30º almoço anual, Entroncamento, 18 de Maio de 2019.
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“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”
(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra colonial.).
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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"
(José Justo)
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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”
"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"
António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente
referindo-se aos ex-combatentes da guerra colonial
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Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...
Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Mortos na Guerra Colonial, em Torres Vedras
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”
Frase inscrita no Monumento aos Mortos da Guerra Colonial, no Entroncamento.
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EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART
RECONHECIMENTO
ESTES SÃO OS EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART. FALTAM AQUI OS EMBLEMAS DAS UNIDADES DA ARMADA E DA FORÇA AÉREA QUE TANTAS VEZES FORAM AO ENXUDÉ, A TITE, A NOVA SINTRA E OUTROS AQUARTELAMENTOS, PARA ENTREGA E LEVANTAMENTO DE CORREIO, O SPM, REABASTECIMENTOS DE GÉNEROS E MATERIAL BÉLICO E OUTRO DIVERSO, OU PARA EVACUAÇÃO DE MORTOS E FERIDOS E TAMBÉM PARA FLAGELAÇÃO DO IN. E AINDA VÁRIAS UNIDADES DE INTERVENÇÃO RÁPIDA TAIS COMO PARAQUEDISTAS, FUZILEIROS, COMANDOS E OUTRAS COMPANHIAS, PELOTÕES OU SECÇÕES, PARA AJUDA EM MOMENTOS MAIS DIFICEIS, NÃO ESQUECENDO AS ENFERMEIRAS PARA-QUEDISTAS.
Sabemos que nos invernos em Portugal é natural cair neve lá bem no norte do país e, quando mais agreste, o centro também é animado por este fenómeno. Só em condições muito particulares é que os naturais das outras regiões a sul, têm a possibilidade de contemplar tal fascinio. Também nas ilhas dos Açores (Ilha do Pico) e na Madeira (Picos: Ruivo, Torres e Areeiro) com regularidade cai neve nas partes mais elevadas. Mas em Lisboa são necessárias condições atmosféricas de frio muito adversas para que os lisboetas tenham a oportunidade de apreciarem tal encanto.
A história que vou contar decorreu à 55 anos, no ano de 1954, foi tal forma marcante a surpresa que ainda hoje recordo em pormenor. Foi na manhã do dia primeiro de Fevereiro, quando o meu bairro em Lisboa, e o país acordou coberto por um manto de neve.
Fui ver.
A neve caíado azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!
De um punhado dela, o meu amigo Zé Koi fez um boneco. Colocou tal feito no parapeito da janela do meu quarto. De seguida bateu nos vidros e escondeu-se, para que eu, miúdo, levasse a crer que a escultura era a causadora do feliz despertar. Eu nunca tinha visto cair neve, nem sequer na televisão, pois ainda não havia.O Zé Koi era à data um rapazola de 16, 17 anos, e que já a alguns trabalhava. Pelos seus afazeres profissionais saía muito cedo e chegava já com as ruas iluminadas pela luz dos candeeiros. Morava na mesma rua onde eu morava, na Rua dos Plátanos lá pró princípio, no nº 4, mesmo ao lado da casa da Maria do Carmo. No nº 2, a primeira casa da rua morava o Emílio, companheiro do arco e do peão, na casa da frente morava o “Pisco”. Com estes e com outros, para aprender as primeiras letras, me sentei nos bancos da escola. Nunca mais os vi, não sei das suas sortes.
Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,os passos imprime e traça
na brancura do caminho…
O Zé Koi era divertido mas algo reservado, foi educado pela sua mãe, junto com uma irmã, (creio que o seu pai morreu novo). Não dispensava grande atenção aos miúdos das outras ruas, ao contrário comigo e com os outros putos seus vizinhos, concedia-nos grande empatia, talvez por sermos algo espevitados, reguilas, enfim miúdos de bairro, iguais a tantos outros que ali foram criados e cresceram, que logo a seguir à instrução primária, os seus pais os fizeram “saltar do ninho por prontos para voar”. Os parcos escudos que traziam nos finais das semanas, fruto do seu trabalho, ajudavam a vencer as dificuldades da vida.
