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“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra colonial.).

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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra colonial

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Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Mortos na Guerra Colonial, em Torres Vedras
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Mortos da Guerra Colonial, no Entroncamento.


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EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

RECONHECIMENTO

ESTES SÃO OS EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART. FALTAM AQUI OS EMBLEMAS DAS UNIDADES DA ARMADA E DA FORÇA AÉREA QUE TANTAS VEZES FORAM AO ENXUDÉ, A TITE, A NOVA SINTRA E OUTROS AQUARTELAMENTOS, PARA ENTREGA E LEVANTAMENTO DE CORREIO, O SPM, REABASTECIMENTOS DE GÉNEROS E MATERIAL BÉLICO E OUTRO DIVERSO, OU PARA EVACUAÇÃO DE MORTOS E FERIDOS E TAMBÉM PARA FLAGELAÇÃO DO IN. E AINDA VÁRIAS UNIDADES DE INTERVENÇÃO RÁPIDA TAIS COMO PARAQUEDISTAS, FUZILEIROS, COMANDOS E OUTRAS COMPANHIAS, PELOTÕES OU SECÇÕES, PARA AJUDA EM MOMENTOS MAIS DIFICEIS, NÃO ESQUECENDO AS ENFERMEIRAS PARA-QUEDISTAS.
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sexta-feira, 29 de março de 2019

NOVA SINTRA - Desmatação da estrada e construção de aquartelamento


Bart 1914, Tite Guiné Bissau 
ESTRADA E AQUARTELAMENTO DE NOVA SINTRA

Tempos difíceis para todos aqueles que intervieram nesta operação tão massacrante e penalizante para as nossas tropas e do IN. Após todos estes anos as recordações permanecem vivas no espírito de todos nós. No nosso blog (bart1914.blogspot.com) estão contadas várias histórias sobre tão triste e trágico episódio da nossa permanência em Tite na Guiné.Todas as Unidades militares que fizeram parte desta operação de desmatação e abertura da estrada para Nova Sintra e construção do respectivo aquartelamento, têm no seu curriculo um role imenso de mortos, feridos, amputados, deprimidos em alto grau, originados pelas situações mais dramáticas e inimagináveis, vividas naquele local, "ONDE O DIABO AMASSOU O PÃO..." Ainda hoje há mães que continuam a chorar os seus filhos, jovens mulheres que tiveram as suas vidas rasgadas pela dor e outras que ainda hoje continuam a amparar e a amar os seus maridos embora com deficiencias várias, e filhos que não conheceram os seus pais. Os cemitérios de todos os cantos do País estão valorizados, dignificados e engrandecidos com as campas dos valorosos guerreiros que à Pátria deram a vida.Outros não tiveram a mesma sorte e continuam esquecidos em campas sem dignidade, cobertas de mato, espalhadas pela Guiné, como é sabido."Se todos eles serviram a Pátria que lhes foi ingrata, eles fizeram o que deviam e ela, o que costuma”












segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

BISSASSEMA 51 ANOS DEPOIS... - mais um texto do Coronel João Trabulo


"BISSASSEMA 51 ANOS DEPOIS...
Foi há 51 anos que António Júlio Rosa, Alferes Miliciano, natural da Abrunhosa, Mangualde, e mais dois seus militares, cabo cripto Geraldino Marques Contino e soldado Victor Manuel Jesus Capitulo, da CArt. 1743, foram feitos prisioneiros, na madrugada de 3 de Fevereiro de 1968, por forças do PAIGC. A tragédia ocorreu numa acção militar na região de Bissassema, tabanca situada na península a sul do rio Geba, em frente de Bissau. Alferes Rosa comandava uma força, cerca de 70 militares, composta por um pelotão de europeus e dois africanos, ali instalada, no dia 31 de Janeiro, para subtrair o apoio logístico, manter a segurança afastada e impedir qualquer flagelação sobre Bissau pelo PAIGC. Num ataque violento de 250 guerrilheiros, penetraram no dispositivo e obrigaram a


