34º almoço em 2025 - Figueira da Foz - Quinta da Salmanha.
sexta-feira, 30 de maio de 2014
BART 1914 - VIDEO DE henriques guimaraes
quinta-feira, 29 de maio de 2014
Hoje faz anos o Contige - PARABENS ao Contige!
Ao nosso amigo Contige um abraço de Parabens neste dia do seu 70º. aniversário, com votos de boa saúde, junto dos seus!
quarta-feira, 28 de maio de 2014
terça-feira, 27 de maio de 2014
segunda-feira, 26 de maio de 2014
sábado, 24 de maio de 2014
O Furriel Rato - pelo Justo
Intencional ou mero feliz acaso,
ouve-se no início do trabalho video que o amigo Guedes mostrou no almoço das
Caldas da Rainha, o Fado “Na Hora da
Despedida” da Ada de Castro.
Tem este fado uma história e uma
lembrança triste para mim, Pica Sinos, furriel Bagulho e outros camaradas que
com pena não recordo nomes.
Lembra-nos o companheirão Furriel
Rato. Falecido em Tite.
Aos tempos de hoje, para quem não
viveu aquele episódio, poderá parecer naive a letra deste fado. No entanto, no
auge da Guerra Colonial estes singelos versos retratavam muito dos sentimentos
de milhares e milhares de mães, noivas, e esposas, ao ficarem destroçadas com a
partida para uma guerra, a milhares de quilómetros, por terras de África,
durante dois longos anos, dos seus entes queridos, e sempre na grande incerteza
do seu regresso.
Transcrevo um texto já anteriormente
publicado no Blog.
De novo, numa simples lembrança e
homenagem ao amigo.
Requiem para um Saudoso Amigo
Com nostalgia revi várias vezes as
fotos do Cavaleiro onde está o saudoso furriel Rato. Há pessoas com o quase
divino dom de criar empatias logo aos primeiros contactos.
O Rato era um homem com quem facilmente
se sentia simpatia e com quem apetecia conversar.
Era a antítese de alguns, poucos, mas
ilustres desconhecidos, que se viam com umas divisas e a dar ordens, e logo
lhes provocava um tremendo inchaço no pequenino ego!
Anteriormente neste Blog, já contei
uma história sobre um desses cromos, numa cena com o Pica Sinos, que reflecte
bem a mentalidade atávica, de alguns indivíduos da classe de sargentos. Eles
aperceberam-se “que elas não trazem nome” frase corrente no quartel.
Grande verdade, e que passado pouco
tempo de Guiné, sentiriam na pele com o primeiro e forte ataque que sofremos.
Das muitas coisas que me fizeram
odiar a “tropa” e as regras militaristas, era sem dúvida: o avaliar a pessoa
pelo primeiro olhar directo aos ombros...a outra; o ser tratado por “tu” por
marmanjos que nunca tinha visto na vida...nem conhecia de lado nenhum.
Como isso mexia comigo !! Já findo o
tormento da farda, curiosamente, mesmo colegas com quem trabalhei durante anos,
não logo tratava e mesmo detestava que me tratassem por “tu”, até, claro, que a
admiração e amizade, a isso levassem. Provavelmente reflexo dos tristes anos de
tratamento cavalar e suplício militar.
Meu irmão era da Força Aérea e este
hábito do “tu” e “meu este, meu aquele” não se praticava. Esses termos caricatos
“avis rara” não existiam, e ao que penso, só eram utilizados no exército.
O furriel Rato era moderado, mas
alegre, de fino trato e um camaradão nas pequenas farras que durante os dias
que estivemos no quartel da Parede fazia-mos antes de embarcarmos para a Guiné.
Já em Tite, eram longas as conversas
de grupo, onde facilmente ele se incluía. acompanhou connosco num pequeno grupo
que naturalmente se criou, sem sabermos bem como.
Eu o Pica Sinos, o furriel Bagulho e
furriel Rato e mais uns poucos que infelizmente não recordo, sempre que
podia-mos dar uma escapadela, lá rumávamos a um café na baixa da Parede, para
umas conversas e claro uns petiscos bem regados, para fazer esquecer o que
breve nos esperava.
Lembro que num desses dias, as
conversas estavam um pouco tristonhas, talvez pela proximidade do embarque, e
das saudades que já começavam a doer.
O Rato fixou-se num fado da fadista,
então muito em voga, a Ada de Castro, que tocava na velha Jukebox.
Recordo exactamente, não o nome nem
toda a letra do dito fado, mas sei que falava em saudade e partidas sem
retorno, dentro do género de tocar ao sentimento. À época detestava fado, mas
sem saber porquê, naquela altura senti como que um calafrio, e quase automaticamente
fixei um verso que durante dias vinha trauteando mentalmente.
Qual presságio..., muito calado,
ouvia o fado super concentrado, findo o disco, levantou-se e meteu nova moeda e
de novo ouvimos o fado. Repetiu-se esta cena várias vezes, e por estranho que
pareça, e quase contra natura, ninguém comentou, pois quase todos éramos de
Lisboa, e para nós, fado era coisa que não entrava !!
Ninguém se insurgiu e todos ouvimos
as vezes que se repetiram os versos tristes daquela “despedida”, sem um comentário.
