.


“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra colonial.).

-

"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

-

“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra colonial

-

Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Mortos na Guerra Colonial, em Torres Vedras
---

“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Mortos da Guerra Colonial, no Entroncamento.


.

.
.

EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

RECONHECIMENTO

ESTES SÃO OS EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART. FALTAM AQUI OS EMBLEMAS DAS UNIDADES DA ARMADA E DA FORÇA AÉREA QUE TANTAS VEZES FORAM AO ENXUDÉ, A TITE, A NOVA SINTRA E OUTROS AQUARTELAMENTOS, PARA ENTREGA E LEVANTAMENTO DE CORREIO, O SPM, REABASTECIMENTOS DE GÉNEROS E MATERIAL BÉLICO E OUTRO DIVERSO, OU PARA EVACUAÇÃO DE MORTOS E FERIDOS E TAMBÉM PARA FLAGELAÇÃO DO IN. E AINDA VÁRIAS UNIDADES DE INTERVENÇÃO RÁPIDA TAIS COMO PARAQUEDISTAS, FUZILEIROS, COMANDOS E OUTRAS COMPANHIAS, PELOTÕES OU SECÇÕES, PARA AJUDA EM MOMENTOS MAIS DIFICEIS, NÃO ESQUECENDO AS ENFERMEIRAS PARA-QUEDISTAS.
Mostrar mensagens com a etiqueta Guerra Colonial. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Guerra Colonial. Mostrar todas as mensagens

sábado, 16 de março de 2019

Guerra colonial - 0s 3.046 mortos na Guiné

Companheiros
Publicamos hoje a lista dos combatentes mortos na Guiné, em todo o período da Guerra Colonial, desde 1963 a 1974.
Esta Lista, embora sendo da autoria da Liga dos Combatentes, "que faz um trabalho importante sobre a preservação da Memória", foi publicada pelo Jornal CORREIO DA MANHÃ, em Janeiro de 2013. 
Mas como dizem os Jornalistas, a listagem dos combatentes mortos na Guiné,  "é um trabalho em aberto".
À Liga dos Combatentes e ao Correia da Manhã e seus Jornalistas e fotógrafos, o nossos sincero agradecimento.
Leandro Guedes.









domingo, 10 de junho de 2018

O 10 de Junho em Bissau - homenagem aos Combatentes falecidos, Portugueses e Guineenses, na Guerra Colonial.





"O líder do PSD, Rui Rio, acompanhado do Presidente da Liga dos Combatentes, homenageou neste domingo no cemitério de Bissau, Guiné-Bissau, os militares portugueses e guineenses vítimas da guerra colonial, sublinhando que todos foram vítimas de um conflito que ninguém desejava.
"Também por ocasião do 10 de Junho faz sentido homenagear os militares mortos durante a guerra colonial e esta homenagem aos militares portugueses mortos é extensiva naturalmente também aos militares da Guiné que faleceram na mesma guerra. Não foi uma guerra entre povos, foi uma guerra de um país que queria a sua libertação contra um regime, contra o qual a maior parte dos portugueses também estavam contra como se verificou em 1974", afirmou.
Rui Rio falava aos jornalistas no primeiro dia de visita a Bissau, onde se deslocou para assinalar o 10 de Junho, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades.
"São vítimas de uma guerra que nenhum de nós desejava, se tivesse havido diálogo teria sido bem diferente e bem melhor para todos. Foi como foi a história e estamos aqui naturalmente para prestar esta homenagem, particularmente no dia dos Camões que é o principal expoente da língua portuguesa que a todos nos une", afirmou.
Questionado sobre os encontros que vai ter com as autoridades guineenses e os líderes dos dois maiores partidos do país, Rui Rio explicou que pretende levar da Guiné-Bissau uma "fotografia muito exacta" sobre a actual situação do país.
"Particularmente dos caminhos que a Guiné-Bissau tem em mente e que podemos ser úteis, particularmente dos caminhos em termos de desenvolvimento do país, já que a nossa história comum nos obriga a sermos solidários com um país que tem direito ao desenvolvimento como os demais", afirmou.
Durante a sua estada em Bissau, que termina na terça-feira, o líder do PSD vai também realizar visitas ao Hospital Nacional Simão Mendes em Bissau, a um orfanato, à faculdade de Direito de Bissau, bem como participar num encontro com empresários portugueses."
in: Publico, online.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

A HISTORIA DE BISSASSEMA APÓS 50 ANOS

A HISTÓRIA DE BISSASSEMA APÓS 50 ANOS...



