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Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma! (Patoleia Mendes ).

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"Ó gentes do meu Batalhão /

Agora é que eu percebi /

Esta amizade que sinto /

Foi de vós que a recebi…"

(José Justo)


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EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART
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domingo, 28 de fevereiro de 2010

CONTIGE.... DE PADEIRO A DESIGNER

Dizem os entendidos, que denomina-se por design, qualquer processo técnico e criativo relacionado à configuração, concepção, elaboração e especificação de um artefacto. Esse processo normalmente é orientado por uma intenção ou objectivo, ou para a solução de um problema. Existem diversas especializações. Actualmente as mais comuns são o design de produto, de visual, de moda e o design de interiores. O profissional que trabalha na área de design é chamado de designer. É assim que temos que passar o chamar o Contige…O designer Contige… Que com as suas filhas (uma arquitecta e a outra modelo) e mulher abraçaram esta área com sucesso. há 2 anos, mais propriamente a 20 de Fevereiro de 2008, no Bloog do Bart 1914, escrevia-se assim: Lembram-se do Contige? Um rapaz alto, um pouco musculado, quase sempre “pintado de branco”, passando a maior parte das horas, quando em descanso, encostado à ombreira da padaria, edifício com a frente virada para o edifício das transmissões, conversando com o Costa de “Ovar”, Operador de Transmissões, este, sorna na primeira linha. E afirmava: O Contige era o padeiro…. …. Pois…. É isso mesmo que estão a pensar, o Contige, quando possível, dava-nos um pãozito escondido. E nós (……) quem? Os outros! Retribuíamos (não que ele pedisse) com “ produtos da exportação dos paizinhos e mãezinhas, das esposas, das namoradas e mesmo das chamadas madrinhas de guerra. SE durante anos foi difícil encontrar o Contige, depois de o descobrimos, não têm parado os encontros. Num desses, muito recentemente, na Tasca dos Bolas, em Almada, ele trouxe mais fotografias, onde curiosamente, espelham também outros camaradas que ainda não tivemos a oportunidade de encontrar. A seu tempo, direi eu, os encontraremos.

AS FOTOS QUE O CONTIGE MANDOU

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Os ultimos dias em Tite - pelo Fernando Teixeira

Meu Caro Raul,

Como o prometido é devido, aqui vai um pequeno texto sobre como eu vivi os últimos dias em Tite. Afinal fui um dos últimos portugueses a deixar este aquartelamento que curiosamente, em 1963, no dia 23 de Janeiro, tinha sofrido o primeiro ataque realizado pelo PAIGC naquela que seria a malfadada guerra em que nos meteram.

Falas em encontrarmo-nos pessoalmente. Eu vivo em Lisboa, mais propriamente na Portela de Sacavém. E tu onde vives?

Um abração

Fernando Teixeira

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TITE A ÚLTIMA POSIÇÃO PORTUGUESA NO QUÍNARA

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Como referi em crónica anterior, a 2ª C. Art do B. Art.6520/72 deixou Nova Sintra, rumo a Tite, no dia 17 de Julho de 1974, pernoitando a Companhia, em Tite, para, no dia seguinte, embarcar para Bissau, rumo ao “Puto”.

E assim, foi. De manhã, para aproveitar a maré, chegou a LDG que iria levar os homens e material da Companhia. Acompanhei-os até ao Enxudé e despedi-me, um a um dos meus homens. Os homens do Segundo Grupo de Combate da unidade. Ao despedir-me fui confrontado com a minha frustração de comandante que tinha traçado como seu primeiro objectivo recambiar para Portugal todo o seu pessoal são e salvo. Infelizmente, falhei este meu objectivo e este falhanço tem-me perseguido a vida inteira. E naqueles momentos em que a síndroma pós-traumática ataca com mais força tento sempre convencer-me, infelizmente em vão, que quem vai à guerra dá e leva. E, assim, ainda hoje, choro os homens que estavam à minha responsabilidade e que eu não fui capaz de devolver aos seus entes queridos, vivos ou inteiros. Os dramas de um comandante.

Apesar de saber que a guerra, final e definitivamente, tinha acabado para eles, foi com uma enorme emoção que os vi desaparecer rumo a Bissau. Nesse momento, tirei o meu lenço de seda azul – distintivo do grupo – que todos usávamos com o nosso fato de combate. Afinal já não comandava mais o 2º Grupo de Combate da 2ª C. Art. do B.Art. 6520/72. Restava-me mais uns meses de espera em Tite, antes de chegar a minha vez. Afinal, eu ainda estava a meio do período da minha comissão e, como tal, fui requisitado para ficar como adjunto do Comandante do COP 6 que, entretanto, tinha sido criado em Tite para assegurar a defesa Sul da capital. Passei, assim, a exercer as funções de amanuense de luxo, com direito a gabinete com paredes meias com o gabinete do “Maior”.

E os dias foram passando cada vez mais lentamente na medida em que as saudades da família iam crescendo. Afinal tinha estado casado somente três meses antes de partir para a Guiné, vítima de uma inqualificável mobilização em que fui preterido em detrimento de outros oficiais mais modernos.

Porque era amanuense de luxo tive oportunidade de viajar com o “Maior” pelas outras companhias ainda presentes no terreno, Jabadá, Gã-Pará (ou Ganjuará). Com muita pena minha não visitei Fulacunda.

Para visitar Gã-Pará fomos de avião até Porto Gol, atravessando o rio Geba, de Sintex, até ao extremo do Quínara. Que impressão me fez ver as instalações onde esta Companhia viveu mais de dois anos. Simplesmente, abaixo de cão. Ao que me disseram fruto da teimosia de um cabo de guerra que pontuou na Guiné por alguns anos...

Nesta altura já contactávamos assiduamente com os elementos do PAIGC que circulavam livremente por todo o Quínara. Uma coisa que me marcou nestas relações com o ex-IN foi o elevado nível de cortesia e aprumo militar que sempre pautaram todos os nossos contactos. Simplesmente exemplar. Porém, se as coisas corriam bem com a tropa portuguesa, as relações com os elementos da tropa africana que fez a guerra ao lado do Exército Português denotavam uma certa frieza, quando não agressividade. Uma situação que muito nos preocupava pois temíamos retaliações do PAIGC sobre os GEMIL. Lembro-me de ter ouvido, por mais de uma vez, o nosso “Maior” avisar os responsáveis do PAIGC para o perigo dessa atitude pois poderia significar iniciar um País – a Guiné Bissau – com uma guerra civil.

Carta Militar de Tite

Diariamente lá me ia desembaraçando das minhas tarefas e aprontando a nossa saída eminente do Quínara. Um dia recebi ordens para começar a incinerar os nossos arquivos, livrando-nos de toda a papelada inútil. E ao passar os documentos um a um, a certa altura, cai-me nas mãos um documento que continha a explicação da minha mobilização abusiva e irregular para o CTIG. Era a confirmação daquilo que eu já suspeitava há muito. Não resisti a mostrar esse documento ao Comandante e a dizer-lhe que, na roda da vida, uma vez se estava em baixo, outra vez se estava em cima e, naquele momento, eu estava em cima. Poderia ter guardado o documento para me servir dele como arma de arremesso quando chegasse a Portugal. Mas, não. Resolvi pegar num fósforo e queimá-lo ali mesmo. Passados trinta e quatro anos ainda não me arrependi desse gesto. Afinal, nessa altura, Portugal já era um País livre...

