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Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma! (Patoleia Mendes ).

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"Ó gentes do meu Batalhão /

Agora é que eu percebi /

Esta amizade que sinto /

Foi de vós que a recebi…"

(José Justo)


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EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Os xu-xus do Hipólito


Deus m’a livre!
Hipocondríaco, não tarda nada.
“Inzames” pr’áqui, análises pr’ácolá. É o corropio, anual e rotineiro.
- Ressona?!
- Uih, sr. dr.! E como um porco ! . . ., aferroa a minha mulher
- Panhônha! . . . enfermeira de merda! Porco? . . . eu,  cidadão eleitor, com as cotas em dia e que toma banho, pelo menos, uma vez por mês?!!! . . .
Lá tive que dormir com o polígrafo do sono, com “fiarada” em tudo o que é buraco.
- Oh menina, desta idade, não se arranjaria coisa mais aprazível com quem sonhar? . . ., aventei à boazona da técnica, fazendo-me ao barrote.
Mas, não deve dar nada. “Estabalhoado”, como sou, a dormir, devo ter desligado o raio da geringonça.
Do mal o menos. Safei-me, por ora, daqueloutro, o de enfiar a gazua pelo rabiosque acima, bem pior.

- E também tem vestígios de eritrócitos, insiste a dita.
- Alto aí, sr. dr.! O tanas, é que é! . . ., teimei.
  O “abrumelhado” (em português, avermelhado) do realejo, ou, é por influência daquele benfiquista “furniqueiro”, em seco, o que sonhou o trambolhão e um desenferrujar do prego, na geringonça em que o Contige nos pôs a dormir;
  Ou, então, do meio “quartilho” (um quarto de litro, e só) do tinto carrascão de Amarante, com uma castanhita, das estaladiças, pr’ó dito ter onde agarrar, e que mamei, para tirar o freio, no S. Martinho.

Caí da cama?!!! . . .
Só se foi de fraqueza, já que, na insinuação subjacente, nem lá vou, nem faço minga.
Não porque o casal Contige, como é seu timbre, não tenha primado em presentear-nos com um repasto de muita qualidade e quantidade.
Mas, sim, porque, muito tímido, me abstive de abusar da lauta mesa que nos foi franqueada, ao reparar numa “marmita/lancheira”, camuflada, daquelas de três andares (sopa, por baixo, carne, no meio, peixe, por cima), a sair dali, a abarrotar e com recheio açambarcado, à vontade, para uma semana e toda a família, lá para os lados de Corroios.

Para compensar as arrelias, estou muito orgulhoso dos meus netos, para já não falar do cão.
Sobretudo, do rapaz! Vai dar noutro Picasso!
“Sarrasbicou” e borrou as paredes dos quartos e corredores, com um produto que, nem à lei da bala, se consegue limpar.
Bonito serviço!

E, para não tergiversar mais, vou, ao quintal, apanhar “xu-xus”, porque ouvi, naquele programa de tv, sobre cozinha, uma tia de Cascais, a dizer que é remédio santo, no hemorroidal.
Hipólito

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Uma geração traída - enviado pelo Claro.

Botas chegou a tua vez de fazer anos

Para o malandreco do Botas, os nossos parabens.
Que se porte bem e tenha saúde.
Um abraço.

domingo, 27 de novembro de 2011

sábado, 26 de novembro de 2011

E se o Fado é Rei, também é Rainha


Ouçam que vale a pena.
Abraços.
LG.

O Fado é Rei

Neste fim de semana em que o Fado é rei, vale a pena ouvir esta bela interpretação
Abraços.
LG.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Pelotão Daimler 1131 - uma oportuna rectificação!


Meu caro Leandro

Hoje apercebi-me, ao dar uma olhadela pelo blog, que deve ser feita uma correcção á informação, que aparece escrita por baixo do emblema do Pel. Rec. Daimler 1131.
De facto este Pelotão chegou a Tite no dia 5 de Agosto de 1966, véspera da inauguração da ponte sobre o Tejo, ( antiga ponte Salazar ), e saiu de lá em meados de Maio de 1968.
Logo daqui se conclui, que quando o BART 1914 lá chegou, nós já lá estávamos.
Assim, é que está correcto.

Um grande abraço para ti, com votos de muita saúde para todos aqueles, que conviveram comigo naquela guerra e que ainda cá estão.
Se não voltarmos ao contacto, aqui ficam desde já os meus votos de um Santo e Feliz Natal e um Muito Próspero Ano Novo para toda a rapaziada.
Um grande abraço
Augusto Miguel Nunes Antunes
Ex- Alferes do Pel. Rec. Daimler 1131
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Meu caro Leandro

Quanto aos elementos que me solicitas, sobre o Pel. Daimler que me rendeu, também não me lembro qual o seu nº.
Como talvez te lembres, eles chegaram ao quartel de Tite, passamos-lhes todos os equipamentos pertencentes ao pelotão, carregamos as nossas malas e iniciamos de imediato a viagem para o Niassa, que estava á nossa espera em Bissau, para iniciar de seguida a viagem de regresso a Lisboa. Fomos os últimos a chegar ao barco. Apenas me lembro, que o meu sucessor foi o Alferes Vaz Pinto, infelizmente já falecido. Trocámos cumprimentos e informações sobre a situação na zona e desejámos felicidades um ao outro, mas não fixei o nº do Pelotão dele.
Quando cheguei a Tite, estava lá o Batalhão de Caçadores nº 1860, comandado pelo Ten. Coronel Francisco da Costa Almeida, que vocês foram render no ano seguinte.
Lamento, não te poder ajudar mais sobre este assunto.
Um grande abraço
Augusto M.N. Antunes

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O REENCONTRO COM O MEU VELHO BAIRRO DAS FURNAS

 NEM TODOS, E DIFERENTES NO REGRESSO DA “MINHA VIAGEM” À GUINÉ
Tens em troca
órfãos e órfãs
E campos de solidão
E mães que não têm filhos
Filhos que não têm pais·
(Zeca Afonso)
A tarde já vai alta.

