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Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma! (Patoleia Mendes ).

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"Ó gentes do meu Batalhão /

Agora é que eu percebi /

Esta amizade que sinto /

Foi de vós que a recebi…"

(José Justo)


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EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

19º almoço anual, Salir do Porto

Mais um almoço organizado pelo Domingos Monteiro, o terceiro. Desta vez foi em Salir do Porto, no ano de 2008.











VEJA ESTE VIDEO COM AS FOTOS DO ALMOÇO - CLICAR NA SETA:

Relato do Pica Sinos:

OVAR É JÁ ALI….A CIDADE QUE SUCEDE
17 de Maio de 2008, ao chegarem é-lhes difícil não contemplarem a linda baía de S. Martinho do Porto, o mar, apesar de uma ligeira ventania estava calmo, o sol esse semi-escondido. São cerca das 10,30 horas.
 Em frente ao Parque de Campismo Baia Azul, ponto de encontro deste nosso 19ª Almoço Convívio das: Companhia de Comandos e Serviços, Companhia de Caçadores 1743, Pelotão de Morteiros 1208, Pelotão Daimler 1131 e Secção de Obuses, estacionados em Tite, componentes do Bart 1914, os participantes começam a chegar isolados ou acompanhados das suas esposas, filhos, filhas e netos alguns.
São habituais os gestos com os cumprimentos daqueles que todos os anos fazem questão em marcar presença nestes almoços convívio. Naqueles que há largos anos por esta ou aquela razão não tiveram a oportunidade de se encontrarem, não se fazem esperar fortes abraços, vive-se mais alegria, os olhos esses lacrimejantes, espalha-se ternura nas conversas que se sucedem entre os amigos de guerra e amigos para sempre.
Pergunta um; olha aquele é o Capitão Paraíso Pinto não é? Diz outro; sim é; está falar com o Cavaleiro. Olha o Guedes e o Gentil. O Costa e o Amador. Olha o “Chapa” e o Pintassilgo…. é, é, era padeiro com o Contige. Desculpa lá…. aquele não era o sacristão? E aquele ali não era o despenseiro Serafim a falar com o Alferes Claro?.....O Justo, onde anda o Justo? As perguntas e as respostas sucedem-se.
 São 12,30 horas, o Monteiro, furriel sapador, organizador deste evento, dá ordem de partida à caravana automóvel ali presente. Salir do Porto é o rumo, espera-nos o almoço no restaurante Nascer do Sol cujos lugares nas mesas têm que ser aumentados, o número das presenças bateu o recorde. Nunca um almoço convívio teve tantos participantes com este, disse que sabe.
 Todos se acomodam, nas mesas os aperitivos, vinhos, sumos e cerveja à nossa espera. Ouve-se aqui e ali o barulho característico das rolhas a serem sacadas das garrafas. O bolo comemorativo do BART 1914 – Sem Temor - está junto à cabeça das mesas. A festa há muito já começara, agora brinda-se, os copos tilintam, tiram-se fotografias para mais tarde recordar. As conversas não se esgotam, juntam-se, aqui e ali para mais “dois dedos”. O bodo é entretanto servido.
Pela sobremesa, obviamente, os discursos não faltaram, houve quem cantasse o fado, que declamasse. O Pintassilgo assobiou uma linda melodia. Cantou-se os parabéns a alguém que fez anos. As palmas, essas, foram muitas. Mas as recordações dos anos 20 em Tite e os “retratos” das suas vidas depois, essas não cessaram todo o momento……. Não… diz o Henrique…tens razão diz o Arrabaça. Diz o Abreu….o Bagulho onde anda esse gajo?
São cerca das 17 horas, na partida repetem-se os sorrisos e os abraços com a mesma força da chegada, com a promessa que em Ovar – ano do 40º aniversário da chegada de Tite – os abraços serão mais fortes.
Pica Sinos.

