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Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma! (Patoleia Mendes ).

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"Ó gentes do meu Batalhão /

Agora é que eu percebi /

Esta amizade que sinto /

Foi de vós que a recebi…"

(José Justo)


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EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O apagão em Viana do Castelo, na noite de fim de ano - pelo Cavaleiro

O apagão na noite de fim de ano (2010/2011)
Não sei de quem foi a ideia. Tivesse sido ela do Sócrates, do Cavaco, do Moura, do Xico Lopes ou do Nobre, parabéns fiquei muito feliz! Por acaso não estava em casa. Este ano fomos consoar a casa do meu cunhado, irmão da minha mulher. Há muitos anos que é sempre assim, o Natal na minha casa o ano novo na dele e o contrário no ano seguinte. A casa é praticamente ao lado da minha.
Pois bem, por volta das sete e meia da noite lá fomos, eu e a minha mulher. O meu filho, nora e neta foram a casa dos meus compadres, com a promessa de ainda passarem um bocado da noite com “os velhotes”; a Maria (neta) ficaria connosco enquanto eles aproveitariam para  passar o resto da noite com os amigos.
A casa estava quente. O fogão de sala a trabalhar em pleno. Da cozinha, os vapores e o cheiro dos troços a cozer; uma mesa com as guloseimas da época.
O bacalhau na travessa pronto para dar um mergulho na panela. Tinha bom aspecto. Na mesa ao lado, as iguarias do costume prontas a saciar, na devida altura o apetite dos gulosos. Na sala de jantar a mesa estava linda. Fora adornada com os “pexibeques” alusivos à quadra. Os chineses aparecem em todo o lado! Também lá estava o vinho branco “muralhas” e o maduro  tinto “chaminé” cá para o velhote. Ainda cheirava a Natal.
Ah! Esquecia-me de referir que éramos sete. Para além dos anfitriões e nós, também lá estavam os dois filhos do meu cunhado, um deles com a esposa, o tal que casou no dia 8 de Maio, cerimónia em que fomos os padrinhos e que por essa razão não pudemos ir a Penafiel, lembram-se? É evidente que havia esmero a dobrar, ou não fosse o primeiro ano da nora lá em casa!! Tudo afinado para que nada faltasse! Quando a nora não gosta de bacalhau (coitado do meu sobrinho que só vai comê-lo uma vez por ano), trata-se com a devida antecedência de perguntar  “o quê em vez de?!!!” , e então também lá vai aparecer o polvo! Por acaso estava jeitoso. Tinha bom aspecto. Olhei-o de soslaio numa das panelas na cozinha. Era dos escuros, das pedras, como nós lhe chamámos! Muito bem apresentado.
Quando tudo parecia perfeito, já quase na fase final do exercício físico de aquecimento e preparação dos molares e das goelas, para entrarmos de rompante ao ataque do dito cujo, que julgo ter vindo da Islândia, dizem, eis que veio o “APAGÃO”! Ficamos completamente às escuras!
Através dos vidros das portadas apercebemo-nos que a avaria era geral. Lá fora apenas se viam uma ou outra luz de carro que passava na estrada. E aquilo que julgávamos passageiro, com o andar do tempo, fomo-nos convencendo que a coisa era grave. Aquilo era mesmo um verdadeiro “APAGÃO” não havia, portanto, que dar tréguas ao conduto!
Mãos à obra! O meu cunhado pôs-se em acção e passado pouco tempo já tínhamos uma lâmpada a dar luz que ele conseguiu com uma ligação ao carro. O rapaz é muito habilidoso para estas coisas! Também havia velas e um pequeno “petromax”. Não havia razão para deixar arrefecer o bacalhau! Ah, entretanto para animar a festa o meu cunhado desencantou um “brinquedinho de estimação” – oferta a ele próprio, um rádio portátil com leitor de DVD, de cor preta, brilhante, com uma pega que dá jeito quando se passeia. Julgo até que é um modelo parecido com o que tem uma prestigiada figura pública da aldeia, de seu nome Ramiro, mais conhecido pelo “Careca”. Para vocês que são de outras paragens, o “Careca” é um homem, com um acentuado atraso mental e que merece a estima e o respeito de todos nós. Mas também é verdade que ele, o “Careca” anda normalmente acompanhado pelo seu portátil, o tal parecido com o do meu cunhado. É lindo! Estão a vê-lo de rádio na mão passeando ao som do “Baile da Paróquia” do Rui Veloso?  Um encanto! E então lá estivemos na companhia, não do Rui Veloso, mas sim do Júlio Iglesias! Foi bonito. Naquele ambiente, eu era uma pessoa muito feliz, contrariamente ao resto da família, embora não o transmitissem! Feliz porque não havia televisão capaz de abafar as nossas conversas. Para além de diferente, tínhamos a oportunidade de falar. Falar de tudo e do nada sem estarmos a ser interrompidos por um qualquer discurso circunstancial ou programa balofo vindo da televisão. Eu sei que para alguns dos presentes era difícil passar aquela noite sem um cheirinho da passagem do ano na Espanha, na Inglaterra em França ou em Alguidares de Cima! Nessa noite o comando da TV costumava ser uma vítima da agressividade digital! Ah, e o António da Casa dos Segredos? Quem irá ganhar? E eu cá para os meus botões ia dizendo “que maravilha – foi Graça Divina! Ainda por cima aquele programa tão vulgar tão deprimente e tão deseducador. Não é que eu veja o debate dos candidatos presidenciais, mas minha nossa, que país é este em que um programa tão baixo e reles, consegue entusiasmar mais o país do que a eleição presidencial?!...conseguindo ter quase o dobro da audiência de um debate televisivo entre candidatos?! Bom mas para além desse programa havia também “os Ídolos”, a “Operação Triunfo”, estes bem mais suportáveis dos que o anterior. Era tão bonito ver a D. Júlia a rebolar com o “imberbezinho” de um tal Granger! Deprimente mesmo! Vá lá que a Fátima não tinha qualquer programa para aquela noite! Seria muito mais difícil