Fico olhando esses sinaisda pobre gente que avança,e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…
O Zé Koi tinha umas mãos de artista, de “escultor”. A sua profissão era a de carpinteiro/marceneiro e gostava de construir barcos em madeira, e quanto aos “clássicos baptismos” não havia discursos, musicas ou garrafas quebradas nos cascos, mas não pensem que não faltaram acontecimentos nas aguas das picotas das hortas plantadas junto das linhas dos comboios, são outras histórias que um dia contarei. Até lá esperemos que este inverno a neve volte a cair em Lisboa.
Pica Sinos- Quadras do poema Balada de Neve/Gil VicenteFotos Parque Eduardo VII e Aeroporto da Portela
e vídeo da C.M.L.
A Lusoceram teve a gentileza de publicar na sua revista de Setembro uma simpáctica referencia ao nosso blog.
Aos responsáveis da revista Dra. Claudia Palhais, Dr. Carlos Pinheiro, D.Ana Constanço e D.Fátima Neto os meus (nossos) sinceros agradecimentos.
E quando quiserem participar no blog teremos sempre muito gosto.
Muito obrigado.
Bem hajam.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Circuncisão Feminina na Guiné-BissauRelatório do governo apresentado à Cedaw revela que 44% de mulheres e raparigas são vítimas de mutilação genital feminina no país; documento indica também que vários tabus culturais contribuem para a discriminação das mulheres. Carlos Araújo, da Rádio ONU em Nova Iorque.
O governo da Guiné-Bissau disse que quer reduzir para metade, até 2015, os casos de mutilação genital feminina no país.Um relatório apresentado na segunda-feira, 3 de Agosto, à Comissão da ONU para Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra Mulheres, Cedaw, indica que 44% de mulheres e raparigas na Guiné-Bissau são vítimas de circuncisão feminina.
Violência DomésticaAlém da mutilação genital, o relatório nota o aumento assustador de outras formas de violência contra mulheres, incluindo a escravatura e violação sexual e a violência doméstica.Segundo o governo guineense, a cultura e tradição são factores que continuam a afectar o pleno exercício dos direitos fundamentais das mulheres.Elas limitam o acesso das raparigas à educação, discriminam as mulheres em questões de divórcio e herança e têm um impacto negativo na sua saúde.
Vida PolíticaA presidente do Instituto da Guiné-Bissau para a Mulher e Criança, Iracema do Rosário, que apresentou o relatório do governo, disse à Rádio ONU que a discriminação das mulheres na área da educação impede a sua participação efectiva na vida política do país."Sabemos que existem tabus que dizem que as mulheres devem ficar em casa para fazerem os trabalhos domésticos. Esses tabus ajudam o processo de discriminação impedindo as mulheres de alcançarem postos de decisão. Outros tabus culturais que impedem o avanço da mulher guineense são a mutilação genital feminina e o casamento precoce e forçado" afirmou. Lei Tradicional A ONG guineense, Liga dos Direitos Humanos, participou também na reunião da Cedaw. O presidente do órgão, Luís Vaz Martins, disse à Rádio ONU que a discriminação das raparigas começa na própria casa.
"É no lar familiar que começa a discriminação. Os rapazes são autorizados a frequentar a escola enquanto as raparigas ficam em casa.Existem outras tarefas domésticas que acabam por ser impostas às raparigas, afectando o seu rendimento escolar. O próprio relatório do governo reconhece uma alta taxa de desistência das raparigas da escola" disse.
Iracema do Rosário realçou que a luta contra a discriminação passa por uma mudança de mentalidades no país.
"Sabemos que na Guiné-Bissau há quadros femininos capazes de ocupar postos de decisão. Mas factores culturais atrasam o seu avanço.É necessário haver uma equidade. Havendo uma equidade sabemos que a mulher pauta pela paz, pela estabilidade e pelo desenvolvimento. Acho que a Guiné-Bissau vai ter esse previlégio de ter mulheres nos postos de decisão" afirmou.
Luís Vaz Martins disse à Rádio ONU que as mulheres continuam também a ser vítimas da lei tradicional, particularmente nas regiões rurais.
"Na Guiné-Bissau, as mulheres na sua grande maioria, salvo situações de mulheres urbanas, não têm o direito de herdar os bens dos maridos no caso de morte. A mulher ou aceita uma nova relação, um novo casamento, com um dos familiares do falecido marido ou é expulsa do lar familiar" indicou.