força portuguesa a abandorar em pânico, apressada e desornamente a tabanca para salvar a vida. A fuga foi trágica, com consequências imprevistas, a que assisti e que, ainda hoje, está no meu subconsciente. Fazia parte da força que, saída de Tite, nessa madrugada, foi impotentemente em seu auxílio. Após uma tentativa fracassada de fuga do cativeiro, Alferes António Rosa e mais 25 prisioneiros portugueses, seriam libertados da prisão 'Montanha' na República da Guiné-Conakry, numa acção militar "Operação Mar Verde" pelas Forças Armadas Portuguesas, realizada em 22 de Novembro de 1970, concebida e executada pelo fuzileiro capitão-tenente Alpoim Calvão, com o apoio do Comandante Chefe e Governador da Província Portuguesa da Guiné, brigadeiro António de Spínola.
Entretanto, após a chegada a BISSÁSSEMA, verificou-se que o PAICG já havia retirado, apenas se encontravam na tabanca um pequeno número de elementos da população. Foi dada ordem para guarnecer BISSÁSSEMA a fim de proteger a população.
Mas isto não acabou por aqui, o PAICG não queria perder aquela posição estratégica e a todo custo desenvolveu ações no sentido de recuperar a tabanca. Assim, na noite do dia 4 e na madrugada do dia 5, desencadeou ações com a finalidade de experimentar e recolher informação sob o posicionamento dos militares ali instalados. E 10 minutos antes da meia-noite do mesmo dia 5 de fevereiro, uma forte flagelação, que apenas durou cerca de 25 minutos por, ao pretenderem tomar de assalto o dispositivo, sofreram baixas o que os levou a retirar. Mas no dia 9 de fevereiro, pela uma da manhã, regressaram com maior efetivo e melhor armamento, talvez comandado por Nino Vieira, com a vontade de tomar de assalto, capturar e desalojar os militares portugueses. Conseguiram abrir uma brecha no dispositivo de defesa em consequência de terem sido feridos 4 elementos de um abrigo, tendo penetrado no interior do dispositivo de defesa. Mas a forte reação das NT obrigou as forças do PAIGC a retirar com pesadas baixas, deixadas no local, abandonando grande quantidade de material de guerra e, apressadamente, transportar elevada quantidade de feridos que sofreram no ataque. Finalmente, passados cerca de 15 dias, no dia 25 de fevereiro, o PAIGC voltou a desencadear mais uma ação violenta de flagelação, agora com menor efetivo e armamento, tendo retirado, novamente, com várias baixas.
Em face do falhanço tido na efetivação da instalação de um aquartelamento e também aos resultados que se registaram no início, foi decidido abandonar a tabanca de Bissassema no dia 10 de março, procedendo-se à recolha de arroz, e ao reordenamento das populações na região a norte de Tite. Por isso, foram destruídas todas as moranças das tabancas que o PAIGC tinha aliciado na região, bem como os próprios abrigos que tínhamos construído para a defesa de Bissassema. Nunca mais lá voltámos.
Sabesse que esta intervenção, em Bissassema, foi um fracasso para ambos os lados. Se pelo lado português, para além dos prisioneiros e dois desaparecidos e feridos não se conseguiu contretizar os objetivos propostos; para o lado do PAICG, o elevado números de baixas, levou a que o PAIGC sempre escondesse as suas consequencias tendo, inclusivamente, ter sido considerado por alguns, como um dos maior desaires que sofreu no seu movimento de libertação da Guiné.
Passados que foram estes 51 anos, a visão dolorosa do estado dos militares em fuga para Tite, as lágrimas que corriam nas suas faces, os olhos cobertos de lama, a maioria descalços, ou mesmo nus, parecendo figuras de terror, apenas com forças para agarrarem, desesperadamente, a arma, a sua única salvação para manter a vida, em redor da morte, hoje, podemos questionar-nos: "será que valeu a pena o sacrifício e a vida destes jovens de ambos intervenientes na guerra…?"
João Trabulo

Há 51 anos... - texto da autoria do Coronel João Trabulo


"Há 51 anos...
Alferes Rosa
Bissassema, PU da Guiné, 2 de Fevereiro de 1968
Desta fatídica estadia em Bissassema, na noite de 2 para 3 de Fevereiro de 1968, no seu livro 'Memórias de um prisoneiro de guerra", alferes miliciano António Júlio Rosa, relata-nos:
"Seria meia-noite, quando, quem estava já dormindo, e era o meu caso, foi despertado violentamente!... Os 'turras' estavam a atacar!... Ouviam-se rebentamentos e muitas rajadas. Era um fogo contínuo e feroz. O ataque tinha sido desencadeado, a sul, no lado da mata... Estavam lá os africanos de Tite e alguns de Empada. O tiroteio manteve-se muito intenso durante cerca de meia hora. Depois... diminuiu até cessar completamente.