"Uma vez que são decorridos 50 anos sobre a data destas actividades e se perde a sua 'confidencialidade', passo a revelar, pela primeira vez, o que relata a HISTÓRIA DA UNIDADE DA CCAÇ 2314, sobre BISSASSEMA:
"Depois do ataque de 03FEV68 a Bissassema, as posições das NT que se encontravam naquela tabanca ficaram desguarnecidas. A CCac 2314 que se encontrava em Tite, bem como outras Unidades, CArt 1743, PelMort 1802 e o PelNat 'Boinas Verdes', recebeu ordem para se deslocar para Bissassema a fim de socorrer as NT que se encontravam nessa tabanca. À chegada, verificou-se que BISSASSEMA estava deserta, IN já tinha retirado, apenas se encontrava um pequeno número de elementos da população. Foi dada ordem para que a companhia guarnecer Bissassema a fim de proteger a população. De imediato se procedeu a um intenso trabalho de organização do terreno, estabelecendo-se um perímetro de defesa.
Em 042200FEV68, um gruo com cerca de 50 elementos, flagelou durante 20 minutos, sem consequências.
Em 050200 FEV68, nova flagelação durante cerca de 20 minutos.
Em 052350FEV68, um grupo estimado em cerca de 100 elementos durante 25 minutos flagraram as nossas posições na tentativa de efeturem um assalto ao dispositivo, mas prontamente repelitos tendo abandonado no terreno 6 corpos e um ferido, feito prisioneiro, diverso material de guerra. Na batida efectuada verificou-se a existência de vários rastos de sangue, presumindo-se que tenha sofrido mais baixas (confirmado pelo autor).
Em 090100FEV68, um grupo estimado em cerca de 250 elementos desencadeou, em força, um ataque com um volume apreciável de fogo. Conseguiu abrir uma brecha no dispositivo de defesa em consequência de terem sido feridos 4 elementos de um abrigo, tendo penetrado no interior do dispositivo, mas pronta e eficazmente repelido, obrigando-o retirar com pesadas baixas e abandono de grande quantidade de materiar de guerra. No terreno deixou 15 corpos e na batida (pelo autor) foram encontrados rastos de sangue bem como de transporte de feridos. Notícias posteriores confirmaram que sofreu um número de baixas superiores a 50 mortos.
Em 252300FEV68, um grupo estimado em cerca de 100 elementos desencadeou violenta flagelação, que teve como consequência o ferimento de 3 furrieis do 4°. Pelotão e o IN sofreu baixas prováveis.
Em 07MAR68, realizada Op para recolha da população em Nhala e Intente.
Em 10MAR68, realizado Op com destruição dos próprios abrigos do perímetro de defesa de Bissassema e queimada das moranças e abandono de Bissassema, bem como das tabancas que in aliciou de Flaque Intela, Banaussa, Flaque Nhabal e regresso a Tite. Foi capturado material de Guerra.
Foi esta a acção em BISSASSEMA, após o desastre de 3 de Fevereiro, tendo ocorrido grandes privações e sacrificios nesta breve estadia em BISSASSEMA com grande 'reparos' no seu planeamento inicial e cujos resultados foram eficazes, posteriormente, pela elevado espirito de entrega e sacrifício de todos que ali intervieram.

Por informações recentes o PAICG, em consequência dos acontecimentos ocorridos, sempre escondeu os resultados sofridos da sua acção em Bissassema para além dos 3 presioneiros que efetuou.
Joao Trabulo, Coronel"

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Assentar Praça há 52 anos . algumas memórias do Leandro Guedes

DIA 10 DE JANEIRO DE 1966.
FAZ HOJE 52 ANOS, QUE EU E O MEU AMIGO DANIEL
SOUSA FOMOS ASSENTAR PRAÇA NAS CALDAS DA RAINHA.

Seguindo o exemplo do nosso cabo Costa, publico a seguir o meu cartão de identidade militar e a respectiva caderneta, na sua primeira folha e ainda outros elementos interessantes.
Alguns deles podem ser considerados "de vaidade", mas não. São apenas recordações dum tempo difícil, tempo de tristezas e muitas, mas também de algumas alegrias, mas que teve privilégio de fazer e unir grandes amizades que duram até aos dias de hoje  - amigos na guerra amigos para sempre!
Leandro Guedes.