In: Rádio das Nações Unidas
Google
Zé Justo
No dia 5 de Outubro de 2009, fomos comemorar a Republica, na casa do Mestre, no Alentejo! Esperávamos a presença mais companheiros, mas por vicissitudes diversas não nos deram por ora essa alegria. O fim-de-semana era grande, naturalmente aproveitado, por uns, para visitar familiares há muito distantes das vistas, por outros infelizmente por insuficiência física, própria ou de familiares chegados, não deixando de referirem, ao justificarem as faltas, que o ano tem 365 dias e a vontade de confraternizarem com o Mestre e demais camaradas não se esgotou!
Comigo o Carlos Leitee o Marinho.Se bem que já tenha feito esta viagem por duas vezes, na saída da A2, em Castro Verde, o meu velhinho “GPS” não encontrou, por diversas vezes, as “coordenadas” do Monte Fialho. Momentos em que o condutor do veículo (Carlos Leite), não se inibiu de me catalogar de “caduco”, não porque o dissesse expressamente, mas não me foi despercebido aquele olhar de interrogado e de gozo.
Mestre!
Sim? “dize”…
É pá estamos aqui….
Aqui, ooonde?
Na estrada!
Escuta Pica, és nabo, volta para trás e no cruzamento telefona novamente!
Creio que a nossa chegada foi por volta das 10,30 da manhã. O Mestre e sua mulher, D. Conceição, recebem-nos com grande satisfação e alegria. Como sempre a mesa estava “pronta” com a produção caseira…Paio, Presunto de porco preto, Queijo, fresco e seco, Pão e Vinho. A conversa na mesa desenvolve-se muito animada e, mais animada se torna na medida em que o tempo passa e os produtos se “consomem”, sobretudo nos copos que o Mestre não se cansava em encher.
Enquanto a D. Conceição se esmerava na cozinha, nós com as barrigas pançadas do melhor e bem bebidos, chegava a hora de distorcer as pernas! O anfitrião brinda-nos com uma visita à sua “herdade”. Visitamos a sua produção hortícola e as obras da sua casa. “Chapéu” novo, garagem em novo estilo, tudo muito bem pintado. Parabéns Mestre, que a gozes com saúde e demais família.
Na visita à adega, vejo que o desengaçador/esmagador das uvas e a prensa hidráulica com uma rosca sem fim, já estão devidamente arrumados. As “pipas” estavam cheias e tapadas, ocorre o processo da fervura/fermentação. O cheiro é específico.
O Mestre desenrola os saberes da sua produção e, para meu espanto, desenvolve-se franca e animada discussão entre os enólogos Mestre e Reguila, atributos que desconhecia neste último camarada.
Com o desenrolar das opiniões e dos saberes, não tenho dúvidas se o camarada Hipólito estivesse presente viria engrandecer tal cavaqueira. Experimentado que foi, em Tite, no saque, engarrafamento e prova de produtos etílicos, destinados às prelecções apostólicas, hoje já bem especialista, tal como o Mestre e o Carlos Leite, na discussão da ciência que estuda todos os aspectos relativos ao vinho, desde o plantio, escolha do solo, vindima, produção, envelhecimento, engarrafamento e por último o “escoamento”, certamente ficaríamos (ainda mais), eu e o Marinho, de boca aberta por espanto de tais saberes. Óh Correia, Guedes, Cavaleiro, Contige, Barros, Zé Manel e Ramos, não sabem o que perderam!
Obviamente que na adega não houve prova, já tinha acontecido antes e…longas. Fogo, os gajos não se calavam com o processo do melhor fazer. O Leite dizia que devia existir uma torneira no fundo da “pipa”, o Mestre era de opinião contrária! Um dizia…isto é assim! O outro dizia-se discordante! Estes dois enólogos não se entendiam, que falta se fez sentir a terceira opinião. Já junto das cabras ainda se discutia o fazer do vinho, só na presença da já famosa cabra “menina”, os gajos mudaram de assunto. Os porcos pretos, já estão gordos, bem bonitos, quase prontos para a matança.