Foi diferente a partida da Guiné. Desta vez não houve fanfarra e lenços a acenar. Apenas o soar da sirene do navio.
São menos os que partem naquela primeira segunda-feira do mês de Março de 1969. Não são os mesmos “meninos” de outrora, a guerra tornou-os homens e diferentes.
Ficam para trás as águas barrentas, o navio já vai distante. Na ânsia da partida não tive tempo para me despedir daquela terra de cor vermelha, do seu cheiro, das árvores centenárias, dos pássaros, das bolanhas, do seu magnífico pôr-do-sol, do silêncio das noites estreladas ou do medo quando da cor do breu, do seu povo. É um conjunto de imagens que a guerra e o tempo não conseguirão apagar.
Dos ausentes, em tempo, “Em nome da Pátria”, através de um qualquer oficial subalterno, naquela que foi sua morada, surge a notícia da morte. A família e os amigos choram para sempre a sua sorte. Também a guerra e o tempo não conseguirão apagar a imagem dos meus camaradas que tombaram com honra naquele chão que lhes era alheio.
Na partida, mas com a data de cinco meses antes, a mim, e aos demais que me acompanham, é-me entregue um “papel verde”, “O Comandante Militar atesta o seu apreço pelos serviços prestados á Pátria na Província da Guiné”. Aos que ficaram para a vida inteira mutilados, estropiados não sei se a “Pátria” também lhes atestou o seu apreço.

As mesas e beliches nos porões do Uíge, pelo seu uso, não se notam que são de madeira, negra é a sua cor. Ao contrário da ida, os vomitados do enjoo já não importam. A limpeza precária e a falta do banho diário, o barulho dos motores, pouco ou nada incómoda.
Repete-se a vida no convés.
Só nas conversas se observam excepções, são de contentamento e alegria.
Todos acordam cedo naquela manhã de 9 de Março, a brisa do mar gela-me a cara, os meus olhos já avistam a terra que me viu nascer. Uns choram, outros abraçam-se, procuro um lugar, como muitos, na amurada do navio.
Já vejo o Tejo e os “cacilheiros”. Todos estrategicamente se calam para após a passagem da ponte, dizerem em uníssono……JÁ PASSOU.
O navio prepara-se para atracar. Aqui, alem, vêm-se cartazes….Estou aqui Manuel…. Leiria. Esperamos por ti……. Família Santos Aqui…… Massarelos Presente.
Os gritos de alegria com o desembarque comovem. Mães, Pais, Filhos, Mulheres, Noivas, Amigos, todos se abraçam. A nuvem negra parece ter passado o e sofrimento acabado.
Quartel do RAL 1 nos Olivais. O aeroporto de Lisboa está por perto, entregamos o que resta dos fardamentos. Despeço-me dos meus camaradas com um até breve. Vou para casa onde a família me espera.
Reencontro o meu velho Bairro das Furnas. A guerra, essa, durou estupidamente mais cinco anos.
Pica Sinos.
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transcrito do blog do Pica Sinos,
com a devida vénia!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Hoje é a vez do ex-furriel Ramos fazer anos

Para o Ramos os nossos votos de parabens.
Saúde companheiro e desejamos que estejas melhor dos problemas que têm afectado a tua visão.
Um grande abraço. de todos nós.

domingo, 20 de novembro de 2011

O ZÉ MANEL NÃO GOSTA DO PAPAGAIO DO CONTIGE

Nesta foto: Irmão do Palma, Palma, Carlos Azevedo, Contige, Raul, Zé Manel.Um outro que está cortado é amigo do Zé Manel e não aparece o Carlos Reguila. Mas também esteve presente.

Desculpem lá mas tenho que vos contar uma cena que se passou há bem pouco tempo na casa do Contige.
Não. Não foi o beijito que o Contige deu na Ana estilo anos 70. Isso já é normal no casal. Não foi isso. Também não foi a cena que aconteceu ao Hipólito na cama articulada e eléctrica que o Contige comprou.
Ah não sabiam esta… então eu digo, ou melhor vou contar. Mas a história que quero contar é outra e bem grave. Mas cá vai:
 O Contige comprou uma cama eléctrica e articulada, que é accionada por um comando manual. Desce, sobe, inclina, enfim tem várias posições. Não querendo arriscar com tal “brinquedo”, O Contige pediu ao Hipólito, quando recentemente dormiu na sua casa, que fosse ele a estrear a cama e fizesse as experiencias que julgasse necessárias, com a mesma, fazendo funcionar todas as modalidades, para depois lhe explicar. Bem. Creio que o Hipólito assim o fez. Pois foi do conhecimento de todos, no almoço de aniversário do Zé Manel, que a meio da noite o Hipolito caiu. Mas não foi acrescentado mais nada. Também nada mais tenho para contar. Modernices…
Mas a história que eu quero relatar, e reputo de alguma gravidade, foi o que se passou com o Zé Manel e o papagaio do Contige.
E desta minha vontade, dei conta ao Zé, no recente almoço do seu aniversário que se realizou no Pragal. Sim no Pragal. Estava prometido ser em Huelva ou Cadiz, mas…..a crise, a crise….A “troica” já serve para tudo.
Mas vamos lá à história. Quando fomos almoçar, em data recente à casa do Contige, deparamo-nos com um belo papagaio, de cor variada, que a todos cumprimentou com um Òlllàaaaa.
Ao Zé, o nosso simpático papagaio “rosnava”.
O Zé achou isto esquisito para um papagaio, e chamou-me eu assistir à postura do papagaio.
Não acreditando, fiz um miminho e o bicharoco, que “respondeu” com uma simpática assobiadela.
Tás a ver Zé.
Ah é. E de facto quando se aproximou do bicho, o papagaio rosnava, não gostava mesmo dele.
Não me perguntem porquê. Porque não sei.
O que sei… é que quando, os “guerreiros”, se preparavam para tirar uma fotografia para a posteridade, no local estava a gaiola do papagaio. Estava, digo eu. O Zé Manei , disfarçadamente, empurrou a gaiola do papagaio para o quintal que estava na nossa retaguarda, argumentando que era para castigo pró papagaio. E mais não queria o papagaio na fotografia.
Contige tinha que te dizer. A gaiola do papagaio não caiu no quintal por “obra e graça do senhor”. Foi o Zé.
O Zé não gosta do teu papagaio e vice-versa. Quando nos ofereceres (quando é?) um novo almoço em tua casa, esconde o bicho. Olha que ele é homem para lhe apertar o “pipo”.
Pica Sinos

O Carlos Reguila faz hoje anos.