Em dado momento recebemos instruções para pagar o pré à tropa africana abonando, esta, até ao fim do ano. A nossa presença em Tite caminhava a passos largos para o fim. Restava-me ainda viver mais dois episódios complicados como resquício dessa guerra em que estivemos envolvidos.

Porque a Companhia de Jabadá estava para evacuar a posição daí a alguns dias, fui com o “Maior” fazer a despedida àquele aquartelamento situado na curva do Geba. Fomos em dois barcos Sintex para aproveitarmos, no regresso, trazer alguns víveres que já começavam a escassear em Tite. O Comandante resolveu partir à frente tendo eu permanecido mais algum tempo em Jabadá para proceder ao carregamento dos víveres. Estávamos ao fim da tarde. Estando a Guiné numa zona com 11º de latitude Norte, a geometria terrestre provoca uns ocasos extremamente rápidos, caindo a noite num ápice. Assim, passado pouco tempo depois de deixarmos Jabadá rumo ao Enxudé, já estávamos a descer o Geba de noite. Corria tudo bem até que o motor fora de borda do Sintex calou-se. O barqueiro que de barcos nada percebia, tentava desesperadamente repor o motor em funcionamento. Como eu tinha alguma experiência na matéria fui verificar a quantidade de combustível disponível no depósito. E aí residia o problema. Este estava completamente seco. Pior foi quando eu conclui que não havia mais combustível a bordo do Sintex. Estávamos à deriva, descendo rapidamente com a corrente rumo ao Atlântico. As luzes de Bissau, na outra margem, iam aumentando e nós na escuridão da margem esquerda. Mandei desmontar umas grades de batatas que transportávamos para, com as tábuas de que estas eram feitas, improvisar uns remos de emergência. Porém, rapidamente percebi que com as tábuas dos caixotes nunca conseguiríamos vencer a forte corrente. Ainda pensei tentar dirigir-me para a margem mas um elemento do PAIGC que vinha connosco avisa-me: “ – Alfero, neste sítio manga de crocodilos!”. Assim pensei ser mais assisado prosseguir ao sabor da corrente.

No meio da escuridão da noite, a um dado momento ouve-se um motor fora de borda. Percebi que deveriam andar à nossa procura. Bem gritámos a pedir socorro mas o barulho do motor abafava os nossos chamamentos. Lembrei-me a certa altura de que era portador de uma pasta contendo uns quaisquer documentos confidenciais e vi, nesses documentos, uma provável maneira de sairmos desta situação que começava a ser bastante complicada. E como eles eram “confidenciais” logo pensei que a melhor maneira de preservar essa “confidencialidade” seria utiliza-los com archote para localizar a nossa posição à embarcação que andava à nossa procura. Meio dito, meio feito. Chega-se-lhes um fósforo, lá se “foram” os documentos mas fomos localizados. Cabo de reboque passado, recolhemos à segurança do Enxudé.

Os dias iam passando e a um dado momento recebemos instruções para desarmar a tropa africana. Aí percebemos que íamos ter complicações graves e percebe-se porquê. Eu, se pertencesse àquela tropa, não ficaria nada descansado tanto mais que já tinha havido um incidente grave entre um ex-combatente dos GEMIL e elementos do PAIGC. Exposta a situação a quem de direito em Bissau, fomos visitados por uma delegação de oficiais portugueses e oficiais dos Comando Africanos que vieram a Tite para tentar deitar água na fervura entre a tropa africana e os elementos do PAIGC. Desta visita ficou-me gravado na memória o facto do oficial português mais graduado da comitiva – um capitão-tenente da Marinha – ter acompanhado o almoço com uma garrafa de whisky só para ele, como se de vinho se tratasse. No fim nem uma gota ele deixou no fundo da garrafa. Nunca pensei que se pudesse emborcar tanto álcool de uma só vez!

Acalmaram-se os ânimos. Pelo menos por algum tempo. Aproveitou-se para retirar o armamento à tropa africana e acondicioná-lo na respectiva arrecadação. Os nervos desta tropa ficaram à flor da pele. Para complicar tudo voltam a dar-se incidentes com elementos do PAIGC. OS ex-combatentes que tinham combatido ao lado do Exército Português entram em alvoroço e ameaçam arrombar a arrecadação de material de guerra para reaver as suas armas. Foi o diabo para os conter. Tivemos que os ameaçar que abriríamos fogo se tal fosse tentado. Para nós estava criada uma situação dificílima pois se pretendíamos evitar incidentes, entre ambas as facções guineenses, de um lado tínhamos um bando de desesperados. Prevendo que, aproveitando a noite, poderia haver uma tentativa de assalto às armas, tomámos uma medida engenhosa para evitar o pior no caso da tropa africana levar a cabo o citado assalto. Assim, o mais disfarçadamente possível, cada oficial foi à arrecadação, retirou umas dezenas de culatras das G3, metendo-as, seguidamente, nos seus sacos e malas de bagagem pessoal e dissimulando-os nos seus quartos. Assim, as armas de fogo tinham passado a meros varapaus. Foi uma noite de angústia para todos nós já que poderíamos ter de abrir fogo sobre os nossos antigos apoiantes. Mais umas acções diplomáticas junto de ambas as partes e lá se conseguiu apaziguar os ânimos. Contudo, foram dias muito difíceis para nós que ficámos a temer que, a qualquer momento, o “caldo se entornasse”.

Finalmente recebemos ordens para evacuar Tite. Na última semana que lá passei, porque já não houvesse mais mantimentos, comemos a todas as refeições feijão guisado que cozia permanentemente nos caldeiros tal era o seu estado de dureza.

E, assim, nos primeiros dias de Outubro, em data que já não consigo precisar – talvez no dia 2 ou no dia 3 – chegou o nosso último dia em Tite. De manhã bem cedo, formou a tropa portuguesa com a tropa do PAIGC ao lado e uma grande parte da população a envolver-nos. Içou-se a bandeira de Portugal pela última vez no mastro do quartel ao som dos toques de ordem. Seguidamente, o corneteiro perante o silêncio sepulcral de todos dá o toque para arriar a bandeira. Esta desce devagar, é dobrada e entregue ao Comandante. Vi neste momento, numa emoção verdadeiramente sentida com muitos elementos da população civil com as lágrimas a correr pela cara abaixo. O corneteiro toca novamente a içar a bandeira e sobe no mastro de Tite a bandeira da Guiné Bissau.

Tinha acabado definitivamente a guerra no Quínara, no exacto local onde se deu a primeira acção militar das tropas de libertação. Corria, então, o dia 23 de Janeiro de 1963 quando o PAIGC faz um ataque ao quartel de Tite. Deste ataque resultou 1 morto e 1 ferido das NT e 8 mortos confirmados e vários feridos graves no IN.