O furriel Rato tinha os olhos lacrimejantes, e continuava muito calado e
pensativo.
Parece que algo no seu íntimo fazia
adivinhar o seu prematuro e infeliz desaparecimento na Guiné. Faleceu poucos
dias depois de ter regressado de um mês de férias na Metrópole.
Recordo ainda hoje aquele fado da Ada
de Castro...e a tal premunição que o Rato parecia sentir!!
Todas as mortes dos nossos amigos
foram dolorosas, mas para mim, a deste companheiro de armas, fez-me doer muito,
e deixou-me muitas saudades.
A sua simpatia natural e simplicidade
ficaram na memória de muitos de nós.
Estarei em pensamento com os
camaradas que em breve irão deslocar-se á sua campa no cemitério da Figueira da
Foz e colocar uma placa, símbolo das recordações ainda vivas que deixou.
Dos vários livros sobre a Guerra do
Ultramar, numas páginas com fundo negro, onde constam os nomes dos milhares de
mortos da guerra, lá encontrei o do nosso amigo.
De pouco consolo servirá para os
familiares e amigos que o recordam, mas pelo menos, o seu nome está perpetuado
no Monumento aos Mortos da Guerra em Belém.
José Justo
Março 2013 (Maio 2014)
sexta-feira, 23 de maio de 2014
As fotos do Henriques Guimarães
O nosso companheiro Henriques Guimarães, enviou várias fotos do almoço nas Caldas e também do tempo de Tite.
Foram todas reunidas no álbum que se segue.
Para veres o álbum clica na seta.
quarta-feira, 21 de maio de 2014
O Funeral do nosso Capelão
O funeral do nosso Capelão,
realizou-se na passada segunda-feira, dia 19, pelas 10:30 em S.Pedro da Torre,
Valença.
Estiveram presentes o Hipólito e o alf. Vaz Alves.
Estiveram presentes o Hipólito e o alf. Vaz Alves.
Acerca do belo trabalho criado pelo
Justo, relacionado com o nosso Capelão, o Hipólito fez o seguinte comentário:
"Muito bem, Justo!
Demonstrativo do teu carácter
artístico e humano.
Agradeço, por ele. Conhecendo-o, como
conheci, teria adorado ver este teu trabalho.
Intercederá por ti, e por nós, estou
certo, esteja ele onde onde estiver . . .
Tudo do melhor para ti.
Hipólito"
Simpatizava bastante com o nosso
Capelão, daí a minha singela homenagem.
Já em Tite tinha as convicções que
mantenho hoje em dia sobre religião.
Lembro-me no entanto por duas vezes
assistir a uma certa distância, durante alguns momentos, a celebrações e
palavras sempre doces deste sacerdote.
Notei-lhe nesta foto do blog, e logo
á primeira visualização um ar tão sereno e tranquilizador que me fez lembrar
ainda mais o apreço nascido naqueles tempos.
"Só morremos verdadeiramente quando mais ninguém falar de nós".
Estou certo que lembraremos o nosso
já saudoso Capelão.
Que o seu Deus lhe pague agora em
venturas no céu, o que por Ele fez por todos nós na terra, crentes ou não.
Maio 2017
José Justo
___________________
Também o Coronel Trabulo (que foi da CCAÇ 2314), enviou o seguinte comentário:
"Certamente que repousará num lugar pelo qual o
esperava. Recordo ainda hoje a suas conversas com um carisma de boa camaradagem
e de sentimento que nos servia para amenizar as amarguras da guerra que vivíamos... Obrigado"
António
Cavaleiro:
O funeral é na próxima 2ª. feira, dia 19,
pelas 10H00 em S. Pedro da Torre.
Julio Garcia, da 2314:
Que esteja em paz.
Filhos De
Sector Tite:
Os nossos
sentidos pêsames pela família enlutada.
Fernando De Almeida:
Mais um que foi BOM HOMEM pela sua postura, pelo exemplo e por ter sempre uma palavra de carinho e encorajamento.Não somos "ricos" e a sua partida deixa-nos mais pobres. Ficara' sempre nas nossas memórias, tenhamos ou não, convicção religiosa.
Fernando De Almeida:
Mais um que foi BOM HOMEM pela sua postura, pelo exemplo e por ter sempre uma palavra de carinho e encorajamento.Não somos "ricos" e a sua partida deixa-nos mais pobres. Ficara' sempre nas nossas memórias, tenhamos ou não, convicção religiosa.
terça-feira, 20 de maio de 2014
JOSÉ JUSTO
Amigos Guerreiros
O nosso Guedes contou-me que aquando da exibição no almoço
do trabalho vídeo por ele compilado (que trabalhão!!) ao aparecer numa das
imagens cá o "rapaz", houve uma manifestação de amizade da parte dos
companheiros presentes.
Sem ser minha mãezinha, nunca ninguém me tinha batido
palmas!!...esse vosso miminho vai-me dar p'ra um ano!!
Obrigado pelo gesto de grande amizade, que me enterneceu e
que não mais esquecerei.
Parabéns aos editores que já postaram trabalhos no Blog.
É bom rever mais um ano as carinhas larocas de Tite.
Um forte, mas muito forte X-coração aos Camaradas de armas
que estão a passar por momentos difíceis. Tudo irá passar, estou certo.