Fazendo parte da 3ª Companhia de Instrução do RI 5, nas Caldas da Rainha.



 Até aqui estão publicados os cartões e caderneta, logo a seguir ao assentar praça nas Caldas da Rainha. 
Daqui para a frente são algumas recordações da Guiné.


no Uíge, na ida para a Guiné, com embarque em 8 de Abril de 1967.

Bilhete de Identidade Militar, já como furriel milº.

Louvor atribuído pelo Comandante de Batalhão, em 27 de Setembro de 1968. Neste mesmo dia foi também atribuído louvor ao António Cavaleiro e ao Carlos Marinho.
Foto interessante porque marca uma data - foi tirada na véspera ou antevéspera do desastre de Bissássema, com o Viana e outro amigo.


Grupo de Oficiais, da esquerda para a direita - Cap. Vicente, Major Vaz Guedes, Ten-Cor 2º. Comandante, Brigadeiro Helio Felgas e Cap. Pereira Rodrigues.

 No Enxudé - Alferes da 2314, Guedes, Raul Soares e Fernando de Almeida


Grupo de amigos - Gentil, Lopes, Vitor, Palma, Cautela, Henriques, Guedes e Arrabaça

Este era o meu canto, onde estava a minha cama e uma pequena mesa. Aqui dormia, escrevia, lia a correspondência. Nesta cama passei nove penosos dias, com uma crise de Malária que me ia levando desta para melhor. Nestas fotos destaco três - Mireille Mathieu, cantora francesa da época, um post da minha cidade do Porto e uma tartaruga, animal simpático.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

A guerra convencional e a guerra de guerrilha, pelo José Costa


"Caros colegas e ex-combatentes da Guiné-Bissau!
Há uns dias estava numa conversa de café com dois amigos, um de 45 anos e outro de 60. Eles foram “tropas”. Um de seis meses e outro um pouco mais mas, não fizeram comissão nenhuma em lado nenhum nem nunca estiveram em situações de fogo real como foi a maioria da rapaziada de 1961 a 1974, visto que no tempo deles a guerra tinha acabado. A determinado momento falou-se do tipo do nosso fardamento e do armamento que usávamos. O mais novo dizia que se fosse hoje, iriamos vestidos como os “marines” americanos com coletes á prova de bala, capacete em vez co “quico” etc… Eu falei que o tipo de missão do Iraque é uma guerra diferente da de guerrilha feita no mato do esconde e foge como era a quer fazíamos na Guiné. E portanto eu não estava a ver nos dias de hoje, mesmo se essa guerra existisse, haver militares vestidos assim como eles, debaixo daquele calor e humidade, ou em tempo das chuvas com lama por todo o lado e a fazer patrulhas e ter de atravessar a bolanhas. O mais certo era haver insulações devido ao peso do material de armas e munições que teríamos de transportar ao ombro e certo seria afogamentos nessas bolanhas, visto na época e se calhar ainda hoje haver a ausência de pondes e estradas. No Iraque eles viajam de carros de combate, o campo é aberto, e se vão passar revista casa a casa, antes os aviões fizeram os ataques para limpar. E neste cenário o inimigo está identificado pela posição que ocupa, ao contrário do mato. Então aqui sim o equipamento deles é acertado. Bom no fim, perdi eu… esta “juventude” desconhece totalmente a diferença entre uma guerra de mato e uma a céu aberto. Penso eu ou, estarei errado? Digam de vossa justiça, comentem….

José da Costa"

terça-feira, 27 de junho de 2017

"Um soldado não pede muito: apenas memória e respeito..." Lema do Nucleo de Torres Vedras, da Liga dos Combatentes.

Publicamos com a devida vénia ao jornal Badaladas e ao seu autor Artur Rocha Machado, um artigo sobre a Homenagem anual aos torrienses mortos na Guerra do Ultramar, organizada pelo Núcleo de Torres Vedras da Liga dos Combatentes.


