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Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma! (Patoleia Mendes ).

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"Ó gentes do meu Batalhão /

Agora é que eu percebi /

Esta amizade que sinto /

Foi de vós que a recebi…"

(José Justo)


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sexta-feira, 30 de maio de 2014

BART 1914 - VIDEO DE henriques guimaraes

Para os meus companheiros envio este video com um forte abraço.
Henriques Guimarães

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Hoje faz anos o Contige - PARABENS ao Contige!



Ao nosso amigo Contige um abraço de Parabens neste dia do seu 70º. aniversário, com votos de boa saúde, junto dos seus!

terça-feira, 27 de maio de 2014

sábado, 24 de maio de 2014

O Furriel Rato - pelo Justo

Intencional ou mero feliz acaso, ouve-se no início do trabalho video que o amigo Guedes mostrou no almoço das Caldas da Rainha, o Fado “Na Hora da  Despedida” da Ada de Castro.
Tem este fado uma história e uma lembrança triste para mim, Pica Sinos, furriel Bagulho e outros camaradas que com pena não recordo nomes.
Lembra-nos o companheirão Furriel Rato. Falecido em Tite.
Aos tempos de hoje, para quem não viveu aquele episódio, poderá parecer naive a letra deste fado. No entanto, no auge da Guerra Colonial estes singelos versos retratavam muito dos sentimentos de milhares e milhares de mães, noivas, e esposas, ao ficarem destroçadas com a partida para uma guerra, a milhares de quilómetros, por terras de África, durante dois longos anos, dos seus entes queridos, e sempre na grande incerteza do seu regresso.
Transcrevo um texto já anteriormente publicado no Blog.
De novo, numa simples lembrança e homenagem ao amigo.



  Requiem para um Saudoso Amigo

Com nostalgia revi várias vezes as fotos do Cavaleiro onde está o saudoso furriel Rato. Há pessoas com o quase divino dom de criar empatias logo aos primeiros contactos.

O Rato era um homem com quem facilmente se sentia simpatia e com quem apetecia conversar.
Era a antítese de alguns, poucos, mas ilustres desconhecidos, que se viam com umas divisas e a dar ordens, e logo lhes provocava um tremendo inchaço no pequenino ego!
Anteriormente neste Blog, já contei uma história sobre um desses cromos, numa cena com o Pica Sinos, que reflecte bem a mentalidade atávica, de alguns indivíduos da classe de sargentos. Eles aperceberam-se “que elas não trazem nome” frase corrente no quartel.
Grande verdade, e que passado pouco tempo de Guiné, sentiriam na pele com o primeiro e forte ataque que sofremos.
Das muitas coisas que me fizeram odiar a “tropa” e as regras militaristas, era sem dúvida: o avaliar a pessoa pelo primeiro olhar directo aos ombros...a outra; o ser tratado por “tu” por marmanjos que nunca tinha visto na vida...nem conhecia de lado nenhum.
Como isso mexia comigo !! Já findo o tormento da farda, curiosamente, mesmo colegas com quem trabalhei durante anos, não logo tratava e mesmo detestava que me tratassem por “tu”, até, claro, que a admiração e amizade, a isso levassem. Provavelmente reflexo dos tristes anos de tratamento cavalar e suplício militar.
Meu irmão era da Força Aérea e este hábito do “tu” e “meu este, meu aquele” não se praticava. Esses termos caricatos “avis rara” não existiam, e ao que penso, só eram utilizados no exército.
O furriel Rato era moderado, mas alegre, de fino trato e um camaradão nas pequenas farras que durante os dias que estivemos no quartel da Parede fazia-mos antes de embarcarmos para a Guiné.
Já em Tite, eram longas as conversas de grupo, onde facilmente ele se incluía. acompanhou connosco num pequeno grupo que naturalmente se criou, sem sabermos bem como.
Eu o Pica Sinos, o furriel Bagulho e furriel Rato e mais uns poucos que infelizmente não recordo, sempre que podia-mos dar uma escapadela, lá rumávamos a um café na baixa da Parede, para umas conversas e claro uns petiscos bem regados, para fazer esquecer o que breve nos esperava.
Lembro que num desses dias, as conversas estavam um pouco tristonhas, talvez pela proximidade do embarque, e das saudades que já começavam a doer.
O Rato fixou-se num fado da fadista, então muito em voga, a Ada de Castro, que tocava na velha Jukebox.
Recordo exactamente, não o nome nem toda a letra do dito fado, mas sei que falava em saudade e partidas sem retorno, dentro do género de tocar ao sentimento. À época detestava fado, mas sem saber porquê, naquela altura senti como que um calafrio, e quase automaticamente fixei um verso que durante dias vinha trauteando mentalmente.
Qual presságio..., muito calado, ouvia o fado super concentrado, findo o disco, levantou-se e meteu nova moeda e de novo ouvimos o fado. Repetiu-se esta cena várias vezes, e por estranho que pareça, e quase contra natura, ninguém comentou, pois quase todos éramos de Lisboa, e para nós, fado era coisa que não entrava !!
Ninguém se insurgiu e todos ouvimos as vezes que se repetiram os versos tristes daquela “despedida”, sem um comentário. O furriel Rato tinha os olhos lacrimejantes, e continuava muito calado e pensativo.
Parece que algo no seu íntimo fazia adivinhar o seu prematuro e infeliz desaparecimento na Guiné. Faleceu poucos dias depois de ter regressado de um mês de férias na Metrópole.
Recordo ainda hoje aquele fado da Ada de Castro...e a tal premunição que o Rato parecia sentir!!
Todas as mortes dos nossos amigos foram dolorosas, mas para mim, a deste companheiro de armas, fez-me doer muito, e deixou-me muitas saudades.
A sua simpatia natural e simplicidade ficaram na memória de muitos de nós.
Estarei em pensamento com os camaradas que em breve irão deslocar-se á sua campa no cemitério da Figueira da Foz e colocar uma placa, símbolo das recordações ainda vivas que deixou.
Dos vários livros sobre a Guerra do Ultramar, numas páginas com fundo negro, onde constam os nomes dos milhares de mortos da guerra, lá encontrei o do nosso amigo.
De pouco consolo servirá para os familiares e amigos que o recordam, mas pelo menos, o seu nome está perpetuado no Monumento aos Mortos da Guerra em Belém.
José Justo   

Março 2013 (Maio 2014)




sexta-feira, 23 de maio de 2014

As fotos do Henriques Guimarães


O nosso companheiro Henriques Guimarães, enviou várias fotos do almoço nas Caldas e também do tempo de Tite.
Foram todas reunidas no álbum que se segue.
Para veres o álbum clica na seta.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

O Funeral do nosso Capelão

O funeral do nosso Capelão, realizou-se na passada segunda-feira, dia 19, pelas 10:30 em S.Pedro da Torre, Valença.
Estiveram presentes o Hipólito e o alf. Vaz Alves.

