.
“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”
(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra colonial.).
-
"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"
(José Justo)
-
“Ninguém desce vivo duma cruz!...”
António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente
referindo-se aos ex-combatentes da guerra colonial
-
“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”
Frase inscrita no Monumento aos Mortos da Guerra Colonial, no Entroncamento.
RECONHECIMENTO
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quinta-feira, 21 de março de 2019
Parabéns Cavaleiro
Mais um aniversario do nosso amigo António Cavaleiro.
Que contes muitos mais companheiro, com saúde.
Um abraço de parabens e que tenhas um dia muito bem passado.
Leandro Guedes.
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quarta-feira, 21 de março de 2018
Parabens ao Cavaleiro - mais um aniversário!
Parabens ao nosso companheiro António Cavaleiro.
Um grande abraço, que passes um dia muito bom, que a saúde
te acompanhe e recebe um grande abraço. Parabéns!
Leandro Guedes.
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sábado, 26 de agosto de 2017
... e eis senão quando... texto e pinturas do José Justo, enviados logo a seguir ao almoço de Ovar.
...e eis senão quando... descubro estas “preciosidades” !! Muitos não saberão, mas o nosso amigo Cavaleiro fazia uns bonecos com pincéis e tintas, e pena é, que por modéstia, nunca nos tenha mostrado os seus trabalhos. Em Tite, um dia apareceu no Centro Cripto com toda a panóplia artística que tinha mandado vir de casa. Tintas de óleo, pincéis etc. Claro que fiquei logo com os olhinhos às cambalhotas. Convenci-o a deixar-me experimentar fazer uns bonecos, ele acedeu...e lá saíram estas “obras primas” que são vistas da Tabanca de Tite. À falta de telas...como suporte... cartolina de dossiers... Não gozem...para quem nunca tinha pegado num pincel... Obrigado Cavaleiro, como vê, e sem saber, foi o meu padrinho nas lides pictóricas.
Zé Justo
---------
comentário: Zé Justo
** Amigos Esse cabeçalho de pintor, é ofensa para os pintores !!Nunca passei de um curioso/experimental troca-tintas, e nada mais que isso.Pus os bonecos porque me lembrei logo do Cavaleiro, e é principalmente para recordar o nosso amigo.Como tal, tomei a liberdade de por o "pintor" entre comas!!O seu a seu dono !!Boas férias para todos 27 de junho de 2009 às 20:27
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20º almoço anual,
Cavaleiro,
Justo
segunda-feira, 21 de março de 2016
O Cavaleiro passa hoje mais um aniversário
Ao nosso companheiro Cavaleiro, enviamos um forte abraço de parabens, desejando-lhe boa saúde junto dos seus.
Leandro Guedes.
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
CAVALEIRO FOTOS ANTIGAS
Publicamos as fotos que o Cavaleiro nos enviou em tempos. É um video já anteriormente publicado neste blog e que desta vez também será publicado no facebook do BART 1914.
Abraço ao Cavaleiro.
Leandro Guedes.
Abraço ao Cavaleiro.
Leandro Guedes.
sábado, 17 de maio de 2014
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Parabens Cavaleiro
Para o nosso companheiro Cavaleiro o nosso abraço de Parabens. Votos de boa saúde para ti e familia, com o nosso abraço.
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sexta-feira, 6 de abril de 2012
Ainda estás aí???
É que não queriamos terminar o dia...
Sem te desejar uma EXCELENTE PÁSCOA!
Manuela e António Cavaleiro!!!
Sem te desejar uma EXCELENTE PÁSCOA!
Manuela e António Cavaleiro!!!
terça-feira, 3 de abril de 2012
Parabens ao Cavaleiro
"Viana... foge ao insensate beijo
Que o Lima vejo que lhe quer depor
E das montanhas na materna encosta
Lá se recosta com gentil pudor!
Eu sou suspeito porque sou teu filho
E assim teu brilho não direi jamais
Que io diga quem ao visitar teus lares
Hauriu teus ares, passeou teus cais!
Sebastião Pereira da Cunha
natural de Viana do Castelo"
Um abraço de parabens ao Cavaleiro, de todos os companheiros do BART, com votos de boa saúde.
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segunda-feira, 19 de março de 2012
Definição de filho por José Saramago: - enviado pelo Cavaleiro, neste dia do Pai!
"Filho é um ser que nos foi emprestado para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo ! Ser pai ou mãe é o maior acto de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado.
Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo".
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Um comentário do Justo ao artigo do Cavaleiro.
foi neste prédio que viveu Fernando Pessoa, no largo frente ao Teatro de S.Carlos
Cavaleiro
Será que teremos tempo de acabar o castelo, com tanta pedra que nos vão atirando ??!!
Tenho imensa admiração por alguns escritos de Pessoa, mas principalmente pelo género de ser humano que era; inteligente, culto e torturado que foi toda a vida.