domingo, 13 de agosto de 2017

18º almoço anual, Leça da Palmeira


Este almoço foi organizado pelo nosso companheiro Viana e pela filha, que entretanto faleceu. Foi no ano de 2007 e estiveram presentes 107 pessoas, entre guerreiros, amigos e familiares. Não temos fotos deste almoço.

sábado, 12 de agosto de 2017

17º almoço anual, Leiria


Este almoço fi organizado pelo Domingos Monteiro, pela 2ª vez, em Leiria no ano de 2006. Não temos fotos deste almoço.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

16º almoço anual, Braga



Mais um almoço organizado pelo alf. Vaz e Alves e pelo Narciso Costa, em Braga, no ano de 2005. Não temos fotos deste almoço.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

O Victior Barros foi operado

O Victor Barros foi operado a uma hérnia na passada segunda-feira
Falei ontem com ele e diz que já está em casa e se encontra a recuperar bem.
Votos de boas melhoras companheiro. Um abraço de todos nós.
Leandro Guedes.



15º almoço anual, organizado pelo António Vilão, em Cantanhede, em 2004

Não temos fotos deste almoço.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Almoço em casa do Francisco Ferreira, em Lamego

O Alfredo Alves e esposa, foram visitar o Francisco Ferreira a Lamego.
O Alfredo enviou-nos esta foto. Obrigado Alfredo.


14º almoço anual, organizado pelos amigos José Bezelga e Henriques Guimarães, na Madalena, em Vila Nova de Gaia, em 2003

Não temos fotos deste almoço.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

13º almoço anual, organizado pelo Joaquim Henriques, em Peniche, em 2002



Não temos fotos deste almoço. A foto aqui apresentada refere-se a um mini almoço realizado pelo Henriques em 2008.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

José Luis Feitor Amaro, do Pelotão de Morteiros


Mais uma foto atribuída ao respectivo dono, o José Luis Feitor Amaro, do pelotão de morteiros. É mais uma contribuição do Narciso.

nota - afinal o José Luis Feitor Amaro,  que morava na zona de Coimbra, faleceu há já alguns anos. Falei há momentos com o Hipólito que me deu esta informação. PAZ À SUA ALMA!

12º almoço anual, organizado pelo Vaz Pires, em Almoçageme, Cascais, em 2001

Estiveram presentes 80 pessoas.
Não temos fotos deste evento.

domingo, 6 de agosto de 2017

11º almoço anual, organizado pelo Arrtabaça, na Nazaré, no ano 2000


Estiveram presentes 85 pessoas.
Não temos fotos deste almoço

sábado, 5 de agosto de 2017

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Esclarecimento do Hipólito - O Emidio já faleceu há alguns anos.


O Emídio, faleceu, há já uns anos.
Residiu na freguesia de Guilhufe, em Penafiel e foi sepultado no cemitério da sua residência.
O Cabito anda a diligenciar uma placa para colocar na sepultura onde iremos em romagem.
O Eusébio reside em Ponte de Lima, sendo conterrâneo é amigo do Daniel, serralheiro.

Hipolito Almeida Sousa

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Eusébio e Emidio

Mais dois companheiros de quem conseguimos fotos. Se alguém tiver mais fotos deles, é favor enviar por email ou facebook. Obrigado.
Agradeciamos também saber o nome completo de qualquer um deles. LG.

Eusébio, era Clarim em Tite

Emidio

Emidio

Tony, de Castanheira de Pera

Tony, de Castanheira de Pera.
Falamos há pouco ao telefone e soube que felizmente está tudo bem com ele, familiares e amigos mais próximos, após os trágicos acontecimentos em Pedrogão, Castanheira e Figueiró.
É uma noticia que com certeza alegra o nosso grupo.
Um grande abraço para o Tony, António Costa, que era do pelotão de morteiros e que durante algum tempo fez serviço na messe de sargentos, em Tite.
O Tony veio pela primeira vez aos almoços anuais, em Almada em 2012, org
anizado pelo Pica, Contige e Palma.
Votos de boa saúde.
Leandro Guedes.