de digerir! Entretanto avisávamos o nosso filho que não tivesse pressa, pois não havia luz e por tal o portão que é eléctrico não funcionava. Como fazia frio e a chovia era muito chato ir lá fora desencravar aquela coisa! Então a noite lá ia avançando e já muito perto da meia noite a senhora EDP não quis ser mazinha de todo e por caridade com o Zé que paga a horas o que eles bem entendem e querem porque não têm concorrência, lá reconsiderou e achou que nos deveriam proporcionar a passagem do ano com luz, o que nós, os ZÉS, agradecidos, reconhecidos e obedientes ficamos muito contentes! Apressadamente liga-se a televisão, faz-se silêncio, conjecturam-se nalgumas mentes que “ainda se ia tempo!!”, mas………espectáculo! A televisão….. não dava sinal de vida, estava muda e sem imagem! Espectacular, pensava eu de contente, sem dar a entender! Também não havia telefone nem internet! Espectáculo! E desta vez a culpa já não era da coitadinha EDP mas sim da ZON. Esses senhores já vão saber como é, dizia o meu cunhado.!
Ódio para cima da ZON! Estes gajos que só sabem chular o parceiro vão já saber como é! Vão-se lixar, que não pago as horas em que não há televisão dizia o chefe da casa! Não digas isso homem, repostava a minha cunhada. Olha, só tens conversa! Tu não vês, pagas e não bufas! Mas como homem é homem………telemóvel na mão,…….. blá, blá, blá, blá, blá, blá, e acaba por brincar com a operadora; ela respondeu-lhe com umas palavrinhas de circunstância, pelos vistos “meiguinhas”, porque ele não esperneou e como resultado de tão profícua conversa, recebeu uma mensagem, que por acaso até veio parar ao meu telemóvel, informando-o que o técnico iria proceder à reparação no dia seguinte, por volta das 19H00!!! Lá se foram as expectativas! Nada melhor do que continuar a conversar e a ouvir o Júlio Iglesias ( confesso que já estava cheio dele)!
Lá fora também já havia luz, televisão também, na casa de algumas pessoas amigas. Que raiva porque será que eles já têm e nós não?!! Pensavam algumas mentes perversas. Mais descansados, reunimo-nos para brindar ao novo ano! Tlim, tlim, tlim, tlim, tlim……, as saudações repetidas de anos anteriores, com um senão……..a minha cunhada esqueceu-se das uvas passas, e esta….passou mesmo sem que ninguém tivesse dado pela falta! Tanto trabalho nos dias que antecederam, na procura por todo o canto e esquina das melhores uvas passas e……logo lhe havia de acontecer aquela. É de referir que a minha cunhada no dia 3 de Janeiro, portanto logo a seguir faria 60 anos. Está desculpada…….Em compensação ouvimos o sino da igreja, ouvia-se lá fora o barulho dos foguetes e de algum fogo de artifício.   
A noite ia avançando e nada melhor do que ir para casa. Manta pela cabeça que o tempo não estava para graças; podíamos apanhar uma gripalhada, o que na nossa idade é quase meio bilhete para Santo António (capela de repouso)! Atravessamos o quintal. Pelas redondezas, havia alguma festa, não sei o que diziam, mas deu para entender que no vizinho do lado haveria festança até às tantas da matina, tantos eram os berros de alegria (?) que esvoaçavam naquela noite. Não errei, pois cerca das nove horas da manhã ainda se faziam ouvir, de algumas vozes roucas, alcoolizadas e cansadas, os ecos de uma noite certamente bem curtida. Esta juventude agora não faz nada sem a presença do álcool! Nós, na nossa juventude, também o tínhamos, mas……nem dava para saboreá-lo! Era muito caro!!!
Entretanto já em casa, telefona o meu filho, dizendo que estava atrasado, não por culpa da EDP, pois em casa dos sogros havia electricidade, mas sim porque estava ainda em casa e assistia a uma festa divertidíssima da família, que teve a feliz ideia de recrutar três tocadores de concertina para animar a malta.
Cerca das duas e meia da manhã, já na quentinho da cama, foi-nos entregue o presente mais apetecido da noite: já cansada e meia ensonada chegou a Maria para dormir connosco. Que bem dormimos………..
Remato dizendo que o técnico da ZON não veio, a avaria era geral. Milhares de famílias tiveram mais tempo para falar, brincar, reflectir. Como eu, também elas deverão estar agradecidas à ZON. Entretanto a operadora acertou, pois só no dia seguinte,  cerca das sete e meia da noite tivemos acesso à televisão, ao telefone e à internet.
Para que não me apelidem de “masoquista” refiro que as festanças do Natal ou do Ano novo na minha casa “não dão direito” (sem imposição) de estar à mesa de jantar, a ver a televisão, a internet  ou a brincar às mensagens no telemóvel. Numa sala distante uns metros, está lá a televisão e a aparelhagem de som que nos faz ouvir músicas alusivas à quadra. Sim, gosto muito de ouvir essas músicas, baixinho, vinda do outro lado da sala….  Quem quiser vai para lá, o que normalmente não acontece, pois a conversar  o tempo passa e todos nós sentimos que o tempo é de família, de união, de partilha e não das novas tecnologias. Na minha casa até hoje ninguém ficou zangado por esta postura. Julgo até que nem dão pela falta.
E agora deixemos o humor da crise da electricidade e da televisão e vejamos a seguir a realidade dos factos.
A energia, nas suas mais variadas vertentes, sempre foi recurso essencial para o funcionamento e manutenção da vida em sociedade. A electricidade destaca-se como um dos recursos energéticos fundamentais na sociedade contemporânea, tornando-se indispensável para a realização das diversas actividades diárias. Quer se goste ou não, o certo é que hoje permanecemos constantemente ligados ao mundo utilizando a electricidade, dependendo dela  para realizar as mais diferentes tarefas, como por exemplo cozinhar, conservar alimentos, para comunicar e obter informações, lazer, trabalho, estudo, entre milhentas de outras coisas.