Quando o tiroteio acabou, ficámos convencidos de que o ataque tinha sido repelido. Contactei o Maciel para darmos uma volta pelos abrigos e ver se tudo estava bem. Deslocámo-nos até ao último abrigo do meu pelotão, situado a uns cinquenta metros e verificámos que tudo estava normal.
Íamos prosseguir a nossa ronda para sabermos dos africanos, quando, a uns cinquenta metros, se ouviu uma rajada de pistola-metralhadora. O som parecia vir de dentro do nosso perímetro. Ficámos os dois perplexos porque não tínhamos armas que “cantassem” assim!... Regressámos de imediato, à zona do comando e alertámos para a possibilidade do inimigo se achar no meio das nossas forças. Dentro do posto de comando encontrava-me eu, o Maciel, o Cardoso, o Gomes e três operadores das transmissões. De repente, apareceu, transtornado, o comandante da milícia de Tite. Só teve tempo de nos dizer que os ‘turras’ estavam dentro do perímetro e se dirigiam par o local onde nos encontrávamos. Mal acabou de falar fomos atacados. Não deu sequer tempo para se tentar encontrar uma solução!...
Rapidamente, procurámos sair para o exterior. Quando cheguei à porta, seguido pelo Geraldino e pelo Capitulo, rebentou uma granada ofensiva mesmo à nossa frente. Com o sopro da explosão fui empurrado para trás e não via nada pois tinha os olhos cheios de terra. Com o estrondo, fiquei surdo!...
Foi uma sensação horrível!... Pensei que ia morrer!... Foi impressão instantânea que passou em segundos. Entretanto, tive outra sensação!... Tive o pressentimento que ia ser abatido!... Sinceramente fiquei preparado para morrer!...
Senti-me agarrado, ao mesmo tempo que alguém me socava, violentamente, mas não sentia qualquer dor. Estava prisioneiro!... O Dino e o Capitulo tiveram a mesma ‘sorte’!... Seriamos levados para Conakry…”
Às 3 horas da fatídica madrugada do dia 3 de Fevereiro de 1968, militares da CCaç 2314 e dois pelotões da CArt 1743, estavam em marcha de Tite para Bissassema para socorrer os seus camaradas, mas em vão, pois já os não encontraram…
Após uma tentativa fracassada de fuga do cativeiro, Alferes António Rosa e mais 25 prisioneiros portugueses, seriam libertados da prisão 'Montanha' na República da Guiné-Conakry, numa acção militar "Operação Mar Verde" pelas Forças Armadas Portuguesas, realizada em 22 de Novembro de 1970, concebida e executada pelo fuzileiro capitão-tenente Alpoim Calvão, com o apoio do Comandante-Chefe e Governador da Província Portuguesa da Guiné, brigadeiro António de Spínola."
João Trabulo.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Parabens ao nosso coronel João Manuel Pais Trabulo





O nosso coronel João Trabulo, passa hoje mais um aniversário. Os nossos votos de parabens, com os desejos que continue com saúde por muitos mais anos.
Um Abraço.
Leandro Guedes.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Mais dois amigos fizeram anos - Santos Oliveira e Julio Garcia


Santos Oliveira do BCAV 1860




Parabéns ao Júlio Garcia, que passa hoje mais um aniversário.
Um grande abraço, que passes bem o dia com saúde, junto dos teus.

Leandro Guedes.





Também o Santos Oliveira, fez anos no passado dia 29 de Junho. O Santos Oliveira pertenceu ao Batalhão 1860, que nos precedeu em Tite e que esteve ainda algum tempo connosco.
Ao Santos Oliveira um abraço de parabéns, embora com atraso. Votos de boa saúde e que contes muitos.

Leandro Guedes


segunda-feira, 5 de março de 2018

foto do então Alferes João Trabulo da CCAÇ 2314 - hoje Coronel

Que pena não ser a cores.
Obrigado pela partilha
Um abraço.
Leandro Guedes.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

A HISTORIA DE BISSASSEMA APÓS 50 ANOS

A HISTÓRIA DE BISSASSEMA APÓS 50 ANOS...



"Uma vez que são decorridos 50 anos sobre a data destas actividades e se perde a sua 'confidencialidade', passo a revelar, pela primeira vez, o que relata a HISTÓRIA DA UNIDADE DA CCAÇ 2314, sobre BISSASSEMA:
"Depois do ataque de 03FEV68 a Bissassema, as posições das NT que se encontravam naquela tabanca ficaram desguarnecidas. A CCac 2314 que se encontrava em Tite, bem como outras Unidades, CArt 1743, PelMort 1802 e o PelNat 'Boinas Verdes', recebeu ordem para se deslocar para Bissassema a fim de socorrer as NT que se encontravam nessa tabanca. À chegada, verificou-se que BISSASSEMA estava deserta, IN já tinha retirado, apenas se encontrava um pequeno número de elementos da população. Foi dada ordem para que a companhia guarnecer Bissassema a fim de proteger a população. De imediato se procedeu a um intenso trabalho de organização do terreno, estabelecendo-se um perímetro de defesa.
Em 042200FEV68, um gruo com cerca de 50 elementos, flagelou durante 20 minutos, sem consequências.
Em 050200 FEV68, nova flagelação durante cerca de 20 minutos.
Em 052350FEV68, um grupo estimado em cerca de 100 elementos durante 25 minutos flagraram as nossas posições na tentativa de efeturem um assalto ao dispositivo, mas prontamente repelitos tendo abandonado no terreno 6 corpos e um ferido, feito prisioneiro, diverso material de guerra. Na batida efectuada verificou-se a existência de vários rastos de sangue, presumindo-se que tenha sofrido mais baixas (confirmado pelo autor).
Em 090100FEV68, um grupo estimado em cerca de 250 elementos desencadeou, em força, um ataque com um volume apreciável de fogo. Conseguiu abrir uma brecha no dispositivo de defesa em consequência de terem sido feridos 4 elementos de um abrigo, tendo penetrado no interior do dispositivo, mas pronta e eficazmente repelido, obrigando-o retirar com pesadas baixas e abandono de grande quantidade de materiar de guerra. No terreno deixou 15 corpos e na batida (pelo autor) foram encontrados rastos de sangue bem como de transporte de feridos. Notícias posteriores confirmaram que sofreu um número de baixas superiores a 50 mortos.
Em 252300FEV68, um grupo estimado em cerca de 100 elementos desencadeou violenta flagelação, que teve como consequência o ferimento de 3 furrieis do 4°. Pelotão e o IN sofreu baixas prováveis.
Em 07MAR68, realizada Op para recolha da população em Nhala e Intente.
Em 10MAR68, realizado Op com destruição dos próprios abrigos do perímetro de defesa de Bissassema e queimada das moranças e abandono de Bissassema, bem como das tabancas que in aliciou de Flaque Intela, Banaussa, Flaque Nhabal e regresso a Tite. Foi capturado material de Guerra.
Foi esta a acção em BISSASSEMA, após o desastre de 3 de Fevereiro, tendo ocorrido grandes privações e sacrificios nesta breve estadia em BISSASSEMA com grande 'reparos' no seu planeamento inicial e cujos resultados foram eficazes, posteriormente, pela elevado espirito de entrega e sacrifício de todos que ali intervieram.