José Simões Sequeira e Manuel Fazendeiro

Com a preciosa ajuda do Narciso Costa, sempre atento a estas coisas, arranjamos fotos correspondentes a dois companheiros, José Simões Serqueira e Manuel Fazendeiro, que não faziam parte da nossa galeria. Aqui fica o reparo, tanto no blog como no facebook.
Muito Obrigado Narciso.
Leandro Guedes.
Manuel Fazendeiro, Clarim em Tite
José Simões Serqueira, de Coimbra

8º almoço anual, organizado pelo António Cavaleiro, em Santa Marta de Portuzelo, Viana do Castelo, no ano de 1997

Neste almoço estiveram presente 102 pessoas, entre guerreiros, amigos e familiares.








Como homenagem ao Minho, região onde foi organizado pelo Cavaleiro este 8º almoço anual, aqui se reproduz um video enviado pelo Jorge Claro.


terça-feira, 1 de agosto de 2017

7º. almoço anual, organizado pelo Francisco Ferreira, na Serra das Meadas, Lamego, em 1994


Não temos fotos deste almoço. Aguardamos envio das mesmas. Talvez o Ferreira tenha.
Obrigado. Um abraço. LG.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

4º. almoço anual em 1993, organizado pelo José Arrabaça, em Atalaia/Barquinha

Este almoço teve a presença de 102 pessoas, entre guerreiros, amigos e familiares.
Foi organizado pelo saudoso José Arrabaça, na Atalaia/Barquinha.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Coronel João Trabulo faz hoje anos


O nosso coronel João Trabulo, que pertencia à CCAÇ 2314, aquartelada em Tite, passa hoje mais um aniversário.
Para o nosso coronel um abraço de parabens nesta data, que tenha muita saúde e que o dia seja alegre e bem disposto, junto de familiares e amigos.
Um abraço.
Leandro Guedes.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

1º. almoço anual, na Areia Branca, perto de Torres Vedras.

Estalagem da Areia Branca, hoje desativada

Dão-se alvissaras a quem enviar uma foto do primeiro almoço realizado na Estalagem da Areia Branca, perto de Torres Vedras, em 1990. Infelizmente a Estalagem está desativada, nas mãos dum qualquer banco. Por sugestão do Cavaleiro, na ultima vez que nos encontramos em Vilar Formoso, se um dia a Estalagem voltar a funcionar, vamos lá organizar um almoço anual. Quem sabe ! Aqueles que foram a este primeiro almoço, lembrar-se-ão que em frente está o mar, uma paisagem lindíssima, num dia de muito significado para todos nós - o do reencontro. Ficamos à espera da foto. 
Forte de Paimogo, ao fundo

sábado, 22 de julho de 2017

3º almoço anual em Mira, Aveiro, organizado pelo Jorge Claro em 1992.



Esta foto é do 3º almoço em Mira, Aveiro, organizado pelo Jorge Claro salvo erro em 1992. Aqui se verifica a evidente juventude dos participantes, muitos deles com bigode, outros bastante cabeludos, mas todos, ou quase todos, de gravata. Que belo friso.
Vêem-se aqui alguns companheiros já falecidos - o nosso alferes capelão Padre Luis Silva, Gentil, Heitor, Águas, Arrabaça, Botas, e outros que nunca mais apareceram nos almoços - Bagulho, Sargento Araújo, Alferes  Fernando Alves, entre outros.

