.
“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”
(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra colonial.).
-
"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"
(José Justo)
-
“Ninguém desce vivo duma cruz!...”
António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente
referindo-se aos ex-combatentes da guerra colonial
-
“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”
Frase inscrita no Monumento aos Mortos da Guerra Colonial, no Entroncamento.
RECONHECIMENTO
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sábado, 16 de março de 2019
Guerra colonial - 0s 3.046 mortos na Guiné
Companheiros
Publicamos hoje a lista dos combatentes mortos na Guiné, em todo o período da Guerra Colonial, desde 1963 a 1974.
Esta Lista, embora sendo da autoria da Liga dos Combatentes, "que faz um trabalho importante sobre a preservação da Memória", foi publicada pelo Jornal CORREIO DA MANHÃ, em Janeiro de 2013.
Mas como dizem os Jornalistas, a listagem dos combatentes mortos na Guiné, "é um trabalho em aberto".
À Liga dos Combatentes e ao Correia da Manhã e seus Jornalistas e fotógrafos, o nossos sincero agradecimento.
Leandro Guedes.
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domingo, 10 de junho de 2018
O 10 de Junho em Bissau - homenagem aos Combatentes falecidos, Portugueses e Guineenses, na Guerra Colonial.
"O líder do PSD, Rui Rio, acompanhado do Presidente da Liga
dos Combatentes, homenageou neste domingo no cemitério de Bissau, Guiné-Bissau,
os militares portugueses e guineenses vítimas da guerra colonial, sublinhando
que todos foram vítimas de um conflito que ninguém desejava.
"Também por ocasião do 10 de Junho faz sentido
homenagear os militares mortos durante a guerra colonial e esta homenagem aos
militares portugueses mortos é extensiva naturalmente também aos militares da
Guiné que faleceram na mesma guerra. Não foi uma guerra entre povos, foi uma
guerra de um país que queria a sua libertação contra um regime, contra o qual a
maior parte dos portugueses também estavam contra como se verificou em
1974", afirmou.
Rui Rio falava aos jornalistas no primeiro dia de visita a
Bissau, onde se deslocou para assinalar o 10 de Junho, dia de Portugal, de
Camões e das Comunidades.
"São vítimas de uma guerra que nenhum de nós desejava,
se tivesse havido diálogo teria sido bem diferente e bem melhor para todos. Foi
como foi a história e estamos aqui naturalmente para prestar esta homenagem,
particularmente no dia dos Camões que é o principal expoente da língua
portuguesa que a todos nos une", afirmou.
Questionado sobre os encontros que vai ter com as
autoridades guineenses e os líderes dos dois maiores partidos do país, Rui Rio
explicou que pretende levar da Guiné-Bissau uma "fotografia muito
exacta" sobre a actual situação do país.
"Particularmente dos caminhos que a Guiné-Bissau tem em
mente e que podemos ser úteis, particularmente dos caminhos em termos de
desenvolvimento do país, já que a nossa história comum nos obriga a sermos
solidários com um país que tem direito ao desenvolvimento como os demais",
afirmou.
Durante a sua estada em Bissau, que termina na terça-feira,
o líder do PSD vai também realizar visitas ao Hospital Nacional Simão Mendes em
Bissau, a um orfanato, à faculdade de Direito de Bissau, bem como participar
num encontro com empresários portugueses."
in: Publico, online.
in: Publico, online.
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domingo, 18 de fevereiro de 2018
A HISTORIA DE BISSASSEMA APÓS 50 ANOS
A HISTÓRIA DE BISSASSEMA APÓS 50 ANOS...
"Uma vez que são decorridos 50 anos sobre a data destas
actividades e se perde a sua 'confidencialidade', passo a revelar, pela
primeira vez, o que relata a HISTÓRIA DA UNIDADE DA CCAÇ 2314, sobre
BISSASSEMA:
"Depois do ataque de 03FEV68 a Bissassema, as posições
das NT que se encontravam naquela tabanca ficaram desguarnecidas. A CCac 2314
que se encontrava em Tite, bem como outras Unidades, CArt 1743, PelMort 1802 e
o PelNat 'Boinas Verdes', recebeu ordem para se deslocar para Bissassema a fim
de socorrer as NT que se encontravam nessa tabanca. À chegada, verificou-se que
BISSASSEMA estava deserta, IN já tinha retirado, apenas se encontrava um
pequeno número de elementos da população. Foi dada ordem para que a companhia
guarnecer Bissassema a fim de proteger a população. De imediato se procedeu a
um intenso trabalho de organização do terreno, estabelecendo-se um perímetro de
defesa.