Por informações recentes o PAICG, em consequência dos acontecimentos ocorridos, sempre escondeu os resultados sofridos da sua acção em Bissassema para além dos 3 presioneiros que efetuou.
Joao Trabulo, Coronel"

domingo, 4 de fevereiro de 2018

BISSASSEMA, 50 ANOS DEPOIS. - PELO CORONEL JOÃO TRABULO

BISSASSEMA 50 ANOS DEPOIS...






"Foi há 50 anos que António Júlio Rosa, Alferes Miliciano, natural da Abrunhosa, Mangualde, e mais dois seus militares, cabo cripto Geraldino Marques Contino e soldado Victor Manuel Jesus Capitulo, da CArt. 1743, foram feitos prisioneiros, na madrugada de 3 de Fevereiro de 1968, por forças do PAIGC. A tragédia ocorreu numa acção militar na região de Bissassema, tabanca situada na península a sul do rio Geba, em frente de Bissau. Alferes Rosa comandava uma força, composta por um pelotão de europeus e três africanos, ali instalada, no dia 31 de Janeiro, para subtrair o apoio logístico, manter a segurança afastada e impedir qualquer flagelação sobre Bissau pelo PAIGC. Num ataque violento de 250 guerrilheiros, penetraram no dispositivo e obrigaram a força portuguesa a abandorar em pânico, apressada e desornamente a tabanca para salvar a vida. A fuga foi trágica, com consequências imprevistas, a que assisti e que, ainda hoje, está no meu subconsciente. Fazia parte da força que, saída de Tite, nessa madrugada, foi impotentemente em seu auxílio. Após uma tentativa fracassada de fuga do cativeiro, Alferes António Rosa e mais 25 prisioneiros portugueses, seriam libertados da prisão 'Montanha' na República da Guiné-Conakry, numa acção militar "Operação Mar Verde" pelas Forças Armadas Portuguesas, realizada em 22 de Novembro de 1970, concebida e executada pelo fuzileiro capitão-tenente Alpoim Calvão, com o apoio do Comandante Chefe e Governador da Província Portuguesa da Guiné, brigadeiro António de Spínola.
Entretanto, após a chegada a BISSÁSSEMA, verificou-se que o PAICG já havia retirado, apenas se encontravam na tabanca um pequeno número de elementos da população. Foi dada ordem para guarnecer BISSÁSSEMA a fim de proteger a população.
Mas isto não acabou por aqui, o PAICG não queria perder aquela posição estratégica e a todo custo desenvolveu ações no sentido de recuperar a tabanca. Assim, na noite do dia 4 e na madrugada do dia 5, desencadeou ações com a finalidade de experimentar e recolher informação sob o posicionamento dos militares ali instalados. E 10 minutos antes da meia-noite do mesmo dia 5 de fevereiro, uma forte flagelação, que apenas durou cerca de 25 minutos por, ao pretenderem tomar de assalto o dispositivo, sofreram baixas o que os levou a retirar. Mas no dia 9 de fevereiro, pela uma da manhã, regressaram com maior efetivo e melhor armamento, talvez comandado por Nino Vieira, com a vontade de tomar de assalto, capturar e desalojar os militares portugueses. Conseguiram abrir uma brecha no dispositivo de defesa em consequência de terem sido feridos 4 elementos de um abrigo, tendo penetrado no interior do dispositivo de defesa. Mas a forte reação das NT obrigou as forças do PAIGC a retirar com pesadas baixas, deixadas no local, abandonando grande quantidade de material de guerra e, apressadamente, transportar elevada quantidade de feridos que sofreram no ataque. Finalmente, passados cerca de 15 dias, no dia 25 de fevereiro, o PAIGC voltou a desencadear mais uma ação violenta de flagelação, agora com menor efetivo e armamento, tendo retirado, novamente, com várias baixas.
Em face do falhanço tido na efetivação da instalação de um aquartelamento e também aos resultados que se registaram no início, foi decidido abandonar a tabanca de Bissassema no dia 10 de março, procedendo-se à recolha de arroz, e ao reordenamento das populações na região a norte de Tite. Por isso, foram destruídas todas as moranças das tabancas que o PAIGC tinha aliciado na região, bem como os próprios abrigos que tínhamos construído para a defesa de Bissassema. Nunca mais lá voltámos.
Sabesse que esta intervenção, em Bissassema, foi um fracasso para ambos os lados. Se pelo lado português, para além dos prisioneiros e dois desaparecidos e feridos não se conseguiu contretizar os objetivos propostos; para o lado do PAICG, o elevado números de baixas, levou a que o PAIGC sempre escondesse as suas consequencias tendo, inclusivamente, ter sido considerado por alguns, como um dos maior desaires que sofreu no seu movimento de libertação da Guiné.