Mão amiga e sempre atenta,  lembrou-me que o Reguila faz hoje anos.
Para ele os nossos parabens com votos de boa saúde para si e para os seus familiares.
Um abraço de todos nós.

sábado, 19 de novembro de 2011

ex-alf. António Moreira, da CART 1690 - mais uma crónica no jornal Badaladas.


Mais uma crónica do ex-alf. António Moreira, da Cart 1690, publicada no jornal Badaladas e que aqui transcrevemos com a devida vénia ao jornal e ao autor.
Como é seu timbre, volta a fazer referencia aos ex-combatentes.

É tempo de castanhas assadas

enviado pelo Joaquim Caldeira.

Cumprimentar, não dói nada...

SALVO PELA GENTILEZA
Conta-se uma história de um empregado num frigorifico da Noruega.
Certo dia no término do seu trabalho, foi inspecionar a câmara frigorífica. Inexplicavelmente, a porta fechou-se e ele ficou preso dentro da câmara. Bateu na porta com força, gritou por socorro mas ninguém o ouviu, todos já haviam saido para as suas casas e era impossível que alguém pudesse escutá-lo. Já estava quase há três horas preso, debilitado com a temperatura insuportável. De repente a porta abriu-se e o guarda entrou na câmara e resgatou-o com vida. Depois de salvar a vida do homem, perguntaram ao guarda: - “Porque foi abrir a porta da câmara se isto não fazia parte da sua rotina de trabalho?”
Ele explicou:
- “Trabalho nesta empresa há 35 anos, centenas de empregados entram e saem aqui todos os dias e ele é o único que me cumprimenta ao chegar pela manhã e se despede de mim ao sair. Hoje pela manhã disse “Bom
dia” quando chegou. Entretanto não se despediu de mim na hora da saída. Imaginei que poderia ter-lhe acontecido algo. Por isso o procurei e o encontrei... ”

(enviado pelo meu amigo José Ferreira)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

As abelhas do Hipólito e as vacas do Daniel Pinto

Cá pr’a mim, deve estar, o m/QI, em processo degenerativo galopante.

Fui, domingo, à feira de S. Martinho, a Penafiel.
E para, com o Cabito, recepcionar o nosso companheiro Daniel Pinto, de Ponte de Lima (o Pinto serralheiro, em Tite), que ali se deslocou, na esperança de ver cavalos e outro gado, como era tradição nessa, já antiquíssima, feira.

Feira a que, segundo os nossos antigos, acorriam, prevalentemente, padres e burros.
Ao, incautamente, comentar, com o Cabito e o Pinto, esta “vox populi”, não me apercebi de que, para meu azar, ia a passar um padre que, de pronto, ripostou:
- O senhor é padre?!!
- Eu?!, . . . não . . ., respondi, procurando um buraco para me enfiar.

Adianta-vos um grosso “escarchar-vos” a rir . . ., não é atoarda, das que, sem tom nem som, profusamente, sou acusado de produzir, foi mesmo (sic).

Mas, voltemos à vaca fria.
O Pinto reside junto da estrada que liga Viana a Ponte de Lima (na proximidade do Cavaleiro que, com razão, deve estar, connosco, decepcionado, na medida em que não acedemos ao honroso convite seu para um convívio por aquelas bandas), encontra-se bem de saúde e é muito bem humorado.
Tem uma exploração agrícola, com oitenta vacas leiteiras, que, logo que possa, fiquei de visitar.
Nesse dia, manhã, muito cedo, antes de iniciar viagem, tinha recolhido 600 litros de leite. É obra!  . . . e muito leite . . .
Não acreditou, suponho, que, eu próprio, na minha exploração agrícola, tenha, e não é para me encrespar, para cima de 2000 cabeças.
Escalonadas por meia dúzia de colmeias . . .

Apreciei, sinceramente, a crónica sobre o histórico dos nossos almoços/convívio elaborada pelo Guedes.
Se, para organizar, actualmente e com a papinha quase feita, este evento já dá algum trabalho, imagino o quão difícil terá sido dar o pontapé de saída, sem, sequer, quaisquer elementos de identificação e localização do pessoal.
Valeu a pena, a brilhante iniciativa, conviremos todos.
Um bem haja ao Guedes.

Quanto mais não fosse, para gerar esta crónica do bom malandro . . ., uma raridade, maior que o milagre de fátima, tanto mais que, e é dos livros,  a estratégia vem sendo o torpedear os “bijagós” no contributo de qualquer coisinha para este peditório (manter o blog proativo, vocábulo este, escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico e só para “chatear” o  “sôr” Pica e a Albertina Granja).
E, diga-se, em abono da verdade, com bons e frutuosos resultados.
Hipólito

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Excelente texto, enviado pelo Pica Sinos!

SÓ NÃO PERCEBO PORQUE TEMOS QUE SER NÓS A ALTERAR A ESCRITA, SE A LINGUA É NOSSA?