Aos que; pela lei da vida se libertaram, a minha lembrança.
Para todos felicidades mil..."estão cá dentro"
Abraços
Zé Justo
segunda-feira, 19 de maio de 2014
O Duque
No almoço das Caldas, o Cavaleiro prometeu ao Duque enviar uma foto que ele tinha, para o blog.
Ela aqui está.
Obrigado aos dois.
domingo, 18 de maio de 2014
BART 1914 almoço nas Caldas da Rainha - em 17 de Maio de 2014.
Serafim vai novamente ser operado
O nosso companheiro Victor Serafim, telefonou-me há pouco confirmando que não foi ao almoço porque se encontra pior da operação que lhe fizeram à próstata.
Algo correu bastante mal e terá que ser novamente operado.
Será amanhã no hospital Amadora-Sintra.
Cada vez mais existem casos destes, pois o Carlos Leite também foi vitima do mesmo sofrimento, embora agora esteja recuperado.
Para o Serafim os nossos votos para que tudo corra bem e que recupere depressa.
Um abraço amigo.
Almoço anual 2015 - Lamego
Já está adjudicado o almoço anual para 2015 - será em Lamego e o seu obreiro o Francisco Ferreira.
Fez um pequeno discurso nas Caldas, "avisando" os companheiros, familiares e amigos, de que os iria receber muito bem.
E nós sabemos que assim será, porque foi assim também em 1996, quando ele organizou o 7º. almoço anual do nosso Batalhão.
Boa sorte amigo.
Um abraço.
LG.
Bart 1914, Tite Centro MSG 1 - gravação com 46 anos
O Manuel Flores não pôde estar presente no almoço nas Caldas.
No entanto, para assinalar o evento, enviou-nos esta obra prima da comunicação audio, gravada em Tite ao vivo pelo Pica Sinos, no serviço de transmissões, em 1968, há 46 anos portanto.
É uma maravilha, que já em tempos tinha sido publicada no blog.
Obrigado Flores.
Almoço nas Caldas - Um reparo do Marinho
Grande
Guedes, espero que a tua viagem depois do almoço tenha sido boa em primeiro
lugar tenho a felicitar-te pelo bom repasto, mas o que conta é o convívio da
malta toda isso é o principal, é o grau de camaradagem correu tudo bam julgo
eu.
Um
reparo que eu ouvi de muitos dos nossos colegas é que não houve uma recordação
do almoço pois todos os almoços houve sempre um pequeno record, e este não
teve, sabes que muitos dos nossos companheiros gostão de ter recordações que
como ouvi dizer alguns que guardam tudo religiosamente o que levam dos almoços
nem que seja uma rolha e neste nada houve.
Um
abração bom fim de semana para ti e
tua família
Marinho
______________________
nota - Olá Marinho.
Agradeço o teu reparo. Na verdade não foi oferecida nenhuma rolha, mas algo muito mais significativo:
uma rosa às senhoras
uma rosa às senhoras
e um crachat aos guerreiros, desenhado pelo nosso companheiro José Justo.
Ou tu não levaste o teu?
Ou tu não levaste o teu?
Se não tens um diz-me, que eu envio-te pelo correio.
A rosa, é certo, pode durar apenas uma ou duas semanas, agora o crachat podes guardá-lo o resto da vida...
Pode não ter sido o ideal, mas sabes que quanto mais valioso o brinde, maior é a despesa...
Pode não ter sido o ideal, mas sabes que quanto mais valioso o brinde, maior é a despesa...
Abraços.
Leandro Guedes
Pessoas presentes no almoço anual das Caldas da Rainha
Houve desistências de ultima hora, mesmo assim estiveram presentes 104 adultos e algumas crianças:
Alexandre Leal
Alexandre Leal
Alexandre
Alves e esposa
Amadeu
Contige e esposa
António
Barbosa da Silva
António
Monteiro Vilão e esposa
António
Cavaleiro e esposa
António
Salgueiro Costa e esposa
Artur
Carreira Guimarães, filho e esposa
Augusto José
Rebouta
Augusto Miguel
Antunes
Carlos
Alberto Martins Costa
Carlos
Alberto Teixeira Marinho
Carlos Pires
e esposa
Carlos
Azevedo
Carlos Ramos
e esposa
Carlos Leite
e dois amigos
Clemente
Jesus Cardadeiro e esposa
Daniel Silva
Pinto e esposa
Domingos
Monteiro e esposa
Eduardo
Pintassilgo
Ernesto
Bento Rosa e esposa
Fernando
Andrade Clara e esposa
Fernando
Botas
Francisco
Costa Silva e esposa e mais um casal amigo
Francisco
Ferreira (organizador do próximo almoço em Lamego)
Henrique
Mário Guimarães
Hipólito
Almeida e Sousa
José
Conceição Rosa e esposa
Jorge Claro
e esposa
Joaquim
Agostinho Fernandes e amigo
Joaquim
António de Almeida e esposa
Joaquim Barbosa
de Oliveira e esposa
Joaquim
Costa Henriques
Jorge
Alexandre Gouveia
Jorge Manuel
Carvalho Silva e esposa
José Alberto
Arrabaça e esposa
José Batista
da Mota e esposa
José da
Silva Maia
José Eusébio
Lopes
José
Florindo da Silva e esposa
José Manuel
Amaro Santos
José Manuel
Paraiso Pinto e esposa
José Narciso
Martins Costa, esposa e mais 2 casais amigos
José Pinho
Costa
Leandro
Guedes
Luis Manuel
Silva Dias
Manuel
Alberto Gonçalves, esposa e mais um casal
Manuel
António Oliveira Pereira e esposa
Manuel
Madeira Palma e esposa
Manuel Jorge
Correia e esposa
Manuel
Moreira Fazendeiro e esposa
Manuel
Rodrigues Abreu
Manuel Sousa
Duque e 2 filhos
Mário
Rodrigues
Raul Pica
Sinos e esposa
Raul Soares
e esposa
Saul Nunes
Mendes
O almoço nas Caldas
Conforme estava agendado, realizou-se ontem o nosso almoço anual.