LG.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

O primeiro ataque a Tite após a nossa chegada - pelo José Justo



O 1º. ATAQUE A TITE (19 DE JULHO DE 1967), DURANTE A NOSSA PERMANENCIA, DESTA VEZ VIVIDO PELO JUSTO.
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A guerra na Guiné 7.000 guerrilheiros era sem dúvida muito mais intensa e sistemática, que em Angola 6.500 guerrilheiros e Moçambique 6.500 guerrilheiros.Devia-se isso principalmente a:Pequenez do território 36.128 Km2, portanto mais controlável pela guerrilha.Ser o PAIGC o único grupo armado que nos combatia; (ver mapa Africa)Fazer fronteira com dois países que nos eram hostis - Senegal a norte e Guiné Conakry a sul - e dos quais o IN recebia apoios.Como se não bastasse, tinha um clima terrível; calor e humidade intensos, pragas de mosquitos, formigas gigantes vorazes, dificuldade de abastecimento e conservação de frescos, água só filtrada e com um sabor horrível, tomava-mos duche e quando nos estava-mos a limpar já suava-mos de novo, etc.O PAIGC concentrava a luta de guerrilha, principalmente nos ataques nocturnos aos quartéis, com armas pesadas - de véspera engajavam os civis das tabancas próximas para carregarem as granadas e muitos fugiam a coberto da noite antes de espoletarem as granadas de morteiro (esta cena vai dar outra história curiosa).A nossa vida diária, e logo que começava a escurecer, era ir para dentro, ou estar muito perto dos abrigos subterrâneos (ver foto), ou de alguns edifícios reforçados com sacos de areia entre o telhado e a cobertura.O quartel estava sempre iluminado com duas principais linhas periféricas: o quartel propriamente dito, e uma linha posterior onde se situavam os postos de defesa avançada.A força motriz era fornecida por dois enormes geradores que funcionavam alternadamente 24 horas por dia, e tinham sempre um electricista de dia, que além da manutenção normal, tinha a função importantíssima de, quando se ouvissem as “saídas” (nome dado aos estrondos dos primeiros disparos dos morteiros e canhões sem-recuo) desligar todas as luzes, excepto da vedação posterior, para pudermos ver e repelir tentativas de aproximação e invasão do quartel.A parte mais mortífera dos ataques, eram os primeiros rebentamentos, O PAIGC instalava-se de noite, a alguns kms do quartel e como tinha a referência das luzes, podia calibrar e apontar as armas pesadas, sem pressas e com toda a precisão. Daí as primeiras granadas a cair, sempre tocavam os pontos mais vitais (numa operação, foi capturado a um guerrilheiro morto, um mapa pormenorizado do nosso quartel, assinalado com o comando, tms, etc. e até da prisão, com uma exactidão impressionante !!??)Uma noite, como sempre, estava no abrigo subterrâneo a jogar á Sueca e era hábito haver sempre alguém que se encarregava de ganhar algum “patacão” com um mini comércio de vinho, cerveja e alguns petisquitos de ocasião.Só que naquela noite, mau grado, não apareceu ninguém a “abrir a tasca” e estava tudo a seco. A “secura” na Guiné tinha dois grandes inconvenientes; O calor chegava aos 40 e tal graus, e “não bebo, logo penso...portanto...não rebentes a tola”.Claro que as jogas da Sueca eram levadas muito a sério, e sempre para as bebidas...quem perde paga, e segue a música.Dispus-me a ir á cantina buscar quatro belas e grandes cervejas de 6 dl.Tinha acabado de pagar, quando um barulho intenso denúncia as “saidas” bum...bum...bum...bum, aí estava mais um ataque...logo se apagam todas as luzes e desato a correr e a contar intimamente 1.2.3... - tinha aprendido na recruta, com um alferes que tinha estado na Guiné, que quando apanhados nesta situação, devemos começar a correr para o abrigo mais próximo, a contar e chegando ao 10-12-15 deitar no chão, fechar a boca e tapar fortemente os ouvidos com as mãos, por causa da descompressão de rebentamentos muito próximos.Corri que nem um desalmado, sempre a contar, mas aos vinte e tal, parei de contar...mas não me deitei no chão, sempre na ânsia de chegar até ao abrigo das transmissões.Sem luzes e numa noite bastante escura, corria e guiava-me mais pela intuição e o desespero de me abrigar, do que pela visão, quando um rebentamento tremendo de granada, na paliçada junto à porta de armas, me projecta não sei para onde, e senti um calor enorme. Ainda fiquei mais em pânico, pois as ondas de choque dos rebentamentos próximos, levantavam muita terra, e parte dessa “chuva” caiu-me em cima.Com a projecção, caí, mas logo me levantei e recomecei a correr. Dois ou três passos dados, senti uma pancada enorme na cara e na mão direita, que me deixou completamente tonto !! cheio de dores começo às apalpadelas, e passados segundos, apercebo-me que em vez de estar a correr na direcção da rua, com o rebentamento, tinha ficado virado para a parede do edifício já muito perto do abrigo, e tinha corrido a bom correr...DE ENCONTRO Á PAREDE.Por fim lá me abriguei, incólume, mas sem uma sapatilha e a cabeça toda empoeirada.Desta vez o ataque tinha feito desgraça entre nós, um deles foi o “piriquito” da Compª operacional, com 5 dias de Guiné, que se tinha desenfiado do reforço e morreu com um estilhaço que lhe entrou pelo anus...incrível.A seu tempo vou contar esta triste história, mais uma ironia do destino.No dia seguinte, na cantina e enquanto comentávamos a noite desgraçada da véspera, , perguntei como descargo de consciência das quatro cervejas que tinha pago e ficaram em cima do balcão, claro que já previa que tinham sido “capturas pelo IN”, mas não !!! o cantineiro (mas uma vez...os nomes) abre a arca e pôe-me as cervejas no balcão !!! fiquei de boca aberta...não comentei...e acabamos os dois por beber as 4 loirinhas.Não acredito num gesto destes na cantina de um quartel na Metrópole, onde os gajinhos das cantinas eram uns lateiros-mete-nojo.Se a maldita da guerra, terá uma única coisa de bom, será a forte amizade entre irmãos de armas e sofrimento, durante dois anos, num teatro estúpido de guerra.O que me dói, e ofende a minha inteligência, é; porque se provocam carnificinas, e passados anos os então inimigos, passam a irmãos !! não será possível a tal irmandade antes do morticínio ?? tá bem...pronto, já sei que não sou deste planeta !!Zé Justo.