Ao almoço a D. Conceição brinda-nos com uma tachada de guisado de galinha do campo, logo seguida de uma outra com feijoada de porco preto. “Chi rapazes”! Momentos depois fomos brindados com a presença do João e da Graça, neto e filha do Mestre. Falámos de muita coisa e fizemos mais uns exercícios de informática, não sendo possível visitar desta vez o blog, por esgotado o carregamento.
Antes da partida ainda deu tempo para visitarmos uma aldeia ali bem perto. O Carlos Leite queria levar uns “mimos” caseiros, tais como pão, chouriça e queijo, sendo que o melhor estava para vir. O Mestre ofertou-nos, para além de uns queijinhos frescos e secos, um frasco de mel e uma lebre. Obrigado grande Mestre e D. Conceição, é sempre uma grande felicidade visitar estes amigos, até à próxima!
Estás a topar estes zac-sarapantões, António?!
Os porcos estão já quase prontos . . .
É necessária uma terceira opinião, avalizada e científica . . .
Até à próxima . . . etc., etc. e coisa e tal . . .
Cá pr'a mim, estão os magalas a perfilar-se para um próximo golpe de mão.
Ainda bem que nem sequer faço a mínima ideia onde fica o Monte Fialho, mas que a pintura e obras de tua casa estão a precisar de bênção e sequente molhadela, lá isso estão. E, para tal (só na parte relogiosa), penso que serei indispensável . . .
Um grande abraço a todos.
O pós independênciaAmilcar Cabral, o fundador do PAIGC não viu o sonho de uma Guiné independentetornar-se realidade, tendo sido assassinado em circunstâncias ainda nãoesclarecidas na Guiné-Conacri. É o seu irmão Luis Cabral quem ascende àpresidência do país.Uma onda de perseguições alastra pela Guiné. Comandos Africanos queserviram o exército Português e alguns régulos e chefias tradicionais que durantea luta de guerrilha não tinham apoiado o PAIGC são perseguidos e executados. EmTite num só dia 40 antigos comandos e régulos são fuzilados e enterrados em valacomum. Um número avultado de pessoas procura o exílio nos países vizinhos, oSenegal e a Guiné-Conacri.O regime multipartidário e as primeiras eleiçõesCom o fim da guerra fria, acabava também o sistema de mono partidarismo emÁfrica, dando-se inicio em 1991 ao processo de democratização com a alteraçãoda constituição que passava a permitir o pluralismo politico.Em 1994 têm lugar as primeiras eleições legislativas e presidenciais livres.Nino Vieira pelo PAIGC confirma a presidência com 52% na 2ª volta que disputacom Kumba Yalá (48%) do PRS. O parlamento é partilhado com outras forçaspoliticas : PAIGC (62 deputados), RGB (19), UM (12), PRS (6) e FLING (1).Nos quatro anos que se seguiram não se registou grande evolução na resolução dosmaiores problemas do país. O descontentamento dos veteranos de guerra e a criseeconómica agravavam-se dia para dia.Nino Vieira experimenta uma aproximação à Francofonia aderindo à zona do francoCFA em Maio de 1997 e assinando um acordo de defesa e segurança com o Senegalque obrigava a Guiné a apoiar Dakar na luta contra a guerrilha do MFDC deCasamansa.Neste quadro demite em Janeiro de 1998 o Chefe de Estado-Maior, o BrigadeiroAssumane Mané, acusado de ser responsável do tráfico de armas para Casamansae de permitir a existência das bases da sua guerrilha em território nacional.3Assumane Mané a 07 de Junho de 1998 tenta evitar o seu julgamentoencabeçando uma revolta e tentando neutralizar Nino no aeroporto de Bissalancaquando estava de partida para uma reunião da OUA. Grande parte da populaçãoadere à junta militar, ao que Nino dizendo tratar-se de um golpe de estado pede aintervenção do Senegal ao abrigo do acordo de defesa e segurança. Nino serve-setambém das boas relações com Lasana Conté, presidente da Guiné-Conacri paraque o seu vizinho do sul intervenha no conflito.Durante o conflito que opôs a junta militar e as forças governamentais, registaramseimportantes confrontos na região. Unidades da Guiné-Conacri