34º almoço em 2025 - Figueira da Foz - Quinta da Salmanha.
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
MENSAGEM DA ESPOSA DO FERNANDO BOTAS
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"O Botas foi hoje transferido para os Cuidado Paliativos de ALHOS VEDROS."
Ao Fernando Botas, desejamos as melhoras.
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
CPLP VAI APOIAR A FORMAÇÃO DE QUADROS NA GUINÉ-BISSAU
A intenção da organização lusófona é verem transformadas em realidade as reformas pensadas pelas autoridades guineenses, indicou António Pedro Lopes.
Para os próximos tempos, a CPLP irá apoiar cursos de treinamento, reciclagem e capacitação de técnicos e quadros guineenses, dando resposta ao anúncio feito pelo primeiro-ministro, Carlos Correia, aquando da sua tomada de posse, em que elegeu a formação profissional como uma das áreas prioritárias de intervenção do seu Governo.
Uma missão técnica deverá deslocar-se a Bissau nos próximos dias, assinalou Pedro Lopes.
O apoio da CPLP ao novo Governo guineense será também no setor da Saúde Pública, designadamente às mulheres e crianças, conforme a prioridade do primeiro-ministro, notou o representante da organização lusófona em Bissau.IN BLOG novas da guiné bissau, a quem agradecemos com a devida vénia.
domingo, 25 de outubro de 2015
O INTERNAMENTO HOSPITALAR DO FERNANDO BOTAS
"Já passaram pelo hospital do Barreiro, para visitar o Botas, o Contige e o Palma. Hoje domingo, foi a vez do Pica Sinos e a do Carlos Azevedo. Amanha passará por lá o Amador.
Sei que outros camaradas e amigos lhe têm telefonado (Guedes, PPinto entre outros).Ainda outros pediram que lhe transmitisse as suas melhoras, como me encarregou o Justo.
Se alguém o quiser visitar ele ocupa a cama 4, segundo piso no serviço de oncologia.
Se lhe quiserem telefonar pela hora do almoço ou jantar o nº do telemóvel 933721550."
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
O Botas continua doente
Caros companheiros
Tive hoje a noticia de que o nosso amigo Botas, foi de
urgencia para o hospital do Barreiro, onde se encontra em observação.
O seu estado inspira bastantes cuidados.
Terá amanhã Sábado e Domingo, a visita de alguns
companheiros do BART, que lhe vão manifestar a sua solidariedade e dar-lhe
algum alento.
As tuas melhoras amigo e que breve recuperes para irmos
comer o tal almoço, conforme há pouco me prometeste ao telefone.
Um grande abraço.
Leandro Guedes.
sábado, 17 de outubro de 2015
domingo, 11 de outubro de 2015
O MASSACRE DE PIDJIGUITI E O CÃO DO ADMINISTRADOR CARREIRA
Mais um artigo desta histórica reportagem.
Desta vez relatando na boca dos intervenientes, ainda antes da criação do PAIGC, o que se passou nesse dia 3 de Agosto de 1959.
Curiosa esta abordagem.
Reportagem de Luis Pedro Nunes e Alfredo Cunha, do Jornal Expresso, a quem agradecemos.
O PAIGC já teve várias versões sobre a sua intervenção na génese deste movimento. A verdade é que foi apenas mais tarde, em setembro, que se organizou. Carlos Correia, um destacado membro do partido, primeiro-ministro da Guiné e várias ministro dos Negócios Estrangeiros, era funcionário da Casa Gouveia. Desdramatiza um pouco o papel de ‘mau’ do administrador Carreira, até porque foi sua testemunha moral quando esteve preso. Mas não deixa de ter sido irónico ter-se encontrado várias vezes com o filho, Medina Carreira, enquanto homólogo nos Negócios Estrangeiros portugueses. “Ele é guineense, não tem culpa do que o pai fez.” E continua: “Só foi desagradável uma vez quando eu o confundi e disse que ele era ministro do PSD.” A Guiné independente nasceu ali, naqueles escombros, agora um misto de ferrugem e de lama."
Desta vez relatando na boca dos intervenientes, ainda antes da criação do PAIGC, o que se passou nesse dia 3 de Agosto de 1959.
Curiosa esta abordagem.
Reportagem de Luis Pedro Nunes e Alfredo Cunha, do Jornal Expresso, a quem agradecemos.
![]() |
| sobreviventes - Estes homens escaparam ao massacre de Pidjiguiti a 3 de Agosto de 1959 e agora contam a sua versão da história |
"Pode um cão mudar o curso da historia?
