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Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma! (Patoleia Mendes ).

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"Ó gentes do meu Batalhão /

Agora é que eu percebi /

Esta amizade que sinto /

Foi de vós que a recebi…"

(José Justo)


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EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

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sexta-feira, 6 de abril de 2012

Páscoa - pelo Justo

 Amigo Guedes
Acabei de ler e reler o texto Pascal do nosso Pica Sinos, no Blog.
Claro que comentar já não vale a pena, pois tudo que sai daquelas mãozinhas por tão bem narrado, é certo e sabido que nos leva para tempos passados e recordar faz bem à alma...
O tema lembrou-me uma prosa que fiz em tempos, sobre a Páscoa e que rebuscando lá o fui encontrar.
Não terá uma visão muito religiosa do tema, mas no entanto passou-se nos tenros anos da minha meninice.
É uma mera curiosidade!!
Justo
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Incidente na Via Sacra
A Igreja do Sacramento, sita na Calçada do mesmo nome, que vai do Largo do Carmo à Rua Garrett, esteve bastante ligada à minha família, e bastante presente na minha memória.
Nela casaram meus pais; fomos nós batizados, fizemos todas as Comunhões o Crisma etc.etc.
Eu e meu irmão desde muito novos fomos ?compelidos? a uma forte educação Católica.
Minha avó materna, cedo enviuvou, e a igreja tornou-se para ela o refúgio espiritual, quotidiano, pois não era senhora de amizades fáceis.
Claro que nós por imposição, além de frequentarmos a Catequese Dominical pós missa, também por vezes lá tínhamos que marcar presenças nos terços, Te Deum e ?principalmente? a Via Sacra por alturas da Páscoa.
Friso a palavra ?principalmente? porque de todas as celebrações religiosas, a Via Sacra era para nós miúdos de sete/oito anos, francamente a mais penosa. ?Uma seca? no vernáculo atual !!
?O QUE É A VIA SACRA?
A Via Sacra é uma oração que tem como objectivo meditar na paixão, morte e ressurreição de Cristo. É o reviver dos últimos momentos da sua vida na Terra. São 15 estações, que nos ajudam a percorrer um caminho espiritual e a compreender melhor a pessoa de Jesus e o amor que teve por nós ao ponto de se deixar matar, sofrendo muito, para que todos nós aprendêssemos o que é verdadeiramente amar.?(...)  in Wikipédia
O longo e arrastado ritual consistia em dar a volta à igreja, fazendo 15 paragens nos respectivos altares, cada um deles com sua representação própria sobre o martírio de Jesus até ao Calvário e sua crucificação.
Eu e meu irmão vestia-mos umas opas vermelhas (capas sem mangas) e eram-nos dadas duas tochas de culto, e integrávamos o cortejo sempre com o carrancudo Padre Carvalho, Pároco do Sacramento, chefiando as hostes !!.
O Padre Carvalho, era pessoa já de alguma idade, e para nós, não primava pela simpatia, e muito menos pela paciência com a miudagem que ao Domingo, antes da catequese fazia uma xinfrineira nos claustros da Igreja.
Era bastante ríspido, tinha um semblante carregado, e sempre uma maneira de olhar que gelava os ossos !!
As tochas de culto, teriam cerca de 1,30 m de altura, e um diâmetro de 5 cm e consistiam num longo corpo de madeira, cuja ponta em parte oca, ocultava uma grande mola que pressionava uma vela contra um rebordo metálico e que estava acesa durante toda a Via Sacra.
Quando nos ajoelhava-mos, e o padre lia os extensos textos bíblicos alusivos, acompanhado com cânticos pelas costumadas senhoras.
Para compensar o enfado, o nosso entretenimento, era com as unhas ir arrancando os bocados de cera quente e mole que iam escorrendo da vela, e fazia-mos pequenas bolas que sorrateiramente mandava-os para o meio do chão para se agarrarem os sapatos dos fiéis.
Admito hoje que ?não se faz? mas a pouca idade e o fastio de estar ali ?preso? aguçavam o pendão da maldade !!!
Certa vez, estava eu no ?escarafunchanço? da cera mole, quando de repente, salta a cabeça metálica, de dentro da tocha e uma enorme mola, fica balançando freneticamente de uma lado para o outro com a vela acesa na ponta lançando cera quente para cima das pessoas em redor.
A minha atrapalhação era enorme...tremia todo e tentava desesperado agarrar a mola e metê-la no sítio, mas não conseguia.
A minha figura devia ser única, eu muito corado, de joelhos, aflito para tentar compor a situação...os pingos de cera queimando-me as mãos...meu irmão ria...minha avó se tivesse um buraco no chão, decerto que nele se enfiava...o Padre Carvalho, devorava-me com aquele olhar de fogo...a confusão era geral, tendo sido o sacristão que abrupta e finalmente me tirou a tocha das mãos e lá a levou para a Sacristia.
Como complemento, este Sacristão, era também uma figura sinistra para a miudagem.
Só recordo o choro de minha avó, referindo a humilhação por que tinha passado !! quando já no caminho para casa, e a promessa de queixas aos meus pais, com o complemento punitivo assegurado.
Não lembro se na realidade isso aconteceu ou não, mas sei que ela durante muito tempo nem me podia ver.
Esta minha tão querida avó, de seu nome Conceição, faleceu de repente em 1973 com a bonita idade de 84 anos, perfeitamente lúcida e activa.
Era-me muito querida.