Nos finais dos anos 70, ao terminar a leitura de uma sua biografia, que guardo religiosamente, achei entre várias particularidades próprias das mente elevadas, curioso o facto de ter morado em perto de uma dezena de locais em Lisboa.
E um dia...como me abastecia de tintas na firma Lourileux que fica frente á escadaria que leva ao Teatro S. Carlos, lembrei-me que ele tinha nascido no prédio fronteiriço ao teatro. Desci a escadaria (a mesma onde se dá aquela cena canalha de novela, em que uma irmã empurra a outra por ali abaixo) e subi mesmo até, creio, 3º andar, já não recordo bem, e fiquei uns largos segundos a olhar para a porta, que para mim passou a ser histórica.
Sempre tive uma certa "nóia" por cenas destas...locais com história, através de livros e por ouvir o Prof. Hermano Saraiva nos programas sobre Lisboa, cedo ou tarde, lá ia dar uma espreitadela...
Um Abraço
Justo
“...Lisboa. 26 de Novembro de 1935. Pessoa encerra o expediente no escritório de import-export e segue para casa. Debaixo do braço, sempre a sua pasta de cabedal. Antes de chegar ao seu andar na rua Coelho da Rocha, em Campo de Ourique, passa pelo bar do Trindade, logo na esquina. Rotina. O amigo vende-lhe fiado. Chega-se ao balcão e diz:
- 2, 8 e 6.
Trindade serve-o: fósforos, um maço de cigarros e um cálice de aguardente. No olhar, cumplicidade. Os fósforos custam 20 centavos, os cigarros 80 e um cálice de aguardente 60. Pessoa simplifica: 2, 8, e 6 tostões. Trindade já está acostumado. O poeta acende um cigarro e bebe o cálice, um trago só. Retira da pasta uma garrafa vazia, preta. Entrega-a ao Trindade que, discretamente, a devolve cheia. Com a pretinha bem guardada, Pessoa despede-se. Sai aos tropeções e a recitar:
Bêbada branqueia
Como pela areia
Nas ruas da feira,
Da feira deserta,
Na noite já cheia
De sombra entreaberta.
A lua branqueia
Nas ruas da feira
Deserta e incerta...
F.Pessoa”
O texto sobre Pessoa fica assim, secamente, desenquadrado, e dá ideia forçada, do que é um apontamento da vida deste homem sofrido.
O "beber uns copos" não tem nada de especial, e basta rever relatos da época, para se compreender o que seria a vida de seres de inteligência superior, visão futurista e grande sensibilidade, verem-se rodeados de incompreensão, indiferença e falsas moralidades, muito caracteristicas do tempo em que viveu.
Um copo, tanta vez, lava a alma, e diluí as mágoas. Eu próprio por isso passei naqueles dois longos anos de Guiné, em que tenho a certeza, o néctar dos Deuses tantas vezes amparou e chutou para longe os meus medos e a permanente insegurança.
O narrado pequeno "tropeção" de Pessoa, mostra na essência a sua genialidade, no pormenor da abreviatura do pedido...
Justo
domingo, 29 de janeiro de 2012
PEDRAS NO CAMINHO... enviado pelo Cavaleiro
Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...
Fernando Pessoa
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
O Ouro de Viana
O Ouro de Viana Slideshow: Cavaleiro’s trip to Viana do Castelo, Northern Portugal, Portugal was created by TripAdvisor. See another Viana do Castelo slideshow. Create your own stunning slideshow with our free photo slideshow maker.
Ouro do Minho
O ouro é um dos principais símbolos e riquezas de Viana do Castelo. “O ouro no peito da minhota não é apenas um enfeite ou uma vaidade - é o seu melhor símbolo de riqueza”. É um esplendor, porque “o peito da minhota é um céu estrelado”.
"Em Viana não se trabalha o ouro, mas esta cidade é o tabuleiro e o traje à vianense é a montra onde todo esse património, essa identidade cultural passa fronteiras e leva à ribalta citadina e europeia a áurea da nossa joalharia, o ouro do Minho, o ouro de Viana."
As peças de ourivesaria popular de Viana incorpora nas suas formas os estigmas dos amuletos, as crenças e as heranças míticas tradicionais do Minho. Em determinadas solenidades, as mulheres de Viana usam os brincos ou arrecadas, três cordões ao pescoço, um trancelim, um fio de contas, uma custódia, uma laça e quando a vianesa pertencia a um escalão económico superior, exibia ainda a sua bela gramalheira.
(publicado no blog viananamaior)
Viana é assim. Quem vem fica. Quem fica ama e……………quem ama……nunca mais sai!!
Cavaleiro
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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Boas Festas do nosso amigo Cavaleiro
Em tempo de crise, que baste, não deixemos que ela perturbe as boas práticas da sã convivência, especialmente entre aqueles que se estimam.
Sejam felizes.
Manuela e António Cavaleiro
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Natal/Fim de ano
domingo, 6 de novembro de 2011
Vamos dar corda ao blog? - pelo Cavaleiro (há uns tempos atrás...)
