Votos de Próspero ANO NOVO para todos os nossos companheiros, amigos, familiares e visitantes.
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“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”
(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra colonial.).
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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"
(José Justo)
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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”
"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"
António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente
referindo-se aos ex-combatentes da guerra colonial
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”
Frase inscrita no Monumento aos Mortos da Guerra Colonial, no Entroncamento.
RECONHECIMENTO
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
O GOVERNANTE ANTES DA POSSE
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Em vez de carpir, ajude...
Estima-se que se cada português consumir 150€ de produtos nacionais, por ano, a economia cresce acima de todas as estimativas e, ainda por cima, cria postos de trabalho.
Ponham o mail a circular. Pode ser que acorde alguém.
Dê preferência aos produtos de fabrico Português. Se não sabe quais são, verifique no código de barras.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Viagem a VOLGOCRADO - pelo José Justo
De profundis por um amigo
domingo, 21 de novembro de 2010
Guerra colonial
sábado, 20 de novembro de 2010
Aviso à navegação, pelo José Costa
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
terça-feira, 16 de novembro de 2010
do Hipólito...
Nunca me enganaste, Cavaleiro. Nos pontos cardeais, como no diagnóstico.
Nem Sócrates, o grego, teorizaria tão proficientemente . . .
Desobstipação intestinal, pois claro, como dirão os papagaios que, para nossa cruz, nos calharam na rifa.
Felizmente, em fase terminal, sentindo, já só e de quando em vez, “uma ligeira brisa que desliza pelas fraldas da camisa”. Sequela, porém, ultra-resistente aos quininos sugeridos.
Incómodo, todavia, que uma boa e minhota sarrabulhada, a aprazar, aí, ou arredores, se te aprouver, não debelasse, radicalmente.
Livre e alodial, sacrificadamente, admito, para cumprir a profilaxia, mesmo que na companhia, aliás bem-vinda, de outros guerreiros trinca-espinhas, “uns ferrinhos” na arte de bem “pôr os pés debaixo da mesa”.
No Meco ?! . . . “Barrigada de fome”, meu caro, amante incorrigível da natureza, desnudada e do sexo oposto (machismo ?!), vim, como fui, “in albis”, por imposição ditatorial do matriarcado presente, de nada adiantando alegar que, até, já vejo mal.
Visualizaram o look do lindinho de Torres (hoje, já, talvez, sargento-mor, com bonificação de anos “fahrenheit”)? Que bem, o “boiné de ou à músico”!
Sugeri, mesmo (aqui, tenho dúvidas), se, nessa figura, no parque Eduardo VII, passaria incólume.
Folguei saber que comungaram das vicissitudes e agruras da cruzada africana que nos impuseram, mas que, nem tudo é negativo, nos irmanaram.
Onde desencabei esta?! Nas “novas oportunidades”, of course . . ., onde é que, mais, havia de ser ?
Esta e a que segue.
Por falar em vicissitudes, o padre duma parvónia, aqui bem perto, anda “azangado” com as catequistas, uma das quais de apelido “Grila”, porque não andarão a cumprir o programa por ele preestabelecido.
Na homilia, do passado domingo, saiu-se com esta:
-Ficais a saber que já cortei a “Grila” fora. E, se não arrepiam caminho, corto o resto ! . . . (ameaçou, esbaforido, o clérigo, referindo-se, digo eu, às catequistas).
Já agora, para terminar, aconselho-vos, antes da deita, o exercício mental que muito me ajuda a conservar o fair-play.
É, assim:
- Tem grelinhos, tem grelinhos, tem grelinhos no quintal . . . (podem continuar, enquanto, ligeirinho e directo, vou à “maison royal”. Volto, já).
Hipólito
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
S. Martinho fez estragos - pelo Cavaleiro
Não disseste ou não quiseste dizer, que o S. Martinho fez estragos. Como resultado dos excessos, deduzo que tivesses feito algumas corridas de meio fundo em direcção à sentina, latrina ou retrete, como lhe queiras chamar. Aqui no norte é assim que também é conhecido o WC. No sul, os “betinhos” chamam-lhe toilette, cantinho do xixi, mictório, “maison royale”, etc., etc. As cenas que fizeste! Mãos na barriga, nas “partes baixas”…….que vergonha! Corrias, corrias e nunca mais chegavas à sentina! Quilómetros de distância, não foi?! E…..foste a tempo?!! E……o pior é que por vezes essas coisas deixam marcas, não é Hipólito?!!!