Passados que foram estes 50 anos, a visão dolorosa do estado dos militares em fuga para Tite, as lágrimas que corriam nas suas faces, os olhos cobertos de lama, a maioria descalços, ou mesmo nus, parecendo figuras de terror, apenas com forças para agarrarem, desesperadamente, a arma, a sua única salvação para manter a vida, em redor da morte, hoje, podemos questionar-nos: "será que valeu a pena o sacrifício e a vida destes jovens de ambos intervenientes na guerra…?
João Trabulo, Coronel"

NOTA - Nesta tragédia desapareceram ao atravessar o rio, o Furriel Cardoso e o sargento das Milicias, tendo o corpo deste ultimo aparecido mais tarde.

sábado, 30 de dezembro de 2017

Boas Festas do Julio Garcia, da CCAÇ 2314.

ESTAS SÃO AS BOAS FESTAS ENVIADAS PELO JULIO GARCIA DA CCAÇ 2314. 
Obrigado companheiro. Tudo de bom para ti e para os teus. 
Bom Ano 2018. BOAS FESTAS. 
Leandro Guedes.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

CCAÇ 2314 - Tite




TITE
Tite é uma localidade e um dos quatro setores da Região de Quinara da Guiné-Bissau com uma área de 699,5 km2 ². A região de Quinara com 3.138,4 Km2 está subdividida nos sectores de Tite, Buba, Empada, e Fulacunda
Aqui em 23 de janeiro de 1963 o PAIGC iniciou a luta armada com um ataque ao quartel de Tite, com a vinda de elementos a partir de bases na Guiné - Conakry.
O terreno no Sector de TITE apresenta-se, na sua generalidade, com um aspecto descontínuo em consequência
... das numerosas penínsulas que o constituem. A separar estas penínsulas encontram-se cursos de água mais ou menos caudalosos, de acordo com as marés que fazem subir consideravelmente o nível das águas. Estes cursos de água, tal como as bolanhas e lalas, dificultam a passagem de umas penínsulas para as outras. Na época das chuvas, os cursos de água, em especial, o rio LOUVADO e o rio FENINGUÊ, constituem verdadeiros obstáculos para cuja transposição são necessários meios. A passagem de umas penínsulas para as outras causava nas tropas, em especial na época das chuvas, um desgaste físico apreciável.
A vegetação é pouco densa.
Os principais itinerários existentes no Sector são: TITE – ENXUDÉ, TITE – NOVA SINTRA, TITE – IUSSE, TITE – NÃ BALANTA, NOVA SINTRA – GÃ MITILIA, BIOGATE – BISSÁSSEMA.
O itinerário TITE – ENXUDÉ assume importância especial em virtude de o ENXUDÉ ser o porto fluvial que serve TITE. Dado o grande movimento que tem, esse itinerário necessita de frequentes reparações, em maior escala após a época das chuvas que deixam o piso em más condições, sendo o único itinerário do Sector que dava passagem a viaturas.
A população civil é na sua quase totalidade constituída por autóctones. Apenas se verifica a existência de dois civis europeus metropolitanos na sede. Predomina a raça balanta, havendo pequenos núcleos de fulas, papeis e mancanhos.
São pouco numerosas as tabancas deste Sector que se encontram habitadas. Entre elas, podiam considerar-se sob controlo das NT apenas a tabanca de TITE.
As tabancas de IUSSE, NÃ BALANTA, FOIA, PONTA NOVA, TITE MANCANHA, BRAMBANDA, FENINGUÊ davam também a sua colaboração, forçada ou não, ao PAIGC.
As tabancas de FLAQUE NHABAL, BUNAUSSA, FLAQUE INTELA, NHALA DE BAIXO, NHALA DE CIMA, BISSÁSSEMA DE CIMA, BISSÁSSEMA DE BAIXO e FLORA encontravam-se praticamente sob controlo do PAIGC que nelas vive, procurava apoio e obtinha contributo no que lhe é necessário.
Tal como grande parte da Província, a área deste Sector é essencialmente rica em arroz, cultivado em extensas bolanhas, em especial nas regiões de BISSÁSSEMA, FENINGUÊ, FOIA, NÃ BALANTA e IUSSE.
Historial da CCaç 2314.

