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Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma! (Patoleia Mendes ).

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"Ó gentes do meu Batalhão /

Agora é que eu percebi /

Esta amizade que sinto /

Foi de vós que a recebi…"

(José Justo)


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EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

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terça-feira, 30 de agosto de 2011

O Costa trouxe-nos a memória de Otis Redding e de muitos outros/as


Este artigo do Costa trouxe-me à memória as musicas que por lá se ouviam, principalmente na cantina. Algumas delas às escondidas como era o caso da Pedra Filosofal (nunca entendi bem porque tinha que ser às escondidas, mas enfim...)
A Cantina do refeitório estava entregue salvo erro ao Noné. Seria?
Mas uma das canções que eu mais gostava era "The Dock of the bay", por Ottis Reding.
42 anos passados, aqui vai.

E os Procol harun, na canção preferida do Costa.

E já agora um presente extra - Nat King Cole/ "Fly me to the moon":

Obrigado Costa, por tão belas recordações musicais.

A Enfermaria em Tite - pelo Costa

Lembro-me perfeitamente desse episódio do camarada que ficou ferido com um estilhaço que lhe entrou ao fundo das costas. Este episódio sempre me acompanhou até hoje e passou-se em 02/03/1968. Na sequência desse ataque ao nosso quartel, ao ouvir os primeiros tiros do IN, protegi-me debaixo da mesa que havia no Centro de Mensagens. Como o fogo se intensificava e havia rebentamentos que não conseguia identificar,  se eram dentro ou fora do quartel, resolvi fugir dali e dirigir-me para  o abrigo à porta de armas. Na fuga, houve qualquer coisa que bateu numa antena que havia no edifício do Posto de Rádio do lado de fora em frente para a barbearia ou enfermaria, provocando várias faíscas. Apenas me recordo de me atirar ao chão, ferindo-me no braço esquerdo, coisa sem importância. Levantei-me, lembro-me que havia muitos gritos dos nossos homens nesse abrigo junto á porta de armas e  misturados com muitos tiros. Quando entrei no abrigo ás escuras, estava lá este nosso camarada a esvair-se em sangue deitado de bruços. Foi um momento que me marcou para sempre!
José Costa
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Do Joaquim Caldeira recebemos o seguinte comentário:
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"O soldado da CCAÇ 2314 a que se refere esta entrada era o Carlos Soares da Silva, alcunha o Matosinhos, por ser daquela localidade.
O outro ferido foi o soldado António Fernandes de Castro.
Este viria a protagonizar outro episódio, uns dias mais tarde. Num regresso de Nova Sintra, quando a coluna que eu comandava foi atacada, este solado, por estar sob o efeito do álcool, adormeceu junto a uma árvore e por lá ficou esquecido. A coluna retomou a marcha para Tite e, só muito mais tarde fui informado da sua falta. Andou perdido na mata durante dois dias e foi repescado por uma coluna da Companhia sediada em Nova Sintra, sendo enviado para Tite por helicóptero.
O seu comandante, sargento Garcia, deu-lhe um cantil de aguardente e foi o causador deste episódio. O punido, por ser o comandante da coluna, fui eu.- Como é possível um furriel comandar uma coluna em que seguia um sargento?-  No dia dois de Maio de 1968, dia dos meus anos, o capitão ofereceu-me uma lembrança e leu a ordem do dia com a minha punição, dois dias de detenção, que vim a cumprir na operação Bissássema.
Joaquim Caldeira, ex-furriel miliciano, CCAÇ 2314"

Fui ao sótão da memória e não só... pelo Costa


Porque digo: Fui ao “sótão” da memória e não só!Porque o Pica ao escrever uns emails sobre a música que se ouvia em Tite, (*) fez-me recordar os meus primeiros discos que comprei ao falecido Alferes José Antunes Carvalho, já em 2ª mão. Sim porque ele, não só fazia uns negociozitos lá pelas tabancas mas também pelo pessoal dele nas TMS. Este álbum com discos de 45 rpm não viam a luz do dia, talvez desde o início dos anos 70! Tenho um gira-discos guardado no mesmo sótão e vou um dia destes “curtir” ouvindo-os!Esse álbum de discos foi comprado a um colega em Tite mas, não me lembro quem foi.Nesse álbum vinham alguns discos a saber: ·         Procol Harum – A Whiter Shade of Pale (renvendi-o lá, não me lembro a quem)Os que ainda mantenho guardados desde então, (ver fotos das capas)quem se lembra destes sons em Tite? Recordem:·         Percy Sledge – Love me Tender – etc·         Manuel Freire – Livre (música: Não há machado que corte, a raiz ao pensamento etc) ou Pedro o Soldado·         Zeca Afonso – Fados de Coimbra (LP emprestei-o a alguém e ficou lá em Tite)·         The Mama’s & The Papa’s – Monday, Monday·         Trini Lopez – Unchain My Heart·         Sandie Shaw – Puppet on a String·         Fausto Papeti – (uns quatro discos que guardo ainda)Etc, etc! Talvez haja mais algum disco que por lá ficou emprestado. Sim, porque havia sempre alguém a pedir emprestado para os ouvir e ou gravar naqueles gravadores de fita pequeninos que apareciam naquela época de marca “TOSHIBA” e que custavam á volta de uns 4 contos. (*)A rádio que se fazia ouvir na Guiné era a RDP que só funcionava das 11 às 15 e das 18 às 22 horas. E a música era sempre a mesma, sendo que o que mais se ouvia era o Roberto Carlos várias vezes ao dia e por vezes na mesma carga horária.  

