.

--

Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma! (Patoleia Mendes ).

-

"Ó gentes do meu Batalhão /

Agora é que eu percebi /

Esta amizade que sinto /

Foi de vós que a recebi…"

(José Justo)


.

.
.

EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART
EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

Facebook

Para abrires o nosso FACEBOOK, clica aqui


______________________________________________________________

segunda-feira, 10 de março de 2008

Há horas do diabo !!


Nos dois anos em Tite, uma grande verdade aprendi...- por pouco se vive...por pouco se morre.
Infelizmente a história do nosso Batalhão e das Companhias e Pelotões que nos apoiaram, ficou marcada por várias mortes e feridos...dos outros, os “todo rotos” nunca saberemos.
Muitos de nós ficámos a dever a vida a situações de pura sorte, outros por falta dessa mesma sorte, encontraram a morte.

Este camarada, pertencia a uma Companhia operacional que em substituição, tinha chegado a Tite há cinco dias.
Como habitualmente, quem destacava o pessoal para o reforço nocturno dos postos avançados, sempre que havia “piriquitos” metiam-nos logo à alinhar - a velhice é um posto - e claro, descansavam um pouco mais os “velhinhos” e eles depressa começavam a tomar contacto com a realidade da guerra.
Nessa noite, mais uma vez estavamos a ser atacados, e em força - foram referenciados mais de trezentos rebentamentos de artilharia dentro do perímetro do quartel - ouviam-se os assobios característicos das granadas antes de caírem, o cheiro intenso a córdite, um fumo branco muito espesso, as balas tracejantes da pesada dos “turras” (eles a nós chamavam-nos Tugas) os gritos, as ordens, e tudo o que nos movimentava nessas ocasiões.
Camaradas que estavam abrigados num dos abrigos perto do parque-auto, começaram a ouvir gemidos e gritos, claro que era difícil alguém sair do abrigo durante o ataque, mas os gemidos persistiam, e dois homens de grande coragem, saíram a rastejar na direcção dos mesmos.
Um moço, que vinha a fugir do fundo do parque-auto, onde estava a fazer um petisco com outros da Companhia, tinha sido atingido por um estilhaço que lhe penetrou pelo anus !!. Desgraçadamente morreu, e no outro dia, vimos as suas pegadas marcadas a sangue e tecido orgânico, no passeio elevado do edifício das tms, quando amparado pelos dois homens que o resgataram se dirigiram para a enfermaria.
Um estilhaço de granada tem um poder de penetração e destrutivo no corpo humano imenso, isto porque tem uma forma bastante irregular, cheio de arestas vivas, está ao rubro, e é projectado a uma velocidade tremenda.
Revés do destino; ele tinha cinco dias de Guiné; tinha-se desenfiado do reforço para que tinha sido indigitado, e foi apanhado pelo rebentamento da granada a poucos metros do abrigo.

Nunca esquecerei e aqui presto a minha homenagem aos Homens que com o seu gesto corajoso o socorreram e ampararam no seu trajecto terminal da vida, ainda longo até á enfermaria, e debaixo de fogo.

Zé Justo

Sem comentários: