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Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma! (Patoleia Mendes ).

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"Ó gentes do meu Batalhão /

Agora é que eu percebi /

Esta amizade que sinto /

Foi de vós que a recebi…"

(José Justo)


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EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Do nosso António da Costa (Mestre...)

Compadres

Cá me vou desensarilhando do engulho em que o “magana” do Pica me atascou e a prova é que atamanquei, sozinho, este texto, iniciado, embora, lá vão já 15 dias, para mim, stressantes.

E para vos contar estórias que, há muito, sinto assolerpadas cá no gasganete e que, se não desembucho, rebento como uma castanha.

Tinha ido em operação para o mato, numa emboscada, como radiotelegrafista e por ordem superior, comuniquei, para a base em Tite, ser necessário apoio aéreo e de artilharia, que não se efectivou.

Passado o imbróglio, já em Tite, curei de indagar à boa maneira alentejana.

Banzado fiquei com o que se passara, segundo testemunhos insuspeitos, idóneos e oculares de vista:

O op. de mensagens de serviço, talvez para esquecer o nega levado da lavadeira, pouco antes, tinha, ao seu lado, uma telefonia, no máximo, sintonizada naquele programa de discos pedidos do PIFAS da emissora oficial.

E, confundindo o meu pedido com o que ouvia na emissora, escreveu, assim, a dita mensagem:

“Aqui, Mamadu Djaló, que firma no Catió.

A mim pidi canção de Giani Morandi, cá sou digno di bó.”

Também, me vai parecendo, que, naquela secção de reabastecimentos, não seriam lá grandes espingardas.

O Marinho, ao que se vê, passava o tempo na estância balnear do Enxudé ou a fazer viagens turísticas na DO ou no heli; o Guedes (hoje, já mais “calaceiro e calão”), na psicotomática da tabanca; o chefe, idem aspas, mais a tarefa da psico-fúnebre, pressagiando a salazarenta queda da cadeira; e o SPM, também da coesa equipa, entretido na enóloga e secreta missão de trasfega do bento néctar; e não sei se mais algum . . .

A talho de foice (os TMS, até se masturbam!), fui avivado pelo Narciso de que, afinal, o nicho e respectiva imagem, já referidos no blog, apenas, foram, pelo sacrista (a quem até já chamara a capítulo), limpos das teias de aranha e do pó acumulado, passados que foram três meses da nossa chegada e, pelos vistos, após insistente pressão da gandulagem e a iminente chegada do capelão.

Com esta, compadres, me vou, na busca de mantença para a escultural tropa do dia 5 próximo, a ver se cato, à mão, uns daqueles coelhos adoentados com mixomatose e que já mal podem das pernas.

Tirem-me daqui, p.f.

Um abraço do vosso

Tónio

(Mestre em bazucas)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Conto popular da Guiné/Bissau - pelo José Justo

CONTO POPULAR DA GUINÉ-BISSAU Dizem na Guiné que a primeira viagem à Lua foi feita pelo Macaquinho de nariz branco. Segundo dizem, certo dia, os macaquinhos de nariz branco resolveram fazer uma viagem à Lua a fim de traze-la para a Terra. Após tanto tentar subir, sem nenhum sucesso, um deles, dizem que o menor, teve a ideia de subirem uns por cima dos outros, até que um deles conseguiu chegar à Lua. Porém, a pilha de macacos desmoronou e todos caíram, menos o menor, que ficou pendurado na Lua. Esta lhe deu a mão e o ajudou a subir. A Lua gostou tanto dele que lhe ofereceu, como regalo, um tamborinho. O macaquinho foi ficando por lá, até que começou a sentir saudades de casa e resolveu pedir à Lua que o deixasse voltar.
A lua o amarrou ao tamborinho para descê-lo pela corda, pedindo a ele que não tocasse antes de chegar à Terra e, assim que chegasse, tocasse bem forte para que ela cortasse o fio. O Macaquinho foi descendo feliz da vida, mas na metade do caminho, não resistiu e tocou o tamborinho. Ao ouvir o som do tambor a Lua pensou que o Macaquinho houvesse chegado à Terra e cortou a corda. O Macaquinho caiu e, antes de morrer, ainda pode dizer a uma moça que o encontrou, que aquilo que ele tinha era um tamborinho, que deveria ser entregue aos homens do seu país.
A moça foi logo contar a todos sobre o ocorrido. Vieram pessoas de todo o país e, naquela terra africana da Guiné Bissau, ouviram-se os primeiros sons de tambor. Zé Justo in shvoong.com fotos: BlogBaobá fotolog.com