Senhora super sensível, os anos que viveu em Inglaterra, bruniram ainda mais a sua personalidade, sendo uma encantadora conversadora e de um trato fino e meigo, que com muita saudade recordo.
Já adulto, era a minha confidente, por vezes conselheira, e até banqueira, pois de quando em vez lá lhe metia um vale para umas notitas, ?cravanços? a que ela generosamente nunca se opunha.
Já depois de vir da Guiné, nas reuniões familiares Natalícias, invariavelmente, o episódio da tocha era recordado.
Agnóstico convicto, desde menino, leitor compulsivo, os milhões de páginas devoradas, levam-me a respeitar e aceitar todo o tipo de credos, mas tenho muita dificuldade em compreender o que leva as pessoas à religiosidade.
Será a fraqueza, a insegurança e os medos, a solidão, o pouco saber ??!!
Mesmo nos momentos mais atrozes da minha vida; estar debaixo de bombardeamentos na Guiné, no pânico permanente do vislumbre da morte, o desaparecimento de quem mais amo, gravíssimo problema de saúde...nunca senti necessidade de apelar a Deuses ou Santos, bem pelo contrário, os maus momentos ainda veicularam mais, o que sobre isso penso.
Por vezes pergunto-me; se na realidade existe alguém tão bom e misericordioso, como oiço tantos defenderem, onde andará ?
Deve ser cego e surdo, e tudo o que se passa neste desgraçado mundo merece a sua total indiferença ?
Eu tenho as minhas respostas.
Há no entanto um santo, esse sim de minha inteira devoção; o ?São Justo?, é nele que vou buscar as forças e animo, quando deles necessito !
O ?São Justo? é muito recriminador, teimoso, mas grande companheiro e perito em me agarrar quando por vezes estou prestes a cair...é assim...como que um ?anjinho da guarda de grandes asas, sempre voando baixinho ao meu redor para não se afastar muito? !!
José Justo
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Amigo Guedes
Continuo sem conseguir comentar diretamente no Blog ??!!!!
Não é azelhice minha, pois já confirmei que há uma incompatibilidade com o meu novo sistema e o blog, pois até para o abrir e avançar com o cursor é um castigo e morro com enervante lentidão.
Por tudo isto, agradecia ? caso aches ter interesse - que inserisses este comentário OK.
José Justo
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Pica, não me lembrava ter contado isto em Tite, e muito menos a cena do fio de telefone...que por graça repetia várias vezes só para ver sempre o sorriso lindo da Sãozinha: - Já não me enganas!!
Ligando a isto, a Alda há alguns anos teve uma queda grave que a levou ao hospital durante uns tempos de internamento.
Numa das visitas, e para animar a situação, lembrei-me da piadinha do ?aperto do fio? e na brincadeira fingi estar a estrangular o tubo do soro. Claro que a família já conhecia a gracinha e estava a sorrir,
...eis senão quando...uma idosa, visita de outra doente (assim pró tipo; calhandra de
carregar pela boca!!) se aproxima muito excitada e aos berros a bater-me na
mão???!!!...?pra estar quieto...que aquilo não se fazia, era um perigo...coitadinha da
criatura, eu devia era ser maluco? etc. etc. Escusado será dizer que o meu pessoal, se já sorria com a fingida maldade, acabou quase à gargalhada.
José Justo
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Á amiga Albertina Granja.
Obrigado pelo comentário, e creia que esta minha avó materna superava tudo o que de bom e ternurento se possa imaginar de um ser humano. Ainda hoje com minha mãe (93 anos) lembramos lindos episódios passados com ela.
Tendo as suas crenças religiosas bastante fortes, aceitava as minhas ideias e teorias de uma forma absolutamente única, dando-me por vezes razão e ficou deslumbrada, ao lhe definir o Catolicismo como Dogmático, com a frase ?Os dogmas não se discutem, ou se acreditam ou não?.
Nas nossas conversas pós almoço sobre religião (na época trabalhava na baixa e almoçava todos os dias na sua casa no Rossio) falava-lhe várias vezes sobre um episódio por mim vivido do primeiro ano de Religião e Moral na Veiga Beirão ? disciplina que eu abominava - a um padre, que tinha o condão de me arrepiar cada vez que abria a boca.
Talvez conte um dia as quatro perguntas, que me valeram a expulsão das aulas da dita disciplina, e uma prometida queixa ao diretor da escola...que parece nunca se ter concretizado...porquê não sei, ou talvez calcule!!!
Guedes, sem querer ?abri o leque? se vires que é longo corta no que quiseres, comigo tudo bem.
Abraços e cumprimentos.
José Justo

2 comentários:

Albertina Granja disse...

Eis um episódio interessante e engraçado, próprio de quando se é menino(a).
Outros muito semelhantes aconteceram, com certeza, com quase todos nós.......
Mas a forma terna e meiga como está descrita e se recorda a figura da "AVÓ", foi o que mais me "tocou".....!!!!
Felizes os que tiveram a sorte de ter "UMA AVÓ" e que ainda hoje sentem a alegria de a poderem recordar com saudade e com essa mesma ternura.....!!!!!
Parabéns pelo belíssimo texto...
Desejo a todos uma Santa Páscoa.

Pica Sinos disse...

Defacto já conhecia a história. Só tu. Mas que fique escrito que tu eras muito "mau" para a tua avó. Uma vez em Tite ao relembrares esta doce velhinha, dizia tu. Uma vez estava a minha vó ao telefone e eu para a arreliar dobrei o fio do mesmo dizendo....agora já não falas....eheheh e ela coitada acreditando deu-te ao safanão.Só tu Justo. Aqule abraço amigão