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Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma! (Patoleia Mendes, furriel milº Angola ).

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"Ó gentes do meu Batalhão /

Agora é que eu percebi /

Esta amizade que sinto /

Foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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"NINGUÉM DESCE VIVO DUMA CRUZ!..."

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra colonial


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EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

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domingo, 10 de novembro de 2013

Alferes Rosa da CART 1743 - um dos camaradas feito prisioneiro em Bissássema!



Caros Companheiros
Mais um ano se passou sobre o desastre de Bissassema, que como sabem ocorreu na madrugada de 3 de Fevereiro de 1968.
Dirão alguns, para quê estar a reviver tudo o que se passou.?
É verdade, mas também é verdade que não podemos deixar de lembrar aqueles companheiros que heroicamente morreram nessa noite ou foram feitos prisioneiros, comendo o pão que o diabo amassou.
Não querendo alongar-me e tendo como unica intenção não deixar passar em claro tão triste data, vou transcrever aqui a "Introdução" ao livro "Memórias de um Prisioneiro de Guerra", escrito pelo Alferes António Júlio Rosa, da CART 1743, que aconselho vivamente a lerem, os que ainda não o fizeram, edição do "Campo das Letras":

"INTRODUÇÃO
Os motivos que me levaram a escrever este livro foram, acima de tudo, transmitir as experiências e os factos vividos durante a minha juventude e, em particular, o sofrimento duma guerra colonial de má memória.
Foram momentos notóriamente dificeis que, muitas vezes, revivo quando encontro velhos amigos, ou me encontro só, ou mesmo antes de adormecer.  
Não afirmo que, ao escrever este livro, esteja a recordar alguma faceta ambicionada da minha vida, já que foram quatro anos dum viver acabrunhado pelo desespero de não mais ser lembrado por quem me levara a uma guerra que nunca desejei. É um livro que escrevo a partir do que a memória guardou para dá-lo a conhecer aos meus contemporâneos e vindouros.
Esta decisão não me foi fácil de tomar. Várias vezes ponderei, pois sei que, ao concretizá-la, reviverei momentos muito dramáticos. Todavia, estou decidido a "carregar" as minhas memórias indo assim ao encontro dos anseios de muitos familiares e amigos.
Os factos que vou apresentar reportam-se ao período compreendido entre Janeiro de 1967 e o final de Dezembro de 1970. São relatos baseados na memória, mas tentarei ser o mais preciso possivel.
Em Memórias de um Prisioneiro de Guerra quero, sobretudo, transmitir à juventude o modo de pensar e sentir dum jovem de vinte anos, que após concluir o curso liceal se viu obrigado a cumprir o serviço militar, para poder encontrar um trabalho digno e uma vida futura minimamente estável.
Aconteceu imensas vezes, desde essa época até ao tempo presente, encontrar familiares e amigos a pedirem-me para contar como tudo aconteceu. Só ficaram a saber alguns pormenores e, por vezes, nem acreditavam em mim quando lhes afirmava que isso levaria muito tempo a narrar. Se, por acaso, lerem este livro, chegarão à conclusão que eu tinha razão, pois, como poderão verificar, há imensas atribulações dessa época para relatar.
Ao escrever, o meu estado de espirito foi passando pelas diferentes situações anteriormente vividas: angústias, tristeza, nervosismo, incerteza, rancor, medo e alegria por ter sobrevivido e cumprido, dignamente, a minha função de cidadão!...

António Júlio Rosa"



Desaparecido em combate nesta noite:

- Furriel Mil. Manuel Nunes Reis Cardoso - Pelot. Morteiros 1208

- Soldado Milicia Manga Colubali, da CMIL 7


Capturados pelo IN, nesta noite, todos da CART 1743:
- Alferes Mil. António Júlio Rosa
- 1º. Cabo Geraldino Marques Contino
- Soldado Victor Manuel Jesus Capítulo
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Caros amigos e visitantes
Continuamos a publicar textos anteriormente editados neste blog, alusivos ao triste desastre de Bissassema, desta vez com um texto escrito por um dos prisioneiros dessa noite -o Alferes Rosa, da CART 1743.
LG.

1 comentário:

José Justo disse...

Ainda hoje recordo estes dias de tanta tristeza para todos nós no batalhão.
Há uma foto em que estamos vários sentados à porta do Centro Cripto, sempre na esperança de aparecer mais um camarada fugido do inferno de Bissassema.
Nunca esquecerei as palavras de um deles, totalmente coberto de tarrafo, olhos vermelhos, a chorar e a repetir tantas vezes -Ninguém nos acode...ninguém nos acode!!!...