Sobre o 19 de Julho, pelo Pica Sinos





Não sei se já repararam na forma como escreve o ex. aprendiz Eclesiástico em Tite e ex-Comandante de Bombeiros Voluntários de Baltar, Hipólito Sousa. Ele tem um talento natural para a escrita, inspiração nunca lhe falta. Escrever não é uma tarefa fácil, dá trabalho. Parece-me na forma como o Hipólito escreve tudo lhe é fácil no que diz respeito à escrita. Parabéns amigo. No entanto, para além da inspiração e do bem escrever, compreendo que com a idade que ele já tem, os acontecimentos de “lá longue” lhe vão fugindo. Acontece a muito boa gente. Digo isto e porque ao ler uma passagem do artigo que escreve este nosso amigo, refere que no ataque ao aquartelamento de 19 Julho 1967, o Contige e o Cabito de Penafiel, num ápice se atiraram para o chão, não dando conta o Cabito de quem já estava estatelado. De todo o modo, parece-me que o acontecimento merece mais uns acrescentos. Não que estivesse nesse abrigo, mas porque uma das personagens de tal “filme” me relatou. Então vamos lá “pró explico”. Há duas versões: O Cabito diz que quando começou a estoirar a “pirotecnia” foi ter com o Contige ao dito posto avançado. O Contige diz o contrário. Que quando a “festa” começou ao chegar ao abrigo do posto avançado o Cabito já lá se encontrava. Parece não ser importante saber ao certo quem chegou primeiro, mas é! Se foi o Contige, faz sentido que ele se deitasse de primeiro no chão e o Cabito por cima dele. Ou andaram para melhor cobertura a “dançar o puxa-puxa”, com os bidões vazios existentes no abrigo até caírem no chão, “tocando” ao Cabito ficar com a cara no traseiro do Contige? Para além deste imbróglio impossível de fazer “replay”, o que interessa saber é que o Contige ficou, como é natural, muito incomodado tal era a pressão no seu traseiro. O Cabito, como bom sapador, não desarmou, e a custo lá foi dizendo…comeces tu o que tiveres comido eu aguento! Não tiro a cara daqui. Pica Sinos.