A concentração fez-se no jardim do restaurante a Lareira e tudo correu como estava previsto, excepto as desistências de ultima hora.
Antes de se iniciar o almoço foi respeitado um minuto de silencio em memória do nosso Capelão falecido na véspera e também pelos companheiros falecidos no ultimo ano - Gentil Lourenço e Nuno Jacinto.
Deu-se inicio ao almoço.
No fim do mesmo foram cantados OS PARABENS ao nosso amigo Victor Baros e à esposa do Contige, D. Ana Maria, que fizeram anos neste dia.
De salientar alguns companheiros que, embora menos bem, não quiseram deixar de comparecer - O Ramos, Arrabaça e Pintassilgo.
No fim do almoço o Costa declamou o POEMA DA UNIDADE, que continua sem autor confesso e foi exibido um filme/album com as fotografias possiveis de cada um, do tempo da Guiné.
No final estabeleceu-se a animada cavaqueira como é da praxe e depois cada um regressou às suas casas, sendo que alguns ainda ficaram mais um dia na Foz do Arelho, local paradisiaco para descansar.
Juntamos neste almoço amigos da CCS, da 1743, da 2314, dos Morteiros, das Daimler´s. Faltaram os dos Obuses, que continuamos sem saber deles.
Agradecemos a todos os companheiros que se esforçaram por estar presentes, às esposas que os acompanharam, aos amigos, aos filhos, a todos muito obrigado, principalmente aqueles que vieram de norte a sul, de longe, de muito longe, até de França.
Agradecemos também aos companheiros que não podendo estar presentes, nos telefonaram durante o almoço e foram vários. Quem sabe para o ano virão.
Realço aqui o caso do Justo, sem menosprezo para os restantes, que espera em breve estar presente, logo que as maleitas da idade o deixem descansar mais um pouco.
Muito obrigado a todos.
Para o ano o almoço será em Lamego, organizado pelo Ferreira.
Lá estaremos!
O falecimento do nosso Capelão
Grande Guedes
Primeiro, espero que o almoço tenha corrido sobre rodas e a
animação tenha sido grande.
Liguei-te, mas como tinhas o telélé a dormir, deixei msg,
pedindo-te como organizador que transmitisses aos camaradas um abraço da minha
parte.
Liguei também ao Pica, pedindo-lhe que te informasse do
telefonema.
Falei com o Cavaleiro e houve tentativa para falar com mais
amigos, mas o barulho era tanto e as chamadas acabaram por cair.
Amigo em anexo uma lembrança do nosso capelão, que como
sempre, e se achares oportuno farás o que te aprouver.
Fiz este trabalho principalmente para o meu arquivo.
Abraços
Justo
Obrigado Justo.
Um abraço.
sábado, 17 de maio de 2014
Nunca Direi Adeus - homenagem a Sérgio Borges e conjunto João Paulo
Companheiros
É sempre lindo recordar este tema!!
Neste grupo estão as duas filhas do Sérgio Borges.
http://www.youtube.com/watch?v
Há mais atuações delas.
Bom almoço no Sábado e abrações para todos.
O Coral Inesperado - A.C.Camargo Cancer Center
ESTE EMAIL É MAIS PARA O MEU AMIGO E EX-COMABTENTE (OP. CRIPTO) JOSÉ JUSTO, CUJO INFORTÚNIO LHE BATEU Á PORTA HÁ UNS ANITOS ATRÁS.
Um coral formado por 12 pacientes laringectomizados, vítimas do cigarro, surpreendeu a plateia do auditório do MASP que aguardava uma apresentação do Coral da USP, um dos mais famosos da cidade de São Paulo.
Criada para o A.C. Camargo Cancer Center, a ação incluiu as canções “All You Need is Love” e “She Loves You”, dos Beatles, interpretadas pelos pacientes. O objetivo foi alertar as pessoas para o principal fator de risco do câncer de laringe, o tabagismo. Acompanhados por fonoaudiólogos da instituição paulista, os pacientes que compõem o Coral Sua Voz (a maioria acima dos 60 anos) fazem uso de voz esofágica, prótese, laringe eletrônica (vibrador), fala bucal ou articulação de sons.
Escute a voz desse coral. Não fume.
sexta-feira, 16 de maio de 2014
ALMOÇO NAS CALDAS, no próximo sábado 17 DE MAIO
O Hipólito preparando as alfaces para o almoço...