Agora, os portugueses partiam. Saíram todas as viaturas com o pessoal rumo ao Enxudé onde aguardava a LDG. Depois de todos partirem, o Comandante e eu subimos, então, para uma viatura e abandonámos Tite. Fomos os últimos portugueses a deixar a povoação. Os últimos não. Ficou um português, civil, muito idoso, que trabalhava para os Serviços de Agricultura havia dezenas de anos e que não quis abandonar Tite.

Embarcámos na LDG e, quando ela meteu marcha à popa desatracando da rampa, vi o Quínara, onde tinha vivido momentos tão amargos, ficar cada vez mais pequenino. Virava-se mais uma página da história da minha vida igual a tantas outras vividas pelos meus camaradas de armas naquele País distante.

Fernando Teixeira

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Meu Caro Fernando

Li e reli o teu relato sobre Tite.

Está um excelente texto e vamos publicá-lo no nosso bloog.

A história é assim. Só com estes e outros relatos se saberá, para os presentes, para os homens e mulheres do futuro,

o sofrimento da juventude na tua e nossa geração.

Uma guerra, (em que hoje e já desde há muito) é catalogada como desnecessária, estúpida e injusta para todos os seus intervenientes, seus familiares directa ou indirectamente ligados. E não me refiro apenas à Guerra Colonial na Guiné,

mas também noutros territórios considerados à época, pelos mandantes e outros quejandos, como "Império Português".

Meu Caro

Eu sou natural de Lisboa, mais propriamente da freguesia de Benfica.

Presentemente moro em Corroios-Seixal

Em e-mail separado mando-te o meu nº do telemóvel para me contactares.

Podemos organizar, em breve, um encontro com "meia dúzia" de camaradas

que moram em Lisboa e nos arredores.

Até lá um Abraço grd.

Pica Sinos

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Meu caro Fernando

Foi com imenso prazer que li esta sua completa descrição daquilo que foram os vossos últimos dias em Tite. Este relato era por todos nós esperado há muito tempo, pois não tínhamos contacto com ninguém que tivesse esta vivencia.

Ainda bem que o amigo apareceu para suprir esta falta.

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Há no entanto situações um pouco mais particulares que gostaríamos de saber como se processaram, como sejam, qual o comportamento da população civil em relação à nossa tropa, nos últimos dias. Não podemos esquecer que a tropa era um meio importante na dinamização da economia local, não só pelos contratos com lavadeiras (Maria, Maria Mancanha, Anssel, Marcelina, Satu e tantas outras) mas também com o movimento que era feito nas lojas locais, compra de animais etc. Havia uma particularidade interessante com as lavadeiras, como se lembra. É que quando as companhias se rendiam, elas passavam entre camaradas do mesmo posto. Por exemplo o furriel dos reab que ia embora passava a sua lavadeira ao furriel dos reab que chegava. O cabo das transmissões fazia o mesmo ao seu sucessor, bem como o soldado da cantina, o cabo mecanico auto, todos fazia o mesmo. Até o comandante.

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Os chamados homens grandes (Abdulai e outros) que aparentemente estavam de bem com as NT, foram massacrados ou escaparam à demanda?

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No nosso tempo tínhamos um companheiro de seu nome Luís Filipe, da área das telecomunicações, infelizmente já falecido, que mantinha uma escolinha de futebol, jovens nativos, onde os craques floresciam já com alguma intensidade. Essa escolinha ainda existia?. Lembra-se disso?

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Existia ainda um administrador de origem cabo verdiana, cuja filha de linhas redondas e fartas, fazia as delicias visuais de alguns malandros. Ficaram lá ou foram embora?

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A capela ainda estava de pé?. Tinham sacerdote e um Hipólito para o ajudar? E a Mesquita junto ao aeródromo ainda se mantinha?

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Saber também o que foi feito do Silva e mulher, se ficaram lá até ao fim. E o comerciante paquistanês? Já agora não me lembro do português que diz trabalhava no campo.

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Quanto aos nativos que serviam ao lado das NT, sabe que se constou muita coisa logo após a independência, mas deduzo pela sua descrição que não assistiram a nenhum comportamento vingativo por parte dos PAIGC, embora isso seja evidente a curto prazo, após o desarmamento daqueles homens valorosos.

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Tocar estes assuntos é ir ao encontro das recordações de todos nós.

Pela sua descrição o nosso muito obrigado.

Leandro Guedes

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Amigo Guedes

Foi hoje, que com calma e atenção reli pela última vez esta longa e excelente crónica do ex Alf. Fernando Teixeira, focando os últimos dias da presença Portuguesa no sector de Quinara, e no que nos diz respeito, em Tite.

Lembras-te que o comandante deste mesmo sector era o Nino Vieira, que bastantes dores de cabeça nos deu, e que foi o mentor entre muitos, do desgraçado ataque de Bissassema, onde o PAIGC ocupou as nossas posições e fez prisioneiros três camaradas das nossas Companhias.

Várias vezes e por causa dele, recebemos informações do QG Bissau, classificadas de “ZULU SECRETO A1” (ZULU=Prioridade absoluta de transmissão sobre o tráfego rádio; A=Importância operacional máxima; 1=veracidade muita segura) sobre movimentações das tropas do Nino com o fito de ataques a Tite, e aos nossos aquartelamentos de Jabadá, Fulacunda, Enxudé etc..

Tanta vez cifrei e decifrei o nome deste Nino Vieira, que tinha fama de ser bastante duro como militar, e que como sabemos, veio a ser Presidente da Guiné-Bissau, por lá sendo assassinado recentemente.

Fim trágico, para quem afinal arriscou a vida em duros combates durante anos !!

No relato do nosso amigo Teixeira, muito me fez recordar aqueles tempos, e imagino a comoção do momento da substituição das bandeiras.

É isto que me revolta...invariavelmente todas as guerras acabam assim !!

Não focando toda a história de milhares de anos de guerras, nos casos recentes mais emblemáticos das guerras da Coreia e do Vietnam, tudo foi em vão, deixando um rasto de miséria humana, para agora serem “todos irmãos” !!

A mando de políticas e políticos, em nome de valores tantas vezes discutíveis e lavagens mentais, em nome da Mãe Pátria (Mãe para poucos, madrasta para muitos), e para “defender o chão sagrado”... mandam-se para a guerra, para a morte e para a invalidez milhares de homens no apogeu da sua vida, acreditando (alguns) que é por uma causa justa, e no fim os inimigos passam a amigos, os ódios a abraços, os terroristas a patriotas, e pelo caminho muitos encheram os bolsos despudoradamente á custa da guerra, e do sacrifício de muitos filhos, maridos e pais.

Não falando da maioria dos civis, que bem lá no fundo não lidavam muito bem com os militares, principalmente pelas patentes mais baixas.

Para eles, de bom grado guardavam o “Patacão” que por lá deixava-mos nos seus comércios, mas faziam sempre por marcar bem as diferenças !!

Sei de casos, alguns com acesas discussões onde fui interveniente, pós Independência, com ditos “retornados” em Lisboa, que se queixavam de tudo e todos, e que para eles os militares eram muito responsáveis pela sua desgraça (sic)...

