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Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma! (Patoleia Mendes, furriel milº Angola ).

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"Ó gentes do meu Batalhão /

Agora é que eu percebi /

Esta amizade que sinto /

Foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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"NINGUÉM DESCE VIVO DUMA CRUZ!..."

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra colonial


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EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

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domingo, 15 de junho de 2008

Não deixou que lhe cortassem uma das mãos...



Emblema do pelotão de Morteiros ......................Fosso onde se encontrava o Morteiro

Zé Manel



EM BISSAU ELE NÃO DEIXOU CORTAR UMA DAS MÃOS

Todos nós sabíamos que o IN era conhecedor do terreno com grande pormenor e a sua organização militar era forte. Tinha o apoio das populações e, dispunha de um potencial de meios de guerra igual se não superior aos do Batalhão.

Do conhecimento existente à data, numa escala de 0/20, o nosso Batalhão, como consequência das operações que desencadeou, assim como das emboscadas, minas e flagelações que o IN lhe infligiu, incluindo os acidentes, não deve ser difícil aceitar, tendo em conta o elevado numero de mortos e feridos, que a sua posição era pelo meio dessa escala. (ver texto Espólio de Guerra/publicação do Blog Bart1914 em Março de 2008)

Por vários níveis da hierarquia militar, como consequência de toda esta operacionalidade, o número dos militares condecorados ou louvados foi também elevado, ainda assim, tenho na ideia que ficou incompleto, em minha opinião pelo menos um falta.

A presente história resultou de uma conversa durante um dos almoços de confraternização em que eu participei e dada sua importância creio que não é justo deixar ficar por contar:

O Pelotão de Morteiros 1208, por volta do mês de Julho de 1967, foi para Tite substituir um outro Pelotão em fim de comissão. Para além do comandante (Alferes), do Furriel e dos outros operacionais, incorporava três motoristas; um cabo e dois soldados, cujas funções eram, no fundamental, iguais aos demais, a condução das viaturas ficava quase sempre para segundo plano.

O posto/abrigo dos morteiros estava situado (próximo dos geradores), entre duas torres de vigia, considerado o mais importante para a defesa do aquartelamento, na medida em que, era o único provido de telefone ligado às torres, recebendo delas coordenadas/instruções dos alvos a atingir por ocasião dos ataques ao aquartelamento que foram muitos.

Para quem não tenha conhecimento destas coisas, os postos/abrigos dos morteiros estavam construídos em Tite com se fossem “poços de água” de diâmetro de entre 12/16 metros e de profundidade para mais de 2 metros. A peça de artilharia estava colocada ao meio desta construção, o acesso para o turno/operacionalidade era por via de uma escada.

Ainda dentro destes postos, havia uma pequena entrada que dava acesso ao chamado abrigo, aqui, guardavam-se as caixas de munições e variados materiais de suporte a estas peças de artilharia de calibre 81.

Na noite do fim do ano da chegada do pelotão a Tite, um dos “gasómetros” (na prática uma garrafa com uma torcida), que dava luz ao posto, motivado não se sabe bem o porquê, mas que se presume que tenha sido pelo vento, caiu sobre uma caixa contendo cargas propulsoras que, espalhado o liquido em chamas por elas, provocou de imediato um forte incêndio.

O clarão foi de tal forma intenso que quem estava de serviço ficou “cego”, não conseguindo identificar o local onde estava colocada a escada que lhe dava acesso à fuga para o exterior do morteiro. Já reposto e consciente do iminente desastre, optou, o militar de serviço, por agarrar na caixa em chamas e, arremessa-la para bem longe daquele inflamável local, evitando, com o seu gesto, danos incalculáveis quer físicos quer materiais.

Evacuado nessa mesma noite por helicóptero para Bissau, onde lhe queriam cortar a mão direita, foi no final de 4 semanas foi transferido, em voo comercial, para Lisboa a fim de ser internado no hospital militar. A “reparação” levou 24 meses e no fim deste tempo, já depois do seu Pelotão estar desmobilizado, os “pensantes militares” queriam que ele ainda fosse acabar a comissão à Guiné. Este homem dá pelo nome de José Santos Amaro (O Alcântara).

Pica Sinos
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Infelizmente houve um colega nosso, também dos Morteiros, que após colocar a granada dentro de tubo para ser lançada, não me lembro porque motivo, foi mais lento a retirar a mão e a granada cortou-lha instantaneamente. Esse jovem é de Lamego, já organizou um almoço na sua terra, um dos memoráveis, e foi também ao almoço do ano passado em Pedras Rubras, organizado pelo Viana. Este ano não apareceu.
Leandro Guedes

1 comentário:

Raul Pica Sinos disse...

Meus Amigos

Em sede do texto acima refere-se que a mão que queriam cortar ao Zé Manel era a esquerda. Pois não é verdade, a mão que lhe queriam cortar era a direita.
Aqui fica a rectificação a pedido do Zé.