Em 042200FEV68, um gruo com cerca de 50 elementos, flagelou
durante 20 minutos, sem consequências.
Em 050200 FEV68, nova flagelação durante cerca de 20
minutos.
Em 052350FEV68, um grupo estimado em cerca de 100 elementos
durante 25 minutos flagraram as nossas posições na tentativa de efeturem um
assalto ao dispositivo, mas prontamente repelitos tendo abandonado no terreno 6
corpos e um ferido, feito prisioneiro, diverso material de guerra. Na batida
efectuada verificou-se a existência de vários rastos de sangue, presumindo-se
que tenha sofrido mais baixas (confirmado pelo autor).
Em 090100FEV68, um grupo estimado em cerca de 250 elementos
desencadeou, em força, um ataque com um volume apreciável de fogo. Conseguiu
abrir uma brecha no dispositivo de defesa em consequência de terem sido feridos
4 elementos de um abrigo, tendo penetrado no interior do dispositivo, mas
pronta e eficazmente repelido, obrigando-o retirar com pesadas baixas e
abandono de grande quantidade de materiar de guerra. No terreno deixou 15
corpos e na batida (pelo autor) foram encontrados rastos de sangue bem como de
transporte de feridos. Notícias posteriores confirmaram que sofreu um número de
baixas superiores a 50 mortos.
Em 252300FEV68, um grupo estimado em cerca de 100 elementos
desencadeou violenta flagelação, que teve como consequência o ferimento de 3
furrieis do 4°. Pelotão e o IN sofreu baixas prováveis.
Em 07MAR68, realizada Op para recolha da população em Nhala
e Intente.
Em 10MAR68, realizado Op com destruição dos próprios abrigos
do perímetro de defesa de Bissassema e queimada das moranças e abandono de
Bissassema, bem como das tabancas que in aliciou de Flaque Intela, Banaussa,
Flaque Nhabal e regresso a Tite. Foi capturado material de Guerra.
Foi esta a acção em BISSASSEMA, após o desastre de 3 de
Fevereiro, tendo ocorrido grandes privações e sacrificios nesta breve estadia
em BISSASSEMA com grande 'reparos' no seu planeamento inicial e cujos
resultados foram eficazes, posteriormente, pela elevado espirito de entrega e
sacrifício de todos que ali intervieram.
Por informações recentes o PAICG, em consequência dos
acontecimentos ocorridos, sempre escondeu os resultados sofridos da sua acção
em Bissassema para além dos 3 presioneiros que efetuou.
Joao Trabulo, Coronel"
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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
Assentar Praça há 52 anos . algumas memórias do Leandro Guedes
DIA 10 DE JANEIRO DE 1966.
FAZ HOJE 52 ANOS, QUE EU E O MEU AMIGO DANIEL
SOUSA FOMOS ASSENTAR PRAÇA NAS CALDAS DA RAINHA.
Seguindo o exemplo do nosso cabo Costa, publico a seguir o
meu cartão de identidade militar e a respectiva caderneta, na sua primeira
folha e ainda outros elementos interessantes.
Alguns deles podem ser considerados "de vaidade",
mas não. São apenas recordações dum tempo difícil, tempo de tristezas e muitas,
mas também de algumas alegrias, mas que teve privilégio de fazer e unir grandes
amizades que duram até aos dias de hoje - amigos na guerra amigos para sempre!
Leandro Guedes.
Fazendo parte da 3ª Companhia de Instrução do RI 5, nas Caldas da Rainha.
Daqui para a frente são algumas recordações da Guiné.
no Uíge, na ida para a Guiné, com embarque em 8 de Abril de 1967.
![]() |
| Bilhete de Identidade Militar, já como furriel milº. |
![]() |
| Louvor atribuído pelo Comandante de Batalhão, em 27 de Setembro de 1968. Neste mesmo dia foi também atribuído louvor ao António Cavaleiro e ao Carlos Marinho. |
Este era o meu canto, onde estava a minha cama e uma pequena mesa. Aqui dormia, escrevia, lia a correspondência. Nesta cama passei nove penosos dias, com uma crise de Malária que me ia levando desta para melhor. Nestas fotos destaco três - Mireille Mathieu, cantora francesa da época, um post da minha cidade do Porto e uma tartaruga, animal simpático.