Em verdade te digo, que tive dois colegas Portugueses ex-Moçambique, excelentes seres humanos, “polidos” e inteligentes, que embora sofridos e lesados, tinham capacidade para fazer análises lúcidas, e frias á posteriori, da história recente.

Um pormenor: Nos casos que conheço, que são alguns, e admito francamente que por mera coincidência, os ditos “retornados” de Moçambique, mostravam muito mais civilidade, sendo muito menos radicais e obcecados.

Tenho há anos, por esses dois grandes amigos e ex-colegas, regressados de Moçambique, muito apreço e recordo longas conversas sobre esta temática.

Há muito que li, nisso acredito, e volto a repetir, que as guerras só acabarão, quando todos se recusarem a pegar em armas.

O Teixeira foca o problema dos choques que já se adivinhavam entre os elementos do PAIGC e as tropas que no nosso tempo designava-mos por “milícias”.

Li relatos de autênticos morticínios, pós independência, principalmente focados nos Comandos Africanos que combatiam com as nossas tropas.

É sempre assim, e nós Portugueses devíamos ter acautelado um mínimo de protecção a esses militares, que afinal eram para todos os efeitos e de direito, tão Portugueses como nós (na conveniente dialéctica dos governantes, claro).

Repetiu-se o sucedido na Argélia, no Vietnam, e irá acontecer no Iraque e no Afeganistão. Vinganças, sangue e mais mortes.

As perguntas que postaste são interessantes, e também gostava que o nosso amigo desse uns tópicos sobre elas. Será que ele nos dirá algo ?

Só agora me deu a bolha para este tardio comentário, nem volto a desculpar-me, mas já sabes do que a casa gasta !!

Um abraço para ti, para o Fernando Teixeira, e todos os amigos do Blog, que está mais giro com nova cara em suaves nuances Africanas.

Se vires que tem interesse publica no Blog.

José Justo

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O valioso contributo do Fernando Teixeira, para a história dos ultimos dias das NT em Tite.

Amigos Recebi novo e-mail do Fernando Teixeira e dele vos dou conhecimento Pica -------------------- Meu Caro Raul Sinos, Não foi sem uma enorme emoção que li no blog do B. Art. 1914 as minhas próprias linhas descrevendo os últimos dias de Nova Sintra como posição do Exército Português. Para quem lá passou como nós, tudo o que diz respeito ao Quínara acaba por bulir connosco. E muito. Como diz o nosso camarada Hipólito “...para quê tanto esforço, sangue, suor e lágrimas de todos nós para acabar assim a desgraçada guerra em que nos meteram...”. O Hipólito manifesta gosto em saber como saímos de Tite. Posso descrever como isso se passou pois eu e o Comandante do COP 6 (o mesmo do B. Art.6520/72) fomos os dois últimos portugueses a deixarmos Tite, rumo ao Enxudé. Como eu estava em rendição individual, fui requisitado pelo Comandante do Comando Operacional Nº6 para seu adjunto, não seguindo, pois, com a 2ª C. Art. para Bissau para daí embarcar para Portugal. Deste modo só saí de Tite nos primeiros dias de Outubro de 1974 (em data que já não consigo precisar). Vou preparar um texto e depois envio-te. Em Tite também vivi alguns momentos dramáticos apesar da guerra já ter terminado há muito. Relatá-los-ei nesse texto. Até lá recebe um abração do Fernando Teixeira ---------------------------- Obrigado Fernando Teixeira Espero que tudo esteja bem contigo. Agradeço o texto sobre Tite que vais construir. Uma grande abraço. Manda sempre histórias, dos locais por onde passamos, e que entendas que devam ser publicadas. Tem um bom dia. Quando for oportuno podemos tomar um café juntos se as distancias o proporcionar Raul P.Sinos --------------------------- Como é interessante o contributo deste nosso companheiro, Fernando Teixeira, para que saibamos o que se passou em Tite nos últimos tempos das NT ali presentes. Pena que outros companheiros, que também viveram estes dias, não se disponham a desabafar connosco as suas histórias. Mas eles vão aparecer... Abraços. .

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Corpos de Militares Portugueses exumados.

Guerra colonial: Corpos de militares portugueses exumados

Regresso à Guiné

Uma equipa de missão vai partir para a Guiné-Bissau com o objectivo de exumar mais corpos de soldados portugueses mortos durante a guerra colonial. A viagem, marcada para 22 de Fevereiro, "é a quinta desta missão e, em princípio, a última", disse ao CM o presidente da Liga dos Combatentes, general Chito Rodrigues. Desta vez, as exumações vão ser feitas em Cheche, junto ao rio Corubal, local onde a 6 de Fevereiro de 1969, aquando da retirada do exército português de Madina do Boé, cerca de 50 militares portugueses perderam a vida.A antropóloga Eugénia Cunha é mais uma vez a responsável pela equipa técnica, que parte mais tarde, a 26 de Fevereiro. "Esta vai ser a mais complexa das missões. Temos exumado campas individuais, mas agora vamos escavar uma vala na qual vários corpos foram enterrados em conjunto e que podem estar todos misturados. A dificuldade será analisada apenas no local", explicou ao CM.

Depois de desenterrados, os corpos dos militares portugueses serão levados para a cidade de Bissau, "onde são, em primeiro lugar, separados, e depois, elaborados relatórios antropológicos com as características de cada um", refere a antropóloga.

Apesar de esta tarefa ter como principal missão "a dignificação dos militares mortos e enterrados em combate, transportando-os para um único sítio, neste caso o cemitério de Bissau", como explica Chito Rodrigues, os relatórios antropológicos vão permitir a identificação dos militares, caso os familiares o solicitem.

A equipa de missão, que parte quatro dias antes da equipa técnica, vai fazer ainda o reconhecimento de alguns locais onde podem estar enterrados mais soldados portugueses mortos em combate. Caso não sejam encontrados, estas serão as últimas exumações realizadas na Guiné-Bissau.

PORMENORES:

EQUIPAS

A equipa de missão é constituída por três oficiais da Liga dos Combatentes. Um deles, o major--general Aguda, é quem vai chefiar toda a missão. Já a equipa técnica, além de contar com Eugénia Cunha, é constituída por mais três elementos.

CEMITÉRIO

Nas quatro operações já realizadas foram recuperados 50 corpos, dos quais nove regressaram a Portugal, disse ao CM Chito Rodrigues. Os 41 restantes ficaram depositados num ossário numa capela recuperada do cemitério de Bissau, onde estão enterrados 352 militares.

IDENTIFICAÇÃO

Para todos os corpos exumados e separados é elaborado um relatório forense. Caso alguma família solicite a identificação de um corpo, esses dados são comparados comos das fichas de inspecção militar. Podem ainda ser feitas análises ao ADN.

Helder Almeida

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esta noticia veio hoje publicada no Correio da Manhã, pela mão do Jornalista Helder Almeida.