Acerca do belo trabalho criado pelo Justo, relacionado com o nosso Capelão, o Hipólito fez o seguinte comentário:

"Muito bem, Justo!
Demonstrativo do teu carácter artístico e humano.
Agradeço, por ele. Conhecendo-o, como conheci, teria adorado ver este teu trabalho.
Intercederá por ti, e por nós, estou certo, esteja ele onde onde estiver . . .
Tudo do melhor para ti.

Hipólito"

Simpatizava bastante com o nosso Capelão, daí a minha singela homenagem.
Já em Tite tinha as convicções que mantenho hoje em dia sobre religião.
Lembro-me no entanto por duas vezes assistir a uma certa distância, durante alguns momentos, a celebrações e palavras sempre doces deste sacerdote.
Notei-lhe nesta foto do blog, e logo á primeira visualização um ar tão sereno e tranquilizador que me fez lembrar ainda mais o apreço nascido naqueles tempos.
"Só morremos verdadeiramente quando mais ninguém falar de nós".
Estou certo que lembraremos o nosso já saudoso Capelão.
Que o seu Deus lhe pague agora em venturas no céu, o que por Ele fez por todos nós na terra, crentes ou não.
Maio 2017
José Justo
___________________ 
Também o Coronel Trabulo (que foi da CCAÇ 2314), enviou o seguinte comentário:
"Certamente que repousará num lugar pelo qual o esperava. Recordo ainda hoje a suas conversas com um carisma de boa camaradagem e de sentimento que nos servia para amenizar as amarguras da guerra que vivíamos... Obrigado"

E mais os seguintes:

António Cavaleiro:
 O funeral é na próxima 2ª. feira, dia 19, pelas 10H00 em S. Pedro da Torre.

Julio Garcia, da 2314:
 Que esteja em paz.

Filhos De Sector Tite:
Os nossos sentidos pêsames pela família enlutada.

Fernando De Almeida:
Mais um que foi BOM HOMEM pela sua postura, pelo exemplo e por ter sempre uma palavra de carinho e encorajamento.Não somos "ricos" e a sua partida deixa-nos mais pobres. Ficara' sempre nas nossas memórias, tenhamos ou não, convicção religiosa.


terça-feira, 20 de maio de 2014

JOSÉ JUSTO


Amigos Guerreiros
O nosso Guedes contou-me que aquando da exibição no almoço do trabalho vídeo por ele compilado (que trabalhão!!) ao aparecer numa das imagens cá o "rapaz", houve uma manifestação de amizade da parte dos companheiros presentes.
Sem ser minha mãezinha, nunca ninguém me tinha batido palmas!!...esse vosso miminho vai-me dar p'ra um ano!!
Obrigado pelo gesto de grande amizade, que me enterneceu e que não mais esquecerei.
Parabéns aos editores que já postaram trabalhos no Blog.
É bom rever mais um ano as carinhas larocas de Tite.
Um forte, mas muito forte X-coração aos Camaradas de armas que estão a passar por momentos difíceis. Tudo irá passar, estou certo.
Aos que; pela lei da vida se libertaram, a minha lembrança.
Para todos felicidades mil..."estão cá dentro"
Abraços

Zé Justo

segunda-feira, 19 de maio de 2014

O Duque


No almoço das Caldas, o Cavaleiro prometeu ao Duque enviar uma foto que ele tinha, para o blog.
Ela aqui está.
Obrigado aos dois.

domingo, 18 de maio de 2014

O poema da Unidade, ao vivo



Este é mais um registo do Pica Sinos.

BART 1914 almoço nas Caldas da Rainha - em 17 de Maio de 2014.

Este é o video que foi apresentado no almoço anual de 2014, nas Caldas da Rainha e que irá ficar na coluna da esquerda, no nosso blog.
Para o veres clica na seta.

Serafim vai novamente ser operado


O nosso companheiro Victor Serafim, telefonou-me há pouco confirmando que não foi ao almoço porque se encontra pior da operação que lhe fizeram à próstata.
Algo correu bastante mal e terá que ser novamente operado.
Será amanhã no hospital Amadora-Sintra.
Cada vez mais existem casos destes, pois o Carlos Leite também foi vitima do mesmo sofrimento, embora agora esteja recuperado.
Para o Serafim os nossos votos para que tudo corra bem e que recupere depressa.
Um abraço amigo.

Almoço anual 2015 - Lamego


Já está adjudicado o almoço anual para 2015 - será em Lamego e o seu obreiro o Francisco Ferreira.
Fez um pequeno discurso nas Caldas, "avisando" os companheiros, familiares e amigos, de que os iria receber muito bem.
E nós sabemos que assim será, porque foi assim também em 1996, quando ele organizou o 7º. almoço anual do nosso Batalhão.
Boa sorte amigo.
Um abraço.
LG.

Bart 1914, Tite Centro MSG 1 - gravação com 46 anos




O Manuel Flores não pôde estar presente no almoço nas Caldas.
No entanto, para assinalar o evento, enviou-nos esta obra prima da comunicação audio, gravada em Tite ao vivo pelo Pica Sinos, no serviço de transmissões, em 1968, há 46 anos portanto.
É uma maravilha, que já em tempos tinha sido publicada no blog.
Obrigado Flores.


BART 1914 caldas 2014 - um video com fotos do pica sinos


para veres o video clica na SETA

Almoço nas Caldas - Um reparo do Marinho

               Grande Guedes, espero que a tua viagem depois do almoço tenha sido boa em primeiro lugar tenho a felicitar-te pelo bom repasto, mas o que conta é o convívio da malta toda isso é o principal, é o grau de camaradagem correu tudo bam julgo eu.

                  Um reparo que eu ouvi de muitos dos nossos colegas é que não houve uma recordação do almoço pois todos os almoços houve sempre um pequeno record, e este não teve, sabes que muitos dos nossos companheiros gostão de ter recordações que como ouvi dizer alguns que guardam tudo religiosamente o que levam dos almoços nem que seja uma rolha e neste nada houve.

               Um abração     bom fim de semana para ti e tua família


                                                                   Marinho

______________________ 
nota - Olá Marinho.
Agradeço o teu reparo. Na verdade não foi oferecida nenhuma rolha, mas algo muito mais significativo:
uma rosa às senhoras

e um crachat aos guerreiros, desenhado pelo nosso companheiro José Justo.
Ou tu não levaste o teu?
Se não tens um diz-me, que eu envio-te pelo correio.