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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
sexta-feira, 29 de dezembro de 2017
A guerra convencional e a guerra de guerrilha, pelo José Costa
"Caros colegas e ex-combatentes da Guiné-Bissau!
Há uns dias estava numa conversa de café com dois amigos, um
de 45 anos e outro de 60. Eles foram “tropas”. Um de seis meses e outro um
pouco mais mas, não fizeram comissão nenhuma em lado nenhum nem nunca estiveram
em situações de fogo real como foi a maioria da rapaziada de 1961 a 1974, visto
que no tempo deles a guerra tinha acabado. A determinado momento falou-se do
tipo do nosso fardamento e do armamento que usávamos. O mais novo dizia que se
fosse hoje, iriamos vestidos como os “marines” americanos com coletes á prova
de bala, capacete em vez co “quico” etc… Eu falei que o tipo de missão do
Iraque é uma guerra diferente da de guerrilha feita no mato do esconde e foge
como era a quer fazíamos na Guiné. E portanto eu não estava a ver nos dias de
hoje, mesmo se essa guerra existisse, haver militares vestidos assim como eles,
debaixo daquele calor e humidade, ou em tempo das chuvas com lama por todo o
lado e a fazer patrulhas e ter de atravessar a bolanhas. O mais certo era haver
insulações devido ao peso do material de armas e munições que teríamos de
transportar ao ombro e certo seria afogamentos nessas bolanhas, visto na época
e se calhar ainda hoje haver a ausência de pondes e estradas. No Iraque eles
viajam de carros de combate, o campo é aberto, e se vão passar revista casa a
casa, antes os aviões fizeram os ataques para limpar. E neste cenário o inimigo
está identificado pela posição que ocupa, ao contrário do mato. Então aqui sim
o equipamento deles é acertado. Bom no fim, perdi eu… esta “juventude”
desconhece totalmente a diferença entre uma guerra de mato e uma a céu aberto.
Penso eu ou, estarei errado? Digam de vossa justiça, comentem….
José da Costa"
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terça-feira, 27 de junho de 2017
"Um soldado não pede muito: apenas memória e respeito..." Lema do Nucleo de Torres Vedras, da Liga dos Combatentes.
Publicamos com a devida vénia ao jornal Badaladas e ao seu autor Artur Rocha Machado, um artigo sobre a Homenagem anual aos torrienses mortos na Guerra do Ultramar, organizada pelo Núcleo de Torres Vedras da Liga dos Combatentes.
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quinta-feira, 17 de novembro de 2016
Lançamento do livro "História(s) da Guiné-Bissau", por Mário Beja Santos
Lançamento do livro "História(s) da Guiné-Bissau",
por Mário Beja Santos, auditório do Museu da Farmácia, 6 de Dezembro, pelas 18h
Meus estimados amigos e companheiros da guerra e paz, Dos
cerca de 40 livros que escrevi, este foi o mais doloroso. Como na tragédia
grega, eu já conhecia o final, anda um autor dois anos a vasculhar papel e a
organizar 40 anos da vida de um novo Estado onde, pela extrema combatividade da
guerrilha e da natureza genial do seu líder, Amílcar Cabral, procura superar
assassinatos, execuções, genuínos e falsos golpes de Estado, e tem que
questioar- se amargamente que futuro está destinado a este belo e paupérrimo
país. O que venho pedir-vos é a vossa companhia neste lançamento, a
apresentação fica a cargo de dois renomados investigadores, Eduardo Costa Dias
e António Duarte Silva, cabe-lhes falar sobre este empreendimento que é um
pontapé de saída para que um dia se escreva a História da Guiné-Bissau. Não é
preciso que adquiram o livro, visitem primeiro o Museu da Farmácia e oiçam depois
um recital de Korá por um dos griots guineenses mais afamados, mestre Braima
Galissá. Antecipadamente grato pela vossa presença. O Museu da Farmácia fica na
Rua Marechal Saldanha, junto ao miradouro de Santa Catarina, metro
Baixa-Chiado, elevador da Bica, elétrico 28. A visita gratuita ao museu é entre
as 17 e as 18h. Junto o texto da contracapa do meu livro.