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Malam Bacai Sanhá, PRESIDENTE DA GUINÉ-BISSAU EM PORTUGAL

Presidente da Guiné-Bissau em visita oficial a Portugal Lisboa - Malam Bacai Sanhá, Presidente guineense, inicia, esta quarta-feira, uma visita oficial de dois dias a Portugal. Estão previstos encontros com líderes políticos e empresários. Bacai Sanhá, que está acompanhado da sua mulher, Mariama Mané Sanhá, irá depositar uma coroa de flores no túmulo de Luís de Camões, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.Estão ainda previstas reuniões com o presidente da República, Cavaco Silva, com o primeiro-ministro, José Sócrates, e com o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama. Da agenda de Bacai Sanhá faz parte a visita à sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), onde se encontrará com empresários portugueses, a fim de estreitar as relações comerciais entre os dois países.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

"Um projecto para a Guiné, que pode ser mais que uma utopia"

Companheiros As noticias sobre Tite e sobre a Guiné em geral, são sempre para nós motivo de interesse e curiosidade e por isso trazemos hoje ao blog uma noticia interessante sobre o futuro da Guiné, publicada no Expresso desta semana, no caderno Espaço e Casas, pelo jornalista Fernando Pedro. Este artigo, que abrange um projecto mais geral sobre África, inclui algumas notas sobre construções de novas escolas a terem lugar no Cacheu, Guiné/Bissau, pela mão do arq. Pedro Mauricio Borges. Este projecto teve a sua mostra na 8ª. Bienal Internacional de Arquitectura de São Paulo, Brasil. Vale a pena ler. Para os que já a leram, nunca é de mais. Um abraço. .

domingo, 14 de fevereiro de 2010

O Mestre escreveu ao Marinho...

Meus amigos O Marinho, alfacinha de gema, recebeu esta carta do Mestre, alentejano dos quatro costados. Aqui vai... ------------------------------ CARTA DE UMA MÃE ALENTEJANA Mê querido filho Ponho-te estas poucas linhas que é para saberes que tôu viva. Escrevo devagar porque sei que não gostas de ler depressa. Se receberes esta carta, é porque chegou. Se ela não chegar, avisa-me que eu mando outra. O tê pai leu no jornal que a maioria dos acidentes ocorrem a 1 km de casa. Por isso, mudámo-nos pra mais longe. Sobre o casaco que querias, o tê tio disse que seria muito caro mandar-to pelo correio por causa dos botões de ferro que pesam muito. Assim, arranquei os botões e meti-os no bolso. Quando chegar aí prega-os de novo. No outro dia, houve uma explosão na botija de gás aqui na cozinha. O pai e eu fomos atirados pelo ar e caímos fora de casa. Que emoção: foi a primeira vez em muitos anos que o tê pai e eu saímos juntos. Sobre o nosso cão, o Joli, anteontem foi atropelado e tiveram de lhe cortar o rabo, por isso toma cuidado quando atravessares a rua. Na semana passada, o médico veio visitar-me e colocou na minha boca um tubo de vidro. Disse para ficar com ele por duas horas sem falar. O tê Pai ofereceu-se para comprar o tubo. Tua irmã Maria vai ser mãe, mas ainda não sabemos se é menino ou menina. Portanto, nã sei se vais ser tio ou tia. O tê mano Antóino deu-me hoje muito trabalho. Fechou o carro e deixou as chaves lá dentro. Tive de ir a casa, pegar a suplente para a abrir. Por sorte, cheguei antes de começar a chuva, pois a capota estava em baixo. Se vires a Dona Esmeralda, diz-lhe que mando lembranças. Se nã a vires, nã digas nada. Tua Mãe.
PS: Era para te mandar os 100 euros que me pediste, mas quando me lembrei já tinha fechado o envelope. ------------------------------------- esta carta/anedota/brincadeira chegou-nos pela mão do Marinho, para alegrar os dias do Mestre lá no Monte Fialho, onde ele espera pela visita dos que prometeram e nunca mais aparecem... .

Dia dos namorados.

Meus amigos Apesar de estarmos no Outono da vida, temos também direito a lembrar o dia dos namorados. Para as nossa namoradas, mães dos nossos filhos, companheiras duma vida, um beijinho e uma rosa e que a todos nós o tempo vá conservando.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

O PALMA MANDOU FOTOGRAFIAS

------------------------------------------------------------------------------------------- A bajuda de "mama firmada", o estender da roupa, os jogos de futebol e o muro de latão com "manga" de grafitis da época, são marcas que não esquecem. Bem hajas Palma por nos trazeres estas recordações. Um abraço.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O Hipólito vai-se naturalizar inglês...

O vagar, diz-se, faz colheres, e é bem verdade. Hoje, ao vasculhar o blog do Zé Justo, com a devida vénia, parafraseando os salamalequeiros do Guedes e do Pica, depeniquei esta maravilha, concluindo que só sei que nada sei de “english”. Ora topem lá isto, lido à matarroano, como eu, escrito por um inglês, com a mania que já sabia de português, no regresso da compra de legumes e citrinos e após verificar que se esquecera do tomate, única frase (a 2ª) que consigo atingir: Food ace ! Is key see me do too much ! Put a keep are you ! A primeira e terceira, nem sequer me atrevo decifrá-las, por mais tentativas que faça de soletrá-las, com a minha 4ª classe mal feita, devagarinho, embora, me pareça, que serão “patacoadas”, daquelas que o púdico administrador Guedes “risca” dos textos a publicar. Deixarei, contudo, essa tarefa aos especialistas das TMS que, para alguma coisa, ao menos, servirão. E que terá a ver o cu com as calças, estarão vossas insolências a perguntar? Tem, e muito. Pois, Senti necessidade urgente de aprofundar o meu parco inglês e frequentar, para o efeito, um curso intensivo, quanto mais não seja, para receber e entender os estrangeiros “lá dobaixo”, no n/próximo almoço/convívio. Daí que, num futuro próximo, irei restringir o modesto contributo para o n/blog, com muita pena minha, mas, em contrapartida, para gáudio e descanso de alguns “madraços” que, em Tite, devem ter sido, perpetuamente, contaminados pelo vírus do “dolce farniente”. . . . Entretanto,adeus, até ao meu regresso. Vai pela sombra, artolas, dirão “vosotros” . . . e muito sapientemente. Um abraço do Hipólito

Mazelas.

Pela mão do nosso amigo Hipólito, chegou-nos este texto que fala de coisas da nossa idade, escrito por Rosa Lobato Faria, recentemente falecida. Aqui vai. Para o ler melhor clicar em cima da foto.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Gentil já está em casa

Telefonou-me o Gentil dizendo que já está em casa. Vai continuar a fazer tratamentos, mas irá sempre dormir a casa. Boas noticias estas, Gentil. Que tudo continue a correr bem. Recebe um abraço de todos nós com votos de rápidas melhoras.. .

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Os escorrepicha garrafas...