A versão oficial reza
assim. A 3 de Agosto de 1959, os marinheiros e estivadores do Porto de Bissau,
ao serviço da então poderosa Casa Gouveia, revoltaram-se e exigiram melhores
condições de trabalho e um aumento da jorna. Foi aí que o poder colonial português
mostrou que não estava para ser intimidado. Dá-se o massacre de 3 de Agosto,
em que polícias, cabo do mar e outras forças que se armaram no momento
disparam sobre os homens que reivindicavam apenas um pouco mais de dignidade.
O resultado foi desastroso. Um número de mortos que nunca chegou bem a ser
contabilizado (40 ou 70). E que acelerou e modificou qualquer pretensão de
moderação dos jovens quadros que estavam a formar a resistência organizada ao
poder colonial. Ficou claro que Salazar nunca iria aceitar uma autonomia
administrativa. Era preciso dar início à luta armada. Era preciso sair dos
centros urbanos controlados pelos portugueses. Era preciso formar e armar uma
guerrilha. Nascia assim o PAIGC — Partido Africano para a Independência da
Guiné e Cabo Verde — que agregou várias tendências. E o cão? Onde entra ele?
Em Setembro
de 2015, uns 55 anos depois desse dia que continua a ser celebrado na Guiné,
ainda é possível juntar uma dúzia de sobreviventes do massacre de Pidjiguiti e
levá-los ao Porto de Bissau. São velhotes tristes e desencantados com a vida,
abandonados e sem grande sustento. E Porto de Bissau é um cadáver já
decomposto.
À entrada,
há uma bizarra escultura em blocos. Só depois se percebe que é uma mão fechada,
em honra dos mortos em Pidjiguiti. Chama-se “Mão de Timba” — mão de caloteiro.
É aqui que
começa uma versão um pouco diferente da história de Pidjiguiti, contada pelos
próprios, no local. O mais dramático — se é que se pode utilizar este termo —
é que as reivindicações dos estivadores e marinheiros já tinham sido aceites
pela Casa Gouveia em 3 de Agosto, dia do massacre. Quem o diz é, por exemplo,
o coronel Carlos Fabião, em várias entrevistas. Mas o administrador achou que
só iria dar seguimento a essa ordem quando lhe apetecesse.
Para os
velhos marinheiros com quem falámos a motivação era evidente: vingança. O
administrador Carreira não perdoava terem-lhe matado um cão. Esta versão que
nos conta Estêvão Vieira, de 70 anos, tem a concordância de todos.“ O administrador tinha dois
cães enormes que largava pelo porto às seis da tarde para não deixar ninguém andar
por aí. Um marinheiro foi apanhado e, ao de- fender-se, matou um. O
administrador prometeu vingar-se. Até se mudou para esta casa aqui mais perto.
” A morte do cão tinha iniciado um processo histórico imparável, que iria
acabar na independência da Guiné.
De todos os relatos
gravados e lidos, nunca se percebe muito bem qual foi a acendalha que levou ao
primeiro tiro. Cabe aos velhos estivadores contarem. Eles garantem que o cabo
do mar Nicolau se assustou quando o marinheiro Augusto agarrou num barrote para
se sentar. Julgou que o ia atirar contra ele. E disparou. Eram 15h45. Durou até
às 18h. E a Guiné mudou.
O PAIGC já teve várias versões sobre a sua intervenção na génese deste movimento. A verdade é que foi apenas mais tarde, em setembro, que se organizou. Carlos Correia, um destacado membro do partido, primeiro-ministro da Guiné e várias ministro dos Negócios Estrangeiros, era funcionário da Casa Gouveia. Desdramatiza um pouco o papel de ‘mau’ do administrador Carreira, até porque foi sua testemunha moral quando esteve preso. Mas não deixa de ter sido irónico ter-se encontrado várias vezes com o filho, Medina Carreira, enquanto homólogo nos Negócios Estrangeiros portugueses. “Ele é guineense, não tem culpa do que o pai fez.” E continua: “Só foi desagradável uma vez quando eu o confundi e disse que ele era ministro do PSD.” A Guiné independente nasceu ali, naqueles escombros, agora um misto de ferrugem e de lama."
domingo, 4 de outubro de 2015
OPERAÇÃO MAR VERDE - COM RELATOS DE ELEMENTOS DO IN.
Conforme prometido, publicamos hoje mais um artigo sobre a Guiné-Bissau, desta vez sobre a famosa opareção MAR VERDE, que libertou da prisão os nossos companheiros, entre outros, que tinham sido capturados em Bissássema, na noite de 2 para 3 de Fevereiro de 1968, de triste memória.
Sobre este assunto existe um livro escrito pelo alferes Rosa da CART 1743 e que nos elucida sobre o sucedido, desde a captura até à libertação e tempos imediatos.
Este artigo insere-se numa reportagem dos Jornalistas do Jornal Expresso, Luis Pedro Nunes e Fotografo Alfredo Cunha, a quem agradecemos a partilha.