e do Senegaldesembarcam em S.João (Bolama/Bijagós) e avançam pelos sectores de Tite eFulacunda. Perante o avanço das forças estrangeiras que invadiam a região, asforças da junta militar são reforçadas por antigos combatentes do PAIGC e porantigos comandos africanos do exército português. Os primeiros combates entre asduas forças registaram-se na região fronteira entre Tombali e Quinara na estradaque liga Buba a Mampata onde se confrontaram as unidades da junta militar vindasde Quebo e as unidades governamentais que estavam estacionadas emFulacunda.Nessa altura a junta militar transferiu o governo da região que se encontravainstalado em Fulacunda para Buba, onde a partir de então se instalaram tambémos diversos serviços do estado. Mantendo o estatuto de capital oficial, Fulacundapretende recuperar esses serviços e o governo da região.A 25 de Agosto é assinado um acordo de cessar fogo na cidade da Praia mediadopela CPLP que é quebrado em Outubro com a conquista pela Junta Militar dascidades de Bafatá e Gabú ocupadas pela Guiné-Conacri.A 01 de Novembro tendo como mediador a CEDEAO é assinado em Abuja novoacordo de paz. Nino Vieira não desarma o batalhão presidencial de 600 jovensBijagós “os aguentas”. A junta militar a 7 de Maio de 1999 lança uma operaçãomilitar em Bissau obrigando à rendição das forças leais a Nino Vieira que se refugiana embaixada portuguesa donde parte para o exílio, permanecendo em Portugal atéàs eleições de 2005.A 28 de Novembro de 1999 têm lugar as eleições Presidenciais eLegislativas, obtendo o PRS o maior resultado com 37,25% dos votos expressoscontra 28,43% do PAIGC a nível nacional. Na região de Quinara é o PAIGC quemregista maior número de votos (5277) seguido de muito perto pelo PRS com 5204votos. O círculo Buba-Empada elege 2 deputados do PAIGC e o PRS apenas 1,enquanto no círculo Fulacunda-Tite acontece o inverso (2 deputados PRS, 1PAIGC).Os resultados das eleições presidenciais obrigam a uma 2ª volta a 16 deJaneiro de 2000, obtendo Kumba Yalá (PRS) 72% e Malam Bacai Sanhá (PAIGC)28% a nível nacional. Na região de Quinara Kumba obtém 51,7% dos votos contra48,3% para Malam Bacai Sanhá.Nas eleições Presidenciais de 2005 à 2ª volta (vide gráfico pág. ), Malam BacaiSanhá (PAIGC), natural de Cam uma tabanca do sector de Empada, consegue61,2% dos votos contra 38,8% para Nino Vieira (candidato independente). A nívelnacional o resultado teve o sentido inverso tendo saído eleito Nino Vieira com52,35% contra 47,65% para Malam. Nestas eleições registaram-se alguns casos de4pressão e intimidação especialmente junto da Rádio Comunitária Papagaio para quea campanha de Nino não tivesse acesso aos Media da Região.A 12 de Março de 2007 entre os principais partidos PAIGC, PRS e PUSD é assinado oPacto Nacional de Estabilidade. Para o Governo da região é nomeado o governadormembro do PUSD, assim como para o Sector de Fulacunda. O PRS assegura aadministração dos sectores de Tite e Empada, e o PAIGC o sector de Buba.A 05 de Agosto de 2008, após ter sido demitido o governo de Martinho N’Dafa Cabi,sendo nomeado primeiro ministro Carlos Correia, são também nomeados novosadministradores de sector e governador da região de Quinara, passando todas asfunções a ser tituladas por membros do PAIGC.
“A Missão de Observação Eleitoral Internacional 1999/2000. A participação Portuguesa”, Guilherme
Zeverino / Luis Branco
“A luta pelo poder na Guiné-Bissau”, Álvaro Nóbrega
“História da Guiné – Portugueses e Africanos na Senegâmbia”, René Pelissier
Lei nº. 3/2009 de 13 de Janeiro
Meus caros amigos:
Recebi hoje da Segurança Social a informação de que ia receber um Suplemento Especial de Pensão, no valor de 100 € por ano.
Por trás dessa carta vem impressa a Lei em epígrafe, que explica o inexplicável, justificando a atribuição de semelhante fortuna - como diz o Pica, nem dá para um papo seco por dia.