Quando eu escrevo a palavra acção, por magia ou pirraça, o computador retira automaticamente o C na pretensão de me ensinar a nova grafia.
De forma que, aos poucos, sem precisar de ajuda, eu próprio vou tirando as consoantes que, ao que parece, estavam a mais na língua portuguesa.
Custa-me despedir-me daquelas letras que tanto fizeram por mim.
São muitos anos de convívio. Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes CCC's e PPP's me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância.
Na primária, por vezes gritavam ofendidos na caneta vermelha da professora:
- não te esqueças de mim!
Com o tempo, fui-me habituando à sua existência muda, como quem diz, sei que não falas, mas ainda bem que está aí.
E agora as palavras já nem parecem as mesmas. O que é ser proativo?
Custa-me admitir que, de um dia para o outro, passei a trabalhar numa redação, que há espetadores nos espetáculos e alguns também nos frangos, que os atores atuam e que, ao segundo ato, eu ato os meus sapatos.
Depois há os intrusos, sobretudo o R, que tornou algumas palavras arrevesadas e arranhadas, como neorrealismo ou autorretrato.
Caíram hifenes e entraram RRR's que andavam errantes. É uma união de facto, e  para não errar tenho a obrigação de os acolher como se fossem família. Em 'há de' há um divórcio, não vale a pena criar uma linha entre eles, porque já não se entendem.
Em veem e leem, por uma questão de fraternidade, os EEE's passaram a ser gémeos, nenhum usa ( ^^^) chapéu.
E os meses perderam importância e dignidade; não havia motivo para terem privilégios. Assim, temos janeiro, fevereiro, março, são tão importantes como peixe, flor, avião.
Não sei se estou a ser suscetível, mas sem P, algumas palavras são uma autêntica deceção, mas por outro lado é ótimo que já não tenham.
As palavras transformam-nos. Como um menino que muda de escola, sei que vou ter saudades, mas é tempo de crescer e encontrar novos amigos.
Sei que tudo vai correr bem, espero que a ausência do C não me faça perder a direção, nem me fracione, e nem quero tropeçar em algum objeto. Porque, verdade seja dita, hoje em dia, não se pode ser atual nem atuante com um C a atrapalhar.
Só não percebo porque é que temos que ser NÓS a alterar a escrita, se a LÍNGUA É NOSSA ...? ! ? ! ?
Os ingleses não o fizeram, os franceses desde 1700 que não mexem na sua língua e porquê nós ?
Será que não pudemos, com a ajuda da troika, recuperar do deficit na nossa língua ?
Ou atão deichemos que os 35 por cento de anal fabetos fassão com que a nova horto grafia imponha se bué depréça !
(autor desconhecido)