A presença Portuguesa na Guiné/Bissau - pelo Pica Sinos

A Guerra colonial Os ventos de mudança pós segunda guerra mundial que levariam às descolonizações em África também se fizeram sentir na Guiné. Depois do governo português ter recusado qualquer possibilidade de negociar a transferência política do território, o PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde) iniciou a luta armada no território. Encravado entre o Senegal e a Guiné-Conacri pode o PAIGC beneficiar do constante apoio destes países. A densidade das matas no sul do país e o relativo isolamento a que esta região era obrigada pela existência de inúmeros rios que sulcavam o território permitiram ao PAIGC consolidar uma luta de guerrilha mais efectiva que no norte do país onde os amplos espaços abertos não ofereciam as mesmas condições para este tipo de luta. A proximidade da fronteira da Guiné-Conacri constituiu sempre uma retaguarda segura que abastecia a guerilha. Os Balantas que durante o séc XIX tinham migrado para as zonas húmidas do sul em busca de terrenos férteis, pelo seu carácter combativo, constituem a base do movimento de guerrilha. Muitos dos seus primos do norte rumam às zonas sob controle do PAIGC para se juntarem à luta de libertação. A tomada de Guileje pelo PAIGC na estrada que ligava os sectores de Cacine e Bedanda em Tombali junto á fronteira da Guiné-Conacri permitiu à guerrilha criar o espaço para o estabelecimento das suas bases em território nacional que alargaram aos sectores vizinhos e à região de Quinara, formando assim a primeira grande zona libertada do país. 2 No limite norte da região, os sectores de Tite e Fulacunda, separados apenas pelo rio Geba, distam apenas alguns quilómetros de Bissau. A sua importância estratégica esteve na origem de violentos combates entre as forças portuguesas e o exército de libertação com frequentes bombardeamentos para a tomada destas posições. Passados 35 anos ainda se podem observar inúmeros efeitos indesejados desses combates. A presença de inúmeros projecteis não deflagrados (uxos) constituem uma ameaça às populações. As forças portuguesas vão perdendo o controle do território ficando sitiadas na ilha fronteira de Bissau e em aquartelamentos e povoações dispersos pelo interior. Buba resiste a intensos bombardeamentos das forças do PAIGC refugiando-se a sua população civil na margem oposta do rio durante longos períodos escondida nas suas matas. A 24 de Setembro de 1973, com a maior parte do território nacional sob controle das suas forças, em Madina do Boé, zona libertada junto à fronteira da Guiné- Conacri, o PAIGC declara unilateralmente a independência, reconhecida imediatamente por 80 países. “A Missão de Observação Eleitoral Internacional 1999/2000. A participação Portuguesa”, GuilhermeZeverino / Luis Branco “A luta pelo poder na Guiné-Bissau”, Álvaro Nóbrega “História da Guiné – Portugueses e Africanos na Senegâmbia”, René Pelissier 5 (próximo capítulo - "O PÓS INDEPENDENCIA")

sábado, 26 de setembro de 2009

MAIS UM QUE ESTAVA DESAPARECIDO E FOI ENCONTRADO PELO HIPÓLITO

Caro Amigo Raul Pica

Recebi a tua carta à qual passo a dar resposta como já falamos pelo telemóvel.

Como dei a entender está tudo bem, é bom que a gente se encontre para um almoço é só dizeres com tempo que é para eu estar preparado.

