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Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma! (Patoleia Mendes, furriel milº Angola ).

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"Ó gentes do meu Batalhão /

Agora é que eu percebi /

Esta amizade que sinto /

Foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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"NINGUÉM DESCE VIVO DUMA CRUZ!..."

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra colonial


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EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O Natal do Zé Justo

Natal
Desde sempre, tive a feliz dita de uns Natais que sempre recordarei.
Fui abençoado por tudo o que em criança e mais tarde como adulto, ansiei nesta quadra.
A árvore de Natal enfeitada com lindos adornos de purpurinas multi coloridas feitas por meu pai., com pinhas e bogalhos.
O presépio completíssimo, de menino Jesus abençoado pelo padre Carvalho a pedido de minha avó, rodeado por musgo verdadeiro, que minha mãe comprava no Mercado da Ribeira (o tal da novela Laços de Sangue).
No dia 24 antes de deitar, eu e meu irmão ir-mos muito respeitosamente por os sapatinhos na chaminé enfeitada com papel prata, para o Menino Jesus colocar no dia seguinte os seus presentes, sempre com a nossa promessa, ajoelhados, qual altar, de nos portar-mos melhor, comer tudo e não atentar a avó São, no novo ano esperado.
Já na minha própria casa, fiz por manter tudo como na meninice, e há mais de trinta anos, a família reúne-se e vive a época da melhor maneira.
À grande obreira Alda, que se “esfalfa” em trabalhos e pormenores para que todos os muito convivas, sintam a alegria da quadra.
O meu apreço e admiração, pelo seu génio decorativo, culinário e logístico.
Na mesa as cadeiras tem vindo a reduzir-se. Pela ordem natural da vida os que partiram, são já mais do que os que nasceram, mas a vida continua, e todos são lembrados.
“Só se morre quando já não se é recordada”
Não sei nem posso realçar um único dos meus Natais, por de todos ter muito gratas recordações.
Substituindo-me, e de forma superior, deixo-vos um dos mais belos poemas de um homem que enriqueceu como muito poucos, a nossa língua com magistrais palavras, Ary dos Santos  
Quando um Homem quiser
Tu que dormes à noite na calçada do relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas
em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nama vida a amanhecer
que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas
em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
música: Fernando Tordo
 letra: Ary dos Santos
 intérprete: Paulo de Carvalho

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