Companheiro,
Vamos dar “corda” ao nosso BLOG?!
Se estiveres de acordo, eu continuo com Fernando Pessoa.
Mesmo em tempo de crise é possível presentear os meus Amigos com uma PRECIOSIDADE, que no meu entender, considero uma maravilha ...
O Menino Jesus, nas palavras de Alberto Caeiro, pela voz única, grave e ternamente sentida de Maria Bethânia.
Espero que gostem………………………………………..de POESIA e de Maria Bethânia!!
Um abraço,
Cavaleiro
________________________________
Alberto Caeiro - Poema do Menino Jesus
Num meio-dia de fim de primavera
Eu tive um sonho como uma fotografia
Eu vi Jesus Cristo voltar à terra.
Veio pela encosta de um monte.
E era a eterna criança, o Deus que faltava.
Tornando-se outra vez menino,
A correr e a rolar pela relva
E a arrancar flores para deitar fora.
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir de segunda pessoa da Trindade.
Um dia, que Deus estava dormindo
e que o Espírito Santo andava a voar
Ele foi até a caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro, ele fez com que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo, ele criou-se eternamente humano e menino.
E com o terceiro ele criou um Cristo
e o deixou pregado numa cruz que serve de modelo às outras.
Depois ele fugiu para o sol
e desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje ele vive comigo na minha aldeia
e mora na minha casa em meio ao outeiro.
É uma criança bonita, de riso e natural.
Atira pedra aos burros.
Rouba a fruta dos pomares.
E foge a chorar e a gritar com os cães.
Nem sequer o deixaram ter pai e mãe
como as outras crianças.
Seu pai eram duas pessoas: um velho carpinteiro
e uma pomba estúpida, a única pomba feia do mundo.
E sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher, era uma mala
em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que justamente ele pregasse o amor e a justiça.
Ele é apenas humano,
limpa o nariz com o braço direito,
chapina as possas d'água;
colhe as flores, gosta delas,
esquece-as.
E porque sabe que elas não gostam
e que toda a gente acha graça,
ele corre atrás das raparigas
que carregam as bilhas na cabeça e levanta-lhes as saias.
A mim, ele me ensinou tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as belezas que há nas flores.
E mostra-me como as pedras são engraçadas
quando a gente as tem nas mãos e olha devagar para elas.
Ensinou-me a gostar dos reis e dos que não são reis.
E tem pena de ouvir falar das guerras e dos comércios.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente.
Sempre a escarrar no chão e a dizer indecências.
E que a Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meias.
E o Espírito Santo coça-se com o bico;
empoleira nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é tão estúpido como nas Igrejas.
Diz-me que Deus não percebe nada das coisas
que criou - do que duvido.
"Ele diz por exemplo que os seres cantam sua glória.
Mas os seres não cantam nada
se cantassem, seriam cantores.
Eles apenas existem e por isso são seres..."
Ele é o humano que é o natural.
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E é por isso que eu sei com toda certeza que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E depois, cansado de dizer mal de Deus
ele adormece nos meus braços.
E eu o levo ao colo para minha casa.
Damo-nos tão bem na companhia de tudo
que nunca pensamos um no outro.
Mas vivemos juntos os dois
com um acordo íntimo,
como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer, nós brincamos nas cinco pedrinhas do degrau da porta de casa.
Graves, como convêm a um deus e a um poeta.
É como se cada pedra fosse um universo
e fosse por isso um grande perigo deixá-la cair no chão.
Depois ele adormece.
E eu o deito na minha cama despindo-o lentamente
seguindo um ritual muito limpo, humano e materno até ele ficar nu.
E ele dorme dentro da minha alma.
Às vezes ele acorda de noite e brinca com os meus sonhos.
Vira uns de perna para o ar.
Põe uns encima dos outros.
E bate palmas sozinho sorrindo para o meu sono.
Quando eu morrer, filhinho, seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo.
E leva-me para dentro da tua casa.
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde, para eu tornar a adormecer.
E dá-me os sonhos teus para eu brincar...
(Alberto Caeiro)
______________________
Cavaleiro:
A corda partiu-se???!!!
Estamos à espera de mais textos teus.
Abraços
LG.
sábado, 5 de novembro de 2011
Poema aos homens com gripe...
(Sátira aos HOMENS quando estão com gripe)
Este poema (já anteriormente publicado neste blog) foi-nos enviado há algum tempo pelo Cavaleiro, e como eu passei por "estes momentos de aflição" recentemente, achei oportuno publicá-lo...
"Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
Anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sozinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.
António Lobo Antunes"
Este poema (já anteriormente publicado neste blog) foi-nos enviado há algum tempo pelo Cavaleiro, e como eu passei por "estes momentos de aflição" recentemente, achei oportuno publicá-lo...
"Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
Anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sozinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.
António Lobo Antunes"
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