A Enfermaria em Tite

A Enfermaria em Tite

Quando me lembro da Enfermaria em Tite, vem-me logo à memória o Heitor, furriel enfermeiro, um castiço, um amigo.
O Heitor

Era professor primário na vida civil, tendo sido posteriormente delegado escolar.
Não sei bem porquê ele foi para enfermeiro, mas talvez tenha sido escolhido pelo mesmo individuo que mandou o Pedro para a tropa e muitos outros, com surdez, falta de visão e outras faltas.
Mas o Heitor cumpria a sua tarefa na perfeição. Quando o médico não estava ele era o médico, o enfermeiro, o maqueiro, o servente que lavava o chão após tarefas de socorro de extrema gravidade. Era o homem dos sete oficios.
À porta da Enfermaria - o Heitor é o primeiro da esquerda e logo a seguir o médico, juntamente com os restantes elementos do corpo clinico.

Quando estive com o paludismo, ele foi o homem que me salvou – durante nove dias estive a pouco mais de pão e água com limão, além de doses infernais de quinino que ele me obrigava a tomar sem apelo nem agravo. O Monteiro, Arrabaça, Rosa, Ramos, lembram-se do meu estado debilitado nessa altura. O Rosa até costuma dizer que pensava bem que eu não me safava... Mas safei graças ao Heitor.
Desabafou comigo tantas vezes, o quanto lhe custava ver morrer um companheiro, socorrer feridos graves no meio de sangue, ligaduras e seringas, soro, pensos e gritos. O Heitor, embora não parecesse, sofria muito com o sofrimento dos outros. Mas era um homem que se transfigurava nos momentos de socorro e tinha uma energia do tamanho do mundo e nas alturas em que o trabalho apertava, punha fora da enfermaria tanto o soldado como o comandante.
Lembro-me, entre outras coisas, dum companheiro que pisou uma mina logo ao sair do arame farpado, de outro companheiro que levou um tiro acidentalmente na caserna, dado por outro companheiro, do acidente do alf. Carvalho na pista de aviação, do outro acidente do Victor junto à Mesquita, do acidente do Rato na estrada para o Enxudé, dos vários acidentes e ataques na estrada de Nova Sintra, mortais ou não. Tantas situações em que o Heitor estava sempre presente.
Foi dos homens que mais afectado ficou no fim da nossa comissão em Tite. No fim da comissão era outro homem.
O Jock com o Guedes

E como se tudo isso não fosse suficiente, quase no fim da comissão, envenenaram-lhe o seu cão, o Jock, animal inteligente, dedicado, um fiel amigo, a que também me dediquei.

Que pena temos que o Heitor já não possa participar nos nossos encontros.
Um abraço Heitor, até sempre!
LG.

A Enfermaria em Tite - pelo Justo

A Enfermaria de Tite

O Guedes sugeriu, e eu lá vou puxar pelas semeas, a ver se sai prosa...

Eu da enfermaria de Tite francamente só me lembro de um “cubículo” muito pequeno que ficava perto da porta de armas!!!

Já li no Blog a descrição de um edifício fora do quartel, e embora me lembre do dito cujo nunca imaginei, nem disso me lembro, de ser uma enfermaria??!!

Referindo portanto a “enfermaria cubículo” recordo, para já, três tristes episódios a que ligo aquele espaço:

O do nosso camarada que durante a penosa construção da estrada de Nova Sintra, pisou uma mina antipessoal, ficando com ambas as pernas decepadas.
Quando entrei na enfermaria quase desmaiei com aquele quadro, qual inferno de Dante. Os gemidos daquele companheiro...e ao olhar para o sitio onde deveriam estar as suas pernas, só vislumbrava um monte de terra, capim e sangue, que o enfermeiro ajudado por outros camaradas, tentavam desesperadamente, por todos os meios, aliviar o infeliz.

Relatado, já no quartel por um dos elementos da brigada de obras, o que se passou foi que em marcha, de súbito terem ouvido um rebentamento. Como habitualmente o pessoal deitou-se nas bermas e posicionou para responder ao fogo de uma possível emboscada.
Como o rebentamento foi ouvido em Tite, do posto de radio contactamos o pelotão, sendo a resposta, que se tinha verificado um forte rebentamento, mas nada mais se seguiu, sendo levados a pensar que algum animal, no mato, tinha detonado uma mina.
Pouco tempo passado, comunicaram para o quartel que havia um ferido gravíssimo, e que com a explosão da mina o corpo tinha sido projectado para fora da picada, sendo os gemidos que alertaram o pessoal.

Outro quadro triste, foi o daquele camarada da companhia 2314, que durante um ataque, foi atingido por um estilhaço de granada, que lhe penetrou o anus, e que no dia seguinte de manha vimos as suas pegadas de sangue e matéria corporal, marcadas em grande parte do percurso ate a enfermaria.

Este companheiro, tinha poucos dias de Guine, e disseram-me que devia estar de reforço num dos postos avançados no exterior do primeiro arame farpado. Já em fuga procurando o abrigo mais próximo, foi surpreendido por um rebentamento nas suas costas, que por fatal destino o atingiu tão severamente. Cruel destino...

O estilhaço de granada torna-se uma arma altamente mortífera. A alta velocidade a que se desloca fruto do rebentamento e o facto de ir quase ao rubro, como metal fundido, tem um poder de penetração e destruição no corpo humano medonha.

Outro caso, mas este embora parecendo que acabaria tristemente, assim não aconteceu:
O pessoal da “picagem” de estrada (para detectar minas anticarro e antipessoais) no caminho para o Enxude, por vezes tentava caçar umas rolas, que eram sempre bem recebidas para mais um petisco entre amigos, pois da comida do rancho geral, nem vale a pena tecer comentários.