Aqui mando a minha foto como pediste, não tenho mais nenhuma de momento, mas se for preciso mais alguma coisa a gente se comunica pelo telefone.

Despeço-me mandando um abraço a todos os camaradas e um muito especial para ti, não esquecendo o Reguila (Carlos Leite).

Cândido Teixeira

Começo esta breve nota sobre o Cândido Teixeira, cuja morada foi encontrada pelo Hipólito, chamando atenção sobre a história da formação da freguesia onde nasceu, viveu e cresceu, este nosso camarada d’armas, até à idade da incorporação militar, e cujo paradeiro, há mais de 4 décadas, era desconhecido.

Com efeito, a Freguesia de Nogueiró, situada no distrito de Braga, refere na sua Resenha Histórica que, o seu povoamento talvez tenha sido feito desde a idade do ferro e, crê-se, habitada por uma tribo de Brácaros, povo que deu origem à cidade de Braga.

Foi nesta freguesia, situada na região de Entre-Douro e Minho, que o nosso Cândido Teixeira nasceu há 64 anos. Aqui aprendeu as primeiras letras e o ofício de marceneiro e da restauração de antiguidades. Oficio que abraça desde os 13 anos de idade.

Este nosso 1º Cabo Sapador-Mineiro, 10 anos emigrado na Alemanha, onde se encontram ainda a filha e os 2 netos, há muito que era procurado por nós, sobretudo pelo Carlos Leite, seu grande amigo.

Ó Pica, uma vez, diz o Carlos, eu estava de serviço na porta d’armas quando vejo chegar o Cândido. Ao ver-me triste perguntou-me… que se passa rapaz? … Oh pá estou cheio de fome… disse. Ai estás? …deixa lá que eu vou já tratar disso… finalizando a conversa o nosso sapador-mineiro diz …vai acendendo um fogueira que já volto.

Ó Pica, eu acreditei. Por detrás do “barraco” da porta d’armas, reuni uns pequenos troncos de madeira e fiz o que ele me mandou. Não é que na volta, passados cerca de 15 minutos, aparece o Cândido com um “nheco” meio depenado, e uma garrafa de vinho branco fresco. Foi talvez dos melhores manjares que comi em Tite. Estou ansioso para o abraçar.

Cândido Teixeira

Rua Francisco nº 7 r/c Dtº Brito

4805-070 Guimarães

Telm. 910666198

Pica Sinos

Na foto em abaixo o Cândido está com a enxada na mão

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A presença Portuguesa na Guiné/Bissau - pelo Pica Sinos

