, o que deu origem a várias emboscadas resultantes na
morte de muitos militares portugueses. Continuação para Saltinho, onde vamos
poder admirar os Saltos do Rio Corubal, famosas cascatas. Este rio é também
famoso pelo desastre de Cheche, ocorrido na retirada do quartel de Madina do
Boé, que vitimou 47 militares portugueses. Alojamento na Pousada de Saltinho,
onde se pode desfrutar de um ambiente calmo e paradisíaco. Nesta pousada
contamos com quartos simples mas com as condições necessárias para garantir uma
boa estadia.
8º DIA • SALTINHO – BUBA – TITE – SÃO JOÃO (BARCO) – BUBAQUE
Saída em direção a Buba. Situada junto ao Rio Grande de
Buba, foi na época colonial ponto de paragem e de importância estratégica nas
trocas comerciais e tráfico de escravos. Em 1670, foi aqui fundada mais uma
feitoria Portuguesa por forma a garantir a sua supremacia na cidade e suas
margens. Continuação para Tite, cidade que albergou o antigo quartel Português
de Tite. Este quartel foi o ponto de partida da guerra da Guiné, ao ser
escolhido pelo PAIGC como o local da primeira investida, e ficar na história
como “o local do primeiro tiro”. Hoje em dia restam apenas as ruínas do quartel
e as memórias de um passado sangrento. Continuação até São João para travessia
de barco até Bubaque. Alojamento no Hotel Casa Dora ou similar. Este hotel
familiar de origens simples, oferece os serviços mínimos a uma estadia
confortável, bem como um conjunto de diversificadas actividades e boa
gastronomia.
9º DIA • BUBAQUE – ILHA DE SOGA – BUBAQUE
De manhã, visita à Ilha Bubaque, localizada no Arquipélago
de Bijagós, considerado Património da Humanidade pela UNESCO devido à sua rica
e abundante fauna e flora. A Ilha foi uma das mais afectadas pela presença dos
europeus, escolhida pelos colonizadores alemães antes da I Guerra Mundial e
pelo Governo Português depois de 1920, como o centro principal das suas
actividades no arquipélago. Os alemães construíram aqui uma fábrica para
extracção de óleo de palma e um porto para navios de pequena e média tonelagem.
Continuação para a Ilha de Soga. Esta ilha tornou-se famosa por ser o local
onde foi organizada uma missão altamente secreta pelos “homens do Calvão”. Os
indícios dessa operação “saltaram” para conversas quando o Comandante Alpoim
Calvão efectuou, anteriormente, uma série de “golpes de mão” clandestinos nos
países vizinhos. Foi nesta base militar que foi organizada secretamente a ação
militar à Guiné-Conacri, com o objectivo de tomar o poder e aniquilar os
principais dirigentes do PAIGC, apelidada de “Mar Verde”. Regresso a Bubaque.
Alojamento.
10º DIA • BUBAQUE (BARCO) – BOLAMA (BARCO) – BISSAU (AVIÃO)
…
Travessia de barco até à Ilha de Bolama. É a ilha mais
próxima do território continental da Guiné-Bissau. Estava desabitada quando os
colonos britânicos a ocuparam em 1792. Após uma serie de incidentes, a ilha foi
abandonada em 1794. Foi então que, no ano de 1830, Portugal reclamou Bolama e
iniciou-se um conflito diplomático pela sua posse. Em 1860 os britânicos
declararam sua a ilha a que chamaram “Rio Bolama”, como parte de Serra Leoa,
tendo sido concedida a posse novamente a Portugal em 1877. Mais tarde, após uma
ação militar portuguesa, Bolama assumiu oficialmente o estatuto de primeira
capital da Guiné Portuguesa, condição que manteve até à sua transferência para
Bissau, em 1941. Hoje possui restos da ocupação colonial portuguesa com
edifícios à procura da recuperação. Continuação de barco para Bissau. Jantar de
despedida com música local. Após este em horário a combinar localmente,
transfer ao aeroporto de Bissau para embarque em voo regular com destino ao
Porto, via Lisboa.
11º DIA • … – PORTO OU LISBOA
Chegada a Portugal. Fim da viagem e dos nossos serviços.
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CAROS AMIGOS: Tendo
em conta que uma viagem à China, lá no Oriente, por onze dias, fica por pouco
mais de 2.000 €, temos que convir que os 3.300 € pedidos para esta viagem a
Guiné, aqui tão perto, é demasiado. No entanto haverá sempre alguém
interessado. A viagem, segundo o programa apresentado, é de onze dias e no
oitavo dia, passará por Tite, como a seguir se enuncia:
"8º DIA • SALTINHO
– BUBA – TITE – SÃO JOÃO (BARCO) – BUBAQUE
Saída em direção a Buba. Situada junto ao Rio Grande de
Buba, foi na época colonial ponto de paragem e de importância estratégica nas
trocas comerciais e tráfico de escravos. Em 1670, foi aqui fundada mais uma
feitoria Portuguesa por forma a garantir a sua supremacia na cidade e suas
margens. Continuação para Tite, cidade que albergou o antigo quartel Português
de Tite. Este quartel foi o ponto de partida da guerra da Guiné, ao ser
escolhido pelo PAIGC como o local da primeira investida, e ficar na história
como “o local do primeiro tiro”. Hoje em dia restam apenas as ruínas do quartel
e as memórias de um passado sangrento. Continuação até São João para travessia
de barco até Bubaque. Alojamento no Hotel Casa Dora ou similar. Este hotel
familiar de origens simples, oferece os serviços mínimos a uma estadia
confortável, bem como um conjunto de diversificadas actividades e boa
gastronomia"
Fica o convite, a sugestão para quem se quiser aventurar a ir
ao encontro da história, da qual fazemos parte. Não esqueçam as redes
mosquiteiras, o quinino, os repelentes e as vacinas anti malária, os
antibióticos apropriados, etc etc...
Um abraço.
Leandro Guedes














