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Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma! (Patoleia Mendes ).

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"Ó gentes do meu Batalhão /

Agora é que eu percebi /

Esta amizade que sinto /

Foi de vós que a recebi…"

(José Justo)


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EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Lembrando dois amigos falecidos, na Guiné

Meus amigos
Ao longo destes 42 anos que já se passaram, desde o nosso regresso do Ultramar, têm sido com certeza inúmeras as vezes que todos nós nos temos lembrado (e continuaremos certamente a fazê-lo), de companheiros de guerra, de episódios por lá vividos, alguns deles em que tivemos intervenção activa, outros onde fomos apenas figurantes e outros ainda, talvez, apenas meros espectadores, ou ouvintes….
Mas toda essa vivência, todas essas experiências pelas quais passámos, marcaram-nos a todos de forma tão intensa, que hoje continuamos a recordar tudo o que por lá se viveu, quer nos encontros que realizamos, quer através destes pequenos relatos que cada um se disponibiliza a escrever, quando à sua memória chegam tais lembranças.
E é nessas alturas, quando me vêm à memória lembranças desses tempos, que algumas vezes penso em dois amigos já falecidos, que, tal como nós, também estiveram em combate na Guiné e por isso hoje venho aqui recordá-los.
Ambos se chamavam “Tony”;
Ambos eram meus amigos;
Ambos estiveram a lutar na Guiné;
Ambos faleceram durante o período da nossa permanência por aquelas paragens…..
- Um deles, o António Pinto, foi um amigo desde antes da escola primária, companheiro de brincadeiras, tinha a alcunha de “Tony Galo”, não sei bem porquê, mas talvez porque, sendo “Pinto”, um dia chegaria a “Galo”.
- O outro, o António Lima, conheci-o mais tarde, já na fase da escola secundária, mas era também um amigo, tinha a alcunha de “Tony Preto”, talvez devido à sua côr morena.
Enquanto eu estive na Guiné nunca ninguém me disse que estes meus amigos tinham falecido, um em Fevereiro e o outro em Maio de 1968 – nem amigos, nem familiares - . Todos se calaram, talvez porque pensassem que em Tite não havia choro e ranger de dentes….
Só soube das suas mortes, após o regresso à Metrópele.
Em conversas anteriores à nossa partida,  fizemos contas à vida...
Mas, infelizmente, estes dois amigos faleceram em combate, sendo que o Tony Galo se encontra sepultado no cemitério de Paranhos e o Tony Preto no cemitério de Prado de Repouso, ambos no Porto.
Em jeito de homenagem a estes meus amigos, a seguir transcrevo um poema escrito por uma amiga comum, também ela já falecida pouco depois do nosso regresso da Guiné, poema este dedicado na altura ao Tony Preto:
"A UM AMIGO MORTO
Ao Tony
Morreste-me irmão (eras como se o fosses, podes crêr)
levaste contigo saudades sem conta,
lágrimas salgadas cheiinhas de dor,
que por serem tantas estou da tua cor.
Eras-me tão querido (a mim e a todos!...)
oiço-te falar, com tua voz grossa,
porque embora longe, continuas perto,
vejo o teu sorriso tão franco e aberto...
A minha homenagem (a minha e a dos meus)
fica nestes versos sinceros, sentidos.
Sei que me escutas, pois estás na Verdade:
recebe saudades, saudades, saudades...
PT."

Leandro Guedes.

1 comentário:

Albertina Granja disse...

Que bonita e merecida homenagem......!!!!!
Os amigos são, de facto, para serem recordados, sempre...
E estes amigos, atendendo às circunstâncias em que para sempre partiram, merecem ser lembrados com todo o enorme carinho aqui demonstrado...!!!!