A rosa, é certo, pode durar apenas uma ou duas semanas, agora o crachat podes guardá-lo o resto da vida...
Pode não ter sido o ideal, mas sabes que quanto mais valioso o brinde, maior é a despesa...
Abraços.
Leandro Guedes

Pessoas presentes no almoço anual das Caldas da Rainha


Houve desistências de ultima hora, mesmo assim estiveram presentes 104 adultos e algumas crianças:

Alexandre Leal
Alexandre Alves e esposa
Amadeu Contige e esposa
António Barbosa da Silva
António Monteiro Vilão e esposa
António Cavaleiro e esposa
António Salgueiro Costa e esposa
Artur Carreira Guimarães, filho e esposa
Augusto José Rebouta
Augusto Miguel Antunes
Carlos Alberto Martins Costa
Carlos Alberto Teixeira Marinho
Carlos Pires e esposa
Carlos Azevedo
Carlos Ramos e esposa
Carlos Leite e dois amigos
Clemente Jesus Cardadeiro e esposa
Daniel Silva Pinto e esposa
Domingos Monteiro e esposa
Eduardo Pintassilgo
Ernesto Bento Rosa e esposa
Fernando Andrade Clara e esposa
Fernando Botas
Francisco Costa Silva e esposa e mais um casal amigo
Francisco Ferreira (organizador do próximo almoço em Lamego)
Henrique Mário Guimarães
Hipólito Almeida e Sousa
José Conceição Rosa e esposa
Jorge Claro e esposa
Joaquim Agostinho Fernandes e amigo
Joaquim António de Almeida e esposa
Joaquim Barbosa de Oliveira e esposa
Joaquim Costa Henriques
Jorge Alexandre Gouveia
Jorge Manuel Carvalho Silva e esposa
José Alberto Arrabaça e esposa
José Batista da Mota e esposa
José da Silva Maia
José Eusébio Lopes
José Florindo da Silva e esposa
José Manuel Amaro Santos
José Manuel Paraiso Pinto e esposa
José Narciso Martins Costa, esposa e mais 2 casais amigos
José Pinho Costa
Leandro Guedes
Luis Manuel Silva Dias
Manuel Alberto Gonçalves, esposa e mais um casal
Manuel António Oliveira Pereira e esposa
Manuel Madeira Palma e esposa
Manuel Jorge Correia e esposa
Manuel Moreira Fazendeiro e esposa
Manuel Rodrigues Abreu
Manuel Sousa Duque e 2 filhos
Mário Rodrigues
Raul Pica Sinos e esposa
Raul Soares e esposa
Saul Nunes Mendes
Vitor Barros e esposa

Foi oferecida às Senhoras uma rosa vermelha e aos homens um crachat alusivo ao evento, trabalho artistico do José Justo.


O almoço nas Caldas

Conforme estava agendado, realizou-se ontem o nosso almoço anual.
A concentração fez-se no jardim do restaurante a Lareira e tudo correu como estava previsto, excepto as desistências de ultima hora.
Antes de se iniciar o almoço foi  respeitado um minuto de silencio em memória do nosso Capelão falecido na véspera e também pelos companheiros falecidos no ultimo ano - Gentil Lourenço e Nuno Jacinto.
Deu-se inicio ao almoço.
No fim do mesmo foram cantados OS PARABENS ao nosso amigo Victor Baros e à esposa do Contige, D. Ana Maria, que fizeram anos neste dia.
De salientar alguns companheiros que, embora menos bem, não quiseram deixar de comparecer - O Ramos, Arrabaça e Pintassilgo.
No fim do almoço o Costa declamou o POEMA DA UNIDADE, que continua sem autor confesso e foi exibido um filme/album com as fotografias possiveis de cada um, do tempo da Guiné.
No final estabeleceu-se a animada cavaqueira como é da praxe e depois cada um regressou às suas casas, sendo que alguns ainda ficaram mais um dia na Foz do Arelho, local paradisiaco para descansar.
Juntamos neste almoço amigos da CCS, da 1743, da 2314, dos Morteiros, das Daimler´s. Faltaram os dos Obuses, que continuamos sem saber deles.
Agradecemos a todos os companheiros que se esforçaram por estar presentes, às esposas que os acompanharam, aos amigos, aos filhos, a todos muito obrigado, principalmente aqueles que vieram de norte a sul, de longe, de muito longe, até de França.
Agradecemos também aos companheiros que não podendo estar presentes,  nos telefonaram durante o almoço e foram vários. Quem sabe para o ano virão.
Realço aqui o caso do Justo, sem menosprezo para os restantes, que espera em breve estar presente, logo que as maleitas da idade o deixem descansar mais um pouco.
Muito obrigado a todos.
Para o ano o almoço será em Lamego, organizado pelo Ferreira.
Lá estaremos!

O falecimento do nosso Capelão

Grande Guedes
Primeiro, espero que o almoço tenha corrido sobre rodas e a animação tenha sido grande.
Liguei-te, mas como tinhas o telélé a dormir, deixei msg, pedindo-te como organizador que transmitisses aos camaradas um abraço da minha parte.
Liguei também ao Pica, pedindo-lhe que te informasse do telefonema.
Falei com o Cavaleiro e houve tentativa para falar com mais amigos, mas o barulho era tanto e as chamadas acabaram por cair.
Amigo em anexo uma lembrança do nosso capelão, que como sempre, e se achares oportuno farás o que te aprouver.
Fiz este trabalho principalmente para o meu arquivo.
Abraços

Justo


Obrigado Justo.
Um abraço.

sábado, 17 de maio de 2014

ALMOÇO EM CALDAS - ALUM DE FOTOS



para veres o video clica na SETA

ALMOÇO EM CALDAS - VIDEO APRESENTADO

Almoço em Caldas - fotos do Pica Sinos


Almoço em Caldas - as fotos do CAVALEIRO


Almoço nas Caldas - fotos do Henrique Guimarães




Nunca Direi Adeus - homenagem a Sérgio Borges e conjunto João Paulo



Companheiros
É sempre lindo recordar este tema!!
Neste grupo estão as duas filhas do Sérgio Borges.

http://www.youtube.com/watch?v=w19Plc3JAOo&feature=player_embedded

Há mais atuações delas.
Bom almoço no Sábado e abrações para todos.

O Coral Inesperado - A.C.Camargo Cancer Center

ESTE EMAIL É MAIS PARA O MEU AMIGO E EX-COMABTENTE (OP. CRIPTO) JOSÉ JUSTO, CUJO INFORTÚNIO LHE BATEU Á PORTA HÁ UNS ANITOS ATRÁS.

Um coral formado por 12 pacientes laringectomizados, vítimas do cigarro, surpreendeu a plateia do auditório do MASP que aguardava uma apresentação do Coral da USP, um dos mais famosos da cidade de São Paulo.
Criada para o A.C. Camargo Cancer Center, a ação incluiu as canções “All You Need is Love” e “She Loves You”, dos Beatles, interpretadas pelos pacientes. O objetivo foi alertar as pessoas para o principal fator de risco do câncer de laringe, o tabagismo. Acompanhados por fonoaudiólogos da instituição paulista, os pacientes que compõem o Coral Sua Voz (a maioria acima dos 60 anos) fazem uso de voz esofágica, prótese, laringe eletrônica (vibrador), fala bucal ou articulação de sons.
Escute a voz desse coral. Não fume.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

ALMOÇO NAS CALDAS, no próximo sábado 17 DE MAIO

O Hipólito preparando as alfaces para o almoço...