Temos 106 inscritos, devidamente repartidos:
- 70 guerreiros
- 35 Senhoras
- 1 criança
Quem ainda não se inscreveu que se apresse, porque os lugares esgotam...
Entretanto fomos sabendo de companheiros, bastantes, que se encontram doentes e alguns deles à espera de serem operados, outros operados há pouco tempo, e que por isso não podem vir ao almoço.
Para eles os nossos votos de boas melhoras.
Abraços.
_____________________
Não posso estar presente
no almoço de dia 17. no entanto envio um abraço para todos.
João Apolinário Noné.
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Este ano não me é possível estar presente, já tinha outros compromissos, espero que tudo corra bem, dá um forte abraço a todos os colegas. Espero estar presente no próximo ano se Deus quiser
Alberto Camelo
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Este ano não me é possível estar presente, já tinha outros compromissos, espero que tudo corra bem, dá um forte abraço a todos os colegas. Espero estar presente no próximo ano se Deus quiser
Alberto Camelo
Faleceu o nosso Capelão
Companheiros
Segundo noticia recebida há minutos, faleceu o nosso Capelão, Padre Luís Costa e Silva.
À família enviamos os nossos sentidos pêsames.
Segundo noticia recebida há minutos, faleceu o nosso Capelão, Padre Luís Costa e Silva.
À família enviamos os nossos sentidos pêsames.
quarta-feira, 14 de maio de 2014
Conjunto académico JOÃO PAULO
Companheiros
Por feliz, por um lado e triste acaso descobri este side sobre Sérgio
Borges, falecido em 17 Dez 2011 e o Conjunto Académico João Paulo, que talvez
se lembrem estiveram em Tite.
Biografias e videos de Sérgio Borges e Conjunto Académico João Paulo
Está muito completo este trabalho e dá para pesquisa longa.
Além do Sérgio, também já faleceram o João Paulo e outro elemento.
O endereço deste blog passará a fazer parte dos nossos “blogs
simpáticos”.
Abraços
José Justo
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Ex-combatentes sem abrigo - um artigo do alf. Moreira da CART 1690
Com a devida vénia ao jornal Badaladas, publicamos a seguir um artigo do alf. Moreira.
O alf. Moreira é presentemente advogado em Torres Vedras e foi comandante da CART 1690, pertencente ao nosso Batalhão, após a morte em combate do seu Capitão.
Tirou a especialidade juntamente com o alf. Vaz Alves.
Foca neste artigo, mais uma vez, o tema triste dos ex-combatentes sem abrigo e diz que esse numero é actualmente de 2.500 - era há um ano de cerca de 600.
Dá que pensar esta situação, principalmente quando há um só homem, que ganha "apenas" 170.000 € por mês de reforma.
Na verdade algo está mal, neste nosso Portugal...
sábado, 10 de maio de 2014
O nosso Capelão Padre Luis Costa e Silva
Segundo informação do Hipólito, o nosso Capelão Padre Luis Costa e Silva, encontra-se internado no hospital de Viana do Castelo em "estado de coma".
Para ele os nossos votos de melhoras.
sexta-feira, 9 de maio de 2014
Diário do Justo - Final
Estes textos foram publicados alternados por vários dias. Para ver o Diário completo, abrir em Etiquetas “TITE - Diário” e começar a leitura pelo último Post e não pelo primeiro devido à sequência decrescente de datas e numeração. Tite 02 de Março de 1968.........................2,40 da manhã, no Centro Cripto pág.6 de 7 Não sei bem como começar a descrever mais um infindável número de factos, já macabros pela própria forma como decorreram. Mais um daqueles costumados momentos maus. Não sou muito claro quando digo momentos maus, porque cada segundo que aqui passo nesta terra, não é senão um suplício tremendo. – Vou chamar-lhes antes, os piores momentos !! Comecei outro contar desenfreado até “22” no dia 2 de Março de 68...parece talvez anedota correr e contar, mais parece de maluquinhos, no entanto, podemos salvar a vida com este simples suceder mental e rápido de algarismos. Tem uma justificação prática e
bastante útil este sistema.
Logo que identifiquemos uma “saída” (estrondo característico das granadas ao serem disparadas por morteiros ou canhão sem recuo) começa-se a correr para o abrigo mais perto e simultaneamente a contar.
Chegando a 20...22...é deitar de imediato no chão e aguardar o rebentamento da primeira granada.
Foi exactamente o que fiz, perto das 20 horas, simplesmente, não me deitei no chão.
Ao contrário, no desespero de me abrigar, continuei a minha louca correria ás escuras até ao abrigo das transmissões (O batalhão tinha um electricista de dia permanente aos dois enormes geradores eléctricos, e quando começava um ataque ao quartel, imediatamente apagava todas as luzes excepto as do perímetro de arame farpado para detecção de aproximações por parte do IN).
Quando ouvimos o estrondo simultâneo de duas “saídas”, eu e tantos outros que de momento tinha-mos ido à cantina, partimos como loucos em direcção dos abrigos.
Todos corriam, e em todas as direcções, no entanto. Não havia atropelos, a precipitação era grande, mas talvez o instinto de sobrevivência, levasse cada um pelo caminho mais curto e com o mínimo de obstáculos a retardarem a chegada ao refúgio, que parecia ficar distante milhas e milhas...isto mesmo com as luzes apagadas.