DO
“MAR VERDE”
ATÉ
CUBA
22
DE NOVEMBRO DE 1970, GUINÉ-CONACRI
Deverá
ser uma das operações militares mais conhecidas na Guiné. Pela sua espectacularidade.
O então capitão-tenente Alpoim Calvão levou 400 homens, entre comandos
africanos e opositores ao regime de Sékou Touré, para atacar a capital da
Guiné-Conacri. No final, a maioria dos objectivos falhou — 0 regime não foi
deposto, Amílcar Ca¬bral não foi capturado, os MIG não foram destruídos. Apenas
os prisioneiros portugueses do PAIGC foram libertados. Nas Nações Unidas os
problemas de Portugal — que negou o envolvimento na missão — agudizaram-se.
Hoje culpa-se a PIDE pela má informação (e é capaz de ser verdade).
Abulai
Djao é um homem fino e elegante. Já sabíamos, de uma viagem anterior, que era
professor. Mas tinha sido aquela frase, “na guerra estive a pescar em São
Tomé”, juntamente com “tive tuna discussão séria com o Alpoim Calvão em mar
alto”, que nos tinha intrigado. Djao, aos 18 anos, no final do Liceu, acabou
recrutado para uma tropa especial e foi levado para um treino militar, no qual
foi “torturado” até estar pronto para se tornar um operacional. A força a que
pertencia tinha outro nome pomposo. Mas se procuramos nos livros o nome correto
será Flechas, forças especiais da PIDE formadas por africanos e que tinham como
missão a recolha de informação com vista a operações de contraguerrilha. Djao
só lá esteve seis meses. Que mudaram a sua vida. “Foram seis meses a pescar em
São Tomé”, repete. “Tivemos umas passeatas por Angola e Moçambique e depois
aquilo do Alpoim. ” O grupo era composto por 19 operacionais, entre angolanos e
moçambicanos, mas também dois açorianos, um madeirense e um natural do Porto.
Para o mar alto foram cinco. Todos africanos. Como era a farda? “Era muito interessante,
porque tinha espaço para tudo, preta, cheia de bolsos, era checa e tínhamos uma
pistola Makarov. ”
“Chegados ao mar alto, Alpoim Calvão mandou-nos
analisar o cenário e disse qualquer coisa como ‘meus merdas, têm dez minutos
para olhar para isso’” (risos). “Era evidente que não podia funcionar. A
informação era escassa e havia um erro crasso: bastava um soldado ficar ferido
e não havia forma de desconectar Portugal da operação. E houve uma discussão,
digamos, acesa.” Mesmo assim, Djao acha que a operação teve um sucesso relativo
para Portugal, um objectivo psicológico: Conacri ficava a saber que não era
invulnerável e que Portugal tinha impedido Cabral de proclamar uma
independência iminente... “ Claro que diplomaticamente foi um desastre e
politicamente foi nojento.”
Chegada
a independência da Guiné, este passado não foi fácil de apagar. A Guiné-Bissau
destacou-se pela matança aos soldados nativos (nomeadamente de tropa especial)
que serviram nas forças especiais portuguesas. Djao era então director da
escola em Bafatá. E o destino abriu-lhe uma janela que lhe terá salvo a vida.
Concorreu a uma bolsa de estudo em Cuba. Na noite antes de partir, o temido
António Buscardini, o chefe da Segurança do Estado do tempo de Luís Cabral,
chamou-o, era um homem que todos retratam como muito especial. A conversa foi
tensa e cifrada. Djao dá a entender que o terá tentado recrutar. Ficou cinco
anos em Cuba sem voltar à Guiné. Em 1980, quando regressou, tinha quase a
certeza de que seria mais um dos que acabariam mal. A Segurança de Estado de
Buscardini era um misto de PIDE com KGB. Certos amigos, já colocados dentro do
aparelho do Estado, fizeram- -lhe alguns favores para que se safasse, dado que
tinha salvo muita gente. A 14 de novembro de 1980, Buscardini suicida-se (ou é
pulverizado por um tanque) durante o golpe de Nino Vieira, por se ter recusado
render-se. Djao levou tempo a recompor- -se desta angústia. Casou-se tarde.
Vive em Gabu (Nova Lamego). É professor. Tem uma família linda. É um homem
calmo, culto, discreto e respeitado. Esta história estava encarcerada nele,
pareceu-nos...
NOTA - PARA A SEMANA CONTAMOS PUBLICAR OUTRO ARTIGO DESTA INTERESSANTE REPORTAGEM E QUE FOCA O "MASSACRE NO PORTO DE PIDJIGUITI EM BISSAU, CONTADA PELOS INTERVENIENTES.