A presença portuguesa na Guiné Bissau.
A presença portuguesa nos rios da Guiné data já de 1440, quando as primeiras caravelas no esforço de encontrarem a passagem para o Indico foram também reconhecendo toda a costa africana. Ultrapassada a costa desértica mauritana e o Senegal, a recortada costa de estuários e rios que caracterizam a Guiné foi lugar de frequentes paragens para os marinheiros e mercadores portugueses que comerciavam com as populações comprando os produtos locais e escravos que numa primeira fase forneciam as cidades do sul de Portugal e mais tarde o mercado de trabalho escravo nas plantações de açúcar do Brasil. A região de Quinara foi desde essa altura conhecida desses marinheiros que penetravam terra dentro pelos rios abertos ao mar. O rio Grande de Buba passou a ser uma referência a partir de então especialmente para o resgate de escravos realizado pelos mercadores estabelecidos nas vizinhas ilhas de Cabo Verde. Alguns desses mercadores mestiços estabeleceram-se em permanência no continente. Conhecidos como lançados foram eles que primeiro realizaram a presença de Portugal nesta costa. Viviam das frequentes guerras entre reinos e etnias da região de que se aproveitavam e muitas vezes promoviam para a fácil aquisição de escravos. Embora presentes desde muito cedo em povoações costeiras, o efectivo controlo colonial só se veio a fazer sentir nas primeiras décadas do século XX depois de intensas e contínuas campanhas que opuseram os Portugueses aos reinos e etnias da região. Especialmente importantes foram as campanhas que os portugueses tiveram que realizar para pacificar e controlar os territórios dos Beafadas e Fulas na região de Quinara. Os interesses europeus por esta região de África, cedo se fizeram sentir. A presença portuguesa e francesa limitava o acesso e escala aos navios ingleses pelo que estes tentaram estabelecer uma colónia na vizinha ilha de Bolama situada na foz do rio grande de Buba ocupando a península que lhe fica fronteira e que integra actualmente os sectores de Tite e Fulacunda anexando-as como dependências à colónia Britânica da Serra Leoa em Dezembro de 1860. Este projecto de colónia anglófona à imagem da próxima Gâmbia, encravada na Guiné-Portuguesa não vingou por muito tempo. Depois de várias disputas e confrontos, a questão de Bolama é submetida á arbitragem dos Estados Unidos retomando Portugal a posse destes territórios em Outubro de 1870. Contudo, durante este período, frequentes vezes as etnias e reinos da região foram utilizados pelas duas potências coloniais para contestar a presença ora de uns ora de outros. A animosidade Beafada à presença estrangeira manteve-se durante muitos anos. O último dos grandes confrontos regista-se no sector de Tite e Fulacunda com os portugueses. A linha do telégrafo ligava Buba à capital da Guiné-Bissau que se estabelecera então em Bolama. Os Beafadas queriam fazer-se pagar pela passagem do telégrafo no seu território destruindo e atacando instalações o que originou a retaliação do exército colonial, pacificando-se a partir dessa data a região.
EUROPEAN UNION ELECTION OBSERVATION MISSION Guinea Bissau Legislative Elections – 16 November 2008 Region Overview Brief Historical Overview Fotos/imagens Google (próximo capítulo "A GUERRA COLONIAL")

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A TELA COM OITO HOMENS

Estranho!
Hoje, ao passear por uma Galeria de Arte, em pleno centro de Lisboa, confrontei-me com uma imagem que não sei como descrever. Eles eram oito! Não oito quadros, nem tão pouco oito esculturas. Eram oito homens, retratados numa tela a “olharem e a sorrirem” para mim. As perguntas que logo me surgiram foram “O que é que faziam oito homens sentados a uma mesa? O que pensariam? Do que falariam? Porque sorriam? No fundo, quem teriam eles sido para terem lugar numa tela de exposição”. Com mais entusiasmo ao analisar aquelas personagens, pelas suas rugas definidas e cabelos grisalhos, deu para reconhecer aquele que está em primeiro plano do lado esquerdo e, logo pensei que só poderiam ser pessoas com história de vida daqueles que dá gozo ouvir. Naquele retrato, embora hoje certamente já todos avôs, “vejo” uma união de jovens. Uma união de jovens que em tempos lutaram por aquilo que lhes diziam ser o melhor, mas que dessa mesma luta, recordam sobretudo (e foi o melhor) os laços de forte amizade que só a força de viver aliada ao perigo de a perder poderia ser conseguida. Um beijo para todos Sara Neves A "tela" é do Justo Santos Oliveira disse... Confesso não saber quem Homenagear. Por um lado a Sara Neves, cuja forma de expressão dá a ideia de ser uma Jovem com sentido incomum, nas Novas Gerações, no que respeita á Guerra do Ultramar. Por outro, o Justo, Autor da Tela, que retrata o Grupo de Amigos em que se integra, representando o todo dos Avós que se irmanaram pela Peleja. Será "Justo" que se repartam os Louvores e Honras entre ambos. Também o Leandro Guedes deixou um novo comentário: Minha Cara Sara Não a conheço e por isso me perdoe o à vontade. Mas quero-lhe dizer que não estou nada, mas mesmo nada, de acordo consigo. Dizer que aqueles oito magalas NÃO SÃO ESCULTURAS??!! Tenha santa paciência. Já viu homens mais formosos e esplendorosos que aqueles oito, ali sentados após uma bem regada feijoada?. Para a próxima a minha amiga vai ter que ir almoçar connosco, para ver de perto OITO VERDADEIRAS ESCULTURAS. Brincando consigo... Muito obrigado pela sua participação neste blog e continue porque é sempre bem vinda e é bom ter connosco alguém jovem, simpática e divertida. Leandro Guedes Ao companheiro Santos Oliveira: Também não o conheço, mas pelo seu curriculum, teria passado por Tite antes de nós. Seja também bem vindo caro amigo e continue a colaborar connosco. Mande os seus textos para um de nós e procuraremos sempre publicá-los. Um abraço Leandro Guedes