sábado, 12 de novembro de 2011

Encontros anuais

Os almoços anuais de confraternização
Como já repararam temos estado a refazer, no blog, a apresentação da lista de todos os almoços anuais já organizados e é deles que hoje vos venho falar.
Longe vai o ano de 1990……. Quase 22 anos se passaram… e o 23º. Almoço já está a caminho!
Nesse ano tomei a decisão de iniciar a tarefa de organizar um almoço, numa tentativa de juntar todos os companheiros que comigo estiveram em Tite.
Era uma ideia que já me acompanhava há algum tempo, mas as dificuldades sentidas na obtenção dos endereços de cada um, tendo em vista a sua localização, retiravam-me, logo à partida, o ânimo para iniciar as buscas necessárias.
Contudo, o primeiro passo tinha de ser dado, e, sem nunca desistir da ideia, comecei por fazer uma pequena lista daqueles que mais de perto comigo conviveram.
De entre outros, recordei-me:
-do cap. Vicente, que eu sabia morar para os lados de Elvas. Telefonei para vários sitios até que alguém me disse que ele tinha falecido num acidente de viação;
-do Arrabaça que morava lá para os lados do Entroncamento;
-do Paraíso Pinto que alguém me tinha dito que trabalhava na Confederação do Comércio Interno;
-do Patinho que sabia estar em Cascais no quartel de artilharia;
-do Bagulho que morava para os lados de Sesimbra;
-do Reguila que estaria pelo Cacém e que mais tarde vim a saber que tinha emigrado;
-do Marinho que trabalhava na antiga EDP (CRGE…);
-do Fernando Alves que estaria no BES;
-do Pedro que era do Algarve mas do qual não sabia a morada certa;
-do Esmoriz; do Costa; do Luis Silva, todos eles morando perto, mas sem saberem uns dos outros.
-do nosso capelão, que foi das primeiras pessoas com quem falei ao telefone, minutos antes de iniciar uma missa, numa Igreja lá para os lados de Valença…… Este contacto consegui obtê-lo junto do Patriarcado, e, dessa conversa com o nosso capelão ficou ele incumbido de encontrar o “malandro” do seu assistente eclesiástico, uma vez que bem conhecia a sua morada.
-do Águas com quem também falei e que morava em Pereiró no Porto, cujo contacto telefónico me foi dado pela respectiva Junta de Freguesia.
-do Pereira que eu julgava residir no Gerês e por isso várias vezes liguei, sem sucesso, para diversos locais daquela zona……..,afinal a sua residência era em Barcelos.
-do Gentil, que foi também um dos primeiros a ser por mim contactado, dado eu saber que a sua residência era em Vila Verde dos Francos, relativamente perto de Torres Vedras.
-do Viana, que eu pensava ser mesmo de Viana, afinal era de Pedras Rubras e não consegui contactá-lo.
-do Cavaleiro, tendo conseguido localizá-lo já não me lembro bem como, mas acho que liguei directamente à secção de pessoal da Celulose de Viana e falei com ele.
-do Claro, que consegui localizar em Aveiro.
-do Brig. Helio Felgas, com quem estabeleci contacto telefónico, mas que infelizmente estava muito doente, assim como a sua esposa e por isso mesmo não lhe foi possível estar presente.
Desculpem amigos ser tão minucioso mas considero que estes detalhes fazem parte da nossa história, e, como diz o Pica, temos de deixar recordações para os nossos netos…..
Enfim….., e muitos mais foram os contactos efectuados, uns com sucesso, outros nem por isso….
-Lembro-me de ter procurado o Alcântara mas não consegui contactá-lo;
-do João Maria e do Noné, nada consegui saber.
-do Melo…., o que eu procurei pelo Melo…..!!!!, a quantas portas bati e nada….!!! (Só apareceu há dois ou três anos atrás).
-o Pintassilgo também não foi fácil encontrá-lo…. Disseram-me que era inspector da PJ do Porto e eu, dando como certa tal informação, telefonei e pedi que me encaminhassem a chamada para o Sr. Inspector Pintassilgo….! – Quando concluí que não havia nenhum inspector com este nome, transferiram a chamada para o arquivo da PJ (que era o seu local de trabalho…. como arquivador!) e só então foi possível falar com ele;
-o Sousa, o Henriques, foram outros dos procurados.
-o Pica e o Justo, não me lembro como foram contactados.
-o Guilherme também o procurei pois lembrava-me que ele era da terra do furriel Cardoso que morreu ao atravessar o rio na noite da tragédia de Bissássema.
-o Serafim, liguei para o casino do Estoril e lá o encontrei.
-o Heitor, foi contactado pelo Arrabaça.
-o Domingos Monteiro, eu sabia que trabalhava na Marinha Grande e lá consegui localizá-lo na cimenteira.
-procurei o Guimarães que sabia ser de S.Jorge, na Batalha.
E, na sequência de todos estes contactos, outros foram nascendo e começaram a chover as inscrições, para aquele que veio a ser o primeiro de muitos encontros que desde 1990 temos vindo a realizar…..
Foi uma alegria imensa ver que tínhamos, pelo menos, conseguido dar início a esta que tem sido uma salutar convivência entre todos nós.
Eu tenho receio de estar a esquecer alguém e pelo facto desde já peço desculpa.
Para todos estes tive de fazer várias tentativas de contacto…. Muitas vezes houve necessidade de recorrer à ajuda da segurança social, das juntas de freguesia (que supostamente seriam as das suas residências), também para os párocos (para as chamadas Fábricas Paroquiais), para os Quartéis da GNR e esquadras de Policia….
Todas as entidades contactadas colaboraram de forma preciosa e prestimosa na localização de muitos companheiros e foi essa ajuda que possibilitou o nosso primeiro encontro, a nossa primeira reunião à volta de uma mesa. Assim conseguimos finalmente a primeira almoçarada que felizmente tem tido continuidade e tem dado bons frutos….
No entanto, como facilmente se conclui, não foi tarefa fácil….
Primeiro tive de localizar e contactar os primeiros, que por sua vez me indicaram moradas e telefones de outros e só depois voltar a contactar uns e outros para então poder informá-los sobre o dia e o local da realização do nosso 1º almoço.
Também a todos escrevi uma carta….
Não tenho nenhuma cópia dessa carta mas sei que alguns dos companheiros a têm, pois já foi mostrada num dos anteriores almoços. Nessa carta, não só indicava toda a informação necessária sobre o encontro (nome do restaurante, sua localização, ementa) e todos os meus dados para que me contactassem e pudessem fazer as respectivas inscrições (nome, morada e número de telefone), como também manifestava a enorme alegria que todos nós sentiríamos nesse reencontro….
Acreditem que foram dias de muita agitação….
O restaurante inicialmente escolhido era o do Sr. Filipe, na Atalaia da Lourinhã, lá bem junto ao mar. Mas depois de uma segunda visita mais cuidada, verifiquei que estava algo desagradado do lado norte, e por isso desisti. Fui então à procura da Estalagem da Areia Branca. Arranjado restaurante, a “ESTALAGEM DA AREIA BRANCA” – Lourinhã (Torres Vedras), voltei a telefonar para todos os que já tinham sido localizados e a escrever cartas com a indicação do dia em que se realizaria o almoço - um sábado - , de que já não me lembro a data…..
Com a ajuda do meu filho comecei a “fabricar” tabuletas com a indicação de TITE, umas com setas viradas para a direita, outras viradas para a esquerda, para serem colocadas junto às saídas da auto estrada e junto aos principais cruzamentos das estradas nacionais que davam acesso à Praia da Areia Branca. Quem não se lembra disto???. Ainda no almoço em Penafiel, alguém fez referencia às tabuletas indicando “TITE” para guiar o pessoal para o restaurante, ajuda esta que se revelou essencial, como que a génese dos modernos GPS…
No dia e hora marcada (como digo já não me lembro...) e ao chegar à Praia da Areia Branca, lembro-me de ver primeiramente o Cap. Paraíso Pinto, depois o Guimarães, o Arrabaça e de seguida foi uma chuva de abraços que já nem me recordo a ordem pela qual eles foram dados. Foram muitos e sentidos. Foi um almoço muito agradável e inesquecível, como todos reconhecem e frequentemente referem. Fiquei contente por ter dado início a um projecto, que afinal era a ambição de todos estes companheiros, que passaram tempos de sofrimento – a reunião de todos……., o sabermos uns dos outros -…….
Daí para cá temos corrido o país do centro para norte, sempre na terra dum próximo organizador. O ano passado foi em Macedo de Cavaleiros organizado pelo Camelo, no próximo ano será na zona de Almada, organizado pelo Contige e mais alguns amigos.
Mas desde o inicio, organizaram almoços o Domingos Monteiro e Guimarães, João Claro, Arrabaça, Vaz Alves e Narciso, José Simões Sequeira, Francisco Ferreira, Cavaleiro, Ramos, Guilherme Figueiredo,  Arrabaça pela 2ª. vez, Vaz Pires, Joaquim Henriques, José Bezelga e Rodrigues, António Vilão, Vaz Alves e Narciso pela 2ª. vez, Domingos Monteiro pela 2ª. vez, Armando Viana, Domingos Monteiro pela 3ª. vez, José Costa, Hipólito e Cabito, Alberto Camelo e para o ano próximo será o Contige.
Todos os nossos almoços criam momentos de boa cavaqueira, lembranças de momentos vividos, óptimas e bem dispostas conversas. Além de óptimas experiências gastronómicas, têm sido excelentes momentos de alegria e de convívio, com bandas filarmónicas,  ranchos folclóricos, conjuntos musicais, em ambientes de grande beleza natural, todos e cada um deles com um toque peculiar que fez deles especiais e inesquecíveis. Cada um faz sempre o seu melhor e conta com a ajuda de familiares que têm sido fundamentais na preparação destes encontros.
Para todos, para todos mesmo, um grande abraço e um obrigado sincero por tanta dedicação e boa vontade….
”AMIGOS NA GUERRA, AMIGOS PARA SEMPRE…”