Acontece que um companheiro com o entusiasmo de matar um passaroco, ia disparando, disparando, disparando...e sem se aperceber, a linha de fogo foi baixando, ate que...deu um tiro na cabeça de uma nativa de uma das tabancas que ficavam no percurso, e de que não recordo o nome.
Já na enfermaria, foi pedido helicóptero para evacuação da “mulher grande” (nativa adulta) para Bissau, o que aconteceu.
Claro que todo pessoal pensou que seria mais uma vitima das circunstancias!!!...surpresa??!!...passaram-se poucos meses e para espanto de todos, a nossa mulher grande apareceu em Tite com duas “nhecas” (galinhas), para oferecer, não lembro a quem, acho que ao enfermeiro do batalhão que por sinal andava sempre pendurado nas tabancas, e que convencia as nativas a tomar comprimidos LM* para “não lhes secar o leite”!!!!
(Nalgumas raças da Guine, a mulher após ter um filho, não tem relações conjugais durante dois anos, pois acreditam que o leite secara e não podem alimentar os filhos).
Por aqui me fico. Talvez venha a recordar mais algum episódio, que trarei a estampa.

*LM - Comprimido “tipo aspirina” fabricado no Laboratório Militar, que dava para tratar todas as maleitas dos militares!!!!

José Justo

sábado, 27 de agosto de 2011

O Avô TZG

Pela mão do meu amigo Ferreira, amigo do peito, companheiro de muitas andanças, chegou-nos este interessante texto, cujo autor é o Avô TZG ???.
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A GERAÇÃO ENRASCADA
O grande homem é aquele que não perdeu a candura da sua infância…
Pertenço a uma geração que teve de se desenrascar.
Nasci ao som do rufar dos tambores da 2ª Guerra Mundial. Os clarins e as sirenes faziam o toque de à rasca, anunciando mais um bombardeamento.
A Santa da minha Mãe, pariu-me de cócoras. Quando se sentiu à rasca, muniu-se da tesoura e do baraço e fez tudo sozinha. Chegou por casualidade uma vizinha e ajudou aos últimos preparativos, talvez um caldo de galinha velha, que era o prémio de qualquer parturiente. Hoje, as que se rotulam de à rasca têm seis meses de licença de parto. Essa vizinha, que durou cento e tal anos, passou a vida a contar-me isto, vezes sem conta.
Aos miúdos, faziam uns calções com uma abertura na retaguarda, e, quando estivessem à rasca, baixavam-se, o calção abria e fazia-se em escape livre e, andava sempre arejado.
Aos dezoito anos, ainda o comboio passava em Mirandela e tive o azar de fazer cargas e descargas dos vagões para os camiões. Os adubos vinham em sacos de 100 kg, as pernas tremiam mas tinha que me desenrascar. Os mais velhos sabem do que falo, o trabalho era duro incluindo as cegadas, mas…. fazia-se tudo a cantar.
A mesma geração, fez as três frentes da guerra colonial, morreram nove mil e quinze mil ficaram mutilados e a cair aos bocados, chamam-lhes Heróis, mas dizem desenrasquem-se.
O 25 de Abril foi feito por essa mesma geração, bons líderes,  povo unido e desenrascaram-se muito bem.
Por fim, a debandada da emigração para toda a Europa, atravessando montes e vales íamos chegando a todo o lado. Vivíamos em contentores e  barracas, o tacho onde se lavavam as batatas era o mesmo para se lavar o nariz, mas não nos desenrascamos nada mal.
Depois veio a geração rasca. Drogas, rendimentos mínimos e vergonha de trabalhar.
Agora, dizem ser a geração à rasca, querem ser todos Doutores, arrastam-se anos à volta dos cursos, os parques universitários estão cheios de carros de luxo, ficam por casa dos Pais até aos trintas e “quem aos vinte não é, aos trinta não tem, aos quarenta já não é ninguém”.
São uns enrascadinhos, não querem assumir a responsabilidade de uma família, vagueiam de noite, dormem de manhã e a Mãe chama-os para almoçar. O Pai vai recheando a conta, porque um Pai é um banco proporcionado pela natureza.
Eu não quero medir tudo pela mesma rasa e acredito muito na juventude, aconselho-os a que se caírem sete vezes se levantem oito, porque o Governo está à rasca, a oposição está enrascada e a juventude não se desenrasca.
Os que cantam, Homens da Luta, é uma luta sem comandantes e o povo vencido jamais será unido.

Façam pela vida… E, não estejam à espera que o mar arda, para comer peixe grelhado!...
Avô TZG.

Fado - pelo Pica Sinos


Vais  ganhar uns minutos
A ouvir estes 2 grandes desaparecidos
Mas não esquecidos.
Estes 2 homens cantam primorosamente Lisboa

Pica Sinos

Voluntários montaram toldo na casa do Carlos Reguila

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Novo Blog, um blog novo...

Companheiros, Familiares,  Amigos e visitantes.
Iniciamos um novo blog, continuação do primeiro.
Está em fase experimental, mas passará a ser o nosso novo blog. O blog original continuará activo, sendo possível lê-lo e comentá-lo
Para isso é possível aceder ao blog original a partir do novo e também aceder ao novo a partir do original. Existe uma janela própria para clicar em cada um deles.
Agradecemos as vossas opiniões, criticas e sugestões acerca deste novo blog. – todas são imensamente úteis.

Continuamos a contar com os vossos comentários, artigos, fotos e todo o material que entendam útil para a continuação desta ideia que tantos amigos tem trazido ao nosso convívio.