domingo, 13 de setembro de 2009

OBRIGADO AO CARLOS E À SUA MULHER LUCÍLIA POR NOS PROPORCIONAR UM DIA TÃO FELIZ

Para Lourel, localidade onde nasce o Rio das Maçãs ou Rio de Colares que vai desaguar na Foz da Praia das Maças/Sintra, fomos convidados para uma almoçarada na casa do Carlos Leite e da sua mulher Lucília.

Dos convidados e respectivas mulheres, que lhes foi oportuno (mais foram chamados) de aceitar este simpático convite – Contige e Ana, Zé Manel e Lurdes, Correia e Teresa, Guedes, Marinho e Barros. Eu fui o primeiro a chegar. Fui cedo porque já sabia que me era difícil, por via da construção da IC30, logo que saísse da IC19, encontrar o caminho. Aquilo está um bocado confuso para quem não conhece. O anfitrião teve que vir ao meu encontro para me guiar no trajecto. Ao Guedes ao Barros e ao Marinho aconteceu-lhes o mesmo. Ginjas!!

Já todos chegados, foi-nos servido um pequeno beberete de boas vindas, e quando já instalados na mesa, a feijoada servida estava uma delícia, o vinho era de “estalo”.

A conversa e a festança foi de tal forma animada, que não deu para conhecer os pormenores turísticos, que se exigia saber desta localidade em franca expansão comercial e habitacional. Mas deu com vantagem, para contar histórias novas e antigas, telefonar a uns quantos camaradas, rir a bom rir.

Pela tarde, com o queijo, pão e vinho branco fresco a acompanhar, deu para saber que a especialidade do Contige na tropa não era de Padeiro, mas sim de Atirador contra Aeronaves, ficando assim desvendado o mistério da razão dos furos nos Dakotas quando passavam ou estacionavam em Tite.

Ouvi dizer, creio não ter ouvido mal, que a próxima viagem está ou vai ser marcada para o dia 5 de Outubro. Disseram… um Monte lá para o Alentejo? Segundo parece há lá alguém que quer que lhe façam a vindima. Já engarrafada digo eu.

Tenham dias muito felizes

Pica Sinos

Leandro Guedes disse...

Foi um dia muito bem passado. O almoço uma delicia, obra da mulher do Carlos e do Correia. Bela feijoada, bem regada. Para ambas o nosso agradecimento. Para o Carlos também o nosso abraço por ter cedido a sua casa a esta tropa fandanga, maltrapilha, que comem como burros... Boa conversa após o almoço, histórias de fazer rir até às lágrimas, recordações de bons momentos passados em tempos maus. Tanta coisa recordada, tantos amigos relembrados, uns ainda vivos felizmente, outros não. E lá ficou marcada uma visita ao Mestre, já no próximo dia 5 de Outubro, para o ajudar a ordenhar as suas cabrinhas. Ao Carlos e esposa o nosso agradecimento muito sentido e reconhecido pela sua simpatia, pelo seu trabalho, pela sua hospitalidade. Também quem conheceu o Carlos de há quarenta anos, sabe e sente que não poderia ser de outra maneira. Bem hajam Leandro Guedes.

disse...