Junto essa Lei para vossa apreciação...
Abraços
Leandro Guedes
Fanado - Cerimónia de iniciação masculina à vida na Guiné Bissau
O Fanado é uma cerimónia de iniciação na vida adulta, para rapazes, praticada, ainda na actualidade, entre a tribo dos Balantas. Os Fanados já foram mais frequentes.
Na actualidade são mais raros, dadas as precárias condições de vida deste povo e a cerimónia pressupor o consumo abundante de géneros alimentares, como o arroz e bebidas.
A foto que acompanha este texto foi tirada a um grupo de Balantas, em alturas desta cerimónia.
Eis como Eva Kipp (Guiné-Bissau:
aspectos da vida de um povo, EDITORIAL INQUÉRITO, 1994), descreve a cerimónia:
Normalmente, é o pai quem decide enviar o filho ao fanado ou, na sua ausência, o irmão mais velho; mas por vezes são os jovens que pedem para ir, desde que o irmão mais velho já tenha ido.
Nas vésperas do início do Fanado, realizam-se várias festas e uma das mais interessantes é um concurso de canto e dança entre os diversos grupos que irão participar no mesmo.
Cada grupo escolhe no seu seio o melhor artista, na dança e no canto.
Durante todo o dia, esses artistas exibem-se na tabanca, simultaneamente, procurando arrastar atrás de si os espectadores.
Assiste-se a correrias dos artistas que procuram arrastar as pessoas interessadas na sua actuação em detrimento dos outros concorrentes.
Cada um procura fazer o melhor que pode no canto e criar improvisações teatrais mais interessantes.
Ao fim da tarde, há um dos concorrentes que consegue arrastar atrás de si praticamente todos os presentes.
É o grande vencedor do concurso e o mais famoso dos que irão entrar no Fanado.
Nessa tarde, todos os que vão ao fanado comem a última refeição em casa, desaparecendo em seguida no mato sagrado, onde irão permanecer durante quase dois meses.
O que acontece lá durante esse tempo é um segredo que nenhum deles poderá desvendar após a saída, mas sabe-se que, para além da circuncisão, eles têm de dar provas de poder passar a adulto e aprendem a nova forma de estar na sociedade no pós-fanado.
No dia em que regressam do mato sagrado, realiza-se na tabanca uma grande festa e os que regressam do fanado recebem diversos presentes dos familiares e amigos.
É a partir desse dia que eles conquistam o direito de usar um barrete de cor vermelha que distingue os adultos que já foram ao fanado na sociedade Balanta.
É também a partir desse dia que o grupo de «blufos» da geração seguinte, jovens que ainda não foram ao fanado, começa o longo período que os conduzirá ao próximo Fanado, porta de acesso à sociedade dos adultos.”
Publicada por JoséMVRio
In: psvicente.blogspot.
Zé Justo
Cá me vou desensarilhando do engulho em que o “magana” do Pica me atascou e a prova é que atamanquei, sozinho, este texto, iniciado, embora, lá vão já 15 dias, para mim, stressantes.
E para vos contar estórias que, há muito, sinto assolerpadas cá no gasganete e que, se não desembucho, rebento como uma castanha.
Tinha ido em operação para o mato, numa emboscada, como radiotelegrafista e por ordem superior, comuniquei, para a base em Tite, ser necessário apoio aéreo e de artilharia, que não se efectivou.
Passado o imbróglio, já em Tite, curei de indagar à boa maneira alentejana.
Banzado fiquei com o que se passara, segundo testemunhos insuspeitos, idóneos e oculares de vista:
O op. de mensagens de serviço, talvez para esquecer o nega levado da lavadeira, pouco antes, tinha, ao seu lado, uma telefonia, no máximo, sintonizada naquele programa de discos pedidos do PIFAS da emissora oficial.
E, confundindo o meu pedido com o que ouvia na emissora, escreveu, assim, a dita mensagem:
“Aqui, Mamadu Djaló, que firma no Catió.
A mim pidi canção de Giani Morandi, cá sou digno di bó.”
Também, me vai parecendo, que, naquela secção de reabastecimentos, não seriam lá grandes espingardas.