O novo endereço é:

O endereço de email passa a ser definitivamente

A todos o nosso sincero obrigado.

leandro guedes

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Mini Museu da Guiné - do José Justo

Ao que parece o Justo decidiu-se a montar um Mini Museu sobre a Guiné. Não sabemos se será em casa dele ou em casa alheia. O que sabemos é que a ideia é genial e que ele tem para começar muitos elementos que podem dar um grande avanço a essa bela ideia.
Que pena, na Guiné, não termos pensado em tudo isso, pois assim o teu Museu, o nosso Museu, seria imenso.
Aqui vão alguns testemunhos mais:
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José Costa para hrjusto
....se bem me lembro, este rapaz nem era dado a munições e muito menos a armas, pois passava a vida a dormir lá no CCrípto e muitas das vezes até falhava a hora dos almoços e dos jantares... que raio lhe deu para fazer um Mini Museu da Guiné! É caso para dizer: "Tá apanhado pelo clima"!
Fora de brincadeira amigo Justo, Tás de parabéns pela ideia... vamos lá a ver se algum de nós tem guardada alguma recordação que dê para enriquecer esse museu... pela minha parte acho que não poderei ajudar... mas como sou visitante assíduo de feiras de velharias, pode ser que encontre alguma coisa alusiva à Guiné.
Bem haja amigo e companheiro, Justo (Desculpa tratar-te apenas por Justo, mas se na guerra te tratavam assim, assim vai continuar)
Costa
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Assunto: Fwd: VENHAM BRINDES.........
Raulao
Como vês já desdobrei para duas prateleiras o Mini Museu GUINE........FAXAVOR quando tiveres mais coisinhas bonitas envia cá para o JE, que muito se agradece.
Não te assustes com os balazios e a granada, porque descobri isto que estava refundido nas velharias há anos, e ao fim de 40 primaveras ressuscitaram!!!::::mas esta tudo inerte, porque eu sou parvo mas não
maluco.
XXXXX e uma perninha de GAIJA para miminhos
Justo Menezes

Nova Sintra - crónica pelo Joaquim Caldeira

RETIRADO DO BLOG : http://ccac2314.blogspot.com/

Levantamento de rancho

Nova Sintra. Já aqui referida muitas vezes e sempre pelas razões piores. Chegámos a passar fome. E o trabalho era incessante. Andávamos todos mal nutridos e esgotados além de cheios de medo de que aquele fosse o nosso último dia. A comida era uma desgraça em qualidade –Já nem nos preocupava a qualidade – e em quantidade. Certo dia,, hora de almoçar, peguei na minha lata de Coca-Cola, à qual tinha sido retirada a tampa, e me dirigi para a improvisada cozinha onde o cabo cozinheiro fazia o melhor que podia e tinha e, nesse dia, perdi a razão. A minha lata vinha meia de água e tinha quatro feijões a nadar. E era o meu almoço, igual ao de todos, capitão incluído. Talvez para ele houvesse cinco ou seis feijões dentro do caldo. A taça, era também a lata de Coca-Cola. Danei-me. Fiz uma chinfrineira danada – por isso é que digo que me danei – e aconselhei os soldados a recusar comer.

Aí, entra em acção o segundo comandante, alferes Barros, engenheiro de profissão, homem muito sensato e que eu admirava pela sua cortesia e fair-play. Pegou-me no braço e tentou arrastar-me para longe dos soldados. Eu não aceitei e continuei a reclamar e a aconselhar o levantamento de rancho. Estava cheio de fome e aquilo não era comida suficiente para o resto do dia que se adivinhava muito trabalhoso e difícil.

Com uma calma que só o bom do alferes Barros, lá me fez acalmar e sugeriu-me que repetisse a dose, se ainda desse para repetir.

A custo, aceitei a sugestão dele mas entendia que era injusto eu poder repetir só porque tinha reclamado e, os restantes terem que ficar só pela dose de água e quatro feijões. E não repeti.
Interveio o capitão que me disse que podia acontecer eu ser preso pelo delito que estava a cometer e que devia dar bons exemplos, dada a minha posição de comandante de secção, etc. etc.

E assim ficou a minha rebelião que, afinal não chegou a servir para nada.

A pista de Nova Sintra

Algum tempo depois da nossa estada em Nova Sintra recebemos instruções para ir fazer segurança ao rio onde estava um batelão com carga para nós. Esse batelão transportava alimentos, munições, material para abrigos e... uma máquina de terraplanagem. Coisa inédita. Eu nem imaginava que pudesse haver uma coisa daquelas naquela terra. Mas havia e foi-nos entregue. Para que serve? Bem. Foi muito útil pois permitia em três tempos escavar um buraco com dois metros de profundidade, vinte de comprimento e mais de dois de largura. Se tivesse que ser aberto à mão era uma eternidade, a avaliar pelo esforço que despendemos nos primeiros dias em que tudo foi feito à mão.

Entretanto, um ataque que sofremos causou baixas em homens, equipamentos, abrigos e... na máquina. Esteve cerca de oito dias inoperacional. Penso que foi uma granada que lhe rebentou com um rodado. Finalmente, foi reparada. E agora, para que serve? O seu condutor levou-a para sul do quartel, numa zona de pouco mato e muito inclinada em direcção à mata onde havia o poço de abastecimento de água e vai de começar a fazer terraplanagens. É para a pista. Pista? Mas aquilo é tão inclinado. Como é que os aviões ali aterram e descolam? Mas a verdade é que foi mesmo para a pista. E eu fiquei a saber que as aterragens eram efectuadas com o avião virado para a parte que descia e a descolagem no sentido inverso, a subir. Como é possível que desenvolvam uma velocidade que permita a descolagem em terreno tão inclinado e consigam parar em inclinação a descer? Poi é. Mas era assim mesmo. E resultou.

Foi dessa pista que, mais tarde, foram evacuados, por avião, os feridos e o morto que eu relatei no episódio da mina que deixou um tronco sem pernas e sem braços.

Um tronco sem pernas e sem braços
Lá vou eu, de novo, a caminho de Nova Sintra, deste vez comboiar alguns militares da unidade lá aquartelada. Meus, eram para aí vinte homens. De Nova Sintra apenas quatro. Mas alguém havia de fazer segurança para que eles chegassem bem. Saímos de Tite pelas três horas, numa madrugada chuvosa e escura. Pedi ao Zé Carlos, o enfermeiro, que seguisse ao meu encalce. Sempre poderíamos falar se fosse preciso.