Cor. Pais Trabulo
(Fotos da página
Bart Tite Guine Bissau)



quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

CCAÇ 2314

  1. CCAÇ 2314
    Em 15 de janeiro de 1968, a CCaç 2314 chega no navio “UIGE” a BISSAU e embarca de imediato em duas LDM com destino ao ENXUDÉ. Daqui foi transportada em viaturas para TITE onde chegou cerca das 20H00. Foi-lhe atribuído o Sector de JABADÁ, sendo o treino operacional realizado em TITE, contudo, face ao desenrolar imprevisto da atividade operacional no Sector de TITE, é-lhe determinado que permaneça como companhia de intervenção do BART 1914.





Cor. João Manuel Pais Trabulo

GUIÃO DA CCAÇ 2314

  1. GUIÃO DA CCAÇ 2314
    A CCAÇ 2314 foi uma companhia que durante a sua permanência na Guiné serviu como companhia de intervenção do BART 1914, sendo o seu Guião idealizado e concebido pelo Alferes Mil. Trabulo, tendo em consideração o seguinte formato e simbologia:
  2. FORMATO:
    Tem a forma de quadrado em que a faixa exterior é composta por triângulos alternando o verde com o vermelho, simbolizando as cores da bandeira nacional; Nas quatro pontas do quadrado e dentro da faixa exterior
    ... verifica-se a existência de quatro quadrado mais pequenos onde estam inseridas as inscrições "CCAÇ - 2314 - 69-69 e GUINÉ", designando assim o nome, o numero da companhia, os anos da duração da prestação de serviço e a província onde foi prestado o serviço da companhia. 
  3. SIMBOLOGIA:
    No quadrado interior, encontram-se uma chama de uma fogueira em tom encarnado encimada com um morteiro 60 e um lança granadas foguete, orlados na parte inferior com a inscrição "AGE QUOD AGIS".
    A chama simboliza a "chama da vida", o morteiro 60 e o lança granadas foguete as armas ligeiras mais premente de que disponham os pelotões da companhia, tendo no fundo o lema latino "AGE QUOD AGIS" pretendendo com isso expressar o que procurou sempre a companhia fazer na sua passagem pele Guiné: "FAZ BEM AQUILO QUE FAZES".
Cor. João Manuel Pais Trabulo

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Eu, Joaquim Nunes Caldeira, apresento-me...

   
Joaquim Caldeira
21/8 às 15:36
ORA BEM. PARECE QUE NÃO ME FICA MAL FAZER A APRESENTAÇÃO.
NASCIDO EM 1944, PERTENÇO A GERAÇÃO SACRIFICADA COM AS GUERRAS ULTRAMARINAS.
Depois de 17 meses de treino e instrução, tendo passado pelos comandos e por minas e armadilhas, embarquei para a Guiné em Janeiro de 1968. desembarcado em Tite, vivi as aventuras de Bissássema, Nova Sintra e estagnei por Fulacunda para acabar em Tite por dois meses antes de regressar a Portugal em finais de Novembro de 1969.
Para trás ficaram muitas recordações, más, muito sofrimento e um conjunto de amizades para a vida.
Uma punição por perda de homem em combate - imaginem se ele tinha morrido em combate - eu iria para a cadeia. No final, um louvor. E assim a pátria sentiu que tinha cumprido para comigo, sem ter tido o encardo do caixão. Sempre ficava mais caro.

Actualmente, na reforma, passo os dias a conferir tudo o que fiz na véspera. E vivo angustiado num país de ladrões e malfeitores.

É assim. Está feita a minha apresentação. Falta referir que mantenho uma página no feice que intitulei de " REVIVER GUINÉ".