É evidente que todos nós sabemos que o vinho novo provoca sérias consequências, desencadeia diarreias (na minha terra não se diz assim), incontroláveis e dolorosas. Lamento amigo Hipólito. Sei o que isso é! Se em vez do vinho tivesses bebido água fresquinha, chá de São Roberto, de barbas de milho ou de ervas fedorentas, garanto-te que nada te teria acontecido. E a poluição pelas redondezas?!. Que vergonha! E logo um rapaz do Norte! Diz-me, se ainda precisas de “mezinhos” como Imodium, Dimicina, solução stago ou qualquer outra coisa. Não sejas orgulhoso! Se precisares, telefona!?. No mesmo dia faço-te chegar a droga. Relaciono-me muito bem com a Chronopost….......
Bom, deixemos as brincadeiras e vamos lá falar como pessoas crescidas, ou não fossemos grandes (eu 1,83 e tu?). Então é assim: mas que história é essa de eu ser do “sul do norte”?! Nada de confusões, ok?! Sou um homem do Norte, de Biana, Viana ou o que lhe queiras chamar, mas sempre do Norte caragooooo!! Entendidos?!!
Vamos então falar acerca da tua viagem.
A tua viagem narra a vida miserável de um grupo de pessoas baseada em acontecimentos reais. Eu também fiz esse cruzeiro. Passageiros simples, personagens do mesmo filme. Ultrapassamos muitas necessidades e privações. A viagem não foi pacífica. A necessidade de sobreviver superou, por vezes o nosso orgulho os nossos preconceitos éticos, morais, religiosos e políticos. Para alguns, também preconceitos burgueses e elitistas que eu detestava. Foi pena, no alto-mar não terem ido “borda-fora”. Durante as filmagens, despidos dos referidos preconceitos, percorremos um caminho longo. Contornamos obstáculos. As cenas iam sendo reveladas. A nossa juventude e a nossa cabeça sabia ceder para que o corpo continuasse vivo. Fomos belíssimos actores.
Regressamos. A viagem terminou. Tiramos muitas fotos. A do Guedes é que desapareceu…….Complexos de calvície?!! Magia?!!!
Continuamos a tirar fotografias. Outros, infelizmente não.
Parabéns Hipólito. Gostei do relato da tua viagem. Foste um bom companheiro durante o cruzeiro. Continua a navegar com as teclas do teu computador para nos deliciares com a tua escrita.
Obs. Dizes já ter ido a Fátima, ao Monte Fialho……..ao Meco. Posso saber o que foste lá fazer, neste último poiso?!!
Um abraço,
Cavaleiro
domingo, 14 de novembro de 2010
Cuba - pelo Cavaleiro (fotos e video)
sábado, 13 de novembro de 2010
As viagens do Hipólito
Só que . . . oh “diacho” ! . . .
Sobre viagens ? ! . . . Acho que, desta, passo.
Raramente, saio deste buraco pré-histórico (de que serei bicho).
Fui uma vezita a Fátima, outra ao Meco, ao Fialho, a Alenquer e de pouco mais posso dissertar, a não ser daquela . . .
Primeira vez que fiz “chi-chi” no mar, num inolvidável cruzeiro à côte d’Afrique, uns bons 42 anos atrás, com viagens e estadia de dois anos, pensão completa, inesquecível oferta do, então, generoso, mas de que, ainda hoje, oiço dizer cobras e lagartos, governo da paróquia.
Com tratamento vip, tanto na viagem, em paquete e classe “conforto”, como na estadia, com “gamela” garantida e frequentes arraiais de fogo de artifício, não só no hotel, como também nos habituais safaris, de primeiríssima água, fora de portas.
Somos, francamente, uns ingratos. Alguém mais, teve a gentileza de uma dádiva tão generosa ?!
Reflictam, metam a mão na consciência e arrependam-se, para salvação da vossa alma, de tão mal dizer, enquanto é tempo.
Onde, quando e como nos cairia do céu a oportunidade, única e irrepetível, de conviver e privar com figuras ímpares como Pintassilgos, Penáfias (um cabito reguila que até uma vaca introduziu na caserna para doce companhia nocturna e deu um cabo dos trabalhos para retirar e, quase no regresso, ia derrubando a camarata com uma estocada de jeep), um Águas, um Porto, um vira-pipas; de saborear o gosto de um Laranjina C; de privar com um Moisés Tchombé do Katanga; de apreciar a parelha dos nobiliarcas criptos e restante matula da dita, já então, casa dos segredos; padeiros, cozinheiros, bate-chapas, serralheiros, encarregado d’obras, paga-dez, major hortelão; outros não me toques que desafino, tipo aristocrata intelectualóide de esquina, como, ainda hoje, continuam de tique atropalhado em riste; um impagável Mestre, um Traquino e um papa-açordas, como o SPM; um Sangalhos, de parelha com o sarg. Bico, na recolha do lixo e que faziam lembrar figuras presepiais; uns “pinchas na criva” como os Arrabaça e Monteiro; bajudas, lavadeiras, djubis, mosquitos, cobras, lagartos, arroz para o Viana “serzitar” os tijolos, e, sei lá, tantos outros que seria, porventura, fastidioso estar aqui a recordar . . .