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Lançamento do livro "História(s) da Guiné-Bissau", por Mário Beja Santos


Lançamento do livro "História(s) da Guiné-Bissau", por Mário Beja Santos, auditório do Museu da Farmácia, 6 de Dezembro, pelas 18h



Meus estimados amigos e companheiros da guerra e paz, Dos cerca de 40 livros que escrevi, este foi o mais doloroso. Como na tragédia grega, eu já conhecia o final, anda um autor dois anos a vasculhar papel e a organizar 40 anos da vida de um novo Estado onde, pela extrema combatividade da guerrilha e da natureza genial do seu líder, Amílcar Cabral, procura superar assassinatos, execuções, genuínos e falsos golpes de Estado, e tem que questioar- se amargamente que futuro está destinado a este belo e paupérrimo país. O que venho pedir-vos é a vossa companhia neste lançamento, a apresentação fica a cargo de dois renomados investigadores, Eduardo Costa Dias e António Duarte Silva, cabe-lhes falar sobre este empreendimento que é um pontapé de saída para que um dia se escreva a História da Guiné-Bissau. Não é preciso que adquiram o livro, visitem primeiro o Museu da Farmácia e oiçam depois um recital de Korá por um dos griots guineenses mais afamados, mestre Braima Galissá. Antecipadamente grato pela vossa presença. O Museu da Farmácia fica na Rua Marechal Saldanha, junto ao miradouro de Santa Catarina, metro Baixa-Chiado, elevador da Bica, elétrico 28. A visita gratuita ao museu é entre as 17 e as 18h. Junto o texto da contracapa do meu livro.

Guiné-Bissau, povo mais esperançado e afável não há

Aqui se contam histórias que excedem meio século. Um engenheiro especializado em erosão de solos pôs em movimento uma luta pela independência, juntou numa só pessoa o construtor de uma nacionalidade, um hábil diplomata, um exímio cabo-de-guerra, um ideólogo de pensamento singular, tudo somado deu um líder revolucionário que surpreendeu Che Guevara e que Nelson Mandela admirava profundamente. São também histórias de uma República que devorou muitos filhos da revolução, uma nação que continua a ter extrema dificuldade em reconhecer-se no Estado. A nação é surpreendente, aquele mesclado de etnias revê-se na bandeira e no solo pátrio, expulsou invasores e nunca abandona a esperança de que depois das últimas eleições os políticos escolhidos vão alevantar o Estado. Um povo sedento de justiça aguarda dias melhores. São estas algumas dessas histórias que aqui se contam por alguém que nunca quebrou o feitiço guineense. Porque nunca o preço do amor pela Guiné é ou será excessivo.

Mário Beja Santos.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Acerca do filme A GUERRA" - Carla Costa




"A Lanterna de Pedra Filmes estreia, no dia 14 de Julho, o filme

A GUERRA, nomeado para o Óscar de melhor filme estrangeiro em 2016, do argumentista e realizador Tobias Lindholm, aclamado por filmes como A HIJACKING e THE HUNT (co-argumento).

Neste âmbito, estamos a promover uma campanha especialbilhetes a 4,50€, para grupos de, no mínimo, 10 pessoas. O filme vai estar em exibição no Cinema City Alvalade e no Cinema City Leiria, na sessão das 19h.

Sinopse
O comandante Claus M. Pedersen e o seu pelotão estão em missão numa província do Afeganistão. Na Dinamarca, Maria, a mulher de Claus, prossegue a vida de todos os dias, com o marido na guerra e três filhos que sentem a falta do pai. Um dia, durante uma missão de rotina, o grupo de soldados é apanhado num fogo cruzado. Claus, para o salvar, toma uma decisão, com consequências profundamente transformadoras para si e para a sua família.

Trailer
  
Para mais informações e reservas, contactar:

o   Lanterna de Pedra Filmes | 21 933 21 75 | geral@lanternadepedrafilmes.com
o   Cinema City Leiria |  244 845 071 | leiria@cinemacity.pt
o   Cinema City Alvalade | 218413040 | alvalade@cinemacity.pt

Bom filme!

Lanterna de Pedra Filmes

sábado, 21 de maio de 2016

ARQUIVO RTP - VIDEO SOBRE A GUERRA COLONIAL

Companheiros
Conforme tinha sido prometido publicamos um video da autoria dos arquivos da RTP, sobre a Guerra Colonial.
Neste blog, mesmo aqui ao lado na coluna da direita, logo no incio está lá a indicação deste site.

PARA VER O VIDEO CLIQUE AQUI

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Guerra Colonial - arquivo da RTP

 Caros companheiros
Hoje o Raul Soares enviou-me este interessante site sobre a Guerra Colonial.
É um site mais moderno, dum outro que há algum tempo temos publicado para visão imediata, na coluna da direita do nosso blog e que é da autoria da RTP, cujo arquivo é muito importante e valioso, como sabem..
Muito obrigado ao Raul Soares.