Sabia ser melhor deitar-me no chão, junto a uma vala ou parede e aguardar que se desse o primeiro rebentamento.
Inconscientemente não parei, nem sequer me deitei.
Quando circundava o edifício das transmissões, uma explosão medonha mesmo na minha frente ensurdeceu-me e quase me cegou por breves segundos, ao mesmo tempo que via um clarão enorme na direcção da oficina de pintura, misturado tudo com um cheiro intensivo a pólvora e “cor-dite”.
Apavorei-me, mas não parei.
Sabia que não podia parar, e agora que estava tão perto do abrigo era só mais um esforço.
Se conseguisse chegar depressa reduzia bastante a possibilidade de ser atingido pelos estilhaços.
Foi titânico o meu esforço.
Senti que tudo girava em meu redor e que enfim...tinha chegado a minha hora.
Já no alto passeio do edifício das TMS e preparando-me para fazer a curva em direcção á entrada...sempre no escuro, calculei mal as dimensões da parede e ao curvar, bati estrondosamente de frente contra a parede !!??
Com o impacto cai e cheio de dores na cara e no braço esquerdo, lá consegui escapar-me e continuar a correr, percorrendo os poucos metros que faltavam, desta vez na direcção certa.
Apesar de cheio de dores, a cara e braços esfolados, tão tranquilo me senti quando cheguei perto dos outros camaradas.
As explosões de granadas dentro do quartel eram às centenas (num dos vários ataques, foram referenciados perto de 200 rebentamentos)
Uns nus, outros em pijama das mais diversas formas, todos tinham chegado ao ponto final da sua louca correria, o abrigo salvador.
O resto foi o que já nos habituamos a ouvir: As consecutivas “saídas” dos morteiros da nossa parte, correspondidas pelos rebentamentos de armas pesadas d’eles.
O caos por fim terminou.
Esporadicamente ainda se ouviam rebentamentos que no entanto não conseguia já identificar, como sendo fogo nosso ou deles.
Apenas me limitei a saber o balanço final.
Infelizmente mais uma vez eles conseguiram alguns trunfos.
Sofremos dois mortos e vários feridos, alguns posteriormente evacuados para Bissau.
Continuo na mesma eterna inconstância, sem saber como tornar os dias o mais suportáveis possível.
Aguardo os acontecimentos, e tenho quase a certeza de que a próxima vez que voltar a abrir este “Diário” será para como de costume tentar passar para ele, tudo aquilo que me vai na alma, para assim, quem sabe...talvez, aliviar a carga imensa que carrego todos os dias, e que cada mês que passa mais faz doer.
Dois anos...24 meses...8760 dias...210.240 horas...neste inferno...neste maldito clima...nestes sobressaltos permanentes...neste arriscar a vida diário...com esta comida de merda, que por vezes nem a porcos se daria...é uma violência, uma desumanidade.
Para ter uma mãe Pátria que a isto me obriga e assim me trata e destrói...antes queria ser órfão !!
Nunca mais seremos os mesmos, findos estes malditos anos...
ma...todos os dias morremos um pouco !!
Quantas vezes já me arrependi de não ter tentado “fugir a salto” para as Franças, e ver-me longe destas misérias.
Que saudades de sentir outros odores, embora não mais vá esquecer estes...outras cores...aquelas fabulosas e lindas mulheres de mini-saia (abençoada Mary Quant), que tanto embelezam a minha Lisboa.
Sim eu tenho uma terra minha...não é nestes tons, nem com estes odores.
As pessoas não são desta cor...Não se vestem nem falam assim...Não se alimentam nem enterram os seus mortos assim...Não se olham como aqui...Não bebem, o que bebem aqui...não comem com as mãos...
Não nos sentimos estranhos, como aqui...Não se manifestam, como aqui...Não moram em casas como as daqui...Comem legumes e frutas e carne com tamanhos normais, não como aqui, onde tudo é pequeno e raquítico...Não veneram o Deus d’aqui...nem andam cheios de mezinhas e “roncos”...Não andam permanentemente com o terror de não terem amanhã...
Não andam sempre de chinelos...Não cheiram como aqui...Falamos todos a mesma língua, com várias nuances que só a embelezam...Somos uma só raça, não como aqui...Posso amar muitas vezes, com quem, quando e onde me apetecer, aqui não...
Não queremos correr com os vizinhos, como nos querem correr daqui...Podemos acreditar que quando nos sorriem, é mesmo por satisfação e não por obrigação ou medo...Não alimentamos e apoiamos por grandes e egoístas interesses comercias, inconfessáveis e sorrateiramente, quem vai decerto matar um seu irmão amanhã, irmão esse, que ali está a milhares de quilómetros de casa, longe dos seus, passando privações, para o defender a ele e aos seus interesses...
Não tenho, quando o sol entra no ocaso, ter de me enfiar em buracos debaixo de terra para me proteger de bombas...Não tenho q
Até um dia....se voltar a haver um dia.... José Justo
Op. Cripto Tite – Guiné 1967-69
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Diário do Justo - continuação 3
Nota: Estes textos serão publicados alternados por vários dias. Para ver o Diário completo, abrir em Etiquetas “TITE - Diário” e começar a leitura pelo último Post e não pelo primeiro devido à sequência decrescente de datas e numeração.