O primeiro ataque a 19 de Julho, visto pelo Hipólito



19 de Julho de 1967 - o primeiro ataque do IN
Este “pinchavelho”, que me enfiaram para, deslocado, aceder à internet, põe-me à beira de um ataque de caspa, dando-me ganas de o atirar pela sanita abaixo. Liga, umas vezes, outras não, e desliga, amiúde, com o trabalho a meio, lembrando-me aquela vez, quando bombeiro militante, de, ao toque a feios da sirene do quartel, ter de interromper, no melhor da refrega, uma função conjugal que, por sinal, estava mesmo nas horinhas do senhor. Ossos do ofício, impecilhos, porém, de um maior rendimento artístico cá pr’ó blog, já que, quanto a refregas, propriamente ditas, estamos conversados. Àquele, menor rendimento, por prescrição médica, perante os sintomas evidentes de “caquetice crónica”, foi aconselhada terapêutica adequada para evitar solilóquios, sobretudo quanto aos estropícios do bart 1914, que nem troco dão. E começaram com pedalada de corredores de fundo! . . . mas, sol de pouca dura . . . As recordações são como as cerejas ou as baratas. Ainda de pensamento imberbe, não sublimei, na altura da nossa tragicomédia guineense, indícios que, ora, vou checando. Naquele primeiro ataque, de que fomos alvo a 19 de Julho, salvo o erro [sim, esse mesmo que o poeta Costinha historiou, versejando, “fui dar com o cabo SPM abrigado debaixo da cama”], soube-o agora, o Contige e o cabito, aquele, matulão, este, franganote, mas reguilóide quanto baste, estavam de sentinela num dos postos avançados. Mal as bojardas se fizeram sentir, já, ambos, acagaçados, estavam na horizontal, de “fuça” no chão, com a agravante de o cabito ficar deitado entre e no meio das pernas do Contige. Bonita posição, sim senhor, e que bem protegida estava a matula no quartel ! . . . Não sei, para ser franco, se essa posição, pouca ortodoxa, era já reveladora de qualquer tendência menos curial. O que sei é que, agora, na praia do Meco, o mesmo Contige e o Zé Manel, coabitam em “datchas” muito aconchegadinhas, entre si, não podendo, ora, precisar a posição exacta, se de lado, se por cima ou se por baixo. E que as respectivas consortes (de ambos) lhes lançam uns piropos brejeiros, disso sou testemunha ocular de vista. E que pediram, encarecidamente, para que a minha consorte não soubesse, também é verdade. Escrevi acima “acagaçados”, do que peço perdão. Por causa das cócegas, deveria, antes, ter escrito “defecados”.
Um xi do Hipólito

19 de Julho de 1967, o primeiro ataque IN após a nossa chegada - Os famosos versos do Costa!


JÁ NINGUÉM SE LEMBRA DISTO... FOI HÀ CINQUENTA ANOS...
VERSOS E DEPOIMENTOS, ALUSIVOS À DATA DE 19 DE JULHO DE 1967 AQUANDO DO 1º ATAQUE TERRORISTA AO AQUARTELAMENTO DE TITE GUINÉ, DEPOIS DA NOSSA CHEGADA, DA AUTORIA DE VÁRIOS COMPANHEIROS. OS VERSOS DO COSTA FORAM FEITOS AINDA NA GUINÉ.