Ufa ! . . . Finalmente, alijei o anátema de “escorrepicha-garrafas” que arrostava, desde Tite, e que, alguns “esdrúxulos”, embora poucos, me imputam, em autoria moral e material.. Tanto andei e desandei, porfiadamente, que a verdade, sendo como o azeite, vem sempre à tona . . . Até acordei, hoje, leve como uma alface, depois de, ontem, ter visitado o n/capelão, padre Luís, que muito considero e respeito, e de, gostosamente, o ter acompanhado num périplo pelo circuito Peneda-Gerês, com o seu epílogo num repasto, em Castro Laboreiro, saboreando o melhor bacalhau com broa do mundo (como reza o placard de marketing aí exposto). . . E, enquanto digeríamos a broa (um tudo-nada pesadota) do bacalhau, subindo e descendo, em penitência, a escadaria do templo da Senhora da Peneda, fui sacando: - Sabe, meu alfero/capelão, ando acabrunhado aí com umas “balelas” que, certos e determinados mau-feitios, lá da nossa tropa, vêm propalando aos quatro ventos, sobre o gamanço e falsificação do vinho para a missa e que, temo, se tornem em jurisprudência firmada. Lembra, não lembra da zurrapa que nos chegava, naquelas garrafinhas com rótulo “Ferreirinha”? - Se lembro! . . . lembro e não te apoquentes . . . eu sei de tudo . . . os tentáculos da igreja chegam a todo o lado. Não adianta esses meninos atirarem poeira ao ar . . . - Ah ! . . . ainda bem . . . como assim? . . . - Sabes. Há coisas sigilosas que não devo revelar, por dever de ofício . . . - Oh meu alfero/capelão ! . . . por quem me toma ? . . . sabe que sou como um túmulo . . daqui não sai nada . . . conte, conte . . . - Não sei se deva. Mas já que insistes e está em jogo uma questão de honra ao teu bom nome, que sempre dignificaste e honraste, aí vai, com a promessa de não passar daqui. - Esteja tranquilo . . . nem por cima do meu cadáver alguém fica a saber uma vírgula que seja - adianto, antes que se arrependa. - Bem. . . Como sabes, todos os meses eram-me destinadas duas garrafolas daquele néctar para o meu mister. E também, como sabes, a secreta aproveitava para, dissimuladamente, enrolando as ditas, enviar umas mensagens criptadas e confidencialíssimas que iam direitinhas aos op. cripto para deciframento e posterior entrega. - Hum!? . . . já estou a manjar . . . prossiga . . . prossiga . . . p.f. - Uma das garrafas era, logo ali, também descriptada e aparecia com a dita zurrapa, pelos dois criptos, de quem já não recordo o nome . . . esta memória já não funciona, embora, paradoxalmente, retenha, que ambos tinham, um, nome de qualquer utensílio ligado às igrejas, e, outro, um nome bíblico . . . - Ah ! . . . não seria um de nome Sinos e outro Jordão, rio onde, com a sua água, se faziam baptismos (também de conteúdos de garrafas)? . . ., ajudo eu. - Justamente. Isso mesmo. Tens boa memória e pontaria. Mas também, acolitados por um outro moço, assim a modos que salta-pocinhas . . . - Salta-pocinhas, talvez não, mas troca-tintas(CIN), como ainda hoje é lá para os lados de Ovar, talvez . . . - Talvez, talvez . . . e a outra garrafinha . . . sim, porque eram duas . . . - E o Cavaleiro, que era o chefe deles, nada? . . . atalho eu, curioso, antes que esqueça . . . - Esse moço alto e desengonçado, ali dos lados de Viana? Esse . . ., muito bom moço . . . muito direitinho. Parece que, como navegava, como ora se diz, noutra galáxia, não se apercebia da marosca que os insubordinados tramavam . . . embora, de quando em vez, matasse o bicho com uma ou outra hostiasita, convicto pelos três da vigairada, de que era quinino para o paneleirismo, perdão, paludismo . . . - E a outra garrafola, padre? Indago, cada vez mais curioso e já passado do capacete . . . - Como ia dizendo, a outra garrafa era entregue na secção de reabastecimentos, juntamente com a mensagem, em conluio e pacto salomónico, entre aqueles três e um furriel que aí firmava, assim meio espicha-canivetes, loirito, que andava sempre na psico na tabanca de jeep, e a quem, a providência divina, recambiou, por castigo, do Porto para junto dos infiéis, creio que lá para as linhas de Torres . . . - Safa! . . . isto está a ficar bombástico, que nem o processo das escutas! . . . E essa garrafola, também aparecia só com a zurrapa . . ., pois claro? . . . - É como dizes. Não havia volta a dar-lhe . . . Os quatro, pelo menos, sabem-no, tão bem ou melhor que eu . . . não adianta derraparem nas curvas . . ., nem tentar comer a papa na moleirinha . . . - Obrigado, meu alfero. Tirou-me um peso cá da alma . . . até vou dormir melhor. . Convencidos, desta? Ou, ainda, será necessário um croquis a cores? . . . Um xi para todos do Hipólito ---------------------------- Do Costa:

Rrssss!!! Divinal!!! Esta prosa só poderia sair do aprendiz de sacristão rrsss!!! Achei o máximo!!

Abraço!!

Costa (troca-tintas para os lados de Ovar...)

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domingo, 7 de fevereiro de 2010

O nosso almoço vai ser abençoado com a presença do nosso capelão

Companheiros

Tive hoje o prazer de falar ao telefone com o nosso capelão, Padre Luís Silva.

O Hipólito e a esposa foram visitá-lo a Valença e de sua casa, no meio de alegre convívio tiveram a simpatia de me telefonar.

Achei-o bem disposto embora diga que a saúde nem sempre é como ele desejaria. Mas prometeu ir ao nosso almoço.

Mas a boa novidade é que ambos, Hipólito e Sacerdote, prometeram desvendar em breve o mistério do desaparecimento do vinho e de algumas hóstias, mistério que mais parece um milagre, tal a festança que isso constituía para o dito Sacristão Hipólito.

Esperemos amigos.

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O Padre Luís Silva envia um abraço fraterno para todos.

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Àh....com que então o vinho também servia acompanhamento ao lanche!! Que rica era vida em Tite!! Não acompanhava ( o vinho) apenas o(s) manjar(es) do(s) praticante(s) da gula, que como sabem é pecado, como tinha(m) a distinta lata de promover(em), pelas 5 da tarde, o "chá", decerto solenemente servido, com as hóstias que oportunamente. pelo caminho, eram desviadas. Não consigo perdoar-te! Estará também metido nisto o Contige? Pica Sinos

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Os ultimos dias em Nova Sintra

