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Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma! (Patoleia Mendes ).

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"Ó gentes do meu Batalhão /

Agora é que eu percebi /

Esta amizade que sinto /

Foi de vós que a recebi…"

(José Justo)


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EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O Natal da minha infância - pelo Joaquim Caldeira

O Natal da minha infância
Recordo que havia sempre muito frio, por vezes muita neve e, invariavelmente, gelo que se acumulava nos beirais das casas e nos caminhos e riachos.
A igreja matriz era devidamente enfeitada para poder transmitir aos fiéis uma onda de misticismo condicente com a época.
Passava-se isto na aldeia de Louriçal do Campo. Para quem não souber onde fica, eu ajudo. É na base da serra da Gardunha, na vertente sul.
Durante cerca de uma semana que antecedia o dia de Natal, havia um grupo de rapazes mais velhos do que eu, juntamente com homens que se voluntariavam para arrancar o cepo da maior árvore que houvesse nas redondezes e carregá-lo para o adro da igreja a fim de, na véspera, se poder fazer o braseiro que arderia durante vários dias até se extinguir ou a chuva o apagar. Durante a fase em que ardia, era frequente ver rapazes, - raparigas não, - a atiçar o lume ou aquecer pés e mãos, enquanto se divertiam.
Em casa, as mães já tinham feito as filhoses em quantidades muito grandes para poder satisfazer a gula dos mais novos, competindo para fazer a maior quantidade. Era tradição.
Chegado o dia era a entrada solene na Igreja onde o padre muito bem paramentado aguardava os fiéis enquanto se ouviam cânticos próprios da época. Seguia-se o sermão onde se explicava a origem da tradição e o seu valor religioso. Ao lado via-se o presépio sempre muito bem construído e enfeitado. Ainda hoje dá gosto lembrar. No final era tradição beijar o pé do Menino. Filas para esse acto.
Finda a cerimónia era caminhar para casa para um almoço diferente. Mas pouco, porque não se vivia com a fartura que há hoje. Após a refeição, os mais novos brincavam com os presentes, quando os havia. Nesse tempo, quem queria brinquedos tinha de fazê-los.
Eu nunca chegava a entender como o Menino Jesus nascia em família tão pobre e em dia tão frio para salvar os homens e vinha a morrer três meses depois já com trinta e três anos. Era muito pouco tempo para tanto mistério. Por vergonha nunca pedi que mo explicassem. Talvez ainda hoje não entenda muito bem.
Durante esta quadra, por não haver escola, tinha mais tempo para brincar com os meus irmãos e fazíamos grandes bonecos de neve que se mantinham por vários dias, até que a chuva ou o sol os derretesse. As árvores estavam lindas, cobertas de neve, e algumas partiam com o peso enquanto os ribeiros congelavam e o gelo se formava sob a terra dos caminhos fazendo um ruído próprio quando pisado.
Tudo tão diferente do natal que comemorei no ano de 1968 em que, em Fulacunda, após uma ceia tão agradável quanto possível, nos foi servido o filme “O Homem das Pistolas de Ouro” e, cinco minutos após fomos servidos de um ataque que provocou um rasto de morte, feridos e destruição.
O filme continuou a correr em sala vazia até que cortaram a energia e tudo parou.
Mais tarde tentei recriar o Natal da minha meninice para o servir aos meus filhos. Já não era possível. Tudo tinha mudado. Hoje, resta a saudade.
Tenham um bom NATAL.
Joaquim Caldeira

1 comentário:

Albertina Granja disse...

Não há dúvida que, os tempos mudaram, e o Natal já não é o que era na nossa infância.
Quanta diferença?
Quantos anos se passaram?
Agora, só nos resta mesmo recordar com muita saudade os Natais dessa época.
Um Santo e Feliz Natal para todos