Versos1ª versão)
I

No dia 19 de Julho,
O ataque do inimigo
Eu nem me posso lembrar
O susto que trago comigo
II
Tive medo, tive medo
Não o posso negar
Mas que ideia foi a deles
De nos virem atacar
III
Comecei a rastejar
Todo feito num embrulho
Eram dez menos um quarto
No dia 19 de Julho
IV
Quarta-Feira fatal dia
Que grande barbaridade
Estavam bem instalados
Atacaram à vontade
V
Ninguém os viu essa tarde
A montar o seu abrigo
Apanhou-nos de surpresa
O ataque do inimigo
VI
Começou a manelica
A dar fogo de rajada
E a traz para disfarçar
Vinham tiros da pesada
VII
Caiu uma bazucada
Que ao forno foi parar
Deu-nos cabo do pãozinho
Eu nem me posso lembrar
VIII
Durou quarenta minutos
Elas caíam cá dentro
Eu gostava de saber
Quem é que contou o tempo
IX
Eu não tive alento
Acreditem no que digo
Que nem sou capaz de dormir
Do susto que trago comigo.

Tite, Guiné-Julho 1967
José da Costa.
-
(Versos 2ª Versão)
I
No dia 19 de Julho,
Os turras fizeram tanto barulho
Que nem se podia ouvir.
Houve tanta morteirada e roquetada
Dentro do Quartel de Tite foi cair!
II
Estava eu tão descansado
E à porta d’armas estava sentado,
A falar com o nosso “Furriel Heitor..
Onde desviado de nós caiu uma granada
Julgando que era pesada
Que até fez calor!
III
Os nossos morteiros trabalharam
E granadas pelo ar lançaram.
Nos abrigos deles foram cair
Onde os turras estavam instalados
Alguns deles foram estilhaçados
Mas conseguiram fugir!
IV
Tanto sangue se lá viu!
Perto dos abrigos, onde nossa granada caiu,
Que nem se podia ver.
Alguns deles foram levados
Para não serem apanhados
Ali, deviam morrer.
V
Alguns dos nossos soldados
Ali foram instalados no posto da enfermaria
E agora vou-lhes falar
Tenho muito que contarDo que foi este dia…
VI
Alguns foram para os abrigos
À espera do inimigo
E outros andaram em cima da lama
Eu próprio fui dar com o “cabo”Do S.P.M.
deitado debaixo da cama!
VII
Agora vou-me despedir
Com amor sincero e paixão
Adeus malta da minha companhia
E também do Batalhão

José CostaTite, Guiné-Julho 1967.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

23 de Janeiro de 1963 - Quartel de Tite, o 1º. ataque do PAIGC - Neste dia começou a guerra na Guiné.



23 DE JANEIRO DE 1963, QUARTEL DE TITE

É difícil explicar a geografia da Guiné a quem nunca lá foi. Afinal “aquilo tem o tamanho do Alentejo”. Mas é um engano. Todo o litoral é uma planície pantanosa que se abre à foz de vários rios. O que quer dizer que para descer o equivalente a 30 quilómetros em linha reta, teremos que utilizar um barco ou dar voltas por terra horas sem fim a contornar a boca de várias entradas de rios. E há o terreno de lama. A vegetação. O clima tropical. As chuvas. Os mosquitos. No início dos anos 60, a Guiné não era como as jóias da Coroa: Angola e Moçambique. Para o meio milhão de autóctones de dezenas de etnias, havia uns meros dois mil portugueses da Metrópole. Alguns deles militares, espalhados por quartéis nos principais pontos do país. A zona sul, que faz fronteira com Conacri, terrível em termos de geografia, e que seria comandada por Nino Vieira, iria ser o ponto de partida da guerra na Guiné. Tite, um quartel da tropa portuguesa, foi escolhido para a primeira investida noturna do PAIGC. É conhecido por ser o local do primeiro tiro. E ainda se comemora como tal. É uma data.