Bom domingo.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Fernando de Almeida, faz hoje anos


O nosso companheiro Fernando de Almeida, da CCAÇ 2314, festeja hoje o seu aniversário, que imaginamos seja o 68º.
Para ti amigo,  um forte abraço de parabéns, com votos de boa saúde.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Noticias da CCAÇ 2314


No seguimento das nossas mensagens e para conhecimento do veterano Victor Manuel Alves Mendes, da CCac2314 que pretende encontrar os seus camaradas-de-armas e com o auxílio de um colaborador do portal UTW, informamos:
A CCac2314 - "Os Brutos" -, subunidade orgânica do BCac2834, foi mobilizada pelo RI15-Tomar e embarcou no cais fluvial da Rocha Conde d'Óbidos (em Alcântara), com o seu batalhão e respectivas subunidades, na 4ªfeira 10Jan68 rumo à Guiné.
Sob comando do capitão de infantaria Joaquim de Jesus das Neves, em 15Jan68 desembarcou ao largo de Bissau, para uma LDG que a transportou até à ponte-cais no canal do Enxudé, dali seguindo para Tite, em cujo sector fez a IAO sob orientação do BArt1914, mantendo-se seguidamente em reforço à quadrícula operacional daquele batalhão, e do sucessor BCav2867 (com sede em Tite).
Em 06Ago68 foi transferida para Fulacunda.
Em 30Jun69, por troca com a CCav2482, regressou a Tite.
Em 20Out69 foi substituída pela CCav2484 e iniciou o deslocamento, em escalões, para Bissau, onde se manteve até à torna-viagem, iniciada em 23Nov69 no "NTT Uíge".
A citada subunidade, tem um blogue >
ccac2314.blogspot.pt
A respectiva HU encontra-se no acervo do AHM, sob a cota "Caixa 76, 2ª Divisão/4ªSecção)
Contacto de veterano da CCac2314 – Joaquim Caldeira:
- Joaquim Caldeira (ex-furriel milº, residente no Porto): mailbox <
joaquimcaldeira@netcabo.pt>; tlm 933 538 890

Esta mensagem vai para conhecimento de vários veteranos, alguns da CCac2314, e na eventualidade de quererem contactar o veterano Victor Manuel Alves Mendes, da CCac2314 para o convidarem para o próximo Encontro Convívio daquela subunidade, o seu contacto é TM: 910208624
Saudações

A equipa do UTW______________________
No seguimento do pedido do veterano Victor Manuel Alves Mendes, da CCac2314.

Contactos de veteranos da Companhia de Caçadores 2314:
Manuel Mortágua, reside na região de Albergaria-a-Velha, contactos: 234543167 – 934567888 – 961012131,


No sítio: http://ultramar.terraweb.biz/Imagens/Cacia/ListaexcombatentesCacia_19Abr2010.pdf, na posição 24, está o nome do veterano António Catarino Duarte residente em Vilar, e faz parte do Grupo de ex- Combatentes de Cacia – Contacte o veterano Mário Silva, responsável pelo Arquivo Histórico dos Antigos Combatentes Residentes ou Naturais de Vila Cacia – E-mail marfersilva50@gmail.com Telefone: 234087960, na intenção de obter o contacto do veterano António Catarino Duarte.
Por outro lado, a CCac2314 está online no sítio http://ccac2314.blogspot.pt/ sendo o responsável por aquele blogue o ex- Furriel Mil.º Joaquim Caldeira, vive em Louriçal do Campo, Manteigas e Guarda, e pode também contactar através da rede social “Google Plus”, no sítio https://plus.google.com/b/116597507737058466793/108318237806223694216/posts– respondendo a um comentário das várias mensagens ali expostas – desconhecemos o seu emdereço de e-mail.

Outra forma de contactar o veterano Joaquim Caldeira é responder em comentário no sítio http://bart1914.blogspot.pt/2012/09/o-almoco-anual-da-ccac-2314.html ou então contactar os responsáveis pelo blogue do BART1914, onde está a notícia do Almoço Anual da CCac2314, talvez eles o possam auxiliar na procura dos seus camaradas-de-armas da Ccacc2314.
Saudações

A equipa do UTW
Qual a ex- Província Ultramarina em que esteve como militar (*): guine
Qual a sua Unidade Militar naquela ex- Província Ultramarina (*): c.cac 2314
Qual o período de tempo (ano/ano) na referida ex-Província Ultramarina (*): 1968/1969
Indique o seu e-mail, telefone ou ambos que devem figurar no anúncio online (*):
910208624 anajesus-mendes@hotmail.com
Texto do anúncio a publicar (*): procuro colegas da c.cav 2314 que prestaram servio militar na guine (tite / fulacunda)entre 1968/1969

12/03/2013

 

sábado, 29 de dezembro de 2012

Bom Ano - do Julio Garcia da CCAÇ 2314

Votos de BOM ANO de 2013 para todos os companheiros ex-combatentes de Tite.
Julio Garcia