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Chegou a vez do Arrabaça fazer anos

Para o Arrabaça o nosso abraço de parabens, com votos de boa saude e boas pescarias lá pela Nazaré.
Abraço.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Lembrando uma caldeirada em Peniche

Companheiros
Porque vale sempre a pena lembrar, rever, reviver as coisas boas, aqui publicamos novamente um video feito pelo Pica, sobre uma bem festejada caldeirada em Peniche, organizada pelo Henriques e que aconteceu há dois anos atrás.
LG.

A messe de oficiais em Tite e outras fotos.



as seis fotos acima referem-se à messe de oficiais, em Tite

na mésse vários oficiais, vendo-se entre outros o cap. Pereira Rodrigues, cap. Vicente, cap. médico, cap. Paraiso Pinto, alf. Rodrigues, alf. Campos, Ten. Ventura Vaz, alf. Capelão, alf. Vas Alves, alf. Fernando Alves, major Vaz Guedes

no Uige (não sei se à ida se à vinda) alf. Oscar, alf. Campos, alf. Vaz Alves e alf. Fernando Alves
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 Todas estas fotos foram-nos enviadas pelo Alf. Vaz Alves, a quem agradecemos a simpatia.

João Claro, dos Morteiros, faz hoje 66 anos.

Para o João Jorge Claro, os nossos parabens, em mais este seu aniversário.
Que passe um dia muito bem passado junto dos seus.
Um abraço de todos nós.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Hoje faz anos o Zé Manuel (Alcantara)

Ao nosso companheiro Alcantara votos de boa saude na companhia de sua mulher filha e neta.
Muitos parabens.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

As velhas do meu bairro...do blog do Pica Sinos

Do blog do Pica, com a devida vénia, transcrevemos este interessante artigo.
Vale a pena ler o artigo e ler o blog.

"Oh Ti Georgina! Chama alguém junto da cancela do quintal.
Quem é? Retorquiu.
Sou a Adélia.
Diz filha…, o que queres?
Olhe: A sua roupa que está estendida no estendal, já está toda enxuta. Eu preciso dos arames!
Ah é? Então vou já querida, vou já.

Por causa da ocupação, por uma só pessoa, de muitos dos arames por via da roupa estendida, havia por vezes discussão.
A Ti Georgina, bem cedo, ocupava quase todos os arames do lado direito do estendal do lavadouro existente ao fundo das ruas do Bairro.
A roupa que lavava, proveniente do Laboratório onde trabalhava, era imensa. Sobretudo toalhas, batas e alguns lençóis da casa das doutoras, que quando penduradas nos arames e estendidas no chão ao sol, pouco espaço deixava. Principalmente para quem também tinha muita roupa para estender.

As “velhas” do meu Bairro, em especial as da minha Rua, porque melhor as conheci, eram, (algumas felizmente ainda vivas), gente muito humilde, simpáticas e de bom trato para com todos. Sobretudo com as crianças.
Respeitavam o próximo e faziam-se respeitar.
Quase todas analfabetas, mas conhecedoras da vida como ninguém.
Eram “mestras” em ultrapassar as dificuldades com que se deparavam e, não eram embaraços tão pequenos como isso.
Eram tempos muito difíceis.
Quantas vezes comiam mal, para que o pouco que tinha não faltasse aos seus filhos e quiçá maridos.
Contudo, diga-se, que nem todas as “velhas” do meu velho Bairro das Furnas, pautavam pelo mesmo grau de dificuldades. Umas tinham menos dificuldades que outras. Mas todas tinham vidas sofridas. Contudo, também sabiam rir e brincar, sabe Deus, muitas vezes, a que custo.

Onde vais Georgina? Diz-lhe uma vizinha ao vê-la subir a rua dos Plátanos. Vou à praça. À Cármen. Vou fazer contas com ela, e comprar uma cenourita. Talvez também um nabo para pôr na sopa.
Olha…Não vou demorar. Tenho o feijão ao lume, há duas horas, e o “cabrão” ainda não cozeu. O Adriano vem comer ao meio-dia, não me posso atrasar.

A Cármen, vendia, frutas e as hortaliças na praça. Cujo edifício detinha diversas bancas de produtos hortícolas e de frutas. Também era provido de talho, padaria e mercearia. Ficava situado na entrada do Bairro.
A Cármen era uma mulher alta e bonita. A sua voz era forte. Amiga do seu amigo. Sabia das dificuldades de todos os seus clientes, e sempre que saldavam as contas ao “rol”, ajudava, na nova encomenda, com a oferta de uma ou outra peça da sua bancada.

Como eu recordo: Da mãe da Beatriz. Da mulher do Ti Cardoso, mãe do Meca. Da Ilda (dos óculos), da Ti Carolina. Da Ti Engrácia, da Ti Teresa, que vendia azeitonas e morava em frente à casa da Olga. Da Ti Rosa, da Ti Irene.
Como eu recordo: A mãe (e da irmã) do Zé Koi, que mais tarde foram para a rua das Oliveiras.