Temos 106 inscritos, devidamente repartidos:
- 70 guerreiros
- 35 Senhoras
- 1 criança

Quem ainda não se inscreveu que se apresse, porque os lugares esgotam...

Entretanto fomos sabendo de companheiros, bastantes, que se encontram doentes e alguns deles à espera de serem operados, outros operados há pouco tempo, e que por isso não podem vir ao almoço. 
Para eles os nossos votos de boas melhoras.

Abraços.
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Não posso estar presente no almoço de dia 17. no entanto envio um abraço para todos.
João Apolinário Noné.
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Este ano não me é possível estar presente, já tinha outros compromissos, espero que tudo corra bem, dá um forte abraço a todos os colegas. Espero estar presente no próximo ano se Deus quiser
Alberto Camelo

Faleceu o nosso Capelão

Companheiros
Segundo noticia recebida há minutos, faleceu o nosso Capelão, Padre Luís Costa e Silva.
À família enviamos os nossos sentidos pêsames.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Conjunto académico JOÃO PAULO


Companheiros
Por feliz, por um lado e triste acaso descobri este side sobre Sérgio Borges, falecido em 17 Dez 2011 e o Conjunto Académico João Paulo, que talvez se lembrem estiveram em Tite.

Biografias e videos de Sérgio Borges e Conjunto Académico João Paulo


Está muito completo este trabalho e dá para pesquisa longa.
Além do Sérgio, também já faleceram o João Paulo e outro elemento.
O endereço deste blog passará a fazer parte dos nossos “blogs simpáticos”.
Abraços

José Justo

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Ex-combatentes sem abrigo - um artigo do alf. Moreira da CART 1690

Com a devida vénia ao jornal Badaladas, publicamos a seguir um artigo do alf. Moreira.
O alf. Moreira é presentemente advogado em Torres Vedras e foi comandante da CART 1690, pertencente ao nosso Batalhão, após a morte em combate do seu Capitão.
Tirou a especialidade juntamente com o alf. Vaz Alves.
Foca neste artigo, mais uma vez, o tema triste dos ex-combatentes sem abrigo e diz que esse numero é actualmente de 2.500 - era há um ano de cerca de 600.
Dá que pensar esta situação, principalmente quando há um só homem, que ganha "apenas" 170.000 € por mês de reforma.
Na verdade algo está mal, neste nosso Portugal...


sábado, 10 de maio de 2014

O nosso Capelão Padre Luis Costa e Silva


Segundo informação do Hipólito, o nosso Capelão Padre Luis Costa e Silva, encontra-se internado no hospital de Viana do Castelo em "estado de coma".
Para ele os nossos votos de melhoras.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Diário do Justo - Final

Estes textos foram publicados alternados por vários dias. Para ver o Diário completo, abrir em Etiquetas “TITE - Diário” e começar a leitura pelo último Post e não pelo primeiro devido à sequência decrescente de datas e numeração. 