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O almoço anual da CCAÇ 2314





Convívio anual da CCAÇ 2314
Teve lugar, no passado dia 8 de Setembro, o convívio anual da CCAÇ 2314, desta vez na cidade de Figueira da Foz.
Como era expectável, foi reduzido o número de participantes, o que terá a ver com factores variados. Saturação devido a grandes distâncias que alguns têm de percorrer, pouca saúde que alguns já acusam e, sobretudo, dificuldades resultantes da crise económica que afecta, sobretudo, a classe social a que a maioria pertence.
Ainda assim, o reduzido número de participantes teve oportunidade de conviver de forma saudável, matando saudades e recordando os que já partiram.
Esta mensagem é dirigida aos companheiros do BART 1914 que tando colaboraram com a CCAÇ 2314 para o bom êxito no nosso regresso.
Para esses companheiros vai o nosso apreço e, ao Leandro Guedes, solicito a sua publicação.
Até sempre
Joaquim Caldeira

terça-feira, 6 de setembro de 2011

CCAÇ 2314 - almoço anual foi a 3 de Setembro


Tal como estava previsto, teve lugar em 3 de Setembro de 2011, o convívio anual, no Gerês.
O dia esteve chuvoso e, por esse motivo, não foi possível cumprir o programa tal como previsto.
Estiveram presentes setenta e cinco pessoas, vinte e oito das quais, ex-combatentes.
Foi graças à preciosa colaboração do companheiro Artur Vasconcelos que foi possível este dia tão rico de acontecimentos.
Quero expressar-lhe, tal como à sua filha e ao seu genro, o meu agradecimento pela preciosa colaboração na elaboração do programa e sua execução. Direi mesmo ter sido o ano em que melhor decorreu o convívio. Foram completos no apoio e na divulgação bem como proporcionaram, a quem teve disponibilidade, um resto de tarde e até noite, uma visita a locais muito bonitos. Próprio de minhotos a receber convidados.
De igual forma, também o Senhor Presidente da Câmara de Vieira do Minho, mesmo ausente, foi de uma simpatia muito especial. A ele se devem simples mas muito curiosas lembraças que se distrubuiram aos participantes.
Por fim, não menos importante, foi a generosidade do companheiro Rodolfo Caseiro que ofereceu as lembranças, minimizando, desta forma, os custos a suportar. Bem haja.
Ficou acordado que o convívio do próximo ano terá lugar na Figueira da Foz, em 8-9-2012.
Até lá, desejo a todos um ano muito rico em bons acontecimentos e saúde.
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este artigo foi transcrito com a devida vénia, do Blog da CCAÇ 2314 e ao seu mentor, nosso companheiro Joaquim Caldeira.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A Enfermaria em Tite - pelo Costa

Lembro-me perfeitamente desse episódio do camarada que ficou ferido com um estilhaço que lhe entrou ao fundo das costas. Este episódio sempre me acompanhou até hoje e passou-se em 02/03/1968. Na sequência desse ataque ao nosso quartel, ao ouvir os primeiros tiros do IN, protegi-me debaixo da mesa que havia no Centro de Mensagens. Como o fogo se intensificava e havia rebentamentos que não conseguia identificar,  se eram dentro ou fora do quartel, resolvi fugir dali e dirigir-me para  o abrigo à porta de armas. Na fuga, houve qualquer coisa que bateu numa antena que havia no edifício do Posto de Rádio do lado de fora em frente para a barbearia ou enfermaria, provocando várias faíscas. Apenas me recordo de me atirar ao chão, ferindo-me no braço esquerdo, coisa sem importância. Levantei-me, lembro-me que havia muitos gritos dos nossos homens nesse abrigo junto á porta de armas e  misturados com muitos tiros. Quando entrei no abrigo ás escuras, estava lá este nosso camarada a esvair-se em sangue deitado de bruços. Foi um momento que me marcou para sempre!
José Costa
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Do Joaquim Caldeira recebemos o seguinte comentário:
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"O soldado da CCAÇ 2314 a que se refere esta entrada era o Carlos Soares da Silva, alcunha o Matosinhos, por ser daquela localidade.
O outro ferido foi o soldado António Fernandes de Castro.
Este viria a protagonizar outro episódio, uns dias mais tarde. Num regresso de Nova Sintra, quando a coluna que eu comandava foi atacada, este solado, por estar sob o efeito do álcool, adormeceu junto a uma árvore e por lá ficou esquecido. A coluna retomou a marcha para Tite e, só muito mais tarde fui informado da sua falta. Andou perdido na mata durante dois dias e foi repescado por uma coluna da Companhia sediada em Nova Sintra, sendo enviado para Tite por helicóptero.
O seu comandante, sargento Garcia, deu-lhe um cantil de aguardente e foi o causador deste episódio. O punido, por ser o comandante da coluna, fui eu.- Como é possível um furriel comandar uma coluna em que seguia um sargento?-  No dia dois de Maio de 1968, dia dos meus anos, o capitão ofereceu-me uma lembrança e leu a ordem do dia com a minha punição, dois dias de detenção, que vim a cumprir na operação Bissássema.
Joaquim Caldeira, ex-furriel miliciano, CCAÇ 2314"