Como eu recordo: Da Maria do Carmo, Da mulher do alfaiate, que morava em frente à minha casa. Da Ti Matilde infelizmente pouco me lembro. A Ti Josefa, alentejana e mulher do sapateiro, que o seu ritual diário era estender, em panos colocados no chão, as ervas e pétalas das flores, que colhia, secando-as ao sol, destinadas à venda para chá.
Como eu me lembro da Adélia, felizmente ainda viva.

A minha casa, a pretexto do romance do “Tide”, que passava todos os dias na rádio, pela tarde, depois do almoço, era palco de encontro de diversas vizinhas.
Quer o romance, quer o que se passava depois dele, o que conversavam/contavam umas às outras, não me preocupava saber.
Confesso que não gostava de romances e muito menos de “encontros de cusquice”. Se bem que não podia deixar de as ouvir, mesmo fechando a porta do meu quarto.
Num dia… diziam as cenas passadas ou ouvidas de personagens suas vizinhas ou não. Salvaguardando o escárnio e o mal dizer, de alguém que pudesse estar presente.
Num outro dia… o “fado” era o mesmo.
Comentava-se as cenas de quem esteve na reunião anterior, e outras cenas entretanto acontecidas. Faziam uma espécie de “acta falada”.
Sabes o que disse a….daquela que mora…
O marido da fulana… bateu-lhe com a bebedeira.
A sujeita tal… deve-me dinheiro que lhe emprestei e há duas semanas e ainda não me deu. Se o meu marido sabe, tenho “sermão”.
O miúdo da…tem a cabeça cheia de piolhos…
O filho da…está com anginas.

Todos nós, rapazolas, respeitávamos as “velhas” do nosso Bairro. Mas também é certo que gostávamos mais de umas de que outras. Daquelas que nos metiam medos, dizendo que iam fazer queixas às nossas mães, quando encetávamos as barulhentas brincadeiras, gostávamos pouco. Não gostávamos mesmo nada, daquelas porque “dá aquela palha”, faziam queixas ao fiscal Costa. Como era o hábito da personagem chamada Estrela que à beira da sua casa tinha uma palmeira.

Desta senhora, a Estrela, não era só os miúdos que tinham medos. A vizinhança dizia que era irmã da governanta do Salazar. Se era ou não, da fama não se livrara. Como era uma senhora muito altiva, quiçá arrogante, as “conversas” com as suas vizinhas ficavam-se, por uns (entre dentes) bom dia ou boa noite, e mais falas não haviam.

Como eu recordo: A mãe do Luis Filipe, no seu passo pequeno mas ligeiro, a subir a minha rua. A mãe dos irmãos Espinha. Da do Armando Claro, da do José Silva, da Ti Virgínia, entre outras.
Fora da minha rua dos Plátanos, também recordo com saudade: A mãe do “Rabaloto” que era peixeira. Da mulher do Caixinha que era revisor da CP. Da ti Amélia que vendia fruta numa carroça. Da Pomposa das mamas grandes e de outras tantas.
Que saudades meu Deus.

Dada a proximidade do Bairro ao Jardim Zoológico e quando o vento soprava a norte…
Numa dessas manhãs, oiço perguntar:
Olha lá, não ouvistes toda a noite o uivar dos leões e o cantar dos pavões?
Não dormi toda a noite!
Não filha, não ouvi! Retorquiu a Ti Georgina.
O que ouvi, e que não me deixou dormir toda a noite foi o ressonar do meu marido, com a ressaca da bebedeira de ontem à noite! Raios o partam!

Pica Sinos."

DICA PARA FAZER COMENTÁRIOS

Eu já experimentei e deu resultado. E então é assim:

1- temos primeiramente que abrir o email com o qual queremos fazer o comentário
2- abrimos o blog que queremos comentar
3- inserimos o comentário na janela respectiva
4- em "comentar como", clicamos em "conta google"
5- clicamos em enviar comentário
6- inserimos o endereço do email aberto e respectiva senha, se ele pedir, pois nem sempre pede
7- a seguir ele pede para colocar aquelas letrinhas chatas
8- clicamos em "enviar comentário" e já está.

Ou seja, o segredo da questão está aparentemente, em abrir previamente o nosso email e todo o resto é igual ou parecido com o anterior.

Abraços.
LG.

domingo, 6 de novembro de 2011

Vamos dar corda ao blog? - pelo Cavaleiro (há uns tempos atrás...)




Companheiro,
Vamos dar “corda” ao nosso BLOG?!
Se estiveres de acordo, eu continuo com Fernando Pessoa.
Mesmo em tempo de crise é possível presentear os meus Amigos com uma PRECIOSIDADE, que no meu entender, considero uma maravilha ...
O Menino Jesus, nas palavras de Alberto Caeiro, pela voz única, grave e ternamente sentida de Maria Bethânia.
Espero que gostem………………………………………..de POESIA e de Maria Bethânia!!
Um abraço,
Cavaleiro
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 Alberto Caeiro - Poema do Menino Jesus


