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Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma! (Patoleia Mendes ).

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"Ó gentes do meu Batalhão /

Agora é que eu percebi /

Esta amizade que sinto /

Foi de vós que a recebi…"

(José Justo)


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EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

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domingo, 25 de maio de 2008

D. Georgina, minha Mãe - do Pica Sinos...


D.Georgina, Mãe do Pica Sinos....................................... o grupo de Transmissões
O EXCESSO DE ROUPA VALEU MUITAS VEZES PARA MATAR A FOME

Aquelas curtas férias de 10 dias que me foram concedidas antes do meu embarque para a Guiné-Bissau, foram dias de tormentos e de desânimo para a família mais directa sobretudo para a minha querida mãe Georgina.

Rapazola, o meu estado de espírito não era de despreocupação, mas na verdade, não tinha bem a noção do que me esperava ou o que me poderia vir a acontecer.

D. Georgina, com 60 anos de idade, apesar de analfabeta, não tinha duvidas, sabia o que era um povo revoltado, tinha a experiência das revoluções passadas, a fome e miséria, a repressão, cerceamento das liberdades anos e anos sujeitada. As privações durante e resultantes da 2ª Guerra Mundial. D. Georgina, tinha a certeza que as coisas em África não eram, nem se passavam como o Governo dizia, eram muito graves. O seu querido filho, por quem tantos sacrifícios passara para que nada lhe faltasse, ia para a guerra. A dor era muito grande.
Eu tudo fazia para a alegrar, recordo a “engraçada” discussão que tive quando arrumávamos a roupa nas malas que iriam fazer parte da minha bagagem para a Guiné……Eu só queria levar os fardamentos que me foram distribuídos, mais um ou dois pares de calças duas camisas meio dúzia de cuecas, meias obviamente e o par de sapatos mais novo.

A esta indumentária, D. Georgina, juntou quatro ou cinco camisolas interiores de espesso pêlo interior, camisas todas as que tinha, dois pares de calças, um casaco de malha e dois ou três “puloveres” também faziam parte do carregamento que me foi imposto. Eu ria-me. Não foi o fato não sei porquê mas também esteve na lista. Mãe…….não vou para o Alasca, dizia eu, mas qual quê, acenava com a cabeça em jeito de reprovação porque a garganta estava embargada do chorar. Não tive outro remédio se não aceder.

Quando voltei tive a oportunidade de lhe dizer “mãe tinhas razão”, foi todo esse excesso de roupa que valeu para muitas vezes matar a fome. Com o nativo que atendia ao balcão na tasca do branco Silva, troquei, sem que o Silva topasse, e também da produção do galinheiro da sua tabanca em Nã, muitos “nhecos” (galinhas pequenas) e outros animais domésticos até ao dia em que a roupa se esgotou.

Até amanhã Mãe……. Descansa em paz.

Pica Sinos

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