Guiné-Bissau, povo mais esperançado e afável não há
Aqui se contam histórias que excedem meio século. Um
engenheiro especializado em erosão de solos pôs em movimento uma luta pela
independência, juntou numa só pessoa o construtor de uma nacionalidade, um
hábil diplomata, um exímio cabo-de-guerra, um ideólogo de pensamento singular,
tudo somado deu um líder revolucionário que surpreendeu Che Guevara e que
Nelson Mandela admirava profundamente. São também histórias de uma República
que devorou muitos filhos da revolução, uma nação que continua a ter extrema
dificuldade em reconhecer-se no Estado. A nação é surpreendente, aquele
mesclado de etnias revê-se na bandeira e no solo pátrio, expulsou invasores e
nunca abandona a esperança de que depois das últimas eleições os políticos
escolhidos vão alevantar o Estado. Um povo sedento de justiça aguarda dias
melhores. São estas algumas dessas histórias que aqui se contam por alguém que
nunca quebrou o feitiço guineense. Porque nunca o preço do amor pela Guiné é ou
será excessivo.
Mário Beja Santos.
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quinta-feira, 18 de agosto de 2016
Acerca do filme A GUERRA" - Carla Costa
"A Lanterna de Pedra Filmes estreia, no dia 14 de Julho, o filme
A GUERRA, nomeado para o Óscar de melhor filme estrangeiro em 2016, do argumentista e realizador Tobias Lindholm, aclamado por filmes como A HIJACKING e THE HUNT (co-argumento).
Neste âmbito, estamos a promover uma campanha especial: bilhetes a 4,50€, para grupos de, no mínimo, 10 pessoas. O filme vai estar em exibição no Cinema City Alvalade e no Cinema City Leiria, na sessão das 19h.
Sinopse
O comandante Claus M. Pedersen e o seu pelotão estão em missão numa província do Afeganistão. Na Dinamarca, Maria, a mulher de Claus, prossegue a vida de todos os dias, com o marido na guerra e três filhos que sentem a falta do pai. Um dia, durante uma missão de rotina, o grupo de soldados é apanhado num fogo cruzado. Claus, para o salvar, toma uma decisão, com consequências profundamente transformadoras para si e para a sua família.
Trailer
Para mais informações e reservas, contactar:
Bom filme!
Lanterna de Pedra Filmes
Telef.: + 351 21 933 21 75
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Guerra Colonial
sábado, 21 de maio de 2016
ARQUIVO RTP - VIDEO SOBRE A GUERRA COLONIAL
Companheiros
Conforme tinha sido prometido publicamos um video da autoria dos arquivos da RTP, sobre a Guerra Colonial.
Neste blog, mesmo aqui ao lado na coluna da direita, logo no incio está lá a indicação deste site.
PARA VER O VIDEO CLIQUE AQUI
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quarta-feira, 11 de maio de 2016
Guerra Colonial - arquivo da RTP
Hoje o Raul Soares enviou-me este interessante site sobre a Guerra Colonial.
É um site mais moderno, dum outro que há algum tempo temos publicado para visão imediata, na coluna da direita do nosso blog e que é da autoria da RTP, cujo arquivo é muito importante e valioso, como sabem..
Muito obrigado ao Raul Soares.
Interessa dizer que logo que possível vamos publicando no blog, ou transcrevendo, alguns dos artigos expostos no dito site, para informação dos interessados.
Entretanto, se quiserem ir consultando, basta acederem ao site indicado abaixo.
Abraços séniores.
Para aceder a este documento, basta clicar...
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rtp
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
Inicio da guerra do Ultramar, em Tite na Guiné-Bissau
INICIO DA GUERRA DO ULTRAMAR NA GUINÉ
Há 53 anos, no dia 23 de Janeiro de 1963, teve início a luta
armada na Guiné. Neste dia o PAIGC - Partido Africano para a Independência da
Guiné e Cabo Verde, fundado por Amílcar Cabral, através de um grupo de
combatentes sob o comando de Arafam Mané (N'Djamba), atacou o quartel de Tite.
A Guerra do Ultramar, que já estava em curso em Angola, começava na Guiné.
As várias equipas preparadas para atacar o quartel partiram
de uma aldeia próximo de Nova Sintra. Reuniram-se numa mata próxima de Tite
muito cedo, de manhã, à espera da hora para atacar. Havia apenas uma arma por
cada dez homens, estando os outros combatentes armados com catanas e paus. O
ataque iniciou-se apenas à uma hora da madrugada.
No rescaldo do ataque os combatentes do PAIGC tiveram dois
mortos e dois feridos.