Tite 05 de Abril de 1968................3 da manhã no Centro Cripto pág 5 de 7
Tanto se passou desde a última vez que me dediquei a fazer mais um pouco de simples prosa no meu “Diário”.
Muitas novidades, muitos feridos e mortos, muitos costumados pesadelos...
Não posso deixar de recordar a madrugada do dia 3 de Fevereiro de 68.
Foi o dia fatídico de Bissassema. O dia em que mais ainda me fez sofrer...
Já muito vi n’um ano de Guiné já vi a morte algumas vezes marcar presença a poucos metros, mas nunca tive tão apavorado como daquela vez.
Volto em pensamento à noite de 2 de Fevereiro...
Estava no posto de rádio a jogar o meu pseudo Ping-Pong (bola contra a parede do posto de rádio) que normalmente me retinha por uns momentos ocupado, quando o furriel Cavaleiro entrou bastante excitado ??!!
Disse-me. – Justo, está quieto com isso, pois ouvem-se fortes rebentamentos na direcção de Bissassema e é provável que seja ataque à nossa malta de lá.
Saí, e de facto comprovei os medonhos rebentamentos, trazidos por vento favorável.
Tanta vez tinha-mos ouvido esta “música” que já não era de maneira nenhuma uma novidade, mas dessa vez causaram-me forte impressão, pela enorme quantidade e por ouvirem-se com uma nitidez impressionante, o que não era natural, mesmo com vento favorável, pois Bissassema ficava a mais de 15 kms.
Logo o pressentimento de que algo de anormal se passaria, me assaltou, recordo que me senti bastante estranho, facto que me admirou por ser tão forte.
Não parecia uma simples flagelação, mas mais um fortíssimo ataque.
Uma longa hora durou o pandemónio a que assistimos sem qualquer notícia, ou comunicação via rádio que nos fosse benéfica.
O contacto via rádio era praticamente impossível, pois os DH5 só eram ouvidos durante o dia e à noite deixavam completamente de se ouvir.
Depois de findos os tramites normais em casos de ataque (tentativa de reforço, comunicação por mensagem Zulu (grau máximo de prioridade via rádio) para Bissau, tentei finalmente dormir.
Não consegui com facilidade conciliar o sono, embora me sentisse exausto.
Pensei em coisas horrorosas o que contribuiu para mais dificilmente ainda conseguir a tranquilidade mínima para conciliar o sono
Hora e meia, tinha durado apenas o meu sono.
Acordei com o barulho provocado pela entrada de roldão do alferes Carvalho pelo nosso quarto dentro, n’uma excitação que na altura não compreendi.
Falava, ou melhor , gritava ordens, pragas e gesticulava imenso.
Poucos minutos bastaram para me aperceber do que se passava.
...Bissassema tinha sido tomada e ocupada pelas tropas do PAIGC, e a s nossas forças retiraram desordenadamente em consequência de numeroso grupo do IN, que tinha atacado com uma força e efectivos enormes.
Tinha-mos sido avisados pelo Gomes Furriel de TMS, que tinha ido bem como o Contino Op. Cripto e o Capitulo Rádio-Telefonista, formar a secção de TMS e Cripto no destacamento para contacto com o nosso Batalhão.
Dar um exemplo do aspecto do Gomes é dificil.
Branco, mortalmente branco, tremendo e mal conseguindo articular as palavras que lhe saiam inaudíveis, conseguiu por alto relatar alguns pormenores do que foi uma das piores derrotas militares sofridas pelas nossas forças.
Pelas primeiras impressões, temia-se que tanto o Contino como o Capitulo tivessem caído nas mãos dos “turras”.
Mais tarde tivemos a confirmação, quando de manhã começaram a chegar os que tinham conseguido iludir a vigilância dos guerrilheiros e puderam regressar a Tite.
Chegaram fugidos ao Enxudé, vindos da vários caminhos, pois poucos conheciam o caminho exacto, tendo também que evitar caminhar em direcção que lhes fosse desfavorável por levar a acampamentos do IN.
O que vi quando ao procurar noticias de tudo e todos os camaradas, será uma imagem que nunca mais esquecerei.
Rostos que tinha visto sorrir, estavam marcados pelos vincos profundos da dor, do desespero e desanimo.
As lágrimas que lhes vi na face, os olhos vermelhos e inchados, cobertos de lama e na maioria descalços e rotos, parecendo figuras de filmes de terror, com forças apenas para agarrarem desesperadamente a G3, a sua própria e única salvação para manter a vida, quando em redor somente a morte.
Para mais esses, que vi entrarem à porta de armas do quartel de Tite, na manhã de 3 de Fevereiro de 1968 vão as lágrimas que não derramei, mas que verdadeiramente senti...
“3 Fev 68 – Ataque Bissassema
Resultado da operação feita na véspera em que fizeram parte CCAÇ 2314; CART 1743, Pelotão Sapadores da CCS e 3 pelotões de milícia nativa.
Em consequência do forte ataque o IN ocupou Bissassema, caindo prisioneiros o Contino, Capitulo e Alferes Rosa.
Na retirada desapareceram o Furriel Cardoso e um Sargento da milícia de Tite.