Rpazes do ritmo...isso é que foi "Petichier em grande". Gostei de ver outra vez esse pessoal, no trabalho fotográfico que está perfeito. Cada vez penso mais se alguém poderia prever, que ao fim de 40 anos estes e outros camaradas de armas, já paizinhos e avôzinhos de cabelos brancos, se sentariam à volta de uma mesa, a regalarem-se com o que de melhor se come e bebe nesta terra e a recordar o bom e o mau que já passou. Recordar agora já não dói tanto. A verdade é que de uma forma ou de outra, todos nós também passamos alguns momentos da nossa vida de Guiné, agradáveis e que não mais voltaremos a ter naqueles cenários maravilhosos. Mais uma vez renovo os meus agradecimentos ao grupo pela simpática msg e se já tinha mandado um abração do tamanho do Mundo, agora aqui vai um do tamanho do Universo. Tudo de melhor para vocês amigos. Justo

sábado, 12 de setembro de 2009

Camaradas Artilheiros Sem se aperceber minha mulher apagou o vosso SMS de hà pouco, o que me privou de agradecer pela mesma via. Ao grupo de Amigos hoje confraternizando num valente almoço, aqui vai o meu sincero agradecimento pela vossa lembrança. Regalem-se com os petiscos. Tudo de bom para vós e um abração do tamanho do mundo Justo

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

AS (HIS) ESTÓRIAS QUE ELES CONTAM

Escreve o Hipólito…

Os “melrinhos” Pica e Justo, à época de Tite, uns “reaças do reviralho”, têm vindo, “no soleno”, a dar umas “bicadas” e, sobretudo, a espicaçar para que “se arreie a giga”.

E, numa retrospecção, ora avivada com os seus excelentes reports, assistir-lhes-á vasta pertinência, ressalvando que, pessoalmente, nenhum trauma, recalcamento ou complexo me movem, até porque, politica e militarmente falando, na tropa, segui o lema de “nem bom soldado, nem bom cavaleiro” (que não o n/five stars, de Viana) e sempre fui, “daltónico” e “assexuado”, nesse contexto. Um nabo, na verdadeira acepção do termo.

Foi, deveras, de “murrinhanha”, a tragicomédia de Bissássema, digna de figurar nos melhores compêndios de táctica, planeamento e estratégia bélicos . . . a ponto de só acreditar quem viu e sentiu na carne o iluminismo dos aberrantes avantesmas que gizaram o esquema.

Não fomos, sem dúvida, bafejados pela sorte com os “maiorais” que nos saíram na rifa. O n/bart. deve ter sido formado numa 6ª feira, dia 13 . . .

Bastará recordar o perfil de dois destes - um, tal D. Quixote del Tite e outro, qual Sancho Pança de la Horta del surripianço – para se concluir que fomos entregues à bicharada.

E por aí abaixo, na respectiva hierarquia, salvo uma ou duas honrosas excepções, apesar de, como aflorado, se auto-masturbarem com a peregrina ideia de que os outros, os não académicos, eram todos básicos.

Não seria em vão que, na época e por chalaça, se dizia que “dois anos de liceu e três de ginástica davam tenente-coronel” e que “de cada dez, nove eram, como direi, de coeficiente intelectual e humano deficitário e a modos como que a puxar para o abstruso . . .”.

Correcta, como já li, a afirmação de que os “malicianos” lá foram levando a carta a garcia e defendendo a honra do convento. Não fossem eles, há muito, teríamos sido recambiados no goss, por indecente e má figura.

Com tais exemplos e com os parcos meios que nos facultavam, como se podia ser padre numa freguesia daquelas? !!!

A propósito …Escreve o Marinho

Lembro-me também de um dia vir do porto de mar (Enxudé) com aquele oficial que considerava todos os outros (oficiais) básicos e parámos em Foia, tabanca que ficava entre este porto de mar e Tite.

Deparamos-nos com um funeral que, não era nem mais nem menos, um natural, já muito velho, prostrado/sentado numa cadeira, onde a família e outros, em redor lhe prestavam, em ritual, a habitual homenagem para em seguida, exactamente como estava, ser enterrado. Segundo creio, uso e costume de uma das muitas raças existentes naquela terra.