Tite 02 de Março de 1968.........................2,40 da manhã, no Centro Cripto pág.6 de 7 Não sei bem como começar a descrever mais um infindável número de factos, já macabros pela própria forma como decorreram. Mais um daqueles costumados momentos maus. Não sou muito claro quando digo momentos maus, porque cada segundo que aqui passo nesta terra, não é senão um suplício tremendo. – Vou chamar-lhes antes, os piores momentos !! Comecei outro contar desenfreado até “22” no dia 2 de Março de 68...parece talvez anedota correr e contar, mais parece de maluquinhos, no entanto, podemos salvar a vida com este simples suceder mental e rápido de algarismos. Tem uma justificação prática e bastante útil este sistema. Logo que identifiquemos uma “saída” (estrondo característico das granadas ao serem disparadas por morteiros ou canhão sem recuo) começa-se a correr para o abrigo mais perto e simultaneamente a contar. Chegando a 20...22...é deitar de imediato no chão e aguardar o rebentamento da primeira granada. Foi exactamente o que fiz, perto das 20 horas, simplesmente, não me deitei no chão. Ao contrário, no desespero de me abrigar, continuei a minha louca correria ás escuras até ao abrigo das transmissões (O batalhão tinha um electricista de dia permanente aos dois enormes geradores eléctricos, e quando começava um ataque ao quartel, imediatamente apagava todas as luzes excepto as do perímetro de arame farpado para detecção de aproximações por parte do IN). Quando ouvimos o estrondo simultâneo de duas “saídas”, eu e tantos outros que de momento tinha-mos ido à cantina, partimos como loucos em direcção dos abrigos. Todos corriam, e em todas as direcções, no entanto. Não havia atropelos, a precipitação era grande, mas talvez o instinto de sobrevivência, levasse cada um pelo caminho mais curto e com o mínimo de obstáculos a retardarem a chegada ao refúgio, que parecia ficar distante milhas e milhas...isto mesmo com as luzes apagadas. Sabia ser melhor deitar-me no chão, junto a uma vala ou parede e aguardar que se desse o primeiro rebentamento. Inconscientemente não parei, nem sequer me deitei. Quando circundava o edifício das transmissões, uma explosão medonha mesmo na minha frente ensurdeceu-me e quase me cegou por breves segundos, ao mesmo tempo que via um clarão enorme na direcção da oficina de pintura, misturado tudo com um cheiro intensivo a pólvora e “cor-dite”. Apavorei-me, mas não parei. Sabia que não podia parar, e agora que estava tão perto do abrigo era só mais um esforço. Se conseguisse chegar depressa reduzia bastante a possibilidade de ser atingido pelos estilhaços. Foi titânico o meu esforço. Senti que tudo girava em meu redor e que enfim...tinha chegado a minha hora. Já no alto passeio do edifício das TMS e preparando-me para fazer a curva em direcção á entrada...sempre no escuro, calculei mal as dimensões da parede e ao curvar, bati estrondosamente de frente contra a parede !!?? Com o impacto cai e cheio de dores na cara e no braço esquerdo, lá consegui escapar-me e continuar a correr, percorrendo os poucos metros que faltavam, desta vez na direcção certa. Apesar de cheio de dores, a cara e braços esfolados, tão tranquilo me senti quando cheguei perto dos outros camaradas. As explosões de granadas dentro do quartel eram às centenas (num dos vários ataques, foram referenciados perto de 200 rebentamentos) Uns nus, outros em pijama das mais diversas formas, todos tinham chegado ao ponto final da sua louca correria, o abrigo salvador. O resto foi o que já nos habituamos a ouvir: As consecutivas “saídas” dos morteiros da nossa parte, correspondidas pelos rebentamentos de armas pesadas d’eles. O caos por fim terminou. Esporadicamente ainda se ouviam rebentamentos que no entanto não conseguia já identificar, como sendo fogo nosso ou deles. Apenas me limitei a saber o balanço final. Infelizmente mais uma vez eles conseguiram alguns trunfos. Sofremos dois mortos e vários feridos, alguns posteriormente evacuados para Bissau. Continuo na mesma eterna inconstância, sem saber como tornar os dias o mais suportáveis possível. Aguardo os acontecimentos, e tenho quase a certeza de que a próxima vez que voltar a abrir este “Diário” será para como de costume tentar passar para ele, tudo aquilo que me vai na alma, para assim, quem sabe...talvez, aliviar a carga imensa que carrego todos os dias, e que cada mês que passa mais faz doer. Dois anos...24 meses...8760 dias...210.240 horas...neste inferno...neste maldito clima...nestes sobressaltos permanentes...neste arriscar a vida diário...com esta comida de merda, que por vezes nem a porcos se daria...é uma violência, uma desumanidade. Para ter uma mãe Pátria que a isto me obriga e assim me trata e destrói...antes queria ser órfão !! Nunca mais seremos os mesmos, findos estes malditos anos...
16 de Julho de 1968...................3 horas da manhã, no Centro Cripto pág. 7 de 7 Ataque !!...Ataque !!...Ataque !! Só esta medonha palavra tem de momento significado. É ela que me vai corroendo a mente e o corpo...me faz definhar e morrer um pouco a cada dia que passa. Não sei até que ponto posso chegar. Até que altura continuo a suportar toda esta merda de vida, de incertezas de medos...cada vez como e durmo menos...cada vez bebo mais... Se não fosse a responsabilidade do serviço, e ter que manter para o mesmo a cabeça e os sentidos sempre alerta, apanhava uma bebedeira que durasse toda a comissão...porra estou farto desta merda toda...sinto os miolos a fritarem cada vez mais... A continuação é impossível...penso já não mais conseguir transcrever o que sinto e me vai corroendo a alma....TERMINEI !! Talvez um dia volte a abrir estas páginas.......ainda me faltam nove ou dez meses desta agonia lenta, uma eternidade de tempo...nunca mais vejo a minha querida Lisboa. É desumano na Guiné, obrigar a comissões de dois anos nestes teatros de guerra e clima...todos os dias morremos um pouco !! Quantas vezes já me arrependi de não ter tentado “fugir a salto” para as Franças, e ver-me longe destas misérias. Que saudades de sentir outros odores, embora não mais vá esquecer estes...outras cores...aquelas fabulosas e lindas mulheres de mini-saia (abençoada Mary Quant), que tanto embelezam a minha Lisboa. Sim eu tenho uma terra minha...não é nestes tons, nem com estes odores. As pessoas não são desta cor...Não se vestem nem falam assim...Não se alimentam nem enterram os seus mortos assim...Não se olham como aqui...Não bebem, o que bebem aqui...não comem com as mãos... Não nos sentimos estranhos, como aqui...Não se manifestam, como aqui...Não moram em casas como as daqui...Comem legumes e frutas e carne com tamanhos normais, não como aqui, onde tudo é pequeno e raquítico...Não veneram o Deus d’aqui...nem andam cheios de mezinhas e “roncos”...Não andam permanentemente com o terror de não terem amanhã... Não andam sempre de chinelos...Não cheiram como aqui...Falamos todos a mesma língua, com várias nuances que só a embelezam...Somos uma só raça, não como aqui...Posso amar muitas vezes, com quem, quando e onde me apetecer, aqui não... Não queremos correr com os vizinhos, como nos querem correr daqui...Podemos acreditar que quando nos sorriem, é mesmo por satisfação e não por obrigação ou medo...Não alimentamos e apoiamos por grandes e egoístas interesses comercias, inconfessáveis e sorrateiramente, quem vai decerto matar um seu irmão amanhã, irmão esse, que ali está a milhares de quilómetros de casa, longe dos seus, passando privações, para o defender a ele e aos seus interesses... Não tenho, quando o sol entra no ocaso, ter de me enfiar em buracos debaixo de terra para me proteger de bombas...Não tenho que andar meio grogue com cerveja e ir alta madrugada para a cama, para não pensar nos medos em que vivo, como aqui...Não tenho que ver morrer a juventude da minha terra, e quase nenhum sentimento já me abalar...Não tenho que fazer continência a um soldado – privilégio e direito último, que a morte lhe concedeu - por jazer num carrão militar, que sai do quartel com destino ao porto do Enxudé, como aqui... Não tenho que receber ordens, sem ser de quem para isso me pagar, como aqui...Aturar alguma gente desinteressante e básica, como aqui...Andar fardado, como aqui... Ter que fazer continências, que dizem ser um cumprimento, mas eu só cumprimento quem quero e de quem gosto, não como aqui...Não tenho que ver homens de vinte anos a comer mal, morrer, ficar em pedaços e meio loucos todos os dias, como aqui...Andar, correr e saltar sem estar rodeado de arame farpado...Dormir aos tropeções sem uma arma à cabeceira e granadas debaixo da cama...PORRA na minha Lisboa não é nada como aqui... Que estou eu aqui a fazer com uma arma na mão ??!! Na minha terra ninguém me obriga a lá estar...vivo nela e amo-a porque quero...porque gosto de tudo que ela contém e representa...porque me proporciona montanhas de prazeres e força de viver...mesmo do mau, por vezes também gosto !!
Até um dia....se voltar a haver um dia.... José Justo
Op. Cripto Tite – Guiné 1967-69

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Diário do Justo - continuação 3

Nota: Estes textos serão publicados alternados por vários dias. Para ver o Diário completo, abrir em Etiquetas “TITE - Diário” e começar a leitura pelo último Post e não pelo primeiro devido à sequência decrescente de datas e numeração. Tite 05 de Abril de 1968................3 da manhã no Centro Cripto pág 5 de 7 