Desta vez não me fazia acompanhar de guia, pois que o caminho era já sobejamente conhecido, embora nunca trilhássemos o mesmo. Lá íamos seguindo perto da picada que já nos era familiar, umas vezes à direita, outras à esquerda.

Tínhamos passado Gatongó e informei, via rádio, que tudo seguia normal. A chuva era cada vez mais intensa, mas chuva civil não molha militares. A previsão de chegada era pelas oito horas e tinha combinado que um pelotão de Nova Sintra viria ao meu encontro logo que houvesse luz para nos podermos juntar sem problemas.

BUMMMMMMMMM......... Grande estrondo. Alguém tinha pisado uma mina. Após os procedimentos que se impunham, tentei saber quem tinha sido o infeliz. Mas ninguém sabia quem teria sido e não se via nada que pudesse indiciar homem ferido. Tanto pior. Um soldado dos meus, já me não recordo de qual. Disse-me que tinha voado por cima de mim e estava bastante ferido num braço, provocado pela queda. Entreguei-o ao Zé Carlos e continuei as buscas, ajudado por quem estivesse são. Três homens vieram ter comigo. Um caminhava amparado pelos outros dois e pensei que estivesse encontrado o infeliz. Mas não. Era mais um, furriel de Nova Sintra, que nunca cheguei a conhecer, que tinha perdido os dois olhos. Já não tinha dúvidas de que ainda havia outro. Este tinha os dois pés. O Zé Carlos não tinha mãos a medir e o Lourenço, o radiotelegrafista, não parava de comunicar com o furriel Garcia, este em Tite, o que se ia passando.

Após cerca de meia hora de buscas alguém tropeçou numa coisa que parecia ser um corpo. Sem luz não era fácil saber do que se tratava porque até podia ser um animal que tivesse, ao fugir de nós, ter pisado a mina. Fui verificar e após ter revirado o que restava, apurei que era uma cabeça presa a um tronco sem pernas e sem braços. Despi o meu blusão se embrulhei-o o melhor que pude, pedi a alguém que o carregasse e pedi ao Zé Carlos que o mantivesse vivo. A força aérea não evacuava mortos. A única maneira, disponível, era injectar CORAMINA e, sem saber, abreviámos-lhe a morte. Pobre dele. Já não sentia sequer que vivia. Nunca cheguei a saber quem era. Chegados a Nova Sintra, consegui convencer a enfermeira paraquedista a levá-lo no avião, como se ainda estivesse vivo. Ela não era trouxa mas compreendeu o meu problema que sabia que eu teria de carregá-lo, de regresso a Tite, o que só poderia acontecer no dia seguinte, durante a noite.

E assim se passou mais um episódio. Júlio Garcia, tu lembras-te muito bem. Comenta este episódio, tal como poderás comentar as restantes. Tu também os viveste. Só o Zé Carlos não pode por ter falecido pouco tempo após termos regressado a Portugal.

Nova Sintra (10-05-1968
A noite estava muito quente e havia algum luar. Eu pousei a arma no meu buraco e fui bater um papo com os homens do morteiro 60. Eram o Machado e o Meleiro. Este era o municiador, em substituição do Rebouta que fora ferido uns dias antes. Faziam uma boa equipa por serem quase conterrâneos. O Machado, homem corpulento, era o apontador.
E lá me estive a conversar com os dois, falando de que? Já não sei. Mas não devia ser nada diferente do que cheirasse a guerra. Ou a mulheres, coisa que não víamos há muito.

O meu guia, soldado preto e natural da Guiné, passou por mim e informou-me que iria deitar-se Sugeri-lhe que se deitasse ao lado da minha arma que estava à entrada do abrigo pois que eu também não tardaria a ir. Havia muitos mosquitos e, ao menos deitado tinha a protecção da rede mosquiteira.

E foi então que começou o ataque que já mencionei e que fez um morto, o meu guia, e ferido todos os restantes, alguns com gravidade.

Mas não estou a recontar a história para encher espaço. Na verdade há nela algo de muito trágico e até hilariante, passados tantos anos.

Após cerca de meia hora a fazer fogo contínuo, o morteiro aqueceu tanto que o Machado gritou para o Meleiro. O cano está muito quente. Não o aguento. Mas o Meleiro, transmontano de Urrós, junto às margens do Douro, teve uma solução. Gritou-lhe que enrolasse a camisa ao cano. Isto resultou durante algum, muito pouco tempo. Depois o Machado voltou a gritar: Tenho que parar. Não suporto o cano em brasa.

MEIJA-LE, gritou o Meleiro.

Ora eu não sei se se escreve assim, embora tenha presente que se trata de uma forma do verbo mijar. Mas não importa para aqui a forma ou o conteúdo. O que importa é que o Machado descarregou a bexiga à volta do cano e assim pôde continuar de fazer fogo.

O resto da história já foi contado. É trágico demais para ser repetido.

Operação Nova Sintra
Quem havia de dizer que tínhamos andado a construir uma estrada- picada- para nos atolarmos nela.

Foi mesmo isso. Ainda não estávamos refeitos do desastre de Bissássema e já estávamos metidos a construir um quartel no meio do nada, no cruzamento do que teria sido Nova Sintra.

Esta foi ainda mais difícil que a anterior. Só sei que estava a fazer uma ronda pelos postos avançados quando fui alvo de um tiro de canhão que iniciou o grande ataque a Nova Sintra.

Esse tiro de canhão entrou no meu abrigo, matou o meu guia - eu estava fora - que sorte, e feriu toda a guarnição. Durante cerca de uma hora o fogo foi de uma intensidade que em Tite já havia quem rezasse por nós. No meio disto até ficámos sem comunicações porque o único rádio operacional foi destruído por uma bala de canhão que rebentou nas redondezas e ainda feriu o capitão.