Esperto, o nosso dito cujo, não básico, numa das suas melhores simpatias (psico), de peito feito, não se apercebendo que o homem estava morto, vai de o cumprimentar…”o corpo está jamutum?”. Obviamente o velho não lhe respondeu, e quando mal lhe tocou num dos ombros... caiu da cadeira. Que cena! Básico eu?

terça-feira, 8 de setembro de 2009

O BARROS MANDOU FOTOS E CONTOU UMA HISTÓRIA

Recuemos dois séculos e meio. Numa obscura aldeia de terras arenosas, sombreada pelo Pinhal, mãos anónimas erguem um forno. Alguém lhe chega o primeiro lume, alguém compõe o primeiro enfornamento. Pela primeira vez alguém colhe, sopra, dá forma…Nunca saberemos quem foram. E no entanto, a partir dos seus gestos começava a tomar uma realidade que dominaria a história da povoação que, ao longo de vinte e cinco décadas, havia de tocar, com maior ou menor intensidade, a vida de cada marinhense, que havia de ser a própria vida de tantos e que nunca saiu das práticas e dos discursos e dos sonhos locais. Como se até hoje chegasse ainda o sopro do vidreiro” Emília Marques – programa Oficial das Comemorações dos 250 anos Da Indústria do Vidro: “A Marinha Grande e o Vidro – Dois Séculos e Meio De Identidade – 1748 – 1998”, 1998 Marinha Grande, terra vidreira, vi-o nascer em 1945. Nós só o podemos abraçar 40 anos após o regresso da Guiné. Estou a “falar” do Vítor Manuel da Silva Barros. Este homem que foi operário vidreiro desde os 13 anos de idade. Órfão de mãe aos 9 anos e de pai aos 11. Assenta praça, (ainda imberbe como todos nós) no RI 7 em Leiria. Segue-se Campolide para a especialidade de Radio-telefonista, Mafra, Parede. A Guiné vem a seguir. No “Alfredo da Silva”, diz…como acharam que nós éramos um rebanho de ovelhas, meteram-nos nos porões em beliches com 5 andares. Comíamos nesse mesmo porão e, enquanto comíamos, não podíamos largar o prato senão iria parar ao outro lado. Os vomitados eram constantes! Volta à profissão de vidreiro quando regressa. Casa e nasce, deste amor, uma filha. Resultante do fecho da “sua” fábrica, como tantas outras nesta cidade operária, outro emprego lhe surge, desta vez numa fábrica de plásticos. As vicissitudes da vida deste homem endureceram-lhe o corpo, mas não o coração. Com quem de perto lidou com o Barros sabe da bondade deste homem, da sua humildade, do respeito e da amizade que dispensava aos demais camaradas. Hoje já está reformado. Passa o tempo a ler e segundo diz “apanhou o bichinho do computador”. Não acaba sem contar uma das muitas histórias que passou em Tite e que passo a transcrever: Que me desculpe o Pintão, mas não resisto a conta-la…Como alguns se lembram o Pintão usava lentes grossas, um dia apanhou uma bezana daquelas das grandes e foi beber água ao depósito que havia dentro do quartel. Antes de beber a água vomitou, na altura caíram os óculos. Eu e o Mestre e mais alguns camaradas que não lembro o nome, enquanto ele apalpava o chão há procura dos óculos, nós indicávamos sítios errados, até que o Pintão meteu a mão no vomitado e os encontrou, imaginem a cena” Pica Sinos Imagem da fábrica www.google.pt

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Nova Sintra - 100 metros quadrados de horror! 2/2