Tanto se passou desde a última vez que me dediquei a fazer mais um pouco de simples prosa no meu “Diário”. Muitas novidades, muitos feridos e mortos, muitos costumados pesadelos... Não posso deixar de recordar a madrugada do dia 3 de Fevereiro de 68. Foi o dia fatídico de Bissassema. O dia em que mais ainda me fez sofrer... Já muito vi n’um ano de Guiné já vi a morte algumas vezes marcar presença a poucos metros, mas nunca tive tão apavorado como daquela vez. Volto em pensamento à noite de 2 de Fevereiro... Estava no posto de rádio a jogar o meu pseudo Ping-Pong (bola contra a parede do posto de rádio) que normalmente me retinha por uns momentos ocupado, quando o furriel Cavaleiro entrou bastante excitado ??!! Disse-me. – Justo, está quieto com isso, pois ouvem-se fortes rebentamentos na direcção de Bissassema e é provável que seja ataque à nossa malta de lá. Saí, e de facto comprovei os medonhos rebentamentos, trazidos por vento favorável. Tanta vez tinha-mos ouvido esta “música” que já não era de maneira nenhuma uma novidade, mas dessa vez causaram-me forte impressão, pela enorme quantidade e por ouvirem-se com uma nitidez impressionante, o que não era natural, mesmo com vento favorável, pois Bissassema ficava a mais de 15 kms. Logo o pressentimento de que algo de anormal se passaria, me assaltou, recordo que me senti bastante estranho, facto que me admirou por ser tão forte. Não parecia uma simples flagelação, mas mais um fortíssimo ataque. Uma longa hora durou o pandemónio a que assistimos sem qualquer notícia, ou comunicação via rádio que nos fosse benéfica. O contacto via rádio era praticamente impossível, pois os DH5 só eram ouvidos durante o dia e à noite deixavam completamente de se ouvir. Depois de findos os tramites normais em casos de ataque (tentativa de reforço, comunicação por mensagem Zulu (grau máximo de prioridade via rádio) para Bissau, tentei finalmente dormir. Não consegui com facilidade conciliar o sono, embora me sentisse exausto. Pensei em coisas horrorosas o que contribuiu para mais dificilmente ainda conseguir a tranquilidade mínima para conciliar o sono Hora e meia, tinha durado apenas o meu sono. Acordei com o barulho provocado pela entrada de roldão do alferes Carvalho pelo nosso quarto dentro, n’uma excitação que na altura não compreendi. Falava, ou melhor , gritava ordens, pragas e gesticulava imenso. Poucos minutos bastaram para me aperceber do que se passava. ...Bissassema tinha sido tomada e ocupada pelas tropas do PAIGC, e a s nossas forças retiraram desordenadamente em consequência de numeroso grupo do IN, que tinha atacado com uma força e efectivos enormes. Tinha-mos sido avisados pelo Gomes Furriel de TMS, que tinha ido bem como o Contino Op. Cripto e o Capitulo Rádio-Telefonista, formar a secção de TMS e Cripto no destacamento para contacto com o nosso Batalhão. Dar um exemplo do aspecto do Gomes é dificil. Branco, mortalmente branco, tremendo e mal conseguindo articular as palavras que lhe saiam inaudíveis, conseguiu por alto relatar alguns pormenores do que foi uma das piores derrotas militares sofridas pelas nossas forças. Pelas primeiras impressões, temia-se que tanto o Contino como o Capitulo tivessem caído nas mãos dos “turras”. Mais tarde tivemos a confirmação, quando de manhã começaram a chegar os que tinham conseguido iludir a vigilância dos guerrilheiros e puderam regressar a Tite. Chegaram fugidos ao Enxudé, vindos da vários caminhos, pois poucos conheciam o caminho exacto, tendo também que evitar caminhar em direcção que lhes fosse desfavorável por levar a acampamentos do IN. O que vi quando ao procurar noticias de tudo e todos os camaradas, será uma imagem que nunca mais esquecerei. Rostos que tinha visto sorrir, estavam marcados pelos vincos profundos da dor, do desespero e desanimo. As lágrimas que lhes vi na face, os olhos vermelhos e inchados, cobertos de lama e na maioria descalços e rotos, parecendo figuras de filmes de terror, com forças apenas para agarrarem desesperadamente a G3, a sua própria e única salvação para manter a vida, quando em redor somente a morte. Para mais esses, que vi entrarem à porta de armas do quartel de Tite, na manhã de 3 de Fevereiro de 1968 vão as lágrimas que não derramei, mas que verdadeiramente senti... “3 Fev 68 – Ataque Bissassema Resultado da operação feita na véspera em que fizeram parte CCAÇ 2314; CART 1743, Pelotão Sapadores da CCS e 3 pelotões de milícia nativa.
Em consequência do forte ataque o IN ocupou Bissassema, caindo prisioneiros o Contino, Capitulo e Alferes Rosa. Na retirada desapareceram o Furriel Cardoso e um Sargento da milícia de Tite. Mais tarde o Sargento foi encontrado morto no Rio Geba. O cadáver foi recuperado sendo impossível o mesmo no que respeita ao Furriel Sousa do Pelotão de Morteiros. Foram ouvidos na rádio Konacry (rádio oficial e de propaganda do PAIGC, situada na República da Guiné) o Contino, bem como o Alferes Rosa e o Capitulo. Em vários ataques posteriores à reocupação de Bissassema pelas nossas tropas, foram mortos 22 guerrilheiros e apanhado diverso material de guerra. Um ferido IN veio para Tite, tendo morrido dias depois em virtude dos ferimentos”. Zé Justo fotos Google

terça-feira, 6 de maio de 2014

O dia da Mãe, pelo Justo - com arte, como é seu costume!


Com três letrinha apenas, se escreve a palavra Mãe, que embora sendo pequena, é a maior que o mundo tem!

Obrigado companheiro!.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Diário do Justo - continuação 2

Nota: Estes textos serão publicados alternados por vários dias. Para ver o Diário completo, abrir em Etiquetas “TITE - Diário” e começar a leitura pelo último Post e não pelo primeiro devido à sequência decrescente de datas e numeração. Tite 25 de Novembro de 1967...................3,10 da manhã no Centro Cripto pág. 3 de 7