Durante todo o ataque eu não ouvi resposta de fogo do meu abrigo. Só que não podia levantar a cabeça para ir lá. Quando, por fim lá cheguei tive um desabafo parecido com este. Aos berros gritei: Seus filhos da puta! Então ninguém faz fogo? o cabo Melo respondeu-me com voz sumida: estamos todos feridos, meu furriel. Entrei em pânico. E agora? Corri para o capitão a pedir ajuda médica e vi-o , com ar pensativo, um dedo na testa, a olhar para mim com cara de sofrimento. Fiquei furioso. Então este gajo está a pensar na morte da bezerra em vez de se agarrar ao rádio e pedir reforços e socorro? E disse-lhe: Meu capitão: Tenho um morto e o resto estão todos feridos. Respondeu-me com o dedo na testa; Também estou ferido. E tirou o dedo da testa e o sangue jorrava pelo buraco que estava por baixo.

Também foi um dos evacuados. Mas teve o cuidado de ser o último, por respeito para com os restantes feridos. Grande homem, este capitão, hoje coronel, grande amigo e alvo de sofrimentos familiares inenarráveis.

Depois deste ataque, seguiram-se muitos mais, de menos intensidade. Pouco haveria a realçar, não fosse a fome que passávamos. Até que fomos substituídos. Ainda lá voltei muitas vezes para guarnecer a unidade que nos substituiu e uma vez para comboiar pessoal de passagem por Tite com destino àquele inferno. Foi nessa ocasião que, durante a noite muito chuvosa, tive um morto e vários feridos numa mina. Falarei disso mais adiante.


Para ver as fotos e outros artigos publicados, vale a pena visitar o blog da CCAÇ 2314 http://ccac2314.blogspot.com/

Nova Sintra - ainda a foto

Por indicação do Alf. Vaz Alves, fui verificar o verso da foto em questão, que está temporariamente em meu poder,  para confirmar a data. E na verdade a data que lá está é de 5 de Junho de 1968, foto esta que foi oferecida ao Alf. Vaz Alves pelo então Ten. Cor Hélio Felgas, conforme se demonstra pela cópia acima.
LG.

Solidão


Pela mão do José Justo, chegou-nos um excelente artigo sobre a infancia e a velhice, publicado no Expresso online.
Por qualquer razão técnica não o conseguimos publicar.
Com a devida vénia ao Expresso e ao seu jornalista Pedro Neves, sugerimos a todos a leitura deste artigo e a consulta dos videos que lhe estão juntos.
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Quando abrir o site, deixe estabilizar até aos 100% e depois pode navegar.
Mas o texto na totalidade é o seguinte:

“Solidão
“Se uma pessoa sentir quando está morrendo que,
embora ainda viva, deixou de ter significado para os outros,
essa pessoa está verdadeiramente só”
Norbert Elias
Há pouco mais de dois anos filmei o Sr. Arménio. Vivia num quarto de pensão, em frente à estação de Campanhã, no Porto. Vivia só. Vivia uma vida de rotinas que deixavam passar o tempo. Vivia uma vida em que um dia se seguia ao outro. Pouco mais. O Sr. Arménio esperava, lentamente, que o seu tempo terminasse. Temia mais a vida que a própria morte. Temia a angústia, o isolamento, o abandono, o desprezo. O Sr. Arménio sentia saudades. Sentia saudades todos os dias. Não aguentava a memória de dias felizes, dos dias em que uma mão lhe afagou o cabelo, em que a mãe o pegou ao colo, em que o pai lhe deu um beijo. Já tinham passado tantos anos desde que tinham morrido. Mas eram uma recordação bem viva na sua cabeça. O Sr. Arménio tinha uma vida de memórias passadas, desprovida de vida no presente. O Sr. Arménio não conseguia vislumbrar o futuro. As quatro paredes, onde cabia uma cama, um pequeno armário e um lavatório, esmagavam-no, faziam-no escutar o silêncio dos dias, o ruído da solidão que lhe invadia a cabeça. Pedia à Nossa Senhora que o levasse, que lhe tirasse as dores físicas da idade. Contudo, o que mais pedia era que o ajudassem a sair da solidão, do isolamento a que tinha sido vetado pelos amigos que já não tinha, pela família que perdera. Todos os dias pedia a morte.
Trabalhou muito, dizia. Cavou terra, ajudou a natureza crescer. Dizia que quando um indivíduo morre não leva nada com ele que não o seu próprio corpo. O resto fica, permanece. Ou desaparece, por vezes sem deixar rasto.
Foi quando pensei que queria entender porque se teme mais a solidão que a própria morte. Como vive alguém que já teve alguém, que já não tem, que já não tem ninguém. Como vive com os seus pensamentos e como convive com as memórias de uma vida passada.
Estes pensamentos fizeram-me reflectir no meu próprio futuro. Todos caminhamos para a velhice, não há como fugir ou ignorar.
Tenho a sorte de, aos 34 anos, ainda ter dois avós vivos e com saúde. Vivem os dois, casados há 65 anos. Têm-se um ao outro. Têm também o resto da família com eles. É difícil querer-se mais. Não consigo suportar a ideia de que um dia um deles vai ficar só, vai ter de reorganizar o resto da sua vida de um modo para o qual não está preparado. Não fomos feitos para viver sós.
Durante mais de dois meses, procurei pessoas que vivessem sós e que estivessem dispostos a contar as suas histórias.
Alguns acharam que não tinham nada para contar. Mas têm. Têm sempre. Muitas vezes não têm é quem os queira ouvir, aprender com eles e com as suas experiências, ouvir os seus medos e anseios.
Andei pelo interior e pelo litoral, pelo campo e pela cidade. São duas realidades diferentes, modo de estar distintos. Mas a solidão está lá. Só o modo como se encara é diferente. Passa a fazer parte da vida. Umas vezes aceita-se melhor, outras vezes pior.
Percebi que os que a aceitavam melhor eram os que, de alguma forma, tinham apoio. Eram aqueles que recebiam visita da família ou dos vizinhos, do lar ou da segurança social. No fundo, eram aqueles que tinham com quem falar, nem que fosse por alguns minutos, que sabiam que não iriam passar oito anos mortos no chão da sala ou da cozinha, pois alguém haveria de os encontrar. Ninguém quer ser deixado ao abandono. Nem depois de morto.
A série documental que vai ser publicada nas próximas semanas tem como objectivo fazer-nos reflectir, pensar sobre o tipo de sociedade em que vivemos, para onde caminha o mundo que estamos a construir. Pensar se respeitamos suficientemente os nossos idosos, se os fazemos sentirem-se úteis, se queremos aprender com eles o que não podemos aprender com mais ninguém e em mais lado nenhum. Um dia, também eles foram jovens. Um dia, também nós seremos velhos.
Um país que não respeita as suas crianças ou os seus idosos é um país que não tem respeito por si próprio. E que não merece respeito.
Pedro Neves"