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2/2 – 100 METROS QUADRADOS DE HORROR,
FECHADOS POR ARAME FARPADO
Enfraquecida a acção da guerrilha na zona, resolvidos os problemas das acessibilidades e escolhido o local, agora o objectivo estava virado para a construção do aquartelamento em Nova Sintra.
Na manhã do dia 6 de Maio de 1968 parte de S. João a C. Caç. 1802, com 17 viaturas. Chega ao local para o novo aquartelamento cerca das 15 horas do mesmo dia. Já ali se encontravam as NT, saídas de Tite. Nenhuma destas duas forças militares, nos itinerários então percorridos, teve contacto com o IN.
Havia a noção geral que a guerrilha jamais aceitaria a construção de um novo aquartelamento numa zona que sempre dominara. Todos tinham a noção que o IN voltaria a reunir forças para retomar a actividade e procurar repor o prestígio que gozava naquela região. Sabíamos do seu grande enfraquecimento, abalado pelas perdas bélicas e humanas, sobretudo desde a sua neutralização em Bissássema. Mas também se sabia que os seus recursos estavam longe de esgotados. Impunha-se começar os trabalhos na instalação do aquartelamento e proporcionar, com o feito, a melhor segurança para a defesa dos objectivos e das NT.
Despejadas as viaturas, os trabalhos iniciaram-se a ritmo acelerado. Isolou-se o perímetro com o arame farpado, construíram-se valas-abrigos, a norte e a nascente, talvez com 2 metros de largo e 5 metros de comprimento e as latrinas. Deu-se começo às fundações para os futuros pavilhões e postos de guarnição para a defesa das posições. Começou-se também a limpar terreno com vistas a abertura da pista de aterragem.
Conta-me o ex-Furriel Domingos Monteiro, que
as moscas e os mosquitos eram “personagens” deveras e muito incomodativas de dia. Á noite faziam desesperar com as sucessivas picadas, nem mesmo roupa que trazíamos vestida as conseguia travar!
Acrescentando que …
As horas que contava, na escuridão daquela selva, mais pareciam dias. As chuvas também estiveram presentes, quando, passados 2 dias de medos e incertezas, pela calada da noite, o perímetro de terra e lama onde as NT se aquartelavam, com cerca de 100 m2, é atacado, em força, por cerca de 100 homens, bem armados e municiados mas prontamente repelidos com pesadas baixas!
Pelas manhãs e durante o dia os trabalhos continuavam. Patrulham-se estradas e caminhos, aqui ali rastos de sangue e material bélico ligeiro deixado para trás. A cozinha de campanha enquanto não fez fumo, os alimentos eram das rações de combate, que sempre transportávamos. Na água que bebíamos colocávamos comprimidos para evitar as diarreias e febres. Um dado dia foram distribuídas 2 cervejas a cada militar, até nisto tive azar, porque ainda hoje não gosto desta bebida!
Por sua vez o Carlos Leite (Reguila) refere
Na sucessão dos dias tudo era igual, o trabalho com as pás e com as picaretas calejava-me as mãos, o medo era constante, mas a disposição para a luta sobreponha-o. O cantarolar da passarada não nos parecia ter o mesmo encanto. No terreno lamacento, alguns sapos, eram “sticados” pela pá ou com a picareta, aqui ali ouvia-se o ladrar de um cão. Pelas noites dentro o sofrimento era maior, o vento ora forte ora brando, fazia-me confundir o “som” da selva. Eram nestes momentos que a falta da família e dos meus amigos mais se sentia. Ouvia as flagelações do IN a outros aquartelamentos e questionava-me – quando será a nossa vez?
O aquartelamento de Nova Sintra, durante o mês de Maio, foi flagelado 7 vezes, causando 1 morto (a 13/05) e 19 feridos graves que, muitos destes, foram evacuados, nessas mesmas noites, por helicópteros directamente para Bissau. Do lado contrário as mortes confirmadas foram em número de 26 e feridos 31.
A 05/06/68 o aquartelamento de Nova Sinta foi visitado pelo CMDTChefe acompanhado pelo CMDT do Bart. A 11/07/68 foi inaugurada a iluminação exterior e, a 19/07/68 assim como a pista de aterragem por uma avioneta, um Dornier 27.
A luta, essa, estupidamente tinha que continuar, causando continuadamente mortes e feridos de ambos os lados, estragos e desgraças bem ao gosto daqueles que as fomentam.
Pica Sinos
Nota:
As fotos são do museu do Jordão Justo