Interessa dizer que logo que possível vamos publicando no blog, ou transcrevendo, alguns dos artigos expostos no dito site, para informação dos interessados.
Entretanto, se quiserem ir consultando, basta acederem ao site indicado abaixo.
Abraços séniores.

Para aceder a este documento, basta clicar...


quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Inicio da guerra do Ultramar, em Tite na Guiné-Bissau





INICIO DA GUERRA DO ULTRAMAR NA GUINÉ
Há 53 anos, no dia 23 de Janeiro de 1963, teve início a luta armada na Guiné. Neste dia o PAIGC - Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde, fundado por Amílcar Cabral, através de um grupo de combatentes sob o comando de Arafam Mané (N'Djamba), atacou o quartel de Tite. A Guerra do Ultramar, que já estava em curso em Angola, começava na Guiné.
As várias equipas preparadas para atacar o quartel partiram de uma aldeia próximo de Nova Sintra. Reuniram-se numa mata próxima de Tite muito cedo, de manhã, à espera da hora para atacar. Havia apenas uma arma por cada dez homens, estando os outros combatentes armados com catanas e paus. O ataque iniciou-se apenas à uma hora da madrugada.
No rescaldo do ataque os combatentes do PAIGC tiveram dois mortos e dois feridos.
Um dos grupos foi comandado por Tchambu Sanhá. Deste grupo fazia parte Infámara Dabó (hoje Major) que durante o ataque levou um tiro no pé que lhe causou ferimentos graves. Lembra-se que passou mais de 30 horas sobre uma árvore sem beber água e que perdeu muito sangue. Com o calar das armas os atacantes retiraram-se do quartel e foram procurar zonas mais seguras para tratar os feridos.
“Os portugueses seguiram-nos e durante alguns dias andaram a nossa procura. Algumas pessoas que faziam parte do grupo do ataque foram apanhadas ao longo da estrada, mas defenderam-se dizendo que estavam em viagem e que não conheciam os indivíduos que atacaram o quartel. Conseguiram assim escapar-se dos tugas", contou Infámara Dabó.
Outro participante neste ataque foi Quebadjam Djassi (hoje, Tenente-Coronel, na reserva). Contou que o ataque ao quartel de Tite fora organizado de uma forma muito segura e que começou com a mobilização de régulos, chefes de tabancas bem como de pessoas influentes nas diferentes aldeias:
“Na altura os régulos já tinham armas de fogo que recebiam dos portugueses. Depois de termos tido o apoio dos régulos decidimos reunir para analisar a forma como atacaríamos o quartel de Tite, Avançamos para o ataque ao quartel de Tite depois da concentração de toda agente na barraca de Nova Sintra. O nosso objectivo principal não era apoderar do quartel, porque sabíamos que não tínhamos nem meios nem homens suficientes para uma ocupação definitiva. Queríamos sim libertar os prisioneiros que os tugas lá tinham, dado que muita gente estava lá detida. Infelizmente não conseguimos libertar um único prisioneiro, devido a uma ordem que recebemos mais tarde de apenas atacar e sair”,
INFÁMARA DABÓ nasceu em 1944 em Gantongho, sector de Tite na região de Quínara. Aderiu à luta quando tinha apenas 19 anos de idade. Fez parte do grupo de guerrilheiros que se encontravam na barraca da aldeia de Nova Sintra. Foi mobilizado pelos seus colegas na altura para aderir a causa da independência. Foi Comandante adjunto de logística do Estado-maior (zona centro) em 2000. Foi promovido ao posto de major em 2004. Actualmente tem 71 anos de idade.
QUEBADJAM DJASSI nasceu no dia 5 de Maio de 1946. Aderiu à luta aos 20 anos de idade na base da Nova Sintra. Depois da independência foi promovido ao posto de capitão, mais tarde subiu para o de major. Desde 2001 é reservista com patente de Tenente-Coronel. Este sobrevivente de 23 de Janeiro encontra-se na sua casa lutando contra a trombose que o paralisou.

in facebook, de Hipólito Sousa

domingo, 11 de outubro de 2015

O MASSACRE DE PIDJIGUITI E O CÃO DO ADMINISTRADOR CARREIRA

Mais um artigo desta histórica reportagem.
Desta vez relatando na boca dos intervenientes, ainda antes da criação do PAIGC, o que se passou nesse dia 3 de Agosto de 1959.
Curiosa esta abordagem.
Reportagem de Luis Pedro Nunes e Alfredo Cunha, do Jornal Expresso, a quem agradecemos.