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

CART 1802 - breve história


Com a devida vénia ao blog LUIS GRAÇA & CAMARADAS DA GUINÉ, TRANSCREVEMOS A SEGUIR A HISTÓRIA DA cart 1802, BEM COMO A DIVULGAÇÃO DUMA BROCHURA ENTRETANTO FEITA MAS NÃO PUBLICADA.
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1. Mensagem de Mário Beja Santos* (ex-Alf Mil, Comandante do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 20 de Janeiro de 2011:

Queridos amigos,
Pesquisa Ponta do Inglês e chega-se ao autor da história da CART 1802, uma história muito bonita de alguém que fez uma comissão militar em Moçambique e que se tornou amigo de alguém que fez comissão militar na Guiné e que se rendeu ao seu entusiasmo. Para que conste, é uma brochura singela e estamos muito carentes de brochuras como estas.

Um abraço do
Mário

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A história da Companhia de Artilharia 1802

Beja Santos

"Às vezes, a intenção é tudo. Manuel Pedro Dias, que prestou serviço militar em Moçambique fez amizade com Manuel Balhau (proprietário da Gráfica 2000) e que prestou serviço militar na Guiné. Manuel Pedro Dias deitou mãos ao trabalho, consultou no Arquivo Histórico-Militar a história da CART 1802, e fez-se brochura.

É um exemplo para muitos. Temos aqui um documento sóbrio, destacando as principais andanças, não descurando o In Memoriam e mostrando até os guiões dos outros batalhões (BART 1914 incluido) com quem os “Pioneiros da Nova Sintra” tiveram articulação. Coisa bonita.

A CART 1802 andou por Teixeira Pinto, Binar, Pelundo, Farim, S. João, Nova Sintra e Jabadá, ou seja percorreram o Sul, Centro e Norte. Tiveram ainda pelotões destacados em Enxudé e ilha de Jeta.

Foram mobilizados pelo Regimento de Artilharia 3 (Évora), a sua divisa era “Honra e Glória”. Uma comissão que se estendeu de Outubro de 1967 a Agosto de 1969. Mal desembarcados, seguiram para Farim; depois de treino operacional participaram numa operação na Ponta do Inglês e noutra em Binar, em ambas tiveram mortos e feridos.

Estavam de intervenção ao Comando-Chefe. Começaram o ano de 1968 numa operação em Binar e depois partiram para S. João, aqui construíram abrigos, patrulharam e limparam itinerários com vista à criação do subsector de Nova Sintra na zona de acção do BART 1914. É um período de intensa actividade operacional. Em Outubro vão para Jabadá dois pelotões, um outro fica em S. João e mais outro em Enxudé. Em Março, uma parte da companhia chega a Teixeira Pinto, vão para a ilha de Jeta e para o Pelundo. A partir daqui, apoiam trabalho de desmatação na estrada Teixeira Pinto – Bachile, bem como na estrada Pelundo – Có. Em Agosto de 1969, a 1802 recolhe a Bula, seguindo depois para Bissau.

Encontrei estes elementos enquanto pesquisava dados e factos referentes à Ponta do Inglês. Foi assim que cheguei ao conhecimento da brochura que Manuel Pedro Dias me emprestou. Bom seria que toda esta documentação aparecesse em linguagem de divulgação, ao alcance de todos."
lg.

CCAÇ 2314 - convivio anual.

Convívio de 2011

Companheiros:
Chegou a altura de começar a dar notícias. O nosso convívio está próximo e é importante lembrar que este ano foi marcado, conforme se devem lembrar, para Setembro. Assim, recaiu na data de 03 de Setembro, Sábado, e terá lugar no Gerês. A concentração será pelas 10 horas no largo da igreja de São Bento da Porta Aberta.
O almoço será servido no Restaurante Belas Vista, em Cerdeirinhas, Tabuaças e dista de São Bento 10,5 Km do local da concentração.
O programa e a foto do local, bem como a ementa, estão publicados no blog da CCAÇ 2314:
http://ccac2314.blogspot.com/
.
Até lá vão estando atentos ao BLOG da CCAÇ 2314, pois pode ser que tenha novidades.

tlm. 933538890
email: joaquimcaldeira@netcabo.pt

Joaquim Caldeira

domingo, 14 de agosto de 2011

Nova Sintra - memórias (continuação)

Do nosso companheiro Joaquim Caldeira da CCAÇ 2314, transcrevemos os relatórios que nos enviou.





Joaquim Caldeira

sábado, 13 de agosto de 2011

Figos de pita, para o Sr. Hipólito...