O Marinho, ao que se vê, passava o tempo na estância balnear do Enxudé ou a fazer viagens turísticas na DO ou no heli; o Guedes (hoje, já mais “calaceiro e calão”), na psicotomática da tabanca; o chefe, idem aspas, mais a tarefa da psico-fúnebre, pressagiando a salazarenta queda da cadeira; e o SPM, também da coesa equipa, entretido na enóloga e secreta missão de trasfega do bento néctar; e não sei se mais algum . . .
A talho de foice (os TMS, até se masturbam!), fui avivado pelo Narciso de que, afinal, o nicho e respectiva imagem, já referidos no blog, apenas, foram, pelo sacrista (a quem até já chamara a capítulo), limpos das teias de aranha e do pó acumulado, passados que foram três meses da nossa chegada e, pelos vistos, após insistente pressão da gandulagem e a iminente chegada do capelão.
Com esta, compadres, me vou, na busca de mantença para a escultural tropa do dia 5 próximo, a ver se cato, à mão, uns daqueles coelhos adoentados com mixomatose e que já mal podem das pernas.
CONTO POPULAR DA GUINÉ-BISSAU
Dizem na Guiné que a primeira viagem à Lua foi feita pelo Macaquinho de nariz branco.
Segundo dizem, certo dia, os macaquinhos de nariz branco resolveram fazer uma viagem à Lua a fim de traze-la para a Terra.
Após tanto tentar subir, sem nenhum sucesso, um deles, dizem que o menor, teve a ideia de subirem uns por cima dos outros, até que um deles conseguiu chegar à Lua.
Porém, a pilha de macacos desmoronou e todos caíram, menos o menor, que ficou pendurado na Lua.
Esta lhe deu a mão e o ajudou a subir.
A Lua gostou tanto dele que lhe ofereceu, como regalo, um tamborinho.
O macaquinho foi ficando por lá, até que começou a sentir saudades de casa e resolveu pedir à Lua que o deixasse voltar.
A lua o amarrou ao tamborinho para descê-lo pela corda, pedindo a ele que não tocasse antes de chegar à Terra e, assim que chegasse, tocasse bem forte para que ela cortasse o fio. O Macaquinho foi descendo feliz da vida, mas na metade do caminho, não resistiu e tocou o tamborinho.
Ao ouvir o som do tambor a Lua pensou que o Macaquinho houvesse chegado à Terra e cortou a corda.
O Macaquinho caiu e, antes de morrer, ainda pode dizer a uma moça que o encontrou, que aquilo que ele tinha era um tamborinho, que deveria ser entregue aos homens do seu país.
A moça foi logo contar a todos sobre o ocorrido.
Vieram pessoas de todo o país e, naquela terra africana da Guiné Bissau, ouviram-se os primeiros sons de tambor.
Zé Justoin shvoong.com
fotos: BlogBaobáfotolog.com
A Guerra colonial
Os ventos de mudança pós segunda guerra mundial que levariam às
descolonizações em África também se fizeram sentir na Guiné. Depois do governo
português ter recusado qualquer possibilidade de negociar a transferência política
do território, o PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo
Verde) iniciou a luta armada no território.
Encravado entre o Senegal e a Guiné-Conacri pode o PAIGC beneficiar do constante
apoio destes países. A densidade das matas no sul do país e o relativo isolamento a
que esta região era obrigada pela existência de inúmeros rios que sulcavam o
território permitiram ao PAIGC consolidar uma luta de guerrilha mais efectiva que
no norte do país onde os amplos espaços abertos não ofereciam as mesmas
condições para este tipo de luta. A proximidade da fronteira da Guiné-Conacri
constituiu sempre uma retaguarda segura que abastecia a guerilha.
Os Balantas que durante o séc XIX tinham migrado para as zonas húmidas do sul
em busca de terrenos férteis, pelo seu carácter combativo, constituem a base do
movimento de guerrilha. Muitos dos seus primos do norte rumam às zonas sob
controle do PAIGC para se juntarem à luta de libertação.
A tomada de Guileje pelo PAIGC na estrada que ligava os sectores de Cacine e
Bedanda em Tombali junto á fronteira da Guiné-Conacri permitiu à guerrilha criar o
espaço para o estabelecimento das suas bases em território nacional que alargaram
aos sectores vizinhos e à região de Quinara, formando assim a primeira grande
zona libertada do país.
