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Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma! (Patoleia Mendes ).

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"Ó gentes do meu Batalhão /

Agora é que eu percebi /

Esta amizade que sinto /

Foi de vós que a recebi…"

(José Justo)


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EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

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sexta-feira, 16 de maio de 2008

Em jeito de gravata... (do Pica Sinos)


“EM JEITO DE GRAVATA” TRANSPORTAVAM NO PEITO AGARRADAS POR CORDEIS AS GRANADAS DOS MORTEIROS

As chuvas agravam o estado do terreno e particularmente das bolanhas na área de Tite. Atentos, “sentíamos” que o IN, conhecedor em pormenor do terreno, não deixará passar a oportunidade de exercer e desenvolver a sua actividade operacional. Os nossos pressentimentos têm fundamento quando somos conhecedores, através da informação, da intenção do IN instalar, por escassos dias, acampamentos perto das principais tabancas localizadas no perímetro operacional de Tite para, através da força e com o objectivo de engrossar os seus efectivos, “recrutar” jovens e outros elementos da população nativa com vista à prestação dos apoios como carregadores das suas colunas para reabastecimentos de material bélico e dos géneros alimentícios; fundamentalmente, o arroz de que necessita para o sustento dos seus exércitos. Simultaneamente procurar conhecer e, consequentemente, anular a movimentação das NT com vista a evitar que os naturais desses principais aglomerados populacionais se apresentem com as denúncias.

As Operações Especiais em Tite, (Bagulho por onde andas?) são informadas por populares que um grupo de 20 elementos maltratou a população de Tite de Baixo e acabara de se apoderar de grande quantidade de arroz e de vestuário (panos). Obrigara algumas mulheres a carregar o arroz roubado. E que um outro grupo com cerca de 30 elementos armados com morteiro 60, 2 LGP, e material ligeiro montara uma emboscada na orla da mata junto a Brambanda na esperança que as NT viessem a acorrer ao local nesse dia. Mas não! Era demasiadamente prenunciada a armadilha.

Por vezes, pelo silêncio da noite, era a melhor ocasião para solicitar aos telegrafistas rectificações aos “sitrepes” ou apanhados das transmissões via telegrafia. Identificar letras em textos cifrados, frases sem nexo e sem sentido de entre todos aqueles “apitos” não era uma tarefa fácil, ainda mais difícil quando as condições climatéricas eram adversas.

Uma das noites do mês de Outubro do ano de 1967 em conversa com o Amador e um outro camarada, que hoje não consigo identificar pelo nome, perguntam-me: Eles já saíram?

Não! digo eu, estão na fase da concentração. Então, dizem, vai lá ver e depois diz qualquer coisa. Assim o fiz. Abandono por instantes o “tiriri” do Centro de Transmissões e dirijo-me para a porta de armas.

Na minha frente perfilados a subir para os carros (GMC e Unimogues) os meus camaradas operacionais. São quatro horas e pouco da manhã, os homens, cerca de 50, vão armados com as mais diversas armas, as mais visíveis pelo seu porte são algumas metralhadoras pesadas e morteiros de 60mm. Agrupados por secções, uns, levam a descoberto as serpentinas das armas que suportam projécteis 7,92mm, outros, “em jeito de gravata”, transportam no peito agarradas por cordéis, as granadas dos morteiros. Estamos em plena época das chuvas, munidos com capas de borracha camuflada por cima dos corpos, com as espingardas metralhadoras G3 em segurança, mas com as balas já introduzidas nas câmaras, os meus amigos de todos os dias estão prontos para avançar rumo ao “desconhecido”. Às ordens dum oficial a operação………… começara. Em pensamento despeço-me….Até amanhã camaradas.

Raul Pica Sinos

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