Num meio-dia de fim de primavera
Eu tive um sonho como uma fotografia
Eu vi Jesus Cristo voltar à terra.
Veio pela encosta de um monte.
E era a eterna criança, o Deus que faltava.
Tornando-se outra vez menino,
A correr e a rolar pela relva
E a arrancar flores para deitar fora.
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir de segunda pessoa da Trindade.
Um dia, que Deus estava dormindo
e que o Espírito Santo andava a voar
Ele foi até a caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro, ele fez com que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo, ele criou-se eternamente humano e menino.
E com o terceiro ele criou um Cristo
e o deixou pregado numa cruz que serve de modelo às outras.
Depois ele fugiu para o sol
e desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje ele vive comigo na minha aldeia
e mora na minha casa em meio ao outeiro.
É uma criança bonita, de riso e natural.
Atira pedra aos burros.
Rouba a fruta dos pomares.
E foge a chorar e a gritar com os cães.
Nem sequer o deixaram ter pai e mãe
como as outras crianças.
Seu pai eram duas pessoas: um velho carpinteiro
e uma pomba estúpida, a única pomba feia do mundo.
E sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher, era uma mala
em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que justamente ele pregasse o amor e a justiça.
Ele é apenas humano,
limpa o nariz com o braço direito,
chapina as possas d'água;
colhe as flores, gosta delas,
esquece-as.
E porque sabe que elas não gostam
e que toda a gente acha graça,
ele corre atrás das raparigas
que carregam as bilhas na cabeça e levanta-lhes as saias.
A mim, ele me ensinou tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as belezas que há nas flores.
E mostra-me como as pedras são engraçadas
quando a gente as tem nas mãos e olha devagar para elas.
Ensinou-me a gostar dos reis e dos que não são reis.
E tem pena de ouvir falar das guerras e dos comércios.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente.
Sempre a escarrar no chão e a dizer indecências.
E que a Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meias.
E o Espírito Santo coça-se com o bico;
empoleira nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é tão estúpido como nas Igrejas.
Diz-me que Deus não percebe nada das coisas
que criou - do que duvido.
"Ele diz por exemplo que os seres cantam sua glória.
Mas os seres não cantam nada
se cantassem, seriam cantores.
Eles apenas existem e por isso são seres..."
Ele é o humano que é o natural.
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E é por isso que eu sei com toda certeza que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E depois, cansado de dizer mal de Deus
ele adormece nos meus braços.
E eu o levo ao colo para minha casa.
Damo-nos tão bem na companhia de tudo
que nunca pensamos um no outro.
Mas vivemos juntos os dois
com um acordo íntimo,
como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer, nós brincamos nas cinco pedrinhas do degrau da porta de casa.
Graves, como convêm a um deus e a um poeta.
É como se cada pedra fosse um universo
e fosse por isso um grande perigo deixá-la cair no chão.
Depois ele adormece.
E eu o deito na minha cama despindo-o lentamente
seguindo um ritual muito limpo, humano e materno até ele ficar nu.
E ele dorme dentro da minha alma.
Às vezes ele acorda de noite e brinca com os meus sonhos.
Vira uns de perna para o ar.
Põe uns encima dos outros.
E bate palmas sozinho sorrindo para o meu sono.
Quando eu morrer, filhinho, seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo.
E leva-me para dentro da tua casa.
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde, para eu tornar a adormecer.
E dá-me os sonhos teus para eu brincar...

(Alberto Caeiro)
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Cavaleiro:
A corda partiu-se???!!!
Estamos à espera de mais textos teus.
Abraços
LG.

sábado, 5 de novembro de 2011

Poema aos homens com gripe...

(Sátira aos HOMENS quando estão com gripe)
Este poema (já anteriormente publicado neste blog) foi-nos enviado há algum tempo pelo Cavaleiro, e como eu passei por "estes momentos de aflição" recentemente, achei oportuno publicá-lo...

"Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
Anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sozinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.

António Lobo Antunes"

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

As trocas das intimidades, do Hipólito...

Uma embirração, talqualmente!
Não consigo, como outros, “bitaitar”, diretamente, no blog.
Insondável desígnio da dita dura dos co editores do sul, esses queridos, um dos quais, ora, “Furniano”, na busca de nelinhas e outras inhas do antanho, até no “Glorioso” repastado, como represália à indigitação, também como co, salvo seja!, do nortenho Costa, para escrever ainda menos que eu ?!!! . . .

Numa, das deambulações apostólicas, fui topar com o Barros, que me aguardava à entrada da Marinha Grande, concentradíssimo, na “psico” e a tentar convencer uma ucraniana, por sinal linda como o sol, das que à berma da estrada, numa cadeira, aguardam papalvos, como “cavalgar em toda a cela”.
Inconsolável e carinha de larocas ficou, quando deu de caras com a esposa que, logo, ironizou:
- Tomara, o figurão, pr’áqui armado em don juan, ter óleo para a almotolia lá de casa (sic)  !!! . . .
C’um “stapôr” ! . . ., por esta não esperaria . . .

Noutra, no último fim de semana e aproveitando o congresso do bombeiral, fui à demanda, com a prestimosa colaboração do Ferreira, dos morteiros e conterrâneo, do Oliveiros Pinto, com quem, em Tite, me relacionava.
Era ele, se bem se lembram, mecânico de armamento, baixote e entroncado, mas teso e bravo, q.b.
Recordo-o, ainda hoje, nos ataques ao aquartelamento, ao invés dos que se metiam debaixo da cama, nos abrigos a choramingar, ou nos postos, mas, na horizontal.
Com o morteiro 60 nas mãos, apoiado no joelho e num gingarelho que o próprio engendrara, junto ao arame farpado e a peito descoberto, aviava o IN com as “ameixas” da ordem, muitas das vezes até em tiro directo e certeiro.
Num desses ataques, em que o IN ousou aproximar-se mais, foi atingido, embora sem gravidade, por estilhaços da metralha daquele.
Para que conste e me não vilipendiem com o pecado da gula, “triguei-me” de, tanto na casa de um, como na do outro, me aboletar e dar, demasiado, à cremalheira.

Quem era o sarg. Gaitas ?!  . . .
Ora essa, Guedes! . . .
Deixa-te de “kuskices” e não te preocupes.
Manda, cá pr’ó rapaz, os bolinhos que mereceu e encarrego-me, pessoalmente, de os agasalhar e fazer chegar a bom porto . . .

E, com estas me vou.
Até porque, esta semana, tenho em casa  “dois terroristas” que me põem a moleirinha em sal e a casa como a dos “afeganisteus”.
Tudo “masturado”, uma autêntica bagunça e fé em Deus.
A ponto de, com a desorientação generalizada e a pressa, ter enfiado as cuecas da consorte e ‘sconfio que também a camisola interior por, ao dobrar a espinhela, me ir parar ao meio das “adoelas” ...
Aih mãenh! . . .
Hipólito