Mas, tudo e nem pensem o contrário, sempre num autêntico ambiente exótico e tropical e a bem do império.
Reverentes e agradecidos é que devemos estar pela oportunidade concedida de, nesse cruzeiro e sequente estadia em resort de inegável qualidade, ter conhecido e convivido com os simpáticos carinhas larocas que, felizes, ainda hoje, se vão reunindo para recordar, como vemos na foto-cabeçalho do blog e que, apesar de, à primeira vista, parecerem fora de prazo, carecas, barrigudos, trampalazanas e fossilizados do século passado, são, sem dúvida, autênticos, genuínos e vernáculos heróis não reconhecidos.
Ao reler este texto sobre uma viagem na, outrora, nossa terra, surgiu-me a seguinte reflexão:
Mais uma , como dizem, do “murcão” (ou trapaceiro?) de Baltar ?! . . .
Não se ponham a milhas, não . . . meus lindos e ainda ireis oxigenar as meninges pr’a S. Pedro de Muel ou Areia Branca (onde, há já muito, desespero aceder em romagem gastronómica, de tão fraquinho e debilitado fiquei com as moléstias de que já vos dei notícia).
Fotos? . . . cá tem. O Justinho que supra a minha insuficiência.
Por falar em fotos: eclipsou-se a foto de um tal Leandro Guedes da galeria dos famosos, talvez por não ter honras de famoso. “Bamos” lá, toca a recolocá-la in su sítio.
Hipólito
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Emboscada real na Guiné durante a guerra colonial
Guerra na ex-Guiné Portuguesa...Com emboscada real - OBRIGATÓRIO VER e GUARDAR
Até dói a alma. Um pequeno filme de 14 minutos que retrata bem a guerra colonial.
Façam o favor de ver
Só lamento que os “heróis” da actualidade não tivessem visto este filme em anti-estreia como nós o vimos.
B.S.
Para os que estiveram, para que não esqueçam....
Para quem não esteve, que fique com uma ideia do diálogo dramático, em fundo, dos camaradas com o ferido moribundo.
Isto não é filme.
Foi uma “pequena” amostra do real.
E já lá vão mais de 40 anos...
(o filme começa depois de um pequeno anúncio publicitário)
ESTE DOCUMENTO HISTÓRICO FEITO POR UMA EQUIPA DE TELEVISÃO FRANCESA,
É o único filme feito na Guiné que apanhou uma sequência real de guerra.
Os jornalistas franceses que seguiam nesta patrulha, mandada executar para que eles tomassem conhecimento com o dia a dia das NT estacionadas em BULA, um pouco a N do Rio Mansoa, apanharam um "cagaço", mas registaram algo que mais nenhum registou. Se não estou errado ia também uma jornalista.
A emboscada que as NT sofreram, não estava "no programa", mas isto era o que podia acontecer sempre que se saía para o mato e neste caso julgo que foi para os lados do CHOQUEMONE, uma das zona quente onde o IN tinha "acampamento (s)", na área entre BULA-BISSORÃ-S. VICENTE (já no Rio Cacheu).
O Gen. Spínola, com o seu ajudante de campo (era ainda o Almeida Bruno) e o Cmdt do Batalhão de BULA foram lá, mal tiveram conhecimento do que tinha acontecido.
http://www.ina.fr/playlist/sport/ma-premiere-selection.248492.fr.html
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
O Arrabaça faz hoje anos
Desejamos-lhe muita saúde e que se vá preparando para nos relatar algumas das suas muitas histórias.
Parabens amigo e que passes um excelente dia de anos.
Um abraço.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Cuba - pelo Cavaleiro
Outra das desigualdades, que choca o comum dos mortais é a existência de duas moedas. A moeda convertível, que me escapa o nome, que alguns cubanos recebem dos turistas e que são trocadas em centros especializados pelo desvalorizado peso, a única moeda que podem usar. A diferença no tratamento recebido entre cubanos e estrangeiros é visível em gelatarias, restaurantes, cafés, etc.
Toda
O corpo estava tão apertado no caixão que o rosto estava colado no visor de cristal....
Quando abriram o caixão encontraram uma carta, presa na roupa com um alfinete, que dizia assim:
Queridos Papai e Mamãe.
Estou lhes enviando os restos de tia Josefa para que façam seu funeral aí em Cuba, como ela queria.
