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Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma! (Patoleia Mendes, furriel milº Angola ).

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"Ó gentes do meu Batalhão /

Agora é que eu percebi /

Esta amizade que sinto /

Foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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"NINGUÉM DESCE VIVO DUMA CRUZ!..."

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra colonial


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EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

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sexta-feira, 25 de abril de 2008

Versos do Costa, ao primeiro ataque sofrido pelas nossas tropas.


Amigo Guedes.

Antes de mais os meus parabéns pelo excelente trabalho que está visível no Blog. Simplesmente excelente.

Então "passei" a limpo os versos mantendo tudo o que lá estava escrito sem alterações, espero que desta vez recebas em condições.

Já tive ocasião de ouvir as gravações que o Pica me enviou, e então a nº. 3, os primeiros 30 segundos são meus mesmo! Que grande alegria me deu o Pica. E tudo isto porque lhe escrevi num destes dias a falar do gravador do falecido Alf. Carvalho, e ele lembrou-se dessa bobina. Fantástico. O que me leva a crer que a minha "aparição" foi obra "divina"

Um abraço e... um feriado bem aproveitado

Costa



VERSOS ALUSIVOS À DATA DE 19 DE JULHO DE 1967 AQUANDO DO 1º ATAQUE TERRORISTA AO AQUARTELAMENTO DE TITE GUINÉ-BISSAU

(Versos 1ª versão)
I
No dia 19 de Julho
O ataque do inimigo
Eu nem me posso lembrar
O susto que trago comigo
II
Tive medo, tive medo
Não o posso negar
Mas que ideia foi a deles
De nos virem atacar
III
Comecei a rastejar
Todo feito num embrulho
Eram dez menos um quarto
No dia 19 de Julho
IV
Quarta-Feira fatal dia
Que grande barbaridade
Estavam bem instalados
Atacaram à vontade
V
Ninguém os viu essa tarde
A montar o seu abrigo
Apanhou-nos de surpresa
O ataque do inimigo
VI
Começou a manelica
A dar fogo de rajada
E a traz para disfarçar
Vinham tiros da pesada
VII
Caiu uma bazucada
Que ao forno foi parar
Deu-nos cabo do pãozinho
Eu nem me posso lembrar
VIII
Durou quarenta minutos
Elas caíam cá dentro
Eu gostava de saber
Quem é que contou o tempo
IX
Eu não tive alento
Acreditem no que digo
Que nem sou capaz de dormir
Do susto que trago comigo
Tite, Guiné-Julho 1967
(Versos 2ª Versão)

I
No dia 19 de Julho,
Os turras fizeram tanto barulho
Que nem se podia ouvir.
Houve tanta morteirada e roquetada
Dentro do Quartel de Tite foi cair!
II
Estava eu tão descansado
E à porta d’armas estava sentado,
A falar com o nosso “Furriel” Heitor
Onde desviado de nós caiu uma granada
Julgando que era pesada
Que até fez calor!
III
Os nossos morteiros trabalharam
E granadas pelo ar lançaram
Nos abrigos deles foram cair
Onde os turras estavam instalados
Alguns deles foram estilhaçados
Mas conseguiram fugir!
IV
Tanto sangue se lá viu!
Perto dos abrigos, onde nossa granada caiu,
Que nem se podia ver.
Alguns deles foram levados
Para não serem apanhados
Ali, deviam morrer.
V
Alguns dos nossos soldados
Ali foram instalados no posto da enfermaria
E agora vou-lhes falar
Tenho muito que contar
Do que foi este dia…
VI
Alguns foram para os abrigos
À espera do inimigo
E outros andaram em cima da lama
Eu próprio fui dar com o “cabo”
Do S.P.M. deitado debaixo da cama!
VII
Agora vou-me despedir
Com amor sincero e paixão
Adeus malta da minha companhia
E também do Batalhão

José Costa
Tite, Guiné-Julho 1967
disse...
Alô Zé Costa.
Agora sim já posso ler os teus versos como deve de ser.Já não me lembrava da tua veia poética, será que continuas versejando, ou foi tique da juventude.Faz bem ler-te e relembrar momentos menos bons, mas que nos fizeram crescer e passar de rapazes a homens.Um grande abraço
Zé Justo.

1 comentário:

disse...

Alô Zé Costa
Agora sim já posso ler os teus versos como deve de ser.
Já não me lembrava da tua veia poética, será que continuas versejando, ou foi tique da juventude.
Faz bem ler-te e relembrar momentos menos bons, mas que nos fizeram crescer e passar de rapazes a homens.
Um grande abraço