Nada de especial consumou mais um dia sem acontecimentos relevantes (felizmente, por um lado), mais um dia sem história e mais um dia a pensar se “virão hoje à noite ?”. Não sejam pequenos nadas a proporcionarem raros momentos de boa disposição e não seria tão menos penoso a descida que termina quando também terminar o monótono desfiar de recordações e mágoas, mas com o doce cenário de um outro local, outras gentes e outro bulício, que não sejam estes. Às vezes vejo toda a beleza desta terra, do habitat que me rodeia com agradável prazer, esquecendo o quanto também a odeio, mas fico estarrecido perante tanta beleza natural e principalmente o cheiro intenso, doce, único, desta terra vermelhão. Tantos momentos já me senti num extase completo e magnifico ao estar longos períodos a contemplar o panorama tão belo de um por de Sol, de uma árvore mais exótica, de um pequenito nativo chapinhando na água turva, enlameada da Bolanha, na naturalidade com que a mãe dá o seio grande , negro e belo à criança que parece nunca estar saciada, ao silêncio imenso das enormes extensões de Bolanhas, salpicadas com algumas árvores isoladas, como que envergonhadas de si próprias e da sua solidão, dos maravilhosos pássaros de cores celestiais. Nunca imaginei tanta poesia, nem quadros tão belos que perante os meus olhos desfilam, fazendo esquecer o verdadeiro sentido de estar ali...a guerra... Se conseguir sair daqui inteiro, se esta maldita guerra terminar a contento dos dois lados, tenho que cá voltar daqui a uns anos, como civil, para então sim, me embriagar de toda esta beleza africana. Encher bem os pulmões destes doces odores. No entanto são tão poucos esses momentos e cada vez menos costumados, que sinto fugir-me aquele tão grande amor pelo que é belo e vale a pena admirar. Sou por vezes um romântico... Sei que nunca me chamariam de tal, porque sei nunca ter dado a adivinhar a alguém um sentimento que teimo em esconder. Não que o esconda por vergonha ou medos, mas apenas porque só o vejo na realidade realizado dentro de mi próprio. Fechado na caixa de ouro em que nasceu e que forçosamente morrerá... Mesmo n’uma constante luta, penso que só momentos como estes me podem tirar o peso também constante de uma vida atormentada e de medos, apenas constituída por sobressaltos e um terror de terminar antes de começar. Este continuar a poder abrir a caixa, sempre que quiser, para somente a fechar quando sentir ter conseguido mais um lenitivo para as horas, minutos e segundos em que sinto o fel amargo do desanimo de mi se apoderar... Que a vida continue mais um pouco, para me mentalizar para a morte !!! Tite 13 de Janeiro de 1968..................3 horas da manhã, no C. Cripto pág. 4 de 7 São 3 horas da manhã. Mais um período de serviço está prestes a terminar. Como a maior parte das vezes, foi um dia movimentado no tráfego das “secretas”. Infelizmente será um dia memorável no mau sentido para tantos, o que para mi não passou de mais um. Mais um a juntar a tantos sempre tão iguais desta maldita guerra. Empada e o destacamento de Gubia, foram atacados simultaneamente. Quase já me habituei a saber estas desgraças. Penso o que terá sido a vida dos outros, dos que hoje deram decerto o máximo deles próprios para poderem garantir a integridade de si e também dos companheiros. Gubia tem tido azar ! Três dias seguidos de ataques. Não podem ter um pouco de sossego. Para eles vai a minha grande admiração. Aqui também sabemos o que isso é ! aliás, toda a Guiné sabe o que isso é !!... Espero o dia em que também voltemos a viver o tempo incontável que demora esse cáus. Sinto que não falta muito para de novo reviver momentos como os de 19 de Julho, 6 Novembro e tantos outros, que já vou esquecendo as datas. Esperemos... Zé Justo fotos Google

domingo, 4 de maio de 2014

A nossa homenagem a todas as Mães...


 "Quanto é doce quanto é bom

No mundo encontrar alguém

 Que nos junte contra o peito

 E a quem nós chamemos mãe

 

Vai-se a tristeza o desgosto

 Põe-se a um ponto na tormenta

 Quando a mãe nos dá um beijo

 Quando a mãe nos acalenta
 

 E embora seja ladrão

 Aquele que tenha mãe

 Lá tem no meio da luta

 Ternos afagos de alguém

 
José Afonso"






 

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sábado, 3 de maio de 2014

Diário do Justo - continuação 1

Nota: Estes textos serão publicados alternados por vários dias. Para ver o Diário completo, abrir em Etiquetas “TITE - Diário” e começar a leitura pelo último Post e não pelo primeiro devido à sequência decrescente de datas e numeração. Tite 12 Novembro 1967 ..................2 da manhã no quarto e Centro Cripto pág. 2 de 7 