Desculpem por não poder acompanhá-la, mas vocês compreenderão que tive muitos gastos com todas as coisas que, aproveitando as circunstâncias, lhes envio.
Vocês encontrarão, dentro do caixão, sob o corpo, o seguinte:
12 latas de atum Bumble Bee,
12 frascos de condicionador,
12 de xampu Paul Mitchell,
12 frascos de Vaselina Intensive Care (muito boa para a pele. Não serve para cozinhar!),
12 tubos de pasta de dente Crest,
12 escovas de dente,
12 latas de Spam das boas (são espanholas),
4 latas de chouriço El Miño.
Repartam com a família, sem brigas!
Sob a cabeça há 4 pares de "popis" novos para os filhos de Antônio, são de cores diferentes (por favor, repito não briguem!).
A tia está vestida com 15 pulôveres Ralph Lauren, um é para o Robertinho e os demais para seus filhos e netos.
Também os 20 esmaltes de unhas Revlon que estão nos cantos do caixão. As três dezenas de calcinhas Victoria's Secret devem ser repartidas entre minhas sobrinhas e primas.
O relógio suíço que papai me pediu está no pulso esquerdo da titia.
Ela também está usando o que mamãe pediu (pulseiras, anéis, etc).
A gargantilha que titia está usando é para a prima Rebeca, e também os anéis que ela tem nos pés.
E os oito pares de meias Chanel que ela veste são para repartir entre as conhecidas e amigas, ou, se quiserem, as vendam (por favor, não briguem por causa destas coisas, não briguem).
A dentadura que pusemos na titia é para o vovô, que ainda que não tenha muito o que mastigar, com ela se dará melhor (que ele a use, custou caro).
Os óculos bifocais, são para o Alfredito, pois são do mesmo grau que ele usa, e também o chapéu que a tia usa.
Os aparelhos para surdez que ela tem nos ouvidos são para a Carola. Eles não são exatamente os que ela necessita, mas que os use mesmo assim, porque são caríssimos.
Os olhos da titia não são dela, são de vidro. Tirem-nos e nas órbitas vão encontrar a corrente de ouro para o Gustavo e o anel de brilhantes para o casamento da Katiuska.
A peruca platinada, com reflexos dourados, que a titia usa também é para a Katiuska, que vai brilhar, linda, em seu casamento.
Com amor, sua filha
Carmencita.
PS-1: Por favor, arrumem uma roupa para vestir a tia para o enterro e mandem rezar uma missa pelo descanso de sua alma, pois realmente ela ajudou até depois de morta.
Como vocês repararam o caixão é de madeira boa (não dá cupim);
podem desmontá-lo e fazer os pés da cama de mamãe e outros consertos
O
Na alegria destes presentes, não esqueçam de vestir a titia para o enterro!!!
Com amor,
Carmencita.
Se quiserem antecipar algum pedido…………….
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
PorData - agora também base de dados Europeia
A partir de agora, em http://www.pordata.pt/, todas as pessoas podem aceder de forma gratuita à informação estatística dos países da União Europeia e dos restantes países do Espaço Schengen, assim como dos Estados Unidos e do Japão, sempre que existam dados disponíveis.
Tendo já acesso às estatísticas da realidade portuguesa todos podem, a partir de agora, analisá-las num contexto europeu, formar opiniões mais fundamentadas e debater o país com maior rigor.
A direcção do projecto está a cargo de Maria João Valente Rosa e a principal fonte de informação é o Eurostat.
Visite-nos também na nossa página de facebook, em:
http://www.facebook.com/ffms.pordata
Parabens ao Zé Manuel (Alcantara)
Companheiros
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Bom dia companheiros.
Estou muito grato pelas vossas manifestações de amizade pelo meu aniversario.
Espero que todos possamos repetir para o ano seguinte.
O meu obrigado.zé manuel.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
O regresso a Fulacunda, pelo Joaquim Caldeira
Novo modelo de blog
LG.
Guerra Junqueiro - 1896
Texto que já foi em tempos publicado neste nosso blog.
Qualquer semelhança com alguma situação que conheçam, é pura coincidência...
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"Guerra Junqueiro, A Pátria, 1896
“Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, – reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta (…)
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta ate à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados (?) na vida intima, descambam na vida publica em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na politica portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro (…)
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do pais, e exercido ao acaso da herança, pelo primeiro que sai dum ventre, – como da roda duma lotaria.
A justiça ao arbítrio da Politica, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas;
Dois partidos (…), sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes (…) vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se amalgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, – de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar (…)”
Guerra Junqueiro"

