A nossa colega "de escola" além de fazer o favor de ser nossa leitora assídua, entendeu também ensinar o Hipólito a apanhar e a comer figos de pita. Assim ele queira...


- Como visitante assídua do Blog BART 1914, acabei de ler um "post" onde alguém faz uma breve alusão aos "FIGOS DE PITA", referindo que: ".....picam mais que os ouriços-cacheiros......"

É verdade que sim, picam mesmo, mas só a quem não os sabe apanhar...., porque a técnica para sair ileso de tal tarefa, só os Algarvios conhecem e fazem-no na perfeição, aliás a técnica não é só para os apanhar, mas também para os descascar.......

Mas são tão saborosos !!!!......

Quem estiver interessado em aprender é só dizer, pois de imediato se disponibilizará a "receita" para apanhar e comer esse fruto delicioso.....

Albertina Granja

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Procurando familiar do BCAV 490.

Olá
Meu nome é Rui Manuel dos Santos Pires  nascido en Lisboa no ano
1967, filho de Jose Antonio Pires  nascido en Veiros-Extremoz, neto
de Domingos Tomaz Pires  
Gostava saber se alguém pode me ajudar em conseguir informações de meu pai, pois eu trouxe para a Espanha em 1974 e nunca conheceu meu pai so ten estes datos dei que foi para a Guiné.

Nome do meu pai:
> Jose Antonio Pires
> Datos de o meu pai.
> Nascido en Veiros-Extremoz
> Data nascimento a duas pode ser.:  9/6/1944 o  19/7/1942
>
> Nomo do Pai meu pai: Domigos Tomáz Pires
>> Tirou a recruta no Quartel em Beja, depois já pronto veio para o Regimento
>> de Cavalaria nº3 em Estremoz, foi mobilizado para o Ultramar no >> Batalhão nº
>> 490 para a provincia da Guine esteve lá nos anos de 1963 a 1965

Rui Manuel dos Santos Pires
c/Virgen de las Angustias nº 16
28890
Loeches-Madrid- Espanha
____________________________
: raulpsinos
Enviada: sex 12-08-2011 15:10
Para: airsoftrm67@gmail.com
Assunto:  Meu Caro Rui Santos PiresEm resposta ao seu pedido junto os numeros de telefone para contactar. Este telefones foram-me dados por um amigo do Porto.
Espero que tenha sucesso.
Um Abraço Raul PSinos  .
_________________
tlf. tlm. 232 912 219 – 919 650 566
É o contacto de quem organiza os encontros anuais do BCav490. Não sei o nome. Mas parece-me que poderá ser por aí a possibilidade de encontrar o Domingos Tomás Pires...
Abraço
A. Marques Lopes
_________________
nota - Deve haver aqui alguma confusão por parte do Marques Lopes, porque parece que a pessoa procurada é JOSÉ ANTÓNIO PIRES e não DomingosTomaz Pires, seu Pai e avô do signatário.
O Pica, como sempre,  fez as diligências necessárias.

O Hipó e a sua algarvia...






“Al vezes”, influência, daqui,  da terra dos “Al’s” e dos figos de pita, (*) que os pariu, picam mais que os ouriços-cacheiros !, quase me passa pela cabeça que, alguns de vós, poucos, me andam, não sei se, acintosamente ou, por santa inocência, a catalogar de Hipo.  

Embora, venha hesitando em abordar o assunto, por temer tentar negar uma evidência, o certo é que, o meu nome próprio, herdado pelo baptismo do meu padrinho, derivará, etimologicamente, do grego (e é bem capaz de dizer a letra com a careta).
É, assim:
Hipos (cavalo);
Litos (de pedra);
O que dará, nem mais, nem menos,
Hipos+litos = Hipólito = cavalo de pedra.
Até no nome, continuo sem sortinha nenhuma ! . . .

“Portantos”, por conseguinte e consequência, ide chamar asno (hipo) ao burro do moleiro da v/santa terrinha que, no novas oportunidades,  aprendeu a ler e escrever mas, quando já se desabituara de comer, patinou . . .
Uma pena . . . Apesar de não insubstituível, é triste ver desaparecer, de entre nós, mais um portento de cultura, logo agora que, para a maioria, o livro de cabeceira obrigatório é a Bola, o Record, o Jogo ou, vá lá, do mal o menos, a Playboy !
(A  frase seguinte está encriptada...)

Ouvi, mesmo agora, duma algarvia, esta, para interiorizar, antes da deita:

Com deus me dêto,
Com deus magasalho
Uma mão no pêto
A outra no  . . .  (pareceu-me, será?)  . . .  soalho.

PS (post-scriptum, por môr das confusões): sonhei ou algo me alerta de que, um ou dois, fregueses se preparam para lançar uma OPA à, já, muito debilitada economia cá da minha tabanca.
Aviso: o crédito da Cofidis, foi-se, há muito; vou, já, no da Cetelem, quase, quase a esvair-se, agora sem os reembolsos directos, com a alimentação e veterinária do canito e os devaneios de anteriores golpes de mão de que fui vítima, num passado recente.
Ir-me-á valer, de certezinha absoluta, a amizade solidária dos amigos (amigos na guerra, amigos para sempre), a quem irei, obrigatoriamente, recorrer, sob pena de, acossado pelos cães dos credores, só parar na “Inbicta”, onde me valerá o pau de marmeleiro que, à cautela, mantenho atrás da porta.
E, também, conto com a ajuda do kipper (o tal cão, fera q. b.) que, para o efeito, já comecei a treinar.

(*) Oh tu, militante e puritano censor, enxergaste, porventura, desta vez, o realce e o negrito da vírgula, ou preferes um raspanete da alta autoridade respectiva ?!!!.

Tenho dito.
Hipólito (Hipolitinho, pr’ós amigos)