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Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma! (Patoleia Mendes ).

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"Ó gentes do meu Batalhão /

Agora é que eu percebi /

Esta amizade que sinto /

Foi de vós que a recebi…"

(José Justo)


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EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

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domingo, 16 de março de 2008

Por falar em... recordando!


A “suite” que ocupava no edifício das transmissões não tinha mais que seis metros quadrados (3x2). Era provida de um beliche duplo, o indispensável mosquiteiro, armário com gavetas e mesa-de-cabeceira, ambos de madeira com pintura pró abstracto. Duas janelas, uma com vistas para a porta de armas, a outra sem qualquer vista a não ser para a chapa de zinco da caserna que estava perto. A decorar uma das paredes, cuidadosamente e estrategicamente aplicadas, várias fotografias de mulheres em papel de revistas, fazendo inveja a qualquer decoração de cabina de tractores/TIR de longo curso, sendo, não raras as vezes, reclamadas para troca pelas mais variadas patentes militar, capitão inclusive.
Por falar em capitão……. As mensagens dirigidas ao comandante do batalhão por norma eram entregues a um capitão (não miliciano) da Companhia de Comandos e Serviços. Também era norma os operadores de cripto determinarem se o assunto era de molde, a acordar, durante a noite, ou não o dito cujo, sendo certo que em caso de dúvidas não hesitávamos em pôr as pernas ao caminho até pavilhão dos oficias.
Uma das noites, pelas três horas da madrugada, entendi acordar o indivíduo entregando-lhe uma mensagem classificada como urgente e secreta. O homem não gostou: “na próxima vez que me acordares às três da manhã levas com uma bota na cabeça” disse. Não sei que cara lhe mostrei, mas na verdade seguiu-se muitas vezes (nem sempre com a razão de ser) o odioso despertar a horas menos bem sem que as botas “voassem” do respectivo sítio.
Por falar em revistas……. Uma dada ocasião, o Alferes das transmissões, de joelhos em cima da cama superior do beliche, virado para a “exposição fotográfica” procedendo à operação de descolagem e colagem de fotografias, em jeito de brincadeira pergunto…….O meu alferes pertence aos “serviços secretos”? Porquê retorquiu. Os saltos dos seus sapatos têm a marca “SS”……. Não me pareceu que tivesse gostado da brincadeira, na medida em que, pronto respondeu: …….”Deves ter mais cuidado com o que dizes. E…… já agora, avisa lá a Maria Emília, (minha namorada) que deixe de falar com uma tal Lurdes (colega no emprego) sobre o que se passa em Tite”……. Ainda hoje estou para saber com é que ele obteve tal informação. Claro que não deixei de desabafar com a minha namorada a vida em Tite. Avisei, isso sim para Lisboa que a Lurdes tivesse mais cuidado nas conversas fora do contexto a duas.
Mas voltando ao quarto…….Já vos disse que o companheiro que partilhava comigo o quarto, era o Justo. Zeloso dos seus pertences, tinha o cuidado nas gavetas do armário que lhe estavam destinadas, colocar sabonetes desprovidos da respectiva embalagem para que a roupa absorvesse os aromas. A minha ia “à boleia” uma vez que ocupava as gavetas de baixo. Nos momentos de “insónias” tendo em conta “bejecas já despejadas” de entre uma das muitas conversas, o Justo era da opinião de montar na janela fronteira à porta de armas, uma metralhadora “Breda” …… “no caso de infiltração do IN, logo faríamos accionar o gatilho”…….“Umas granadas de mão também não era mal pensado”.
Por falar em granadas de mão……Lembro-me uma vez, com o propósito de caçar “rancho melhorado” numa das bolanhas existentes na estrada que ligava Tite ao Enxudé, junto ao arrozal, não a mais que a um quilómetro do quartel, resolvemos dar uns tiros aos patos que por ali costumavam estacionar. Com a nossa aproximação, logo levantaram voo, por mais tiros que fossem disparados, não vimos cair nenhum. Mas….não viemos sem petisco, as duas granadas de sopro que jogamos na água foi acto previamente estudado, para……no caso de insucesso com os “cantantes” a alternativa estava no caçar peixes, o que aconteceu.
Voltando atrás……evidentemente que expliquei ao belicista que partilhava o quarto comigo que a ideia da metralhadora não era boa. Fazia mais sentido construir entre o tecto falso e o telhado de zinco uma “placa” de toros de madeira e terra de modo a amortecer os impactos causados pelos morteiros 82 que o IN infligia nos ataques ao aquartelamento.
Por falar em ataques do IN……. No “barracão” do Palma, foi festa rija a passagem do ano 1967/68, felizmente sem “fogo de artificio” dirigido ao quartel. Das muitas bebedeiras existentes, uma sobressaiu! Assistido pelo médico e de levado às costas para a cama, o meu companheiro destas conversas esteve em coma alcoólico cerca de dois dias.
Já me esquecia……a placa de toros de madeira e terra que construímos nunca foi testada a sua eficácia, pelo menos no nosso tempo da permanência em Tite.

Raul Pica Sinos
A foto foi cedida pelo Justo

2 comentários:

alcindaleal disse...

Graças a Deus que a placa de toros de madeira nunca foi testada!E que o jantar de fim de ano não teve "fogo de artifício"e que agora podem contar isso tudo sem ter medo de uma qualquer "Lurdes"
Cumprimentos

Leandro Guedes disse...

Olá Alcinda.
Medo, medo a malta nunca deixa de ter.
Veja o que aconteceu com os sargentos da Armada que passearam no Rossio, foram filmados e mais tarde chamados a depor e alguns deles foram punidos - por passearem no Rossio.
Ainda há poucos dias o Pica Sinos me enviou um video que está no Youtube, em que operários duma fábrica, que estavam em greve, foram carregados pela policia de choque, bem à moda salazarenta.
E não nos esqueçamos também da carga policial sobre os agricultores, no tempo de Guterres, na Dagorda, por causa dos conflitos acerca da autoestrada do oeste, tendo até posteriormente morrido em condições algo enigmáticas, o maior responsavel destas manifestaç