Ruínas do antigo quartel português em Tite
Alfredo Cunha

O quartel português de Tite ainda lá está. Mas em escombros. Restam as paredes e como sempre o mato vem reclamar o que lhe pertence. Ainda foi ocupado pela tropa guineense, mas abandonado em 1994. A poucos metros, impassível, está um poilão, uma magnífica árvore sagrada com dezenas de metros de altura. À sua sombra, os velhos. E, com eles, a memória. Logo ali dois que lutaram no exército português. Pedro Ussumani, 66 anos; e Brema Jasse, 73. Foram tropa feijão-verde. Brema, aliás, passou de soldado ‘tuga’ a coordenador do PAIGC, e fala desses tempos com cumplicidades e risadas. “Querem um terrorista? Vamos a casa do grande bazuqueiro”, e lá caminhamos umas dezenas de metros até à casa de Braine Sane, 63 anos, o tal artista da bazuca. Tudo amigo. “Fomos soldados, não há rancores”, diz.


Antigos combatentes da guerra pela independência da Guiné-Bissau
Alfredo Cunha

Ussumani vai adiantando “que depois das descolonizações há sempre uns exageros”. Mas a questão não era entre guineenses, era da política de Salazar. Gostava de acabar nesta frase. Não posso. Da mesma maneira que entre os jovens não há grande ligação com o poder colonial, há um saudosismo verbalizado sem medo na geração mais velha. Até em combatentes da libertação. Um cansaço da instabilidade. Da destruição. Da pobreza. Mais do que do resto. O que confunde. E ouve-se isto. “Se era para ficar assim, sem nada, com este braço sem força devido aos estilhaços, não tinha ido combater”, diz o bazuqueiro do PAIGC.

E o tal primeiro tiro, como foi? O homem que o deu morreu há poucos meses. E eis que chega à sombra do poilão Pape Dabo, 89 anos, um homem pequenino. Não sabe de ouvir dizer. Esteve presente no ataque de 23 de janeiro de 1963 e participou nas reuniões que decidiram a operação no quartel de Tite. Tiro? Não foi tiro. “Só tínhamos dez armas e a sentinela estava a dormir e, quando avançámos pela porta do quartel, matámos o homem com um canhaco.” Canhaco? É uma lança que se põe num arco. Mas foi com a mão. Perfurou-lhe o pescoço.

Mas voltemos um pouco atrás. Pape Dabo conta a história do ataque como já a terá repetido centenas de vezes. Não permite interrupções. Ele é o narrador e o dono da versão. Começa com ele e o irmão no quartel, a trabalharem como padeiros dos portugueses, e termina depois do ataque com ele a voltar a ser reconhecido pelos militares portugueses como um “dos bons” e, assim, a poder espiar. Pelo meio, o ataque: divididos em quatro grupos, só o primeiro entra no quartel; os portugueses acordam; os tiros; as mortes do lado dos ‘tugas’ terroristas (“terroristas eram vocês do PAIGC”, diz Pedro); depois, teve que voltar no outro dia, foi obrigado a ver os cadáver dos companheiros mortos e ter de fingir que não os conhecia. E recorda ainda quando o comandante alinhou a população na praça em frente ao quartel e disse: “A guerra começou.”

TABANCA DE TITE

nota - este artigo foi-nos enviado pelo nosso amigo José Justo a quem agradecemos, com a devida vénia ao Expresso.
O artigo já tinha sido publicado em tempos neste blog, mas nunca é demais repeti-lo. Muito obrigado ao Justo.

sábado, 15 de julho de 2017

Boas noticias da Guiné/Bissau

BOAS NOTICIAS DA GUINE/BISSAU.
PUCLICAMOS DE SEGUIDA, UMA BOA NOTICIA ACERCA DA GUINÉ/BISSAU, POR PARTE DO FMI. Noticia inserida no Expresso de hoje, a quem agradecemos.


segunda-feira, 10 de julho de 2017

Companhia de Milicias nº. 7

O Serafim enviou-nos hoje o estandarte da Companhia de Milicias nº. 7, estacionada em Tite, cujo comandante era o Alf. DJaló.
Ao Serafim os nossos agradecimentos e votos de rápidas melhoras.
Um abraço.




Leandro Guedes.