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Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma! (Patoleia Mendes ).

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"Ó gentes do meu Batalhão /

Agora é que eu percebi /

Esta amizade que sinto /

Foi de vós que a recebi…"

(José Justo)


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sábado, 30 de agosto de 2014

General Spinola- curiosidades


Todos se lembrarão que, antes da chegada à Guiné do Gen. Spinola, à noite não havia aviões de combate, quando éramos atacados e dificilmente ia ao mato um heli buscar feridos graves ou mortos. 
E também se lembrarão que muitas vezes estivemos sem alimentos básicos, armas e munições, porque as lanchas não conseguiam atracar ao Enxudé, devido às marés.
Pois bem.
Estou a ler um livro do Coronel de Cavalaria, Carlos Alexandre de Morais, que foi colaborador intimo do General, na Guiné. E a certo ponto ele conta o momento exacto em que tudo mudou para melhor, 
É esta a descrição do autor:

" ... Já várias vezes me referi ao ambiente dos briefings da noite (eram diários, para avaliação da situação militar em todo o território), no Comando-Chefe. Na realidade surgiam sempre situações que atraíam a nossa atenção, pelo estilo que Spínola lhes imprimia.
Um dos sectores prioritários da politica economica e social por ele instituida, era a construção de aldeamentos, impulsionada pela Repartição de Reordenamento das populações do Comando-Chefe. Esta actividade estava a cargo da Marinha, utilizando as lanchas que subiam a complexa rede de rios e canais da Guiné.
Um dia voltou a colocar-se este tema. O Comando Naval voltou uma vez mais a justificar estes atrasos da sua missão, como consequência das marés. Contudo, tais demoras estavam a ter sérios reflexos na realização do planeado. E foi assim que, na reedição da discussão do problema, o General Spínola resolveu a questão: 
barcaça de reabastecimentos

«A partir de amanhã deixa de haver marés na Guiné»...

... E quanto à Força Aérea, foi referido pelo Coronel Comandante da Zona Aérea, que havia oitenta por cento de probabilidades de insucesso nas deslocações nocturnas de helicópteros (ou aviões), uma delas em que próximamente iria o General.
No fim deste briefing, o General dirigiu-se ao Coronel e disse-lhe com a maior naturalidade: 
- Mantenha a hora de partida do helicóptero e você trate lá de baixar essa percentagem de risco...
E assim 
aviões de combate Fiat, muito utilizados na Guiné

«assim, os dias deixaram de ter noites, quando se tratava de ir em auxilio de tropas em dificuldades nas matas e bolanhas da Guiné, durante a noite..."

in "António de Spínola, o Homem", 
de Carlos Alexandre de Morais.




2 comentários:

Albertina Granja disse...

Olá.....!!!!
Li com muita atenção este texto sobre o Gen Spínola...., como aliás sempre faço, quando sobre ele me surge algo que me proporcione aprofundar o conhecimento acerca da sua personalidade.....
Assim, e porque sempre o admirei bastante (pelo seu carácter....., na minha opinião......, "EXEMPLAR" em qualquer circunstância......), nao seria fácil passar por aqui sem dizer que este pequeno excerto desse livro escrito por alguém que o acompanhou de perto, uma vez mais me permite reiterar a opinião que sempre tive a seu respeito...!!!
Aproveito a oportunidade para felicitar o bart pelo seu "New look"..... !!!!
Esta paisagem africana assenta-lhe que nem uma luva...
Parabéns....

leandro guedes disse...

O Gen. Spinola foi um grande militar, susceptível de criar à sua volta ódios e paixões - adorado pelos soldados, criticado pelos oficiais de piscina e de ar condicionado, como ele mesmo dizia. Mas aqueles que estiveram no mato como nós, não esquecem que com a sua ida para a Guiné, o panorama de apoios logisticos, de tática militar e de socorro mudaram imenso. Goste-se ou não do Homem!
É de todos conhecido o episódio dos oficiais que ao fim do dia em Bissau, se dedicavam a braçadas na piscina do Quartel General. Pois bem quando o General chegou acabaram-se as piscinas e em vez disso passou a fazer-se diariamente, ao cair da noite, uma reunião, diária repito incluindo sábados e domingos, com a presença obrigatória dos chefes dos 3 ramos das forças armadas, para avaliar as acções das NT (nossas tropas) desenvolvidas nas ultimas 24 horas.
Se compararmos isto com as festas permanentes que havia em Bissau no periodo do anterior Comando, mostra bem a preocupação que o General tinha para com as suas tropas.
Eu não esqueço!
A este respeito, não resisto a contar um episódio que comigo aconteceu há uns anos. Estava eu num casamento no norte do País, na zona de Viana do Castelo, e encontro lá o capitão que tinha sido meu comandante de companhia nas Caldas da Rainha, aquando da recruta. No meio da conversa o então coronel começou a tentar descascar no Gen Spinola, dizendo cobras e lagartos. A certa altura não aguentando mais, comecei eu a descascar nos oficiais de piscina e do ar condicionado. A conversa a partir daí foi minha, (eu que nem sou muito de falar) e o ambiente ficou "verde". Levei toques por baixo da mesa para me calar. Mas não me calei enquanto não trouxe à baila o caso do Pedro. O nosso coronel tinha estado na Guiné, no ar condicionado...
Peço desculpa pelo alongar da conversa.
Obrigado pelo seu comentário