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No limite norte da região, os sectores de Tite e Fulacunda, separados apenas pelo
rio Geba, distam apenas alguns quilómetros de Bissau. A sua importância
estratégica esteve na origem de violentos combates entre as forças portuguesas e o
exército de libertação com frequentes bombardeamentos para a tomada destas
posições. Passados 35 anos ainda se podem observar inúmeros efeitos indesejados
desses combates. A presença de inúmeros projecteis não deflagrados (uxos)
constituem uma ameaça às populações.
As forças portuguesas vão perdendo o controle do território ficando sitiadas na ilha
fronteira de Bissau e em aquartelamentos e povoações dispersos pelo interior.
Buba resiste a intensos bombardeamentos das forças do PAIGC refugiando-se a sua
população civil na margem oposta do rio durante longos períodos escondida nas
suas matas.
A 24 de Setembro de 1973, com a maior parte do território nacional sob controle
das suas forças, em Madina do Boé, zona libertada junto à fronteira da Guiné-
Conacri, o PAIGC declara unilateralmente a independência, reconhecida
imediatamente por 80 países.
“A Missão de Observação Eleitoral Internacional 1999/2000. A participação Portuguesa”, GuilhermeZeverino / Luis Branco
“A luta pelo poder na Guiné-Bissau”, Álvaro Nóbrega
“História da Guiné – Portugueses e Africanos na Senegâmbia”, René Pelissier
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(próximo capítulo - "O PÓS INDEPENDENCIA")
Recebi a tua carta à qual passo a dar resposta como já falamos pelo telemóvel.
Como dei a entender está tudo bem, é bom que a gente se encontre para um almoço é só dizeres com tempo que é para eu estar preparado.
Aqui mando a minha foto como pediste, não tenho mais nenhuma de momento, mas se for preciso mais alguma coisa a gente se comunica pelo telefone.
Despeço-me mandando um abraço a todos os camaradas e um muito especial para ti, não esquecendo o Reguila (Carlos Leite).
Cândido Teixeira
Começo esta breve nota sobre o Cândido Teixeira, cuja morada foi encontrada pelo Hipólito, chamando atenção sobre a história da formação da freguesia onde nasceu, viveu e cresceu, este nosso camarada d’armas, até à idade da incorporação militar, e cujo paradeiro, há mais de 4 décadas, era desconhecido.
Com efeito, a Freguesia de Nogueiró, situada no distrito de Braga, refere na sua Resenha Histórica que, o seu povoamento talvez tenha sido feito desde a idade do ferro e, crê-se, habitada por uma tribo de Brácaros, povo que deu origem à cidade de Braga.
Foi nesta freguesia, situada na região de Entre-Douro e Minho, que o nosso Cândido Teixeira nasceu há 64 anos. Aqui aprendeu as primeiras letras e o ofício de marceneiro e da restauração de antiguidades. Oficio que abraça desde os 13 anos de idade.
Este nosso 1º Cabo Sapador-Mineiro, 10 anos emigrado na Alemanha, onde se encontram ainda a filha e os 2 netos, há muito que era procurado por nós, sobretudo pelo Carlos Leite, seu grande amigo.
Ó Pica, uma vez, diz o Carlos, eu estava de serviço na porta d’armas quando vejo chegar o Cândido. Ao ver-me triste perguntou-me… que se passa rapaz? … Oh pá estou cheio de fome… disse. Ai estás? …deixa lá que eu vou já tratar disso… finalizando a conversa o nosso sapador-mineiro diz …vai acendendo um fogueira que já volto.
Ó Pica, eu acreditei. Por detrás do “barraco” da porta d’armas, reuni uns pequenos troncos de madeira e fiz o que ele me mandou. Não é que na volta, passados cerca de 15 minutos, aparece o Cândido com um “nheco” meio depenado, e uma garrafa de vinho branco fresco. Foi talvez dos melhores manjares que comi em Tite. Estou ansioso para o abraçar.
Cândido Teixeira
Rua Francisco nº 7 r/c Dtº Brito
4805-070 Guimarães
Telm. 910666198
Pica Sinos
Na foto em abaixo o Cândido está com a enxada na mão