Um dos grupos foi comandado por Tchambu Sanhá. Deste grupo
fazia parte Infámara Dabó (hoje Major) que durante o ataque levou um tiro no pé
que lhe causou ferimentos graves. Lembra-se que passou mais de 30 horas sobre
uma árvore sem beber água e que perdeu muito sangue. Com o calar das armas os
atacantes retiraram-se do quartel e foram procurar zonas mais seguras para
tratar os feridos.
“Os portugueses seguiram-nos e durante alguns dias andaram a
nossa procura. Algumas pessoas que faziam parte do grupo do ataque foram
apanhadas ao longo da estrada, mas defenderam-se dizendo que estavam em viagem
e que não conheciam os indivíduos que atacaram o quartel. Conseguiram assim
escapar-se dos tugas", contou Infámara Dabó.
Outro participante neste ataque foi Quebadjam Djassi (hoje,
Tenente-Coronel, na reserva). Contou que o ataque ao quartel de Tite fora organizado
de uma forma muito segura e que começou com a mobilização de régulos, chefes de
tabancas bem como de pessoas influentes nas diferentes aldeias:
“Na altura os régulos já tinham armas de fogo que recebiam
dos portugueses. Depois de termos tido o apoio dos régulos decidimos reunir
para analisar a forma como atacaríamos o quartel de Tite, Avançamos para o
ataque ao quartel de Tite depois da concentração de toda agente na barraca de
Nova Sintra. O nosso objectivo principal não era apoderar do quartel, porque
sabíamos que não tínhamos nem meios nem homens suficientes para uma ocupação
definitiva. Queríamos sim libertar os prisioneiros que os tugas lá tinham, dado
que muita gente estava lá detida. Infelizmente não conseguimos libertar um
único prisioneiro, devido a uma ordem que recebemos mais tarde de apenas atacar
e sair”,
INFÁMARA DABÓ nasceu em 1944 em Gantongho, sector de Tite na
região de Quínara. Aderiu à luta quando tinha apenas 19 anos de idade. Fez
parte do grupo de guerrilheiros que se encontravam na barraca da aldeia de Nova
Sintra. Foi mobilizado pelos seus colegas na altura para aderir a causa da
independência. Foi Comandante adjunto de logística do Estado-maior (zona
centro) em 2000. Foi promovido ao posto de major em 2004. Actualmente tem 71
anos de idade.
QUEBADJAM DJASSI nasceu no dia 5 de Maio de 1946. Aderiu à
luta aos 20 anos de idade na base da Nova Sintra. Depois da independência foi
promovido ao posto de capitão, mais tarde subiu para o de major. Desde 2001 é
reservista com patente de Tenente-Coronel. Este sobrevivente de 23 de Janeiro
encontra-se na sua casa lutando contra a trombose que o paralisou.
in facebook, de Hipólito Sousa
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domingo, 11 de outubro de 2015
O MASSACRE DE PIDJIGUITI E O CÃO DO ADMINISTRADOR CARREIRA
Mais um artigo desta histórica reportagem.
Desta vez relatando na boca dos intervenientes, ainda antes da criação do PAIGC, o que se passou nesse dia 3 de Agosto de 1959.
Curiosa esta abordagem.
Reportagem de Luis Pedro Nunes e Alfredo Cunha, do Jornal Expresso, a quem agradecemos.
O PAIGC já teve várias versões sobre a sua intervenção na génese deste movimento. A verdade é que foi apenas mais tarde, em setembro, que se organizou. Carlos Correia, um destacado membro do partido, primeiro-ministro da Guiné e várias ministro dos Negócios Estrangeiros, era funcionário da Casa Gouveia. Desdramatiza um pouco o papel de ‘mau’ do administrador Carreira, até porque foi sua testemunha moral quando esteve preso. Mas não deixa de ter sido irónico ter-se encontrado várias vezes com o filho, Medina Carreira, enquanto homólogo nos Negócios Estrangeiros portugueses. “Ele é guineense, não tem culpa do que o pai fez.” E continua: “Só foi desagradável uma vez quando eu o confundi e disse que ele era ministro do PSD.” A Guiné independente nasceu ali, naqueles escombros, agora um misto de ferrugem e de lama."
Desta vez relatando na boca dos intervenientes, ainda antes da criação do PAIGC, o que se passou nesse dia 3 de Agosto de 1959.
Curiosa esta abordagem.
Reportagem de Luis Pedro Nunes e Alfredo Cunha, do Jornal Expresso, a quem agradecemos.