Meu Caro Raul Sinos
Devido a uma série de circunstâncias só agora me foi possível produzir uma pequena crónica sobre o dia 17 de Julho de 1974. - o dia em que deixámos definitivamente Nova Sintra. Tanto esforço da vossa parte para acabar da maneira como acabou.
Gostava de ter os teus comentários aos factos que descrevo. Afinal eles são parte da história da desgraçada guerra em que nos meteram.
Um abraço amigo do
Fernando Teixeira
2ª C. Art. do B. Art 6520/72
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Para perceber os últimos dias de Nova Sintra como posição do exército português é preciso recuar alguns meses para perceber o contexto em que se deu a entrega do aquartelamento ao PAIGC. Nestas notas, todas as ideias que exporei representam, antes de mais, a maneira como eu vi e vivi os acontecimentos. Provavelmente outros companheiros terão outros pontos de vista. O que vos exporei é aquilo que eu penso volvidos trinta e seis anos após os acontecimentos.
Um ponto que me parece crucial para a análise dos factos é o estado psicológico em que se encontrava a 2ª C.Art do B.Art 6520/72, a última companhia de Nova Sintra. Tudo será mais fácil de compreender quando se perceber que a Companhia que tinha sido mobilizada para uma comissão de 18 meses no CTIG, esteve no teatro de operações durante 26 meses. O resultado da incapacidade de recrutamento suficiente que se vivia já na altura. Eu próprio, um simples aspirante graduado em alferes, a meio da minha comissão em Nova Sintra fui “convidado” para ser graduado em capitão para poder ir comandar uma companhia algures no teatro operacional. A Metrópole já não tinha capacidade para fornecer os capitães necessários ao comando das companhias. Felizmente não me foi difícil evitar tão “benevolente” promoção a oficial de três riscos.
Os vinte seis meses passados neste teatro operacional pela 2ª C.Art do B.Art 6520/72 fizeram mossa em quase todo o pessoal. Felizmente a Companhia era comandada por um capitão-miliciano, em regime de rendição individual, personalidade madura e fortemente compreensível para com o pessoal que tinha à sua responsabilidade. Não fosse a sua postura e os últimos meses em Nova Sintra poder-se-íam ter tornado muito mais complicados para a 2ª C.Art.
O pessoal encontrava-se física e animicamente extremamente depauperado. As operações sucediam-se e muitos dos homens já tinham tal repugnância às rações de combate Mod. E20 que praticamente não lhes tocava. Os fatos de combate há muito tinham ultrapassado o prazo de duração. De tal maneira que quando fomos visitados pelo general governador e mandámos abrir fileiras para a tradicional revista às tropas em parada, o senhor não se coibiu de tecer fortes críticas pois aquilo com que se deparou era um bando de maltrapilhos. Refira-se que, dois dias depois, chegaram fatos de combate novos para toda a companhia. Afinal General é General.
Nunca pretendi perceber nada de guerra pois esse nunca foi o meu objectivo de vida. Limitei-me a saber o mínimo indispensável para trazer sãos e salvos os homens que me estavam confiados, coisa que nem sempre consegui. Contudo, durante a citada visita de pompa e circunstância do senhor general, apercebi-me que havia quem percebesse muito menos de condução de tropas do que eu. O referido senhor, do alto da sua pesporrência, sai-se com este conselho-ordem do mais ridículo que eu já vi: “ – A tropa deve fazer todos os dias pelo menos meia hora de ordem unida para manter a disciplina!”. Sim, mandar fazer ordem unida a homens que dia sim, dia não, faziam uma operação de 24 horas. Pura e simplesmente inacreditável. Afinal não estava a tropa disciplinada? Disciplinadíssima, digo eu! Como é que uma tropa que já tinha ultrapassado largamente o seu período de mobilização ainda ia atrás de mim para o mato, para mais uma operação de combate, quando eu lhe dava a voz de comando “ – Está a andar” se não estivesse disciplinada?
Outro aspecto da nossa tropa que me impressionou desde o dia em que aterrei em Nova Sintra foi o nível de escolaridade dos nossos homens. Dos 162 efectivos da Companhia, dos quais vinte eram quadros, cinquenta eram analfabetos. Sim, um terço da Companhia, não sabia ler, nem escrever, nem contar. Estávamos em 1973 e o pessoal tinha entre 21 e 22 anos de idade. Que me perdoem os mandantes da guerra ávidos de sangue e vitórias quixotescas mas, a partir dessa constatação, um dos meus principais objectivos nestas “férias” tropicais passou a ser o ensino dos mais elementares rudimentos escolares que o pessoal não tinha adquirido enquanto criança. Neste particular, a guerra saldou-se por uma vitória para eles. Os cinquenta fizeram o seu exame da quarta classe depois de muita luta.
Como refiro acima, a permanência naquele teatro operacional causou forte mossa na maior parte do pessoal. Outra coisa não seria de esperar. Para que melhor se perceba este estado não resisto a citar alguns dos casos que mais me impressionaram por demonstrarem bem aonde o estado anímico tinha chegado. Meros exemplos tirados ao acaso.
Um dos nossos companheiros porque queria telefonar à família, um dia resolve fardar-se, fazer a mala e sub-repticiamente sai sozinho do aquartelamento, pelo mato fora, rumo a S.João. Antes de chegar a este destacamento pisou uma mina ficando mutilado. Valeu-lhe um caçador que, pegando nele às costas, conseguiu fazê-lo chegar a S. João donde foi evacuado.
Outro, depois duma quezília sem importância, resolve vingar-se defecando para dentro do poço que abastecia de água a Companhia. Depois de umas centenas de comprimidos de Halazone, esses comprimidos desinfectantes que tão bem conhecemos, deitados para o poço e largos dias a beber água da bolanha, lá se voltou a utilizar a água desta nossa fonte habitual.
Um dos nossos cozinheiros, porque lhe passou uma coisa má pela cabeça, resolve confeccionar o café da manhã (já de si de péssima qualidade) com uma das suas botas dentro do caldeiro.
Outra vez, no meio de uma operação de emboscada nocturna reparo que um grupo de combatentes não tinha mais nada para nos comprometer a todos do que fazer uma fogueira no meio da mata. Queixavam-se de frio no calor tórrido da Guiné.
Por fim, já em Bissau, uns dias antes da Companhia regressar a Portugal, um dos homens do meu próprio grupo de combate, num acto absolutamente tresloucado resolve atirar com duas granadas para dentro de um recinto onde decorria um baile, matando, assim, várias pessoas. Era um homem absolutamente problemático que há muito tempo deveria ter sido evacuado.
Meros relatos ao acaso que, em meu entendimento, dão uma pálida ideia do estado psicológico de muitos dos efectivos.
Foi no meio deste ambiente, em que todos, de uma maneira ou de outra, se entreajudavam que um dia, estando eu na Enfermaria da unidade, a observar uma partida de xadrez entre dois camaradas, oiço qualquer coisa que me pôs todo arrepiado. Havia um rádio sintonizado na Rádio Conakry de onde falava a célebre “Maria Turra”. De repente percebo que a dita “Maria” dá a notícia que tinha ocorrido uma revolução em Portugal e que os principais objectivos dos vencedores era a deposição do governo do Estado Novo e o fim da guerra colonial. Eram oito da noite. Corria o dia 25 de Abril de 1974. Corro ao encontro do comandante da Companhia abraçando-o esfuziantemente. Para nós era o fim daquele inferno em que tantos dos nossos camaradas ficaram estropiados ou morreram.