sobreviventes - Estes homens escaparam ao massacre de Pidjiguiti a 3 de Agosto de 1959 e agora contam a sua versão da história

"Pode um cão mudar o curso da historia? A versão oficial reza assim. A 3 de Agosto de 1959, os mari­nheiros e estivadores do Porto de Bissau, ao servi­ço da então poderosa Casa Gouveia, revoltaram-se e exigiram melhores condições de trabalho e um aumento da jorna. Foi aí que o poder colonial por­tuguês mostrou que não estava para ser intimida­do. Dá-se o massacre de 3 de Agosto, em que polí­cias, cabo do mar e outras forças que se armaram no momento disparam sobre os homens que rei­vindicavam apenas um pouco mais de dignidade. O resultado foi desastroso. Um número de mortos que nunca chegou bem a ser contabilizado (40 ou 70). E que acelerou e modificou qualquer pretensão de moderação dos jovens quadros que estavam a formar a resistência organizada ao poder colonial. Ficou claro que Salazar nunca iria aceitar uma au­tonomia administrativa. Era preciso dar início à luta armada. Era preciso sair dos centros urbanos controlados pelos portugueses. Era preciso formar e armar uma guerrilha. Nascia assim o PAIGC — Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde — que agregou várias tendências. E o cão? Onde entra ele?

Em Setembro de 2015, uns 55 anos depois des­se dia que continua a ser celebrado na Guiné, ain­da é possível juntar uma dúzia de sobreviventes do massacre de Pidjiguiti e levá-los ao Porto de Bis­sau. São velhotes tristes e desencantados com a vida, abandonados e sem grande sustento. E Porto de Bissau é um cadáver já decomposto.

À entrada, há uma bizarra escultura em blocos. Só depois se percebe que é uma mão fechada, em honra dos mortos em Pidjiguiti. Chama-se “Mão de Timba” — mão de caloteiro.

É aqui que começa uma versão um pouco dife­rente da história de Pidjiguiti, contada pelos pró­prios, no local. O mais dramático — se é que se pode utilizar este termo — é que as reivindicações dos estivadores e marinheiros já tinham sido acei­tes pela Casa Gouveia em 3 de Agosto, dia do mas­sacre. Quem o diz é, por exemplo, o coronel Carlos Fabião, em várias entrevistas. Mas o administra­dor achou que só iria dar seguimento a essa ordem quando lhe apetecesse.

Para os velhos marinheiros com quem falámos a motivação era evidente: vingança. O administra­dor Carreira não perdoava terem-lhe matado um cão. Esta versão que nos conta Estêvão Vieira, de 70 anos, tem a concordância de todos.“ O admi­nistrador tinha dois cães enormes que largava pelo porto às seis da tarde para não deixar ninguém an­dar por aí. Um marinheiro foi apanhado e, ao de- fender-se, matou um. O administrador prometeu vingar-se. Até se mudou para esta casa aqui mais perto. ” A morte do cão tinha iniciado um processo histórico imparável, que iria acabar na indepen­dência da Guiné.

De todos os relatos gravados e lidos, nunca se percebe muito bem qual foi a acendalha que levou ao primeiro tiro. Cabe aos velhos estivadores con­tarem. Eles garantem que o cabo do mar Nicolau se assustou quando o marinheiro Augusto agarrou num barrote para se sentar. Julgou que o ia atirar contra ele. E disparou. Eram 15h45. Durou até às 18h. E a Guiné mudou.

O PAIGC já teve várias versões sobre a sua intervenção na génese deste movimento. A verdade é que foi apenas mais tarde, em setembro, que
se organizou. Carlos Correia, um destacado membro do partido, primeiro-ministro da Guiné e várias ministro dos Negócios Estrangeiros, era funcionário da Casa Gouveia. Desdramatiza um pouco o papel de ‘mau’ do administrador Carreira, até porque foi sua testemunha moral quando esteve preso. Mas não deixa de ter sido irónico ter-se encontrado várias vezes com o filho, Medina Carreira, enquanto homólogo nos Negócios Estrangeiros portugueses. “Ele é guineense, não tem culpa do que o pai fez.” E continua: “Só foi desagradável uma vez quando eu o confundi e disse que ele era ministro do PSD.” A Guiné independente nasceu ali, naqueles escombros, agora um misto de ferrugem e de lama."