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Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma! (Patoleia Mendes ).

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"Ó gentes do meu Batalhão /

Agora é que eu percebi /

Esta amizade que sinto /

Foi de vós que a recebi…"

(José Justo)


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EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

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segunda-feira, 3 de março de 2008

A frustrada fuga do Pica Sinos para Lisboa

Foto do Hospital militar de Bissau, agora um monte cacos

A MINHA FRUSTRADA “FUGA” PARA LISBOA

Esta história, desculpem-me os demais, é dedicada aos meus camaradas Cavaleiro e Justo.
Eles merecem esta explicação, porque durante mais ou menos dois meses, ficaram sozinhos no Centro de Cripto, em Tite…. A “bulir” como escravos…. E o Pica Sinos…. “A sornar, beber e comer em Bissau”
Como estão recordados, o Capitão médico que nos acompanhou desde início em Tite, era um homem de estrutura corpulenta, aparentava ter entre os 45/50 anos de idade. Era um Homem, justamente revoltado, por deixar para trás uma vida estabilizada, consultório (em Lisboa?), o sustento da família, etc.
Numa consulta em Tite, perante queixas das dores, detectou-me duas ramificações ósseas, que anatomicamente, nada tinham a ver com o esqueleto; A não ser operado, corria o risco, com o crescimento, de perfurações na carne.
Decorria o ano de 1968, talvez no mês de Setembro (?), recebo uma mensagem criptada e confidencial, dando nota que o Capitão médico, aquartelado em Tite, iria receber guia de marcha para se apresentar no QG, em Bissau, acrescentando….indigitado para chefiar o Hospital Militar. Sabendo disto, num dos dias seguintes, voltei a falar com o médico, perguntando-lhe se quando em funções no Hospital Militar, trataria do meu problema? A resposta foi afirmativa. Que eu aguardasse a chamada.
Já em Bissau, no dia antes do internamento, por coincidência, encontrei o médico, à noite, na esplanada do café Portugal. Convivemos bebendo umas cervejas. Discutimos problemas políticos; a saturação da guerra, no regresso à família viva, etc. E foi de seguida que oportunistamente lhe pedi, guia de marcha para ser operado em Lisboa. Sorrindo, disse o homem……. Por minha vontade ias já camarada. E continuando a sorrir…. Disse o médico, …..: Pica Sinos, se nós em Bissau, amputamos/cortamos, braços e pernas, diz-me…. Porque razão não podemos cortar, os teus “pequenitos ossitos”? Fiquei como devem calcular….”lixado”!
Já operado… teria que regressar a Tite. Os pontos seriam tirados na enfermaria, dali a vinte dias apresentar-me-ia no hospital, para ser operado ao outro joelho. Nessa noite, no primeiro, ou nos primeiros dias de Novembro, assisti, na muralha do rio Geba, (**) em Bissau, a um ataque a Tite. Não consigo, hoje, descrever com exactidão, o meu sentimento, ao lembrar-me dos meus camaradas em sofrimento naquela hora. Mas uma certeza ainda conservo; aquele ataque tirou-me toda a vontade/coragem para regressar a Tite….
Pedi a Cabo Silva (enfermeiro na enfermaria ortopédica) se podia passar as 20 noites no Hospital até me operarem ao segundo joelho? Ao concordar, passei a….“desenfiado”. Tinha agora um segundo problema…. As refeições. Podia dormir no hospital, mas comida “cá tinha”. Valeram-me, quando não tinha dinheiro, os “putos do pé descalço da minha infância – (o Tony e o Mané) – ao partilharem comigo a sua comida, trazida da Marinha e do quartel da Policia Militar.
Meus Amigos, não pensem que os 20 dias “desenfiados” foram fáceis. Era muito o medo com a situação que criei! Com a agravante de, por uma ou duas vezes, chegaram perguntas do género “quando regressas a Tite?”. Uma dessas perguntas foi feita pelo Furriel Serafim (***) que trabalhava no entreposto/armazém do nosso refeitório em Bissau. Concluindo: Dias depois, na lancha de borracha que tínhamos em Enxudé, já sem os “ossitos”, regressei amedrontado a Tite.

Cavaleiro e Justo, espero que com esta explicação, o “trabalho suplementar” que tiveram em Tite, por ocasião da minha ausência, esteja “pago”.

Raul Pica Sinos

(*) Estive a ver se constava na caderneta militar, algum registo desta minha deslocação a Bissau. Nada. Aqueles escriturários (Henrique de Peniche e companhia) também eram uns sornas da primeira linha. (**) Talvez não saibam, mas um dos “divertimentos” do pessoal tropa, e não só, em Bissau, era ir para esta muralha “assistir” aos ataques a Tite, Só viam os clarões, imaginado o resto. Mesmo assim a malta era considerada heróica. (***) Este nosso camarada, tal como o Guedes, em Tite, também andava muito de jeep pelas ruas de Bissau, não sei o que a fazer, mas tá bem. Ó Serafim, grande amigo, não te vejo desde o nosso encontro no Casino Estoril, onde pagaste um copo no bar dos artistas. Para provocar tenho uma pergunta para fazer? Os ovos que encomendavas para Tite não saíam da mesma fábrica/buraco habitual nas galinhas?

1 comentário:

biabisa disse...

A preguicite atinge todos. Mas quando se está doente todas as artimanhas são óptimas para melhorarmos psicológicamente. Suponho que ninguém se importou com a influência que recebeu de alguém.