A seguir vem a angústia da espera pelo noticiário da BBC, essa fonte de verdade que nos ligava ao mundo civilizado. Rodeámos no mais sepulcral silêncio esse enorme receptor Philips preto, multibanda, propriedade do Comandante da Companhia. E, à hora do costume, lá vem a notícia com todos os pormenores do que se havia passado nesse dia em Portugal. As lágrimas correram-me pela cara abaixo tanta era a alegria. Depois o pânico pelo receio de poder ocorrer um contragolpe e tudo poder voltar ao mesmo ou ainda pior. Só quando percebemos a monstruosa demonstração cívica que tinham sido as comemorações do primeiro 1º de Maio, descansámos. Percebemos finalmente que o processo era irreversível. Agora era a angústia por conseguir adivinhar como iria decorrer todo o processo do fim da guerra no terreno.
Todas as noites, qual ritual, rodeávamos o rádio preto para ouvir a BBC relatando a evolução dos acontecimentos no nosso País. Foi com especial atenção que ouvimos a notícia de que o avião do Presidente Léopold Senghor, logo a seguir à tomada de posse do primeiro Governo, tinha transportado Mário Soares, o então novel ministro dos Negócios Estrangeiros, para dar início às conversações de cessar-fogo com o PAIGC. O brilho da luz da Paz ia aumentando.
As conversações andavam para trás e para diante. O pessoal tinha perdido aquela tensão que caracteriza o estado de guerra. Uma situação que poderia permitir uma abertura perigosa da defesa. Lembro-me das conversas que tive nessa altura com o nosso Capitão, conversas, estas em que trocávamos os nossos receios de que, para forçar um acordo de Paz, o PAIGC fizesse um último esforço ofensivo para forçar os acontecimentos. Nunca me senti tão preocupado no mato. Comandava, agora, um grupo de homens que já não eram soldados em combate mas, antes, um grupo de pessoas que, definitivamente, já só tinha o pensamento na Metrópole.
O estado psicológico da tropa tinha feito uma rotação de 180 graus. As negociações, essas, evoluíam.
A certa altura, eu que nunca tinha usado galões no meu fato de combate para não ser reconhecido, recebo instruções para que, sempre que fosse para o mato, passasse a usar os meus galões dourados de alferes. Uma maneira de ser facilmente reconhecido e poder dialogar com as tropas do PAIGC se, por acaso, nos encontrássemos. Afinal as desconfianças ainda eram mútuas o que fez com que nunca houvesse nenhum encontro.
A certa altura vamos tomando conhecimento que se iam finalmente abandonando as posições do Exército Português, das fronteiras para o interior, rumo a Bissau. As notícias vão chegando mas nada em relação a Nova Sintra. Afinal quem olhasse para uma carta militar perceberia que nós constituíamos a defesa Sul imediata da capital e, fatidicamente, seriamos dos últimos. E assim veio a acontecer. Não fomos a última companhia do Batalhão. Por acaso, fomos a primeira. Depois Fulacunda. A seguir Gã Pará e, finalmente, Jabadá. Tite havia de permanecer mais três meses como sede do COP 6.
Um dia chegaram as instruções do modo como deveriam decorrer as formalidades com o PAIGC para lhe fazermos a entrega daquele aquartelamento denominado Nova Sintra.
No dia aprazado deveria um oficial dirigir-se à Primeira Bolanha para se encontrar com os Comissários Políticos que se faziam acompanhar pela respectiva tropa. Depois deste encontro protocolar deveriam dirigir-se ao aquartelamento entrando no arame junto ao 4º Grupo de Combate. Foi escolhido o alferes mais antigo que tinha a particularidade de falar crioulo o que poderia facilitar as coisas. Finalmente, íamos ficar frente a frente com o inimigo. Decorria o dia 16 de Julho de 1974.
Percebemos que o PAIGC ainda desconfiava do Exército Português. Rodearam-se de todos os cuidados e mais algum neste encontro. Dentro do aquartelamento a ansiedade ia aumentando à medida que o tempo ia passando e ninguém aparecia na vereda que ligava a Primeira Bolanha ao arame. Finalmente, surgiram lá ao fundo o nosso oficial encarregue de receber as tropas do PAIGC acompanhado pelos Comissários e, finalmente, a tropa.
Garanto que foi uma visão muito estranha. Afinal eram aqueles os nossos inimigos com quem nos guerreávamos até à uns meses atrás. À entrada do arame fazem-se as apresentações e as continências da praxe em tais ocasiões. Finalmente estava frente a frente com o IN. Nesse momento percebi que não havia ódio nos seus olhos. Percebi que afinal só tínhamos estado em lados opostos de uma mesma guerra.
Depois, dentro do arame veio o convívio entre todos. Aqueles homens que todos pensávamos serem uns seres estranhíssimos eram homens iguais a nós.
Nova Sintra na actualidade
Nessa tarde ainda discuti com o oficial artilheiro do PAIGC o último ataque que ele nos tinha feito. Com uma precisão de se lhe tirar o chapéu, diga-se em abono da verdade. Afinal apanhámos 50 rabos de granadas de canhão sem recuo dentro de um quadrado de 30 x 30 metros. Para nossa sorte, a uns 70 metros do meu grupo de combate. Comparando as nossas cartas militares verificámos que elas tinham diferente precisão. Em matéria de topografia saímos a ganhar com bastante pena dele. Lastimou-se dizendo-me que se tivesse as nossas cartas enfiaria as granadas todas dentro do arame. Uma mera conversa técnica. Uma conversa entre oficiais do mesmo ofício sem qualquer ódio ou rancor.
Depois do jantar acabámos a noite a jogar à sueca com o “inimigo”. Que partidas nos prega a vida. A meio do jogo, eu que detesto jogar às cartas, dei comigo a filosofar. Vista agora à distância, aquela guerra assemelhava-se muito à guerra do Solnado, não fossem os nossos companheiros mortos ou estropiados. De lado a lado, não nos esqueçamos. Sempre pensei no ódio figadal que deveria existir entre os combatentes de ambos os lados. Posto perante o “inimigo” percebi que não havia nenhum ódio ou rancor. Tudo tinha-se desvanecido. Acabei por ficar envergonhado pelos pensamentos que, durante muito tempo, me ocorreram sobre o modo como lidaria com o inimigo se algum dia fosse posto perante algum. Ainda hoje me envergonho, apesar de os compreender esses maus pensamentos.
A confraternização das NT com o IN
Depois da sueca dormi a última noite em Nova Sintra no meu buraco semi-subterrâneo. No dia seguinte, depois da cerimónia solene do arrear da bandeira perante a 2ª Cart. do B.Art. 6520 e a tropa do PAIGC formadas lado a lado, arrancámos para Tite.
Assim terminava a saga de Nova Sintra. Corria o dia 17 de Julho de 1974.
Fernando Teixeira
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Meu bom Amigo e Camarada Fernando Teixeira
Obrigado pelo teu artigo sobre Nova Sintra e não só.
Nesta hora já o li por duas vezes e não deixei de me emocionar.
Vou mandar o teu texto para o Guedes a fim de ser publicado no nosso Blog
São depoimentos iguais aos teus que fazem história
Obrigado Amigo Pica Sinos --------------------------------------------- do Hipólito: .
Ficamos emocionados, certamente. São, efectivamente, relatos destes, pelo seu realismo e simplicidade, que calam bem fundo a quem conheceu e viveu toda a problemática da guerra no sector de Tite. Como diz, e muito bem, o Fernando Teixeira para quê tanto esforço, sangue, suor e lágrimas de todos nós para acabar assim a desgraçada guerra em que nos meteram. Faltará que alguém nos conte, igualmente, a transmissão de poderes em Tite, propriamente dito, para se escrever mais uma página da nossa história. Um abraço e um bem haja, pela sua disponibilidade, ao Fernando Teixeira. Hipólito .