Chegamos a estar quase cinco horas com o fornecimento de energia suspenso. Um dia sem televisão, telefone e internet. Que eu saiba, a EDP não explicou os motivos relacionados a essa onda de falta de energia. Por seu lado a ZON, também não deu qualquer justificação, embora tivesse mandado uma mensagem a dizer que a “reparação já tinha sido efectuada”. Os responsáveis não pensam. Saberão eles que postos de combustíveis, hospitais, o trânsito, comércio e residências, restaurantes, fábricas, viaturas de transporte e tantos outros sentiram o problema de forma drástica, alguns deles até com prejuízos morais e materiais incalculáveis?! Saberão “eles” que muitos deles se sentiram impotentes para ocorrer a tanto desespero  para se justificar e agradar a tanta gente que pagou para se divertir nessa noite? Serão “eles” capazes de avaliar o desprestígio de tantos locais de diversão, cuja desculpa com a EDP não foi suficiente para manter a sua credibilidade?

Pois meus amigos, estas coisas não acontecem só aos outros! Convençam-se que estamos numa civilização “terceiromundista”. O que aconteceu, só acontece num país do terceiro mundo! Para além de estarmos atrasados tecnologicamente, temos dirigentes que não dão a cara, estão-se borrifando para o Zé que paga e os sustenta faustosamente, convencidos, diria mesmo ignorantemente convictos  que são os mais generosos, os que mais trabalham, os mais sérios, os mais competentes!

Para o próximo ano preparem-se porque num país como o nosso é muito possível que a EDP (só pode ser esta, não há outra!) sem local pré definido, sem justificação e sem qualquer aviso prévio vos surpreenda com um valente “APAGÃO”!

Não se esqueçam de ter sempre à mão um “petromax” e algumas velas. Dá um jeitão!!!

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