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| sobreviventes - Estes homens escaparam ao massacre de Pidjiguiti a 3 de Agosto de 1959 e agora contam a sua versão da história |
"Pode um cão mudar o curso da historia?
A versão oficial reza
assim. A 3 de Agosto de 1959, os marinheiros e estivadores do Porto de Bissau,
ao serviço da então poderosa Casa Gouveia, revoltaram-se e exigiram melhores
condições de trabalho e um aumento da jorna. Foi aí que o poder colonial português
mostrou que não estava para ser intimidado. Dá-se o massacre de 3 de Agosto,
em que polícias, cabo do mar e outras forças que se armaram no momento
disparam sobre os homens que reivindicavam apenas um pouco mais de dignidade.
O resultado foi desastroso. Um número de mortos que nunca chegou bem a ser
contabilizado (40 ou 70). E que acelerou e modificou qualquer pretensão de
moderação dos jovens quadros que estavam a formar a resistência organizada ao
poder colonial. Ficou claro que Salazar nunca iria aceitar uma autonomia
administrativa. Era preciso dar início à luta armada. Era preciso sair dos
centros urbanos controlados pelos portugueses. Era preciso formar e armar uma
guerrilha. Nascia assim o PAIGC — Partido Africano para a Independência da
Guiné e Cabo Verde — que agregou várias tendências. E o cão? Onde entra ele?
Em Setembro
de 2015, uns 55 anos depois desse dia que continua a ser celebrado na Guiné,
ainda é possível juntar uma dúzia de sobreviventes do massacre de Pidjiguiti e
levá-los ao Porto de Bissau. São velhotes tristes e desencantados com a vida,
abandonados e sem grande sustento. E Porto de Bissau é um cadáver já
decomposto.
À entrada,
há uma bizarra escultura em blocos. Só depois se percebe que é uma mão fechada,
em honra dos mortos em Pidjiguiti. Chama-se “Mão de Timba” — mão de caloteiro.
É aqui que
começa uma versão um pouco diferente da história de Pidjiguiti, contada pelos
próprios, no local. O mais dramático — se é que se pode utilizar este termo —
é que as reivindicações dos estivadores e marinheiros já tinham sido aceites
pela Casa Gouveia em 3 de Agosto, dia do massacre. Quem o diz é, por exemplo,
o coronel Carlos Fabião, em várias entrevistas. Mas o administrador achou que
só iria dar seguimento a essa ordem quando lhe apetecesse.
Para os
velhos marinheiros com quem falámos a motivação era evidente: vingança. O
administrador Carreira não perdoava terem-lhe matado um cão. Esta versão que
nos conta Estêvão Vieira, de 70 anos, tem a concordância de todos.“ O administrador tinha dois
cães enormes que largava pelo porto às seis da tarde para não deixar ninguém andar
por aí. Um marinheiro foi apanhado e, ao de- fender-se, matou um. O
administrador prometeu vingar-se. Até se mudou para esta casa aqui mais perto.
” A morte do cão tinha iniciado um processo histórico imparável, que iria
acabar na independência da Guiné.
De todos os relatos
gravados e lidos, nunca se percebe muito bem qual foi a acendalha que levou ao
primeiro tiro. Cabe aos velhos estivadores contarem. Eles garantem que o cabo
do mar Nicolau se assustou quando o marinheiro Augusto agarrou num barrote para
se sentar. Julgou que o ia atirar contra ele. E disparou. Eram 15h45. Durou até
às 18h. E a Guiné mudou.
O PAIGC já teve várias versões sobre a sua intervenção na génese deste movimento. A verdade é que foi apenas mais tarde, em setembro, que se organizou. Carlos Correia, um destacado membro do partido, primeiro-ministro da Guiné e várias ministro dos Negócios Estrangeiros, era funcionário da Casa Gouveia. Desdramatiza um pouco o papel de ‘mau’ do administrador Carreira, até porque foi sua testemunha moral quando esteve preso. Mas não deixa de ter sido irónico ter-se encontrado várias vezes com o filho, Medina Carreira, enquanto homólogo nos Negócios Estrangeiros portugueses. “Ele é guineense, não tem culpa do que o pai fez.” E continua: “Só foi desagradável uma vez quando eu o confundi e disse que ele era ministro do PSD.” A Guiné independente nasceu ali, naqueles escombros, agora um misto de ferrugem e de lama."
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