Não recordo quando teria sido a última vez que peguei neste “Diário”, contudo não vejo também qual o valor que possa ter, fixar uma data, que por si só não tem o interesse que tantas outras ao contrário possuem. Recordo vagamente que temia o que na realidade aconteceu. Mais uma vez...momentos tão desesperantes... Tudo começou como quase sempre. Era dia 1 de Novembro, dia dos anos da mãe Lena e tantas vezes dela me lembrei, que se foram tornando um bálsamo esses mesmos momentos. Todos esperava-mos que durante o período de fins de Outubro e meados de Novembro, acontecesse qualquer coisa que pudesse ser adicionado a tantas outras congéneres. Fomos avisados na madrugada deste dia que os “turras” (designação na gíria militar em referência aos guerrilheiros, a nós eles, chamavam-nos TUGAS) se encontravam em Tite de Baixo e Tite Mancanha, em dois “bigrupos” (equivalente ao nosso Grupo de Combate) preparados e equipados com artilharia pesada de Infantaria, para atacar naquela noite o quartel de Tite. O informador referiu também que o PAIGC, na véspera tinha arrebanhado nas tabancas próximas, várias dezenas de nativos, que como era hábito, serviriam de carregadores de munições e armas pesadas para a realização do ataque. Com a rapidez costumada nestes momentos, logo se preparou a defesa. Assim que soube a notícia, fui para junto da Arrecadação de Material de Guerra, aproveitando a ocasião para ajudar o Palma a abrir cunhetes de munições e preparar algumas metralhadoras extras, granadas de morteiro etc. para logo que necessário entrarem em acção. Tudo estava preparado. Todos a postos. Reforço dos postos avançados com mais pessoal e munições, as duas Auto-metralhadoras Daimler a postos junto à porta de armas para pronta saída, os não operacionais directos abrigados nos respectivos abrigos, luzes desnecessárias apagadas e o mortal silêncio dos momentos de grande expectativa. O tempo foi decorrendo com uma lentidão mortal, tornando a espera num crescendo enervante, mais do que nunca era penosa a espera, e a cabeça estava num turbilhão. Sentia um medo enorme, e fumava sem parar. Estava de serviço e não sai do Centro Cripto, pois embora ligeiramente protegido com sacos de areia por cima do tecto, tinha-mos uma mesa de trabalho enorme e super grossa de madeira de Bissilon muito rija que dava alguma protecção. Sei que durante momentos, algo indescritível, um nervoso miudinho, me impedia de raciocinar direito. O arrastar penoso do tempo era uma tortura difícil demais de suportar. Reflectia-se em todos uma falta de animo, neles próprios e nos outros, que contribuía para o desanimo geral e falta e confiança mutua. Tanto tempo passou !! Nada se ouvia que nos pode-se dar uma ideia de como, quando e vindo de que direcção, seria o ataque. Nada que desse azo a que cada um desse largas ao ódio contido dentro de si próprio. Mais uma vez o reacender do instinto animal da lei da guerra “matar para não ser morto”... Nada que fizesse as culatras levarem a ração de morte que a cada um cabia, pela implacável mão drástica do destino sempre incansável quando semeia a morte. Tudo continuava quase normal... Mas foi passando o tempo...nada...nada...nada... Óh! Que horrível ansiedade. Porque nada acontecia ? porque não começavam tudo aquilo para que tinham vindo, porque não concretizavam todos os seus intentos ? porque não COMEÇAVAM COM AQUELA MERDA, PORRA ? Que estavam a tramar para ainda não terem começado com os momentos de pavor ? Já passava das duas horas da manhã, quando ouvimos duas longas rajadas de metralhadora que passaram por cima do quartel, da PPSH (a costureirinha) provavelmente. Devia mesmo ser a “costureirinha” pois era a única arma automática do PAIGC que operava com carregadores circulares de 75 munições, daí as longas rajadas. Começou então um verdadeiro pandemónio, que de antemão tanto temia...começou o inferno, a destruição e morte... A nossa reacção foi imediata e no ar ficou a pairar o fumo, o fogo de morteiros, o matraquear de armas ligeiras, como que um convite a morrer. Uma gentileza gratuita; Morrer para deixar de sofrer, quase vale a pena !!! Contando os longos momentos pelo matraquear convulsivo e macabro das nossas metralhadoras, o estrondo de saídas dos nossos morteiros, comecei a contar as contas do meu rosário pagão, das minhas recordações, e mais uma vez nessa noite me lembrei de minha mãe. Vi nitidamente a sua imagem esfumada à minha frente por segundos !! Fazia hoje anos, mais um aniversário na minha querida mãe que tanto adorava, e que tanto me protegeu, apoiou e escondeu de meu querido, mas tão ríspido Pai. Parece ironia, mas o presente de anos foi para mi. Sei apenas que nunca da minha memória será esquecido o dia 1 de Novembro de 1967. Os ataques perpetrados pelo PAIGC ao quartel eram efectuados com método e muito bem planeados. O maior perigo para as NT eram os primeiros rebentamentos dentro do quartel, pois invariavelmente atingiam sempre zonas vitais. O porquê, era simples. Os ataques do PAIGC só se efectuavam já noite, para que a nossa força aérea não perseguisse os guerrilheiros na sua fuga pós ataque para as bases instaladas a quilómetros do local. O quartel era naturalmente super visível à noite a uma grande distância, e toda a iluminação exterior do arame farpado demarcava em pormenor o perímetro do mesmo. Com os ataques feitos na base de morteiros e canhões sem recuo, armas pesadas de Infantaria, tinha o IN todo o tempo do mundo para se instalar a alguns quilómetros de distância, nas posições operacionais mais convenientes. As luzes, bem como mapas desenhados do quartel ??!! permitia-lhes referenciar e regular os aparelhos de pontaria com a máxima precisão. Com a sucessão do disparo de dezenas, por vezes centenas de granadas, com os recuos naturais, as armas iam alterando as cotas de tiro, e as granadas caiam mais deslocadas dos centros nevrálgicos, fazendo no entanto sempre bastantes estragos. O mapa do quartel de Tite capturado, entre outros documentos, a um guerrilheiro morto, fora decerto fornecido pela irmã de um comerciante nativo, que se soube, mais tarde, ser informadora do PAIGC e passar a vida a espiar as NT. É curioso como nos momentos maus e verdadeiro sofrimento, o pensamento nos foge, procurando a imagem bela da pessoa que mais amamos. É sempre a imagem da mãe quem avidamente procuramos e é pensando nela que muitas vezes os olhos de fecham para não mais se abrirem...é a última vontade, o último agarrão à vida que se esfuma, o último consolo para quem pouco pedia e até a própria vida deu, sem o querer e sem saber muito bem para quê... Tudo findou...tudo findou como se nada na realidade se passasse. Não houve feridos nem mortos desta vez. Não os houve felizmente para todos. Eles não fizeram um ataque formal como de costume. Tudo o que temia-mos, desta vez não foi avante. O que fizeram, comparado com o que era hábito, foi mais uma vez um simples espicaçar dos nossos nervos. Volta e meia, e mesmo durante o dia ouviam-se rajadas por cima do quartel em tom de desafio, e para provocar a instabilidade nas NT. Logicamente todo o pessoal desatava numa correria para abrigos e postos de combate. Sempre para nos darem cabo da cabeça...eles sabiam ser eficaz esta guerra psicológica... Por sorte e feliz acaso, não tivemos ocasião de ver repetir-se o espectáculo a que já nos acostumamos, mas que de cada vez se torna sempre mais desencorajante.
Quando nos avisaram do iminente ataque, o nativo, elemento da população, foi instruído para nos levar a cair numa emboscada já preparada. Por isso mesmo, e esperando a nossa saída do quartel para montar-mos emboscadas, tinham já eles colocado minas e armadilhas com granadas na estrada de acesso a Tite de Baixo e Tite Mancanha. Com um pavor medonho imagino a carnificina que seria. E por mi vi passar o dia em que na estrada de Nova Sintra rebentou uma mina. Revejo a correria dos “jipões” com os feridos, uns para a enfermaria, outros para a pista onde os helicópteros Alouette III os viriam evacuar. O seu destino era o fatídico hospital Militar de Bissau, e nos casos ainda de maior gravidade, a evacuação para o Hospital Central de Lisboa, o que para os sobreviventes era quase preferível, e uma sorte, para não suportarem uma guerra tão longa e arrasante. Destes hospitais por onde milhares de militares passaram e de onde tantos já saíram, mas não para continuarem o laborioso dia-dia que lhes é imposto, que lhes é obrigatório cumprirem. (Sabia-se que dentro da eterna política do esconder e camuflar a Guerra do Ultramar, foram dadas instruções rigorosas para que os feridos graves evacuados para a Metrópole, só fossem desembarcados no Aeroporto de Lisboa e enviados para o Hospital Militar da Estrela, de noite, muito discretamente, e no máximo secretismo) Sei que tudo o que mais temo não ficará por aqui. Sei também que tudo o que é francamente mau, tem tendências predominantes e que inevitavelmente se impõe sempre. Que posso fazer ? Estará na minha mão, sozinho regenerar o Mundo ? Não o creio, porque é impossível... Até ao próximo escrito, que não sei quando será, ou se o conseguirei fazer. Zé Justo
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Grande Guedes
...e eis senão quando....vejo prantado no blog o meu diário??!!
Agradável surpresa amigo.
Parece que foi ontem que compilei este trabalho, e já lá vão 5 anos!!!
O tempo passa que é uma pressa.
Ao reler hoje, tenho forçosamente que me remeter em pensamentos aquela época e como me sentia ao escrever estas linhas no diário, por acaso bem giro, que comprei na cantina lá em Tite.
Já disse e escrevi muita vez, como aqueles dois anos me deram cabo da cabeça, e acredita que passando os olhos por estas linhas, consigo reviver o estado de espirito da altura.
Amigo, obrigado pela surpresa e um abração.
Espero que tudo esteja nos conformes com o teu filho lá por terras de África.
Bom fim semana.

Justo

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