Mais tarde o Sargento foi encontrado morto no Rio Geba.
O cadáver foi recuperado sendo impossível o mesmo no que respeita ao Furriel Sousa do Pelotão de Morteiros.
Foram ouvidos na rádio Konacry (rádio oficial e de propaganda do PAIGC, situada na República da Guiné) o Contino, bem como o Alferes Rosa e o Capitulo.
Em vários ataques posteriores à reocupação de Bissassema pelas nossas tropas, foram mortos 22 guerrilheiros e apanhado diverso material de guerra.
Um ferido IN veio para Tite, tendo morrido dias depois em virtude dos ferimentos”.
Zé Justo
fotos Google
terça-feira, 6 de maio de 2014
O dia da Mãe, pelo Justo - com arte, como é seu costume!
Com três letrinha apenas, se escreve a palavra Mãe, que embora sendo pequena, é a maior que o mundo tem!
Obrigado companheiro!.
segunda-feira, 5 de maio de 2014
Diário do Justo - continuação 2
Nota: Estes textos serão publicados alternados por vários dias. Para ver o Diário completo, abrir em Etiquetas “TITE - Diário” e começar a leitura pelo último Post e não pelo primeiro devido à sequência decrescente de datas e numeração.
Tite 25 de Novembro de 1967...................3,10 da manhã no Centro Cripto pág. 3 de 7
Nada de especial consumou mais um dia sem acontecimentos relevantes (felizmente, por um lado), mais um dia sem história e mais um dia a pensar se “virão hoje à noite ?”. Não sejam pequenos nadas a proporcionarem raros momentos de boa disposição e não seria tão menos penoso a descida que termina quando também terminar o monótono desfiar de recordações e mágoas, mas com o doce cenário de um outro local, outras gentes e outro bulício, que não sejam estes. Às vezes ve
jo toda a beleza desta terra, do habitat que me rodeia com agradável prazer, esquecendo o quanto também a odeio, mas fico estarrecido perante tanta beleza natural e principalmente o cheiro intenso, doce, único, desta terra vermelhão.
Tantos momentos já me senti num extase completo e magnifico ao estar longos períodos a contemplar o panorama tão belo de um por de Sol, de uma árvore mais exótica, de um pequenito nativo chapinhando na água turva, enlameada da Bolanha, na naturalidade com que a mãe dá o seio grande , negro e belo à criança que parece nunca estar saciada, ao silêncio imenso das enormes extensões de Bolanhas, salpicadas com algumas árvores isoladas, como que envergonhadas de si próprias e da sua solidão, dos maravilhosos pássaros de cores celestiais.
Nunca imaginei tanta poesia, nem quadros tão belos que perante os meus olhos desfilam, fazendo esquecer o verdadeiro sentido de estar ali...a guerra...
Se conseguir sair daqui inteiro, se esta maldita guerra terminar a contento dos dois lados, tenho que cá voltar daqui a uns anos, como civil, para então sim, me embriagar de toda esta beleza africana.
Encher bem os pulmões destes doces odores.
No entanto são tão poucos esses momentos e cada vez menos costumados, que sinto fugir-me aquele tão grande amor pelo que é belo e vale a pena admirar.
Sou por vezes um romântico...
Sei que nunca me chamariam de tal, porque sei nunca ter dado a adivinhar a alguém um sentimento que teimo em esconder.
Não que o esconda por vergonha ou medos, mas apenas porque só o vejo na realidade realizado dentro de mi próprio.
Fechado na caixa de ouro em que nasceu e que forçosamente morrerá...
Mesmo n’uma constante luta, penso que só momentos como estes me podem tirar o peso também constante de uma vida atormentada e de medos, apenas constituída por sobressaltos e um terror de terminar antes de começar.
Este continuar a poder abrir a caixa, sempre que quiser, para somente a fechar quando sentir ter conseguido mais um lenitivo para as horas, minutos e segundos em que sinto o fel amargo do desanimo de mi se apoderar...
Que a vida continue mais um pouco, para me mentalizar para a morte !!!
Tite 13 de Janeiro de 1968..................3 horas da manhã, no C. Cripto pág. 4 de 7
São 3 horas da manhã.
Mais um perí
odo de serviço está prestes a terminar.
Como a maior parte das vezes, foi um dia movimentado no tráfego das “secretas”.
Infelizmente será um dia memorável no mau sentido para tantos, o que para mi não passou de mais um.
Mais um a juntar a tantos sempre tão iguais desta maldita guerra.
Empada e o destacamento de Gubia, foram atacados simultaneamente.
Quase já me habituei a saber estas desgraças.
Penso o que terá sido a vida dos outros, dos que hoje deram decerto o máximo deles próprios para poderem garantir a integridade de si e também dos companheiros.
Gubia tem tido azar !
Três dias seguidos de ataques.
Não podem ter um pouco de sossego.
Para eles vai a minha grande admiração. Aqui também sabemos o que isso é ! aliás, toda a Guiné sabe o que isso é !!...
Espero o dia em que também voltemos a viver o tempo incontável que demora esse cáus.
Sinto que não falta muito para de novo reviver momentos como os de 19 de Julho, 6 Novembro e tantos outros, que já vou esquecendo as datas.
